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II SÉRIE-A — NÚMERO 4

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cuidados contínuos de obstetrícia, taxas mais elevadas de parto vaginal espontâneo, maior utilização de uma

piscina de parto, taxas mais baixas de utilização de epidural e taxas de aleitamento materno mais elevadas, em

comparação com aquelas que receberam cuidados em unidades hospitalares.19

O National Childbirth Trust (NCT), preocupado com o facto de poderem estar a diminuir as oportunidades

dadas às mulheres para escolherem o tipo de parto e cuidados que pretendem receber, realizou um Inquérito

online com 2000 novas mães em Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte denominado «Creating a Better

Birth Environment – Women’s views about the design and facilities in maternity units: a national survey», com o

objectivo de avaliar se o ambiente no parto tem ou não consequências na experiência vivida pela mulher.20

Este estudo concluiu, nomeadamente, que: nove em cada dez mulheres sentiram que o ambiente físico pode

determinar o quão fácil ou difícil é dar à luz; muitas mulheres tiveram acesso limitado a serviços que

consideravam ser muito importantes durante o trabalho de parto; a maioria das mulheres disse que ter um quarto

limpo, ser capaz de se movimentar no quarto e ter mobiliário confortável para si e para os seus acompanhantes

e familiares era bastante importante; as mulheres cujo parto ocorreu em ambiente hospitalar tiveram acesso a

menos serviços e comodidades úteis do que aquelas cujo parto ocorreu em casa ou num Centro de Nascimento;

as mulheres que tinham acesso a boas instalações tinham mais probabilidades de ter um parto vaginal do que

as mulheres que tinham instalações mais pobres e, por último, as mulheres que realizaram uma cesariana de

emergência tiveram menos probabilidade de ter acesso a boas instalações em comparação com as mulheres

que tiveram um parto vaginal.

Para além disso, foi ainda identificado pelas mulheres como importante o facto de conseguirem controlar o

aquecimento e a iluminação, bem como quem entrava no seu quarto durante o trabalho de parto e, ainda, o

acesso fácil a uma casa de banho, com duche ou banheira, ou o acesso a uma piscina de parto.

Importa ter presente que, em fevereiro de 2018, a Organização Mundial de Saúde21 emitiu orientações para

definir padrões de atendimento globais para mulheres grávidas saudáveis e reduzir intervenções médicas

desnecessárias, nas quais recomenda que as equipas médicas e de enfermagem não devem interferir no

trabalho de parto de uma mulher de forma a acelerá-lo, a menos que existam riscos reais de complicações.

O documento inclui 56 recomendações sobre o que é necessário para o trabalho de parto e pós-parto, dos

quais se destaca o direito a ter um acompanhante à sua escolha durante o trabalho de parto e o respeito pelas

opções e tomada de decisão da mulher na gestão da sua dor e nas posições escolhidas durante o trabalho de

parto e ainda o respeito pelo seu desejo de um parto totalmente natural, até na fase de expulsão.

É, ainda, mencionado que a medicalização do parto, uma frase utilizada para descrever a utilização regular

de intervenções médicas para iniciar, acelerar, regular e controlar a gravidez pode ter prejudicado a confiança e

capacidade das mulheres para dar à luz e, potencialmente, diminuído aquilo que deveria ser uma experiência

positiva e memoriável.

De facto, a OMS tem defendido que, para além da prestação de cuidados de saúde clinicamente eficazes,

há que fazer mais para garantir que as mulheres se sentem seguras e confortáveis durante o parto para garantir

uma experiência positiva.

Para melhor conhecer esta realidade, a Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto,

lançou um inquérito às mulheres sobre a sua experiência de parto, em fevereiro de 2015, com uma amostra

superior a 3000 mulheres, destinado àquelas cujo parto tivesse ocorrido em Portugal entre janeiro de 2012 e

março de 2015.22

De acordo com os resultados obtidos, a quase a totalidade dos partos reportados aconteceu em ambiente

hospitalar. Verificou-se que a maioria das mulheres teve alguma intervenção durante o seu trabalho de parto e

parto (apenas cerca de 11% de partos foram sem intervenção), o que contrasta com o número expectável de

partos fisiológicos numa população como a portuguesa.

19 Cfr. The Economic Costs of Intrapartum care in tower hamlets: a comparison between the cost of birth in a freestanding midwifery unit and hospital for women at low risk of obstetric complications, publicado por City, University of London (pode ser consultado em: http://dx.doi.org/10.1016/j.midw.2016.11.006) 20 Cfr. Creating a Better Birth Environment – Women’s views about the design and facilities in maternity units: a national survey, publicado por National Childbirth Trust (pode ser consultado em: https://www.nct.org.uk/sites/default/files/related_documents/BBE_report_311003.pdf ) 21 Cfr. WHO recommendations Intrapartum care for a positive childbirth experience (pode ser consultado em: https://www.who.int/reproductivehealth/publications/intrapartum-care-guidelines/en/) 22 Cfr. Experiências de Parto em Portugal – Inquérito às mulheres sobre as suas experiências de parto, da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto, que pode ser consultado em http://www.associacaogravidezeparto.pt/wp-content/uploads/2016/08/Experi%C3%AAncias_Parto_Portugal_2012-2015.pdf

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