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II SÉRIE-A — NÚMERO 108

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Pradarias marinhas

As pradarias marinhas – um dos ecossistemas mais produtivos do planeta – retêm nos seus sedimentos

elevadas quantidades de dióxido de carbono através da captura de matéria orgânica em suspensão na água e

da remoção de CO2 da atmosfera, sendo mais eficientes que as florestas terrestres a sequestrar carbono.

Contudo, quando destruídos ou degradados, estes ecossistemas passam de sumidouros a emissores de GEE,

ao libertarem o carbono acumulado nos seus sedimentos.

Segundo estimativas recentes2, se a sociedade pagasse alguns dos benefícios gerados gratuitamente pelas

pradarias marinhas, como por exemplo a regulação climática, o controlo da erosão, o ciclo de nutrientes ou a

produção alimentar, teria de desembolsar anualmente cerca de 27 mil euros por hectare deste ecossistema.

Em Portugal, as pradarias marinhas «enfrentam um declínio sem precedentes da sua distribuição». Assim o

afirmam os autores de um estudo científico3 no qual é analisada a distribuição, entre 1980 e 2010, das

populações de Zostera noltii, Zostera marina e Cymodocea nodosa – as três principais espécies de plantas de

pradarias marinhas presentes em Portugal. Segundo as estimativas dos autores, existem cerca de 2000

hectares de pradarias marinhas em território nacional. As dragagens de estuários, a construção de marinas e

portos, e as descargas de efluentes industriais, agrícolas e urbanos em águas costeiras estão entre os principais

fatores que contribuíram para a degradação, fragmentação e destruição de vastas áreas de pradarias marinhas

no nosso País.

Sapais

Ocorrem em sistemas estuarinos e lagunares parcial ou permanentemente inundados por água salgada.

Conferem proteção costeira, filtram poluentes, controlam a erosão e servem de habitat para a biodiversidade,

albergando inúmeras espécies de aves, peixes, crustáceos e bivalves.

Os sapais desempenham um papel de grande relevo na regulação climática ao capturarem e reterem

elevadas quantidades de GEE na biomassa da vegetação e sedimentos. Estima-se que os sapais sequestrem

anualmente entre 6 a 8 toneladas de CO2eq por hectare4, uma taxa duas a quatro vezes superior à de sequestro

de carbono das florestas tropicais maduras5. Estes e outros benefícios dos sapais, se convertidos em valor

pecuniário, podem ascender a mais de 180 mil euros anuais por hectare.

As zonas de sapal do litoral português estão distribuídas de norte a sul do país. Faltam estudos científicos

sobre as tendências de distribuição nas últimas décadas. No entanto, tendo em consideração que estes

ecossistemas estão situados em zonas litorais sujeitas a uma grande pressão urbanística, agrícola e industrial,

e considerando a artificialização sofrida pelo litoral português nas últimas décadas, não é descabido considerar

que as zonas de sapal têm regredido ao longo dos anos no nosso País.

Florestas de macroalgas

As florestas de macroalgas sustentam comunidades ecológicas diversas e produtivas. São um dos sistemas

com taxas mais elevadas de produtividade primária por unidade de área, rivalizando com a produtividade de

culturas agrícolas e florestas tropicais. Estes ecossistemas marinhos costeiros contribuem com inúmeros

benefícios para a nossa sociedade. Sustentam as pescarias – são zonas de reprodução, berçário, abrigo e de

alimentação de centenas de espécies; reciclam nutrientes, melhorando a qualidade da água; e protegem as

zonas costeiras das tempestades e da subida do nível médio do mar ao dissiparem a energia das ondas e das

marés.

As florestas de macroalgas podem ainda desempenhar um papel relevante no sequestro de carbono e

consequentemente na mitigação dos efeitos da crise climática. Estes ecossistemas acumulam um nível

substancial de carbono na sua biomassa, contribuindo ainda para a deposição de carbono nos sedimentos

2 https://tinyurl.com/rh33go4 3 https://tinyurl.com/sbprwel 4 https://tinyurl.com/wlsflzn 5 https://tinyurl.com/rs8hf4r

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