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II SÉRIE-A — NÚMERO 218

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Ao contrário do que ocorre durante a infância, na idade adulta não existe ainda, no nosso País, a tendência

de se seguir um plano de vacinação, a par do que acontece um pouco por toda a Europa, que inclua a vacinação

em adultos, com exceção da realidade muito recente que a COVID-19 veio alterar.

A vacina Shingrix está aprovada desde 2017 em 37 países e é recomendada e incluída nos programas

nacionais de vacinação pelas autoridades de saúde nacionais de, pelo menos, nove países: Alemanha, Canadá,

Espanha, Holanda, Israel, Itália, Reino Unido, Suíça e Estados Unidos da América11.

Desde 2021, que a Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia defende a vacinação dos idosos contra

várias doenças, nomeadamente contra a HZ, constituindo um dos pilares fundamentais que contribuem para o

envelhecimento saudável, referindo os especialistas que a «vacinação é um dos maiores sucessos da história

da Medicina, tendo salvado mais vidas, talvez nos últimos 50 anos, do que qualquer outra intervenção médica»12.

Também a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu, formalmente, a necessidade de uma

abordagem à vacinação ao longo da vida no seu Plano de Ação Global de Vacinação e, em 2022, intitulou a

Semana Mundial da Imunização com o tema Uma Vida Longa para Todos, apelando à prevenção das doenças

infecciosas com maior expressão na população mais velha.

Acresce referir que a HZ tem a particularidade de não se transmitir de pessoa para pessoa, mas de poder

transmitir varicela a quem nunca a teve. Estatisticamente, os dados disponíveis relativos à incidência de HZ em

Portugal são ainda limitados, dado que não existe a obrigatoriedade de notificação da doença; no entanto,

estima-se que 30 % da população seja afetada, como indica o estudo13 publicado em 2020 na Revista

Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

Na população com doença crónica e imunocomprometida, o risco é acrescido: têm 51 % maior probabilidade

de desenvolver zona, mais 25 % de risco de recorrência da doença e mais do dobro (2,37) da possibilidade de

vir a ter complicações graves, na sequência da reativação, do que indivíduos imunocompetentes.

Adicionalmente, as pessoas imunocomprometidas apresentam 2,93 vezes mais necessidade de internamento

hospitalar, permanecem 12 % mais tempo em internamento e têm baixas médicas 20 % mais prolongadas,

comparativamente à população sem doença crónica e imunocompetente.

É, portanto, necessário incrementar o diálogo entre médicos e utentes sobre os benefícios da vacinação em

adultos, bem como promover a comparticipação total destas vacinas, não só para a melhoria das condições de

saúde da população em geral, mas também numa perspetiva de prevenção global, evitando doenças e

complicações, e consequentemente custos acrescidos quer para o utente quer para o SNS.

No caso da zona e das complicações daí decorrentes, estima-se que as despesas com cuidados médicos

rondem os 105 milhões de euros/ano num país como a Alemanha, sendo que os custos relacionados com o

absentismo laboral dos doentes e respetivos cuidadores sejam ainda mais elevados do que os contabilizados

para a prestação de cuidados de saúde.

Em média, uma pessoa com zona fica de baixa por doença cerca de 12,5 dias/por episódio e, nos casos de

indivíduos afetados pela NPH, este período pode chegar aos dois meses.

O Chega entende que o Governo deve promover o conhecimento da população portuguesa sobre a

importância da vacinação em adultos e garantir o acesso e a equidade aos esquemas de vacinação no nosso

País, integrando no Plano Nacional de Vacinação a vacina contra a HZ, comparticipada, dada a importância da

prevenção da doença e objetivando uma maior e melhor longevidade dos cidadãos.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentalmente aplicáveis, os Deputados do Grupo

Parlamentar do Chega recomendam ao Governo que:

Em articulação com a Direção-Geral da Saúde, proceda à integração no Programa Nacional de Vacinação,

da vacina contra a herpes zoster.

Assembleia da República, 5 de maio de 2023.

11 Anderson TC, Masters NB, Guo A, et al. Use of Recombinant Zoster Vaccine in Immunocompromised Adults Aged ≥19 Years: Recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices — United States, 2022. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2022; 71:80–84. DOI: http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm7103a2 12 Especialistas defendem vacinação de idosos contra várias doenças (dn.pt) 13 Vacina contra o herpes zoster em Portugal | Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (rpmgf.pt)

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