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Sexta-feira, 19 de dezembro de 2025 II Série-A — Número 116

XVII LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2025-2026)

2.º SUPLEMENTO

S U M Á R I O

Decreto da Assembleia da República n.º 32/XVII:

Aprova as Grandes Opções para 2025-2029.

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DECRETO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA N.º 32/XVII

APROVA AS GRANDES OPÇÕES PARA 2025-2029

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea d) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:

Artigo 1.º

Objeto

É aprovada a Lei das Grandes Opções para 2025-2029 em matéria de planeamento e da programação

orçamental plurianual (Lei das Grandes Opções), que integra as medidas de política e de investimentos que

contribuem para as concretizar.

Artigo 2.º

Enquadramento estratégico

As Grandes Opções para 2025-2029 concretizam a visão e as estratégias de desenvolvimento definidas no

Programa do XXV Governo Constitucional, respondendo a um exigente e complexo enquadramento nacional e

internacional, nomeadamente, uma conjuntura económica global caracterizada por uma incerteza acentuada em

resultado de tensões comerciais, com impacto nas decisões de política monetária na Europa, e um cenário de

crescente instabilidade geopolítica, marcado pela persistência de conflitos armados na Ucrânia e no Médio

Oriente e pela profunda reconfiguração da arquitetura de segurança europeia.

Artigo 3.º

Âmbito

1 – A Lei das Grandes Opções integra:

a) A identificação e planeamento das opções de política económica, que constam do anexo I à presente lei

e da qual faz parte integrante;

b) A programação orçamental plurianual para os subsetores da administração central e segurança social,

que consta do Anexo II à presente lei e da qual faz parte integrante.

2 – A Lei das Grandes Opções integra um conjunto de compromissos assentes em 10 eixos prioritários:

a) Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a justiça social;

b) Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas;

c) Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado;

d) Imigração regulada e humanista;

e) Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública,

privada e social;

f) Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção;

g) Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação;

h) As infraestruturas que alavancam o País;

i) Água que Une: salvaguardar o futuro;

j) Plano de reforço estratégico de investimento em defesa.

Artigo 4.º

Enquadramento orçamental

As prioridades de investimento constantes da Lei das Grandes Opções são compatibilizadas no âmbito do

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Orçamento do Estado para 2026.

Aprovado em 19 de dezembro de 2025.

O Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

ANEXO I

[a que se refere a alínea a) do n.º 1 do artigo 3.º]

Grandes Opções 2025-2029

1. Índice

1. Índice

2. Introdução

2.1. Opções de política económica, social, ambiental e territorial

2.2. Alinhamento das opções de política económica, social, ambiental e territorial

2.2.1. Megatendências 2050

2.2.2. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU

2.3. Financiamento das medidas de política pública e fontes de financiamento das Grandes Opções 2025-

2029

3. Eixo Prioritário I – Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a

justiça social

3.1. Rendimentos

3.1.1. Aumentar os rendimentos e aliviar a carga fiscal sobre o trabalho e pensões

3.2. Poupança

3.2.1. Melhorar a literacia financeira e incentivar a poupança

3.3. Apoios sociais e inclusão

3.3.1. Tornar os apoios sociais mais eficazes e integrados

3.3.2. Promover a inclusão

4. Eixo Prioritário II – Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das

empresas

4.1. No plano da simplificação dos procedimentos

4.1.1. Combate à burocracia que prejudica as empresas e os cidadãos

4.2. No plano da digitalização da administração pública

4.2.1. Reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo

4.2.2. Inovação, empreendedorismo e digitalização

4.3. No plano orgânico-institucional

4.3.1. Reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo

4.3.2. Simplificação transversal

4.3.3. Inovação, empreendedorismo e digitalização

4.3.4. Processo de descentralização

4.4. No plano orçamental

4.4.1. Revisão da despesa pública e reforma do processo orçamental

4.5. No plano dos trabalhadores da Administração Pública

4.5.1. Promover uma cultura de serviço público de excelência

5. Eixo Prioritário III – Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado

5.1. Competitividade fiscal e laboral

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5.1.1. Melhorar o ambiente fiscal e incentivar o investimento

5.1.2. Aumentar a produtividade e a flexibilidade laboral

5.1.3. Alinhar a formação profissional com o mercado e o valor acrescentado

5.1.4. Valorizar o trabalho

5.1.5. Igualdade de oportunidades e de tratamento entre mulheres e homens no trabalho e emprego

5.1.6. Promover um sistema de proteção social e de distribuição de apoios sociais mais justo e

universal

5.1.7. Continuar a reforçar a sustentabilidade do sistema previdencial da segurança social

5.2. Concorrência e regulação

5.2.1. Promover a concorrência, a liberdade económica e a regulação especializada independente

nos setores regulados

5.3. Empresas

5.3.1. Financiamento e crescimento empresarial

5.3.2. Apoiar a tesouraria das empresas nacionais

5.3.3. Transformar custos de contexto em oportunidades

5.4. Ciência e inovação

5.4.1. Reforçar as condições para maior impacto de todos os investigadores

5.5. Fundos europeus

5.5.1. Acelerar a execução e otimizar os fundos europeus

5.6. Gestão territorial

5.6.1. Reduzir desigualdades e promover o investimento fora dos grandes centros

5.7. Turismo

5.7.1. Promover o turismo sustentável e a valorização de recursos locais

5.8. Agricultura, florestas e pescas

5.8.1. Aumentar a produtividade e o valor acrescentado nos setores primários

5.9. Juventude

5.9.1. Aumentar as oportunidades e condições de vida para os jovens em Portugal

6. Eixo Prioritário IV – Imigração regulada e humanista

6.1. Quadro legal da nacionalidade e imigração regulada

6.1.1. Reforçar critérios de atribuição da nacionalidade

6.1.2. Acolhimento e integração de imigrantes

6.2. Controlo de fronteiras e segurança

6.2.1. Alargar cuidados de proximidade

6.3. Criminalidade

6.3.1. Combate à imigração ilegal, atuação preventiva e de proximidade

6.4. Imigração qualificada, responsável e integrada

6.4.1. Acolher e integrar de forma humanista

6.4.2. Atrair talento e o regresso de emigrantes

7. Eixo Prioritário V – Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com

complementaridade entre oferta pública, privada e social

7.1. Saúde

7.1.1. Combater a desigualdade de acesso à saúde

7.1.2. Aumentar a eficiência na saúde

7.1.3. Alargar cuidados de proximidade

7.1.4. Transformação digital na saúde

7.1.5. Promover a saúde e prevenir a doença

7.1.6. Investimentos no SNS

7.2. Educação

7.2.1. Modernizar o sistema educativo e confiar nas escolas públicas: mais autonomia para ensinar

7.2.2. Criação de ambientes escolares seguros

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7.2.3. Combater as desigualdades sociais

7.2.4. Começar cedo: a educação dos 0 aos 6 anos de idade

7.2.5. Melhorar a aprendizagem: um currículo exigente e flexível para contextos de incerteza

7.2.6. Transformar digitalmente o sistema de informação educativo

7.2.7. Valorizar os professores

7.3. Cultura

7.3.1. Apoio às artes, participação cultural e promoção da criação artística e do acesso à cultura

7.3.2. Democratizar o acesso à cultura

7.3.3. Apoio ao cinema, à criação audiovisual e à preservação do património cinematográfico

7.3.4. Património cultural

7.3.5. Promoção da criação literária, da leitura e do património arquivístico

7.3.6. Projetar Portugal no panorama cultural europeu e internacional

7.4. Desporto

7.4.1. Promover estilos de vida ativos e saudáveis

7.4.2. Garantir igualdade de acesso e inclusão no desporto

7.4.3. Valorizar o talento e o desporto de alto rendimento

7.5. Mobilidade/sistemas de transportes coletivos

7.5.1. Diversificar a oferta de mobilidade

7.5.2. Regular o ecossistema da mobilidade e transportes para fomentar o desenvolvimento

económico e social

7.5.3. Combater a pobreza de mobilidade e promover a inclusão com coesão social e territorial

7.5.4. Acelerar a transferência modal para o transporte público

7.6. Segurança social

7.6.1 Transformação digital da Segurança Social

8. Eixo Prioritário VI – Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção

8.1. Proximidade e segurança

8.1.1. Reforço do policiamento de visibilidade, de proximidade e comunitário como forma de reforçar

a tranquilidade

8.1.2. Investir em novos meios tecnológicos capazes de aumentar a capacidade de vigilância das

forças de segurança

8.2. Reforço da capacidade operacional

8.2.1. Fortalecimento da capacidade operacional das forças, em especial para combater a

criminalidade violenta e grave, o tráfico de droga e a criminalidade organizada

8.2.2 Fortalecimento da capacidade operacional das forças de Emergência e Proteção Civil

8.3. Sinistralidade rodoviária

8.3.1. Aumentar a eficácia na prevenção

8.4. Respostas a novas ameaças

8.4.1. Adaptar às novas dinâmicas sociodemográficas

8.5. Criminalidade juvenil

8.5.1. Aumentar a eficácia na prevenção

8.6. Violência doméstica

8.6.1. Aumentar a eficácia na prevenção e combate à violência doméstica e proteção das vítimas

8.7. Justiça

8.7.1. Promover a celeridade processual

8.7.2. Transformação digital da justiça

8.7.3. Proteção às vítimas de crime

8.8. Combate à corrupção

8.8.1. Promover a prevenção

8.8.2. Reforçar a capacidade de repressão das atividades criminosas

9. Eixo Prioritário VII – Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação

9.1. Oferta de habitação

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9.1.1. Mobilizar património imobiliário do estado e aumentar a oferta de habitação

9.2. Construção

9.2.1. Simplificar e estimular a construção

9.2.2. Modernizar o setor da construção

9.3. Desenvolvimento urbano integrado

9.3.1. Requalificar e expandir áreas urbanas de forma planeada e integrada

9.4. Mercado de arrendamento

9.4.1. Dar estabilidade e confiança

10. Eixo Prioritário VIII – As infraestruturas que alavancam o País

10.1. Aeroportos e transporte aéreo

10.1.1. Transformação do setor da aviação em Portugal, resolvendo o atraso sistémico de decisões

e investimento de décadas

10.2. Ferrovia

10.2.1. Modernização da ferrovia e concretização do plano ferroviário nacional, assegurando um

sistema moderno e competitivo de transporte de passageiros e de mercadorias

10.3. Rodovia

10.3.1. Expandir e modernizar as redes rodoviárias

10.4. Infraestruturas – Portos

10.4.1. Expandir e modernizar as redes portuárias nacionais

10.5. Infraestruturas energéticas e tecnológicas

10.5.1. Modernizar as infraestruturas energéticas para a competitividade nacional

10.5.2. Modernizar as infraestruturas tecnológicas para a competitividade nacional

10.6. Infraestruturas de serviços públicos

10.6.1. Garantir capacidade de provisão dos serviços e funções do estado

10.7. Investimentos públicos

10.7.1. Assegurar coordenação e planeamento integrado dos investimentos públicos

11. Eixo Prioritário IX – Água que une: salvaguardar o futuro

11.1. Eficiência

11.1.1. Garantir a segurança de abastecimento à população e aos setores de atividade prevenindo

crises hidrológicas

11.2. Resiliência

11.2.1. Expandir e modernizar as infraestruturas de aproveitamento hidroagrícola

11.2.2. Expandir e modernizar as infraestruturas de armazenamento

11.2.3. Promover uma gestão especializada do abastecimento industrial

11.2.4. Restaurar rios e ecossistemas

11.3. Inteligência

11.3.1. Reformar a gestão dos recursos hídricos

12. Eixo Prioritário X – Plano de reforço estratégico de investimento em defesa

12.1. Investimento em defesa

12.1.1. Cumprir os compromissos de investimento OTAN e organizações multilaterais

12.2. Indústrias de defesa

12.2.1. Desenvolver e capacitar o setor industrial de defesa nacional

12.3. Forças Armadas

12.3.1. Garantir Forças Armadas capacitadas

12.4. Ciberdefesa e inteligência artificial

12.4.1. Fortalecer as capacidades de ciberdefesa, aplicar e regular a inteligência artificial no domínio

da defesa

12.5. Gestão de crise

12.5.1. Garantir a continuidade dos serviços em situações de crise

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12.6. Portugal na europa

12.6.1. Aprofundar a integração e o alargamento europeus

12.7. Portugal no mundo

12.7.1. Projetar Portugal nas organizações internacionais

12.7.2. Aprofundar dinâmicas comunitárias

2. Introdução

As Grandes Opções 2025-2029 correspondem às orientações e escolhas fundamentais de política pública

económica, social, ambiental e territorial até 2029, as quais estão assentes em 10 eixos prioritários:

I. Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a justiça social;

II. Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas;

III. Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado;

IV. Imigração regulada e humanista;

V. Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta

pública, privada e social;

VI. Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção;

VII. Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação;

VIII. As infraestruturas que alavancam o país

IX. Água que Une: salvaguardar o futuro;

X. Plano de reforço estratégico de investimento em defesa.

A sua estrutura assenta numa hierarquia clara, em três níveis, concebida para garantir a coerência entre a

visão estratégica e a sua implementação concreta, nomeadamente:

• Eixo Prioritário: constitui o primeiro nível de orientações das prioridades de política pública, representando

assim o vértice estratégico da arquitetura das Grandes Opções 2025-2029. Cada eixo condensa uma visão

política de médio prazo para enfrentar um conjunto bem delimitado de problemas estruturais ou desafios

emergentes que reclamam ação governativa concertada. É a unidade de enquadramento interministerial,

servindo de chapéu integrador às políticas setoriais e de referência para a monitorização do impacto sistémico;

• Tema: constitui o segundo nível de orientações das prioridades de política pública. O tema subdivide o

eixo em domínios programáticos de intervenção que partilham coerência material e operacional. Conserva a

orientação estratégica do eixo, e assume contornos setoriais, incentivando a coordenação horizontal entre

ministérios e a articulação vertical com autarquias, parceiros sociais e sociedade civil;

• Objetivo Estratégico: representa o terceiro nível de orientação de prioridades de política pública. Traduz

o que concretamente deve ser alcançado dentro de cada tema, caracterizando a abordagem de intervenção do

Governo em áreas temáticas prioritárias e estabelecendo uma ponte entre a visão temática e o portefólio de

medidas de política pública que lhe dão execução.

2.1 Opções de política económica, social, ambiental e territorial

A missão que orientará a governação assenta num princípio essencial: sem criação de riqueza não é possível

combater eficazmente a pobreza, sustentar o Estado Social, garantir a mobilidade social ou afirmar a soberania

nacional. Por isso, a Agenda Transformadora do XXV Governo Constitucional define com clareza o rumo

reformista, estruturado em 10 eixos prioritários que constituem as grandes opções de política económica, social,

ambiental e territorial, nomeadamente:

I. Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho, a poupança, o mérito e a Justiça Social – diminuir a

carga fiscal sobre o trabalho e a poupança para aumentar o rendimento disponível dos portugueses, valorizar o

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mérito e garantir um sistema de apoios sociais que funcione como uma forte rede de segurança, sem criar

armadilhas de pobreza;

II. Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas – reorganizar

as instituições do Estado e eliminar procedimentos redundantes e complexos através da simplificação,

digitalização, articulação e responsabilização, tornando a Administração Pública mais ágil e eficiente;

III. Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado – promover um ambiente de negócios

competitivo, com menos impostos sobre as empresas, maior flexibilidade e um forte incentivo ao investimento,

à inovação e ao crescimento, para que a economia portuguesa cresça, como um todo, acima da média europeia;

IV. Imigração regulada e humanista – estabelecer uma política de imigração com regras claras e controlo

eficaz, que garanta o acolhimento humanista de quem chega para contribuir para o país, combatendo a

imigração ilegal e promovendo uma integração baseada em direitos e deveres;

V. Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública,

privada e social – assegurar que a saúde, a educação e os transportes respondem às necessidades dos

cidadãos, através da simplificação, digitalização, articulação e responsabilização, mobilizando de forma

complementar os setores público, privado e social e dando mais autonomia às entidades públicas para gerir os

seus recursos com eficiência;

VI. Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção – materializar a visão de que

Portugal é um país seguro que garante a tranquilidade da sua população, onde a justiça é célere e eficaz e onde

as instituições são credíveis e transparentes, transmitindo confiança à sociedade;

VII. Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação – responder à crise da

habitação com um reforço decisivo da oferta de casas, através da simplificação dos licenciamentos, da redução

de impostos na construção e da mobilização de terrenos e edifícios públicos para criar um mercado acessível

para todos;

VIII. As infraestruturas que alavancam o País – lançar e executar os grandes projetos estruturantes que

Portugal adiou durante décadas, como o novo aeroporto, a alta velocidade ferroviária e a modernização de

portos e outras redes essenciais, para garantir a competitividade e a coesão do território;

IX. Água que Une: salvaguardar o futuro – implementar uma estratégia nacional para garantir a segurança

hídrica do País, através de investimentos em armazenamento, distribuição eficiente e reutilização da água,

assegurando este recurso vital para as populações, a agricultura e a indústria;

X. Plano de reforço estratégico de investimento em defesa – capacitar as Forças Armadas e fortalecer a

posição de Portugal no plano internacional, antecipando o cumprimento dos compromissos com a OTAN e

utilizando este investimento para desenvolver a indústria nacional de defesa.

No conjunto, estes 10 eixos prioritários correspondem às dimensões de intervenção fulcral que estruturam a

implementação de um universo de medidas de política pública focadas em consolidar e fortalecer as condições

para transformar Portugal.

2.2. Alinhamento das opções de política económica, social, ambiental e territorial

A eficácia de um instrumento de planeamento transversal estratégico de médio prazo é aferida não apenas

pela sua capacidade de responder aos desafios nacionais e do presente, mas também pelo seu alinhamento

com os compromissos internacionais e pela sua robustez e coerência perante as grandes transformações em

curso e emergentes. As Grandes Opções 2025-2029 foram concebidas sob esta dupla perspetiva: orientar as

medidas de política pública para responder aos desafios nacionais e do presente e, simultaneamente, posicionar

Portugal de forma consciente e estratégica no contexto internacional para responder aos efeitos expectáveis, de

impacto profundo e duradouro, das grandes transformações emergentes.

2.2.1. Megatendências 2050

O relatório «Megatendências 2050. O Mundo em Mudança: Impactos em Portugal»1 apresenta uma análise

1 Disponível em https://www.planapp.gov.pt/wp-content/uploads/2025/06/REPLAN-RelatorioMegatendencias2050.pdf

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das megatendências que irão moldar o futuro de Portugal até 2050. O objetivo é esclarecer a ação presente à

luz dos futuros possíveis e preferíveis, fornecendo pistas e contributos para as decisões estratégicas que irão

determinar o que será o país. É por isso uma ferramenta relevante para a construção de cenários e de uma

visão sobre o que se pretende que Portugal seja em 2050.

Megatendências e impactos em Portugal

As megatendências são processos de transformação a longo prazo com âmbito alargado e impacto profundo,

observáveis no presente e que continuarão a exercer a sua influência durante décadas. Podem ser de natureza

social, económica, ambiental, política, tecnológica ou combinar várias destas vertentes. No âmbito da equipa

multissetorial de prospetiva da Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública

(REPLAN), foi identificado um conjunto de nove megatendências globais com impacto em Portugal.

Agravamento das alterações climáticas

O aumento de temperatura de 1,5 ºC face ao período pré-industrial será, muito provavelmente, atingido antes

do final da presente década, contrariando a meta estabelecida no Acordo de Paris, e poderá ser acompanhado

de fenómenos climáticos extremos que causarão danos económicos e colocarão em causa a segurança das

populações.

Impactos em Portugal: períodos de seca prolongada cada vez mais frequentes – a par de outros fenómenos

extremos – com aumento da probabilidade de falhas na produção agrícola, de maior volatilidade dos preços dos

alimentos e da dependência alimentar face ao exterior. O aumento da ocorrência de fenómenos meteorológicos

extremos também eleva a probabilidade de ocorrência de grandes fogos florestais. A subida do nível do mar

pressionará as zonas costeiras onde se concentra a maioria da população e muita da atividade económica. As

ondas de calor representarão um risco para a saúde humana.

Em termos complementares, as alterações climáticas representam um enorme desafio à preservação do

património cultural e histórico. Nesse sentido, o aumento das temperaturas, a elevação do nível do mar, a erosão

costeira, a emissão de gases com efeito de estufa e a intensificação de fenómenos meteorológicos extremos

colocam em risco edificações, sítios arqueológicos e paisagens culturais que, ao longo dos séculos,

configuraram a identidade das sociedades.

Pressão crescente sobre os recursos naturais

A procura global dos recursos naturais poderá duplicar até 2060. A procura alimentar global irá crescer até

2050 e a produção de calorias terá de aumentar 56 %, o que implicará mais 593 mil hectares de terra cultivada,

na ausência de avanços na produtividade agrícola. Até 2050, o consumo final de energia a nível global poderá

aumentar 0,7 % ao ano.

Impactos em Portugal: maior conflito pelo uso da água entre as utilizações humana, energética e agrícola.

Será assumido um papel cada vez mais destacado nas negociações com Espanha sobre a partilha de recursos

hídricos. Portugal poderá encontrar oportunidades de desenvolvimento económico, se aprofundar a aposta na

promoção da economia circular e explorar os recursos minerais e marinhos sob a sua jurisdição de forma

adequada.

Diversificação e mudança dos modelos económicos

As escolhas entre a integração física e virtual, ou a fragmentação e o isolamento, moldarão o curso da

globalização nos próximos anos. A globalização dificilmente será revertida, mas poderá passar a operar numa

dinâmica de maior variedade de modelos económicos que estarão, simultaneamente, em cooperação e

competição entre si.

Impactos em Portugal: o País tem uma economia integrada nos circuitos da globalização e sujeita às

dinâmicas de integração/fragmentação. A aplicação do conceito de autonomia estratégica aberta e a

reconfiguração dos fundos europeus poderão ter impactos profundos. Um reforço da autonomia poderá implicar

uma recuperação das atividades mineira e industrial em território nacional num quadro de sustentabilidade.

Evoluções demográficas divergentes

O crescimento populacional, em simultâneo com o envelhecimento, será desigual entre regiões. A população

mundial deverá atingir um máximo de 10 mil milhões de pessoas até 2050, iniciando então uma fase

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decrescente. O envelhecimento será uma das transformações mais significativas do Século XXI, com profundos

impactos sociais.

Impactos em Portugal: estima-se que em 2050 haverá 297,2 pessoas idosas por cada 100 jovens. O

envelhecimento da população levará a uma maior procura de serviços de saúde, mas também pode ter efeitos

socioeconómicos negativos por via da diminuição da população ativa e da crescente pressão sobre os sistemas

de segurança social. A população portuguesa será mais diversa étnica e culturalmente e haverá um reforço da

língua portuguesa no mundo fruto do crescimento populacional nos países africanos de língua oficial portuguesa,

reforçando a lusofonia, como espaço de cooperação cultural e económica, abrindo oportunidades para a

internacionalização da produção artística e criativa.

Um mundo mais urbano

Em 2050, 68 % da população mundial viverá em cidades. As cidades tendem a proporcionar uma melhor

utilização de recursos e mais oportunidades, apesar de serem mais afetadas por problemas como a habitação

precária ou a degradação ambiental. As cidades serão o palco e os atores de muitas das dinâmicas que

moldarão o Século XXI.

Impactos em Portugal: a tendência de urbanização é concomitante com a litoralização e é previsível que os

dois fenómenos se mantenham ao longo das próximas décadas. A acumulação de pessoas na faixa litoral, por

um lado, criará externalidades positivas e, por outro lado, acentuará os obstáculos à coesão territorial e ao

desenvolvimento equilibrado do país. Com a urbanização crescente e a pressão sobre os centros

metropolitanos, a cultura ganhará importância como fator de coesão social, revitalização dos territórios e

afirmação identitária.

Um mundo mais digital

Haverá uma evolução exponencial do volume de dados, do desenvolvimento da internet das coisas e da

inteligência artificial (IA). A análise de dados para a tomada de decisões estratégicas só será possível com

algoritmos cada vez mais sofisticados. Disseminar-se-á o emprego relacionado com os dados e as tecnologias

digitais, exigindo uma atualização constante das competências dos trabalhadores.

Impactos em Portugal: o país acompanha as tendências de desenvolvimento das economias e sociedade

digitais e tem potencial para se destacar em áreas como a IA, a cibersegurança, as energias renováveis e a

mobilidade sustentável. No entanto, existem também desafios, como a capacitação digital da população, a

inclusão digital das áreas mais remotas, o combate à desinformação e os ciberataques.

Aceleração do desenvolvimento tecnológico

A aceleração do desenvolvimento tecnológico prolongar-se-á pelas próximas décadas. Novos materiais,

sistemas de fabricação inteligente e tecnologias digitais poderão causar avanços e disrupções de largo espetro

nos custos, nas cadeias de abastecimento, no mercado de trabalho, no emprego e na descarbonização.

Impactos em Portugal: novas tecnologias criarão produtos, processos e empregos, mas a procura global de

talentos poderá incentivar a emigração de pessoas qualificadas. O domínio marítimo de Portugal será vital para

o país acelerar o conhecimento dos oceanos e para a sustentabilidade. A tecnologia moldará a autonomia

estratégica e a competitividade do País. Em simultâneo, a aceleração tecnológica e a digitalização estão a

transformar as formas de criação, difusão e fruição cultural, oferecendo novas oportunidades para melhorar o

acesso à cultura e aos equipamentos culturais.

Um mundo multipolar

O centro de gravidade da economia mundial deslocar-se-á mais para este e para sul, com o crescimento de

países como China, Índia, Brasil e outros. Numa configuração geopolítica mais fluída, alguns destes novos

atores tentarão defender militarmente os seus interesses. A UE poderá ter dificuldades políticas neste novo

cenário mundial devido aos seus mecanismos de tomada de decisão e a conflitos internos.

Impactos em Portugal: o País está integrado no bloco UE-OTAN, sendo decisiva a evolução futura desse

bloco. Portugal poderá alavancar o seu domínio marítimo e a localização atlântica, a CPLP ou a sua a inserção

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nas rotas internacionais de mercadorias e de dados, procurando ter uma voz ativa nas decisões do bloco e

ajustando-se melhor às suas evoluções futuras.

Novos desafios à democracia

A persistência das desigualdades e a influência de atores não estatais capazes de rivalizar com os Estados

serão um desafio à democracia. A própria resposta das democracias a ameaças internas e externas poderá

conduzir a tentativas de limitar os direitos fundamentais. Tais desafios ao Estado de direito poderão ainda

dificultar a gestão política do bloco UE-OTAN.

Impactos em Portugal: o combate às desigualdades será crucial para a vitalidade da democracia e a

confiança nas instituições. As redes sociais poderão catalisar ativismos políticos e sociais, mas também

propagar desinformação e ódio. Num contexto europeu de conflito, Portugal deve enfrentar os desafios e

consolidar-se como uma voz cada vez mais ativa na sua resolução.

Conforme se pode observar no Quadro 1, a análise do alinhamento entre os Eixos Prioritários das Grandes

Opções 2025-2029 e as Megatendências 2050 revela uma forte consonância estratégica, indicando que as

medidas de política propostas foram desenhadas para responder ativamente às transformações globais e

emergentes. Destaca-se uma concentração de respostas em torno de três grandes transições. A transição

ecológica e de recursos, onde os eixos prioritários «Água que Une: salvaguardar o futuro», «Criar riqueza,

acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado», «As infraestruturas que alavancam o país» e «Serviços

essenciais a funcionar para todos e com qualidade» evidenciam um alinhamento extremamente consonante com

a necessidade de adaptação às alterações climáticas e à crescente pressão sobre os recursos naturais. A

transição económica e tecnológica, com os mesmos eixos a posicionarem-se como motores da modernização,

respondendo à digitalização, ao desenvolvimento tecnológico e à mudança dos modelos económicos. Por fim,

a transição social e demográfica é endereçada através de políticas focadas nos rendimentos, na habitação e na

imigração, que procuram dar resposta a um mundo mais urbano e com demografias divergentes.

Adicionalmente, é evidente o alinhamento com os desafios geopolíticos e institucionais, com o eixo prioritário

«Plano de reforço estratégico de investimento em defesa» a responder diretamente à emergência de um mundo

multipolar, menos previsível e potencialmente mais conflituoso. Está patente também a forma como vários

elementos – política de rendimentos, reforma do Estado, garantia de serviços essenciais e habitação –

contribuem positivamente para enfrentar os novos desafios à democracia, sugerindo que a coesão social e a

eficiência do Estado são vistas como pilares da resiliência da democracia, das instituições e do Estado de direito.

A existência de alinhamentos simultaneamente consonantes e dissonantes (nos termos da Nota Metodológica

associada ao Quadro 1) reflete a inerente complexidade dos fenómenos em causa, nomeadamente a

multiplicidade de ameaças, desafios e incertezas no horizonte.

Quadro 1 – Relação das Grandes Opções 2025-2029 com as Megatendências 2050

Eixo prioritários das Grandes Opções 2025-2029

Megatendências 2050

Ag

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me

nto

da

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lte

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s

clim

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Pre

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Um

mu

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ultip

ola

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Novo

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esa

fio

s à

de

mo

cra

cia

Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a justiça social

+ +++ + + + + ++

Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas

+ ++ +++/- ++ ++ + ++/-

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12

Eixo prioritários das Grandes Opções 2025-2029

Megatendências 2050

Ag

rava

me

nto

da

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lte

raçõe

s

clim

áticas

Pre

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Um

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No

vo

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esa

fio

s à

de

mo

cra

cia

Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado

++ +++ +++ ++ +++ +++ +

Imigração regulada e humanista

++ + +

Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social

+++ + +++ +++ +++/- +++ +++ + ++

Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção

+ ++ ++

Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação

++ +++ ++

As infraestruturas que alavancam o país

++ ++ +++ +++ + +++

Água que Une: salvaguardar o futuro

+++ +++ +++ + + +

Plano de reforço estratégico de investimento em defesa

+ + + + + +++

Legenda: (em branco) = sem relação || + = consonante | ++ = muito consonante | +++ = extremamente consonante || – = dissonante | -- =

muito dissonante | --- = extremamente dissonante || +/- = relação consonante, em parte, e dissonante, noutra parte || ++/- = relação muito

consonante, com elementos de dissonância || +++/- = relação extremamente consonante, com elementos de dissonância

Nota metodológica

O Quadro 1 apresenta o resultado da análise da relação entre os 10 eixos prioritários das Grandes Opções

2025-2029 e as nove megatendências com impacto projetado para Portugal em 2050.

Mais concretamente, essa análise consistiu na verificação do modo como o conjunto de elementos relevantes

– orientações, objetivos e medidas de política pública – referentes a cada eixo prioritário se relaciona com as

ameaças, oportunidades e incertezas identificadas para as megatendências referidas.

Cada um dos pontos da relação – com as ameaças, oportunidades e incertezas das megatendências – foi

classificado como consonante, dissonante ou neutro. A relação é considerada consonante se o conjunto de

orientações, objetivos e medidas de política pública do eixo prioritários concorre para a mitigação de ameaças,

para a potenciação de oportunidades ou para uma inclinação a favor do polo positivo das incertezas.

Inversamente, a relação é dissonante se o eixo prioritário potencia ameaças, anula oportunidades ou se inclina

para o polo negativo das incertezas. A classificação neutra, representada no quadro por uma célula em branco,

foi atribuída na ausência de uma relação direta ou de informação que permitisse uma avaliação inequívoca.

A classificação final que consta do Quadro 1 resulta da agregação de todas as relações de consonância e

de dissonância observadas na análise de cada eixo prioritário face às nove megatendências. O resultado é

obtido através do apuramento do número de ocorrências de cada tipo de relação, sendo posteriormente aplicada

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uma tabela de equivalências para graduar a intensidade da relação final. Note-se que, nos casos em que se

observam os dois tipos de relação, a classificação final assinala a soma de ocorrências de ambos, conforme

detalhado na legenda do quadro.

Importa notar que este exercício de análise qualitativa está, inerentemente, sujeito à interpretação da

informação constante nos instrumentos de planeamento. A metodologia usada procura sistematizar relações

complexas para efeitos de clareza analítica.

2.2.2. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU2 são um conjunto de 17

objetivos e 169 metas estabelecidos pela ONU com um apelo global para ação até 2030.

O

Quadro 2 mapeia o alinhamento das medidas de política inscritas nas Grandes Opções 2025-2029,

distribuídas pelos 10 eixos prioritários, com os referidos ODS.

Todos os ODS são cobertos pelas medidas propostas nos 10 eixos prioritários. A grande maioria das medidas

de política estão alinhadas com pelo menos um ODS e apenas cerca de 14% das medidas não se alinham com

nenhum dos 17 ODS.

Sublinhe-se que os eixos prioritários «Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos

cidadãos e das empresas» e «Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado» apresentam

uma grande abrangência no que toca à diversidade de ODS potencialmente impactados.

De realçar também que os ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestruturas) e o ODS 16 (Paz, Justiça e

Instituições Eficazes) são os mais impactados, de forma transversal, por quase todos os eixos prioritários.

Por outro lado, constata-se que há um conjunto de ODS que são impactados por apenas um eixo: o ODS 6

(Água Potável e Saneamento), o ODS 7 (Energias Renováveis e Acessíveis) e o ODS 14 (Proteger a Vida

Marinha).

Quadro 2 – Alinhamento das Grandes Opções 2025-2029 com os ODS da Agenda 2030 da ONU

2 Disponível em https://ods.pt/

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2.3. Financiamento das medidas de política pública e fontes de financiamento das Grandes Opções

2025-2029

As Grandes Opções 2025-2029 concretizam-se num conjunto de medidas de política pública cujas fontes de

financiamento abrangem fundos nacionais e europeus.

Assim, as medidas incluídas nas Grandes Opções 2025-2029 incluem fontes de financiamento nacionais,

das quais se destacam o Orçamento do Estado e o orçamento da segurança social e, de menor dimensão, o

Fundo Ambiental (FA) – que concentra num único fundo vários recursos financeiros para ter maior capacidade

e adaptabilidade aos desafios que se apresentam em termos ambientais – e o Fundo de Inovação, Tecnologia

e Economia Circular (FITEC).

Incluem também fontes de financiamento europeias, destacando-se, (i) o Plano de Recuperação e Resiliência

(PRR) – a decorrer até 2026, visa a implementação de um conjunto de reformas e de investimentos que

impulsionarão o país para a convergência europeia em termos de crescimento económico; (ii) o Acordo de

Parceria Portugal 2030 (PT2030) – que agrupa cinco fundos europeus, nomeadamente, o Fundo Europeu de

Desenvolvimento Regional (FEDER), o Fundo de Coesão (FC), o Fundo Social Europeu+ (FSE+), o Fundo de

Transição Justa (FTJ) e o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos Pescas e Aquicultura (FEAMPA); e (iii) o

Plano Estratégico da Política Agrícola Comum – que engloba o Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA)

e o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) para o período 2021-2027.

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Por fim, e ainda nas fontes de financiamento europeias, merecem destaque: (i) o Mecanismo Interligar a

Europa para os transportes, energia e digital (MIE) – que apoia o desenvolvimento de redes transeuropeias de

alto desempenho, sustentáveis e interligadas de forma eficiente; (ii) o Horizonte Europa (HE) – que financia a

investigação, a inovação e facilita a colaboração entre os Estados-Membros; (iii) o Programa «Europa Digital»;

(iv) o InvestEU – que visa estimular o investimento, apoiar a inovação e as pequenas empresas; (v) o Programa

Ambiente e Ação Climática (LIFE) – que visa o desenvolvimento sustentável e a concretização de objetivos e

metas estabelecidas pela UE no domínio de ambiente e ação climática; (vi) o Fundo para o Asilo, a Migração e

Integração (FAMI) – que contribui para uma gestão eficaz dos fluxos migratórios e para a definição de uma

abordagem comum em matéria de asilo e migração na UE; (vii) o Fundo para a Segurança Interna; (viii) o

Instrumento de Apoio Financeiro à Gestão das Fronteiras e à Política de vistos – criado no âmbito do Fundo de

Gestão Integrada das Fronteiras; e (ix) o Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu – EEA Grants

Portugal; (x) o Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE) através do Reforço da Indústria

Europeia de Defesa, destinado a prestar aos Estados-Membros uma assistência financeira que lhes permita

realizar investimentos públicos urgentes e avultados para apoiar a indústria europeia de defesa em resposta à

atual situação de crise.

O Quadro 3 reporta a programação plurianual do financiamento relativo às medidas e aos investimentos

previstos para cada um dos eixos prioritários que compõem as Grandes Opções 2025-2029.

Quadro 3 – Programação plurianual do financiamento relativo às medidas e aos investimentos previstos

para cada um dos eixos prioritários

O Quadro 43 evidencia o contributo de várias fontes de financiamento, designadamente o PRR e o PT2030,

para cada um dos eixos prioritários referidos.

Quadro 4 – Fontes de financiamento para cada um dos eixos prioritários

3 As fontes de financiamento nacionais incluem valores da Contrapartida Pública Nacional (CPN) e do Fundo Ambiental; as outras fontes europeias incluem valores associados ao PEPAC, MIE e FEAMPA.

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Nota metodológica

O Quadro de programação plurianual para financiamento das medidas de política pública contempla a

projeção de execução dos investimentos previstos no Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), em outras

fontes europeias previstas no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual (QFP 2021-2027) – nomeadamente os

fundos da Política de Coesão, acordados através do Portugal 2030 (PT2030), os fundos da Política Agrícola

Comum, enquadrados no PEPAC, do FEAMPA, através do Programa Mar 2030 e investimentos previstos no

Mecanismo Interligar Europa (MIE) – contemplando ainda medidas de política financiadas através de fontes de

financiamento nacionais, incluindo as contrapartidas públicas nacionais (CPN) dos fundos europeus, o Fundo

Ambiental (FA) e medidas cujo financiamento está previsto no Orçamento do Estado (OE) de natureza fiscal,

valorização de carreiras, apoio social e investimento na defesa. As projeções de execução para o PRR e para o

PT2030 foram elaboradas tendo em consideração a diferente natureza destes instrumentos e o respetivo estágio

de execução.

As medidas de política financiadas pelo PRR incluem as previsões de pagamento a beneficiários diretos e

finais para o período de referência entre 2025 e 2029 pelo que não são considerados os montantes já

transferidos em 2021-2024 para esses beneficiários. Estes dois pressupostos explicam as diferenças entre os

valores reportados no Quadro e os valores globais inscritos no PRR. Os valores ora apresentados não refletem

o resultado da reprogramação em curso, sendo passíveis de serem alterados, aquando da aprovação da

Reprogramação do PRR. A abordagem metodológica seguida para a previsão de pagamentos a beneficiários

diretos e finais não é compatível com uma comparação direta com o cronograma de montantes contratados com

beneficiários diretos e beneficiários intermediários.

Em particular, nos fundos programados ao abrigo do Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia 2021-

2027, o exercício previsional de execução dos fundos considera, também, o horizonte temporal 2025 –

2029/2030, pelo que os montantes apresentados ao longo do documento não são diretamente comparáveis com

os montantes constantes nos documentos de programação conhecidos, cuja execução se prolonga, em regra,

até 2029 (regra n+2) e 2030 (regra n+3).

Para os fundos da Política da Coesão, foi considerada a execução registada no ano de 2024 e a previsão de

execução para o período 2025 a 2029, no âmbito do Quadro Plurianal de Programação Orçamental. A

correspondência aos eixos prioritários foi elaborada a partir das tipologias de ação que integram os objetivos

específicos. Quando um objetivo abrangia várias áreas, o valor foi atribuído em função do peso relativo de cada

área.

Os montantes relativos ao PT2030 apenas consideram o financiamento através do FEDER, FSE+, Fundo de

Coesão e Fundo para uma Transição Justa (FTJ), pelo que não incluem os fundos dirigidos especificamente à

Aquicultura e Pescas (FEAMPA), nem ao Asilo e Migrações (FAMI).

Para a Contrapartida Pública Nacional (CPN) para o ano de 2025, é considerada a execução registada e,

para os anos seguintes, uma estimativa dos fundos incluídos no PT2030 e no PEPAC, bem como de outros

fundos europeus como o Mecanismo Interligar Europa, quando aplicável.

Os valores referentes ao PEPAC foram ajustados, tendo em consideração a 3.ª reprogramação do PEPAC

– aprovada por Decisão de Execução da Comissão Europeia de 4 de fevereiro de 2025, que teve como objetivo

manter a capacidade de resiliência das explorações e atendendo ao contexto de evolução dos instrumentos de

financiamento disponíveis, nomeadamente no âmbito do Plano Nacional de Regadios (RCM n.º 206-A/2023).

Esta reprogramação teve como consequência ajustes entre a distribuição das dotações das intervenções do

PEPAC – FEADER, tendo sido necessário rever a orçamentação das intervenções inscritas no PEPAC face ao

histórico e às necessidades de investimento inventariadas, nomeadamente para acomodar a dotação a atribuir

às intervenções que decorrem da reprogramação.

No caso do Fundo Ambiental (FA), para o ano de 2025 consideraram-se os valores do Despacho n.º 3495-

C/2025, em que foi utilizada a melhor estimativa disponível à data que corresponde aos valores já previstos nas

GO 2024-2028 e POENMP 2025-2028. Adicionalmente, assumiu-se que para os anos de 2026 a 2028 serão

assumidos novos compromissos plurianuais. Neste exercício foram consideradas as receitas do CELE 2

(comércio europeu de licenças de emissão, Diretiva (UE) 2023/959) e do Fundo Social para o Clima (FSC),

existe alguma incerteza associada às estimativas destes valores decorrente, também da necessária

harmonização legislativa por transposição da Diretiva Europeia nesta matéria.

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Em 2025 foi incluído o financiamento através de fontes nacionais de um conjunto de medidas, de cariz fiscal,

de valorização de carreiras na função pública, de reforço de apoios sociais e de investimento na defesa.

Por outro lado, importa realçar que os exercícios de projeção foram realizados com base na informação

disponível à data, não considerando eventuais alterações que decorram da revisão intercalar do PT2030 ou da

reprogramação do PRR. Não obstante, são exercícios inerentemente dinâmicos, uma vez que estão sujeitos a

atualizações decorrentes não só de alterações à programação, mas também do próprio perfil de execução

efetivamente verificado.

Por fim, foi adotada uma metodologia de classificação única. Ou seja, cada item, ou medida de política

pública, e o seu respetivo financiamento foram alocados a um único eixo prioritário. Nos casos em que uma

dada medida ou item contribuam para mais do que um eixo, foi aplicado um ponderador de forma a repartir o

financiamento por esses eixos. Os valores de financiamento alocados aos eixos estratégicos «Imigração

regulada e humanista» e «Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção» são inferiores

aos restantes eixos, esta diferença explica-se principalmente por estes eixos se centrarem, em grande parte,

em intervenções de natureza administrativa e de reformas legislativas.

3. Eixo Prioritário I – Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a

justiça social

A visão ambicionada para o país no eixo prioritário I «Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho, a

poupança, o mérito e a Justiça Social» assenta numa política que promove salários mais altos e impostos mais

baixos, considerando que o esforço do trabalho é o motor da prosperidade nacional e não pode ser penalizado

por um sistema, ou que despreza o esforço do trabalho, ou que desincentiva a produtividade e a ambição.

Neste sentido, promove-se a continuação da redução dos impostos sobre o trabalho como uma exigência de

justiça social e de racionalidade económica, continuando o caminho de diminuição da tributação para aumentar

o rendimento dos portugueses. Só com uma estrutura fiscal racional e favorável à atividade profissional se criam

as condições para reter talento, atrair investimento e reforçar o Estado social.

Ao mesmo tempo, reforçam-se as políticas públicas para promover a igualdade entre mulheres e homens, e

valorizar o papel das famílias, com o bem-estar das crianças e a conciliação entre a vida profissional, pessoal e

familiar no centro das prioridades.

Valoriza-se, também, a poupança, desonerando-a fiscalmente para reforçar os rendimentos futuros, num

ambiente de simplicidade e previsibilidade fiscal que estimule a confiança dos cidadãos e das famílias.

Garante-se, por fim, um sistema de apoios sociais unificado e coerente, com exigência no acesso, que

funcione como uma forte rede de segurança, mas que não prejudique a entrada no mercado de trabalho nem

crie efeitos de chamada para a imigração irregular. Reduzem-se os fatores de persistência da pobreza,

eliminando a retirada repentina de apoios sociais, e simplificam-se não só as prestações sociais, mas também

o acesso a estas para que o acesso seja mais claro, previsível e justo para os cidadãos mais vulneráveis.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e nos objetivos estratégicos que constam do Quadro 5.

Quadro 5 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário I «Uma política de rendimentos que

valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a Justiça Social»

Temas Objetivos Estratégicos

Rendimentos Aumentar os salários e aliviar a carga

fiscal sobre o trabalho

Poupança Melhorar a literacia e incentivar a

poupança

Apoios sociais e inclusão

Tornar os apoios sociais mais eficazes e

integrados

Promover a inclusão

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Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 6. Na sua maioria

apresentam uma evolução socioeconómica positiva, conforme se pode verificar, por exemplo, nos casos do

rendimento monetário médio anual da população e da taxa de risco de pobreza.

Quadro 6 – Indicadores de contexto referentes ao Eixo Prioritário I «Uma política de rendimentos que

valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a justiça social»

O Quadro 7 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a visão

ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 7 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário I «Uma política de

rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a Justiça Social»

Designação Situação

Plano de Ação da Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-2035

Em aprovação

Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 Adotado

Plano de Ação da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2023-2025 Adotado

Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025 (ENIPD)

Adotado

Plano de Ação da Garantia para a Infância 2022-2030 Adotado

Plano de Ação do Envelhecimento Ativo e Saudável 2023-2026 Adotado

Nova Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2025-2030

Adotado

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Designação Situação

Plano de Ação da Nova Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2025-2026

Adotado

Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-2035 Adotado

Plano de Ação para a Nova Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2027-2028

A elaborar

Plano de Ação para a Nova Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2029-2030

A elaborar

Estratégia Nacional para a Longevidade A elaborar

Estratégia Nacional para a Inclusão de Pessoas com Deficiência 2026-2030 A elaborar

Planos de Ação da Estratégia Nacional para a Inclusão de Pessoas com Deficiência

A elaborar

Plano Nacional de Formação Financeira A elaborar

Plano de Ação da Estratégia Única dos Direitos da Criança Aprovado

O Quadro 8 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 8 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário I «Uma política

de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a Justiça Social»

3.1 Rendimentos

A fiscalidade em Portugal caracteriza-se por uma forte tributação dos rendimentos do trabalho e por um

sistema complexo e mutável. Visa-se estimular uma trajetória sustentada de aumento dos salários mínimo e

médio e ainda das pensões para os próximos anos até ao final da legislatura. Por outro lado, deve introduzir-se

simplicidade e previsibilidade no regime jurídico fiscal aplicável.

3.1.1. Aumentar os rendimentos e aliviar a carga fiscal sobre o trabalho e pensões

É fundamental valorizar o trabalho com o alívio da respetiva carga fiscal. Pretende-se concretizar este

objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Salário Mínimo de 1100 euros, salário médio 2000 euros, e nenhum pensionista com rendimento abaixo

de 870 euros;

• Reduzir o IRS em 2000 milhões euros ao longo da legislatura, dos quais 500 milhões já em 2025, baixando

a carga fiscal sobre os rendimentos, em especial para a classe média;

• Consolidação e reforço do IRS Jovem como medida estrutural para aumentar o rendimento disponível e

apoiar a autonomia dos jovens;

• Prosseguir a reforma fiscal, aproveitando a revisão e racionalização da despesa fiscal (benefícios fiscais),

para ampliar o alívio fiscal transversal sobre o trabalho e o investimento. Reforço da simplificação e

previsibilidade fiscal, limitando a discricionariedade da autoridade tributária.

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3.2 Poupança

Não obstante as medidas de reforma e reforço da sustentabilidade da segurança social, há um conjunto de

condições e circunstâncias, nomeadamente o envelhecimento crescente da população portuguesa, que fazem

com que a poupança de médio e longo prazo seja importante para a preparação da situação de pensionista,

nomeadamente através de regimes complementares de reforma. É por isso crucial não só a promoção dos níveis

de literacia financeira, mas também o estímulo e o incentivo à poupança através da sua desoneração fiscal, de

modo a permitir que, no futuro, cada vez mais pessoas possam ter uma disponibilidade financeira não

dependente estritamente da pensão ou do salário que recebem.

3.2.1 Melhorar a literacia financeira e incentivar a poupança

É crucial promover a literacia financeira e a poupança das pessoas. Pretende-se concretizar este objetivo

estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Estimular a poupança, evoluindo para um sistema de tributação limitada da poupança e dos rendimentos

reinvestidos. No âmbito do processo europeu de reforço dos mecanismos de poupança, envolver neste sistema

produtos financeiros específicos para trabalhadores, associados a planos de poupança de longo prazo;

• Elevar o nível de literacia financeira da população, nomeadamente nas matérias relativas à poupança,

investimento e preparação para a reforma.

3.3 Apoios sociais e inclusão

O combate à pobreza continua a ser um objetivo a reforçar nesta legislatura, na sequência do conjunto de

medidas provenientes do XXIV Governo Constitucional. Além disso, há em Portugal trabalhadores em situação

de pobreza persistente, associada, em parte, à retirada sem período de ajustamento de determinados apoios

sociais caso se ultrapasse, por pouco que seja, determinados níveis de rendimento. Tal situação deverá ser

corrigida com vista a incentivar o trabalho e a justiça social. Adicionalmente, existe uma multiplicidade de

prestações sociais com regras complexas, prejudicando a previsibilidade e dificultando o acesso dos cidadãos

mais vulneráveis quando o apoio é mais necessário.

3.3.1 Tornar os apoios sociais mais eficazes e integrados

É fundamental promover um sistema de proteção social mais unificado e coerente, sempre que possível

digital, garantindo uma maior justiça na distribuição dos apoios sociais, e exigência no seu acesso, com reforço

da transparência e clareza da informação, assim como continuar a reforçar a sustentabilidade do sistema

previdencial da segurança social. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação

das seguintes medidas:

• Simplificar o regime das prestações sociais não contributivas, através da sua agregação económica,

englobando complementos em algumas prestações e/ou agregando prestações de natureza similar e/ou

complementar, com o objetivo de tornar mais claras as condições de acesso, melhorar a cobertura e contribuir

para o combate à exclusão (inclui prestação social única);

• Criação da prestação de incentivo ao trabalho, no âmbito de um redesenho do sistema de apoios sociais

que garanta que não há uma perda de rendimento disponível quando haja um aumento dos rendimentos do

trabalho;

• Criar um sistema digital centralizado, permitindo a consulta e o acesso rápido aos beneficiários de apoios

sociais, com requisitos de elegibilidade claros e com medidas para garantir que as ajudas não são retiradas

abruptamente quando os rendimentos aumentam ligeiramente;

• Garantir que o acesso a apoios sociais não amplifica efeitos de chamada e reforçar do acompanhamento

dos beneficiários de prestações não contributivas, garantindo o cumprimento dos compromissos assumidos e

uma entrada célere no mercado de trabalho;

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• Rever o regime de atribuição e fiscalização do rendimento social de inserção, e avaliar a sua acumulação

com outros apoios sociais e a introdução de obrigações de solidariedade;

• Rever o regime jurídico do subsídio de desemprego.

3.3.2 Promover a inclusão

É importante dar continuidade às políticas de proteção das famílias e em especial das crianças e de outros

dependentes. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes

medidas:

• Prosseguir a implementação da Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-2035,

executando os respetivos Planos de Ação, com enfoque na redução da pobreza infantil e na boa aplicação da

garantia para a infância;

• Valorizar e apoiar o cuidador informal, reforçando e ampliando a formação e certificação, bem como criar

uma bolsa de cuidadores informais;

• Promover o acolhimento familiar e da adoção ao invés da institucionalização;

• Garantir a execução da Estratégia Nacional para a Longevidade;

• Tornar os apoios mais eficazes às pessoas com deficiência, designadamente da concretização da

Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência e respetivos planos de ação, a vigorar a partir

de 2026;

• Fortalecer a rede de acessibilidades e reforçar a fiscalização no cumprimento das normas de

acessibilidades;

• Construção do «projeto vida», projeto de intervenção em três níveis: emergência, acompanhamento e

avaliação, e preparação para a autonomia das pessoas em situação de sem-abrigo;

• Desenvolver projetos-piloto experimentais e inovadores capazes de dar resposta às necessidades das

pessoas em situação de sem-abrigo, nomeadamente respostas para pessoas com dependências;

• Dignificar e apoiar o setor social e solidário, como parceiro estratégico do Estado em matéria de ação

social e na resposta aos problemas dos mais vulneráveis, reforçando também a sua sustentabilidade financeira,

através da simplificação das regras referentes aos equipamentos sociais, bem como o relacionamento entre a

Segurança Social e as instituições da ação social;

• Promover a capacitação das instituições do setor social para respostas inovadoras que privilegiem a

autonomia, o apoio domiciliário e o papel dos cuidadores informais, em detrimento da institucionalização dos

utentes.

4. Eixo Prioritário II – Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das

empresas

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário II «Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar

a vida dos cidadãos e das empresas» assenta numa política que coloca as pessoas no centro da ação

governativa, garantindo um Estado ágil, transparente, eficaz e facilitador do desenvolvimento económico e

social, atento aos riscos associados à aceleração tecnológica, nomeadamente o agravamento das

desigualdades sociais e de género.

Na reforma do Estado começa-se por simplificar, concentrar e responsabilizar, eliminando exigências

redundantes, encurtando prazos e agilizando decisões. Garante-se um ponto único de contacto para cidadãos

e empresas, e uma Administração Pública reorganizada de modo a cooperar internamente.

Acelera-se a digitalização, incluindo o uso de inteligência artificial, assegurando a interoperabilidade de

sistemas e o fluxo automático de informação entre serviços. Redefinem-se os processos para serem mais

simples e transparentes, reduzindo-se custos de contexto.

Adota-se também uma nova abordagem à organização interna do Estado, com estruturas estritamente

necessárias, seguindo princípios de descentralização e autonomia, mas com rigor na avaliação de resultados.

Orienta-se a contratação pública para ter regras claras e previsíveis, com controlo e fiscalização a posteriori,

substituindo a cultura do adiamento por uma cultura de execução com responsabilidade.

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Valorizam-se os funcionários públicos, criando condições para atrair e reter talento e promovendo o mérito e

a produtividade. Tudo isto assenta no princípio da confiança: o Estado deve confiar nos cidadãos, reduzindo

exigências injustificadas e adotando mecanismos de controlo eficazes. É, neste contexto de simplificação,

digitalização e responsabilização que se concretiza a reforma do Estado.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 9.

Quadro 9 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao Eixo Prioritário II «Reforma do Estado e guerra à

burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»

Temas Objetivos estratégicos

No plano da simplificação dos procedimentos Combate à burocracia que prejudica as empresas e os

cidadãos

No plano da digitalização da Administração Pública

Reforma da governação, organização e da prestação

do setor público administrativo

Inovação, empreendedorismo e digitalização

No plano orgânico-institucional

Reforma da governação, organização e da prestação

do setor público administrativo

Simplificação transversal

Inovação, empreendedorismo e digitalização

Processo de descentralização

No plano orçamental Revisão da despesa pública e reforma do processo

orçamental

No plano dos trabalhadores da Administração Pública Promover uma cultura de serviço público de

excelência

Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 10. Apesar do

desempenho positivo das contas públicas e de melhorias na qualificação dos funcionários públicos e na

digitalização dos serviços públicos, persistem desafios como os elevados custos de contexto, a diminuição da

qualidade regulatória e a redução da eficácia governamental.

Quadro 10 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário II «Reforma do Estado e guerra à

burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»

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O Quadro 11 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a visão

ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 11 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário II «Reforma do Estado e

guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»

Designação Situação

Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – Recuperar Portugal, Construindo o Futuro Adotado

Compete 2030 – Programa Temático Inovação e Transição

Digital Adotado

Programa de Assistência Técnica 2030 Adotado

Estratégia Digital Nacional Adotado

Estratégia para a Transformação Digital na Administração Pública 2021-2026 Adotado

Agenda Nacional para a Inteligência Artificial A elaborar

Plano de renovação e aumento dos Serviços Públicos Digitais A elaborar

O Quadro 12 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 12 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário II «Reforma do

Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»

4.1 No plano da simplificação dos procedimentos

A simplificação de procedimentos é um pilar essencial da modernização administrativa. É indispensável a

simplificação orientada para a eliminação de redundâncias, a redução de prazos e a agilidade nas decisões.

Esta desburocratização visa assegurar um Estado mais eficiente, com processos claros e rápidos, que facilite

as interações dos cidadãos e das empresas com a Administração, garantindo maior transparência e

previsibilidade.

4.1.1 Combate à burocracia que prejudica as empresas e os cidadãos

O combate à burocracia é fulcral num contexto em que a resposta pública é pressionada por maiores

exigências de eficácia, eficiência e de proximidade, e requer uma revisão profunda de processos, regras e

modelos organizacionais, numa lógica de reforma e de modernização transversais. Pretende-se concretizar este

objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Desburocratizar e acelerar os regimes de licenciamento, de autorização e da contratação pública,

eliminando o excesso de pronúncias prévias (incluindo pareceres, vinculativos ou não), privilegiando a

fiscalização a posteriori, adotando sempre que possível o deferimento tácito, e penalizando indeferimentos

injustificados;

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• Introduzir mecanismos de sunset clauses, garantindo que a ausência de clarificação relativa a um

processo de licenciamento extingue determinadas exigências, dando aos cidadãos e empresas previsibilidade

e segurança nos seus investimentos;

• Rever e simplificar as regras aplicáveis às empresas e às instituições e equipamentos sociais, desde a

sua criação e registo, eliminando atos exigidos para a sua atividade e procurando a simplificação, digitalização

e eliminação de redundâncias;

• Combinar os projetos de reengenharia de processos conduzidos por cada ministério, com um processo

aberto, recolhendo contributos da sociedade civil para identificação e preparação de medidas de

desburocratização e eliminação ou simplificação de processos ou requisitos administrativos;

• Rever e acelerar o sistema de controlo financeiro da Administração Pública, substituindo o paradigma de

controlo prévio pelo controlo concomitante e sucessivo, e concentrando a jurisdição do Tribunal de Contas no

controlo específico e na responsabilidade financeira;

• Rever e acelerar a justiça administrativa e fiscal;

• Rever as regras de contratação pública;

• Criar pontos únicos de contacto físicos e digitais para empresas e cidadãos, promovendo uma relação

simplificada e eficaz com a Administração Pública;

• Incentivar a colaboração ativa entre os diversos intervenientes para a adoção de soluções que garantam

a célere aprovação de projetos;

• Implementar uma cultura de avaliação sistemática de políticas públicas, com base em dados e evidência;

• Criar um portal público com estatísticas de cumprimento de prazos por entidade, eventualmente

associados a sistemas de incentivos;

• Desenvolver, no processo legislativo do Governo e, desejavelmente, do Parlamento e dos reguladores

independentes, a realização de testes de impacto burocrático antes da aprovação de novas medidas legislativas

ou regulatórias, com possibilidade de rejeição se o impacto for negativo;

• Criar um tribunal arbitral especializado em litígios de pequena e média dimensão entre empresas/cidadãos

e a Administração Pública (licenciamento, contraordenações, coimas). Processos rápidos (menos de 6 meses)

com decisões vinculativas.

4.2 No plano da digitalização da Administração Pública

A digitalização é essencial para tornar a Administração Pública mais ágil e acessível, e melhorar a qualidade

dos serviços que são prestados aos cidadãos e às empresas. A digitalização permite a simplificação de

processos e promove a inclusão ao facilitar a acessibilidade aos serviços públicos por parte de todas as pessoas.

O processo de digitalização contribui para uma cultura de inovação, ao incentivar a utilização de novas

tecnologias e a procura por novas soluções, melhorando a forma como as instituições públicas e a sociedade

interagem entre si.

4.2.1 Reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo

A digitalização da administração responde à exigência de uma relação mais simples, eficiente e transparente

entre os serviços públicos, os cidadãos e as empresas, implicando a reconfiguração dos modelos de

funcionamento da administração, com a desmaterialização de processos e a integração de soluções baseadas

na inteligência artificial. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Aprofundar a reforma da articulação front-office – back-office dos serviços públicos, com recurso às

tecnologias disponíveis, incluindo inteligência artificial, expandindo os serviços cujos processos podem ser

tramitados integralmente por via digital, embora assegurando assistência presencial ou remota aos cidadãos

tecnicamente excluídos;

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• Criar um regulador único para o digital para simplificar o quadro regulatório, reduzir os custos para as

empresas, promover a competitividade e inovação, assegurando um ambiente regulatório mais simples,

previsível e favorável ao desenvolvimento empresarial e tecnológico e reforçar a atratividade internacional;

• Assegurar a interoperabilidade entre serviços da Administração Pública, eliminando redundâncias através

da partilha inteligente de dados entre serviços, respeitando a privacidade e assegurando a aplicação do princípio

«só uma vez», para que cidadãos e empresas não tenham de fornecer dados já disponíveis ao Estado, e, ainda,

convergindo para o uso de uma plataforma única de interface da administração central com os cidadãos e

empresas;

• Progredir na digitalização, desmaterialização de processos, desenvolvimento tecnológico, reforço da

cibersegurança e integração de ferramentas de inteligência artificial na Administração Pública. Cada Ministério

fará um levantamento exaustivo de todos os processos burocráticos que as empresas e os cidadãos enfrentam

(com destaque para as áreas da saúde, educação e serviços de conhecimento intensivo), sendo cada um deles

objeto de uma avaliação e se a sua existência não se justificar, será eliminado. Avançar na digitalização integral

de todos os processos administrativos, incluindo a integração com IA para validação automática de formulários,

alertas de pendências e preenchimento assistido;

• Investir no desenvolvimento de soluções de IA em processos da Administração Pública, de forma a

melhorar a eficiência e a qualidade dos processos internos da Administração Pública, com vista a redução de

custos, ou a melhoria da qualidade dos serviços de atendimento aos cidadãos e às empresas.

4.2.2 Inovação, empreendedorismo e digitalização

A digitalização da Administração Pública pressupõe a existência de uma cultura de inovação e

empreendedorismo, que impulsione a transformação digital, apoie o desenvolvimento de soluções inovadoras,

tanto nos serviços públicos quanto no setor empresarial, incentive a investigação, a formação especializada e a

cooperação entre diferentes áreas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação

das seguintes medidas:

• Continuar a implementar celeremente a Estratégia Digital Nacional (EDN), posicionando Portugal como

líder europeu na transformação digital. Alinhada com o programa «Década Digital 2030» da União Europeia, a

EDN prioriza a inclusão, a sustentabilidade e a inovação responsável, assegurando que o digital é uma

oportunidade para todos e não apenas uma ferramenta para alguns, contemplando também, como prioridade, o

incentivo à participação de raparigas e mulheres nas áreas STEM e tecnológicas, de forma a diminuir as

clivagens entre mulheres e homens no setor;

• Implementar a Agenda Nacional para a Inteligência Artificial, espoletando uma nova era de crescimento

de produtividade na economia nacional e de eficiência na Administração Pública, mobilizando a sociedade para

o ensino e investigação, para a inovação e desenvolvimento de produtos e serviços suportados em tecnologias

IA, e para a qualificação dos diferentes agentes, estudantes, gestores, líderes, colaboradores da Administração

Pública ou de empresas privadas;

• Alargar a formação especializada de talentos, lançando um pacto de competências digitais, garantindo a

literacia digital e empregabilidade no sector digital para todos os cidadãos, independentemente da sua

localização ou da sua condição social.

• Definir um plano de desenvolvimento de uma infraestrutura de cloud soberana em Portugal, alavancando

a infraestrutura dos prestadores de serviço de cloud em território nacional;

• Rever o modelo atual de acompanhamento de investimento direto estrangeiro no sector digital, incluindo

fatores críticos e estratégias para a gestão e facilitação desse investimento.

4.3 No plano orgânico-institucional

A reforma do Estado também exige uma nova abordagem à sua organização interna, apostando num modelo

mais eficiente, flexível e adaptado às novas realidades sociais e económicas. As estruturas atuais, muitas vezes

complexas e redundantes, dificultam a agilidade na tomada de decisões e a resposta às necessidades da

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sociedade. Com a transformação orgânica-institucional, pretende-se assegurar uma gestão pública mais eficaz

e uma melhor prestação do serviço público.

4.3.1 Reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo

A reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo assenta em critérios

de racionalidade, eficiência e escala, promovendo uma arquitetura institucional mais simples, funcional e

transparente. Este processo implica o fortalecimento da especialização técnica e da coordenação estratégica,

para uma governação mais ágil e responsável. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Completar a reforma do centro de Governo e cúpula da Administração Direta do Estado, com a extinção

de secretarias-gerais setoriais, a valorização da especialização nas funções jurídicas e de planeamento e a

avaliação de políticas públicas, o desenvolvimento de serviços partilhados da administração central, e o

aproveitamento do potencial sinergético e racionalizador do Campus XXI;

• Processo de deslocalização gradual de vários serviços centrais da administração central do Estado para

outras regiões do território nacional fora da capital, dando prioridade àqueles cuja atividade ou recursos têm

maior afinidade com o território.

4.3.2 Simplificação transversal

A simplificação transversal visa eliminar redundâncias, fundir estruturas sobrepostas e adequar as entidades

às reais necessidades da sociedade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Reorganizar funções e extinguir estruturas duplicadas, observatórios e grupos de trabalho redundantes,

com revisão da despesa associada, e avaliação da racionalidade organizacional em toda a Administração

Pública. Alcançar uma redução líquida das entidades da administração direta do Estado;

• Rever o regime de governação do setor empresarial do Estado, reforçando a sua transparência e

qualificação, e alienando participações não-estratégicas.

4.3.3 Inovação, empreendedorismo e digitalização

No contexto da transformação digital da Administração Pública, é essencial garantir uma liderança

estratégica, capaz de integrar sistemas e otimizar a utilização dos recursos tecnológicos, para reforçar a

eficiência, a inovação e a qualidade dos serviços prestados a cidadãos e empresas. Pretende-se concretizar

este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Criar a figura do Diretor de Sistemas e Tecnologias de Informação da Administração Pública (ou Chief

Technology Officer), responsável por liderar uma estratégia digital unificada entre sectores da Administração

Pública, superando a atual fragmentação e concentrando os recursos hoje dispersos, com ganhos financeiros e

de eficiência.

4.3.4 Processo de descentralização

A descentralização de competências passa pelo reforço da gestão pública local, tornando-a mais eficaz e

ajustada às realidades de cada território. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Aprofundar o processo de transferência de competências, garantindo meios financeiros adequados,

incentivos, qualidade, coesão territorial e igualdade de oportunidades, confiando às autarquias locais,

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comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas a responsabilidade efetiva pela gestão dos serviços

públicos, tornando-os mais eficientes e próximos dos cidadãos

• Rever o regime financeiro das autarquias locais e entidades intermunicipais visando o reforço e a

autonomia da gestão financeira dos municípios;

• Promover a partilha e integração de serviços entre municípios com vista a otimizar a escala de

organização, contratação e prestação de serviços.

4.4 No plano orçamental

A sustentabilidade das finanças públicas é um pilar da estabilidade económica e da confiança nas

instituições. Neste sentido, a reforma do Estado exige uma gestão mais rigorosa e estratégica dos recursos

públicos, com racionalização da despesa, transparência orçamental e responsabilização financeira, promovendo

uma gestão pública mais eficiente e orientada para resultados.

4.4.1 Revisão da despesa pública e reforma do processo orçamental

A revisão da despesa pública e a reforma do processo orçamental, com introdução da orçamentação por

programas, reforçam o controlo e a previsibilidade da ação governativa. Pretende-se concretizar este objetivo

estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Realizar um exercício global de revisão da despesa pública nos principais ministérios com partilha das

poupanças geradas com entidades, serviços e trabalhadores;

• Reformar o processo orçamental, garantindo maior transparência e implementando um sistema de

monitorização dos recursos do Estado, com flexibilidade e responsabilização orçamental ao nível dos

Ministérios, das entidades de controlo e das estruturas operativas. Implementação de uma efetiva orçamentação

por programas (OP), definindo para cada Ministério, objetivos, indicadores e metas.

4.5 No plano dos trabalhadores da Administração Pública

A reforma do Estado passa, também, por uma revisão da política de recursos humanos, visando dotar os

serviços públicos e os seus trabalhadores de competências críticas, bem como de estratégias e políticas

ajustadas de recursos humanos e de autonomia e flexibilidade para realizarem as suas missões. Além disso,

deve valorizar-se uma cultura de iniciativa e recompensa dos profissionais do Estado. Os ganhos de eficiência

e financeiros resultantes permitirão libertar recursos que serão canalizados para a atração desse talento e a

valorização do existente.

4.5.1 Promover uma cultura de serviço público de excelência

A valorização dos trabalhadores da Administração Pública é essencial para garantir serviços públicos de

excelência. Pretende-se uma política de recursos humanos de longo prazo que aposte na qualificação, na

motivação e na progressão baseada no mérito. A promoção de uma cultura de liderança, reconhecimento e

desenvolvimento profissional é acompanhada por mecanismos de avaliação e diferenciação de desempenho,

com foco na atração e retenção de talento. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Completar a revisão das carreiras da Administração Pública nos termos do acordado com as estruturas

sindicais representantes das carreiras gerais da Administração Pública;

• Apostar na valorização reforçada dos cargos dirigentes e dos trabalhadores mais qualificados, em

particular onde o diferencial salarial face ao setor privado seja maior;

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• Adotar mecanismos de atração de jovens altamente qualificados para a Administração Pública, incluindo

através de percursos de progressão rápida;

• Desenvolver e generalizar práticas de compensação material dos trabalhadores pelo desempenho

individual e do respetivo serviço;

• Evoluir para um sistema de avaliação simples, desburocratizado, dando autonomia e responsabilidade

aos avaliadores e maior peso ao desempenho como critério de progressão por oposição ao critério da

antiguidade;

• Promover formação e qualificação de excelência, melhorando a qualidade técnica e de gestão dos

quadros da Administração Pública;

• Reforçar a formação contínua e a literacia digital, promovendo a inclusão social e o acesso equitativo à

modernização dos serviços públicos;

• Elaborar uma avaliação global dos trabalhadores por áreas setoriais e funções, antecipando necessidades

e identificando redundâncias, a fim de promover uma política ativa de redistribuição de trabalhadores no âmbito

da administração direta e indireta do Estado;

• Criar uma única entidade (através da fusão da DGAEP, INA, SSAP e ligação funcional à CRESAP,

mantendo a autonomia decisória desta última), que agregue várias funções e fases do ciclo-de-vida da política

de pessoas e recursos humanos da Administração Pública, designadamente, políticas de recursos humanos,

gestão de carreiras, compensação e benefícios, seleção e recrutamento de dirigentes e trabalhadores,

avaliação, e formação, desenvolvimento e conhecimento dos trabalhadores e colaboradores do Estado.

5. Eixo Prioritário III – Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário III «Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor

acrescentado» assenta numa política que reconhece que são as pessoas – empreendedores, empresários e

trabalhadores – que fazem a economia. Define-se a criação de riqueza como um desígnio nacional, por ser o

caminho para mitigar assimetrias sociais, gerar oportunidades para todos e assegurar a sustentabilidade do

modelo social.

Promove-se uma economia dinâmica, a crescer acima da média europeia. Uma economia concorrencial e

inovadora, que cresce nas cadeias de valor, aproveitando o potencial dos trabalhadores mais qualificados, o

dinamismo empreendedor conjugado com as competências digitais que caracterizam as novas gerações e o

conhecimento gerado no sistema científico e tecnológico. Uma economia que, enquadrada num contexto

institucional altamente competitivo e por uma elevada conectividade internacional, estimule o investimento

nacional e estrangeiro e o crescimento das empresas, com projetos de dimensão, escala e inovação, que

permitam alavancar a sua capacidade e produtividade.

As políticas de igualdade e de conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar assumem igual

importância, constituindo pilares centrais da coesão social. Orienta-se o enquadramento laboral para atenuar a

rigidez da legislação, promover relações laborais estáveis e uma melhor conciliação da vida pessoal, familiar e

profissional e permitir às empresas responder com celeridade às alterações do mercado, promovendo assim a

competitividade e a sustentabilidade da economia portuguesa. Implementa-se também um quadro regulatório

eficiente que permite fixar em Portugal empresas nacionais e estrangeiras com ambição e operações a nível

global e um sistema fiscal que incentiva o reinvestimento e com benefícios fiscais precisos, previsíveis e

eficazes, evitando a multiplicidade de pequenos benefícios e regimes excecionais que promovem a incerteza e

a elisão.

Por fim, investe-se na qualificação e requalificação da força laboral para responder ao envelhecimento

demográfico e à escassez de mão-de-obra e de competências-chave. Assegura-se que os sistemas de ensino

superior e científico e tecnológico respondem às necessidades de formação da economia e estabeleçam

relações próximas com as empresas para promover a difusão do conhecimento e a inovação. O objetivo último

é impulsionar a competitividade, a produtividade e melhores salários e promover um crescimento económico e

sustentável.

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Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos apresentados no Quadro 13.

Quadro 13 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário III «Criar riqueza, acelerar a

economia e aumentar o valor acrescentado»

Temas Objetivos Estratégicos

Competitividade fiscal e laboral

Melhorar o ambiente fiscal e incentivar o

investimento

Aumentar a produtividade e a flexibilidade

laboral

Alinhar a formação profissional com o mercado

e o valor acrescentado

Valorizar o trabalho

Igualdade de oportunidades e de tratamento

entre mulheres e homens no trabalho e

emprego

Promover um sistema de proteção social e de

distribuição de apoios sociais mais justo e

universal

Continuar a reforçar a sustentabilidade do

sistema previdencial da segurança social

Concorrência e regulação

Promover a concorrência, a liberdade

económica e a regulação especializada

independente nos setores regulados

Empresas

Financiamento e crescimento empresarial

Apoiar a tesouraria das empresas nacionais

Transformar custos de contexto em

oportunidades

Ciência e inovação Reforçar as condições para maior impacto de

todos os investigadores

Fundos Europeus Acelerar a execução e otimizar os Fundos

Europeus

Gestão territorial Reduzir desigualdades e promover

investimento fora dos grandes centros

Turismo Promover o turismo sustentável e a valorização

de recursos locais

Agricultura, florestas e pescas Aumentar a produtividade e o valor

acrescentado nos setores primários

Juventude Aumentar as oportunidades e condições de

vida para os jovens em Portugal

Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no

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Quadro 14. Verifica-se uma evolução globalmente positiva na generalidade dos indicadores.

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Quadro 14 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário III «Criar riqueza, acelerar a economia e

aumentar o valor acrescentado»

Apresenta-se, no Quadro 15, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a

visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 15 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao Eixo Prioritário III «Criar riqueza, acelerar

a economia e aumentar o valor acrescentado»

Designação Situação

Programa Internacionalizar 2030 Adotado

Compete 2030 – Programa Temático Inovação e Transição Digital Adotado

Estratégia Digital Nacional Adotado

Estratégia Nacional para uma Especialização Inteligente 2030 Adotado

Estratégia Nacional para os Semicondutores Adotado

Agenda para a Competitividade do Comércio e Serviços 2030 Adotado

Estratégia Turismo 2027 Adotado

Plano Reativar o Turismo | Construir o Futuro Adotado

Portugal Espaço 2030 Adotado

Estratégia Nacional para os Territórios Inteligentes Adotado

Programa de Valorização do Interior (PVI) Adotado

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT) Adotado

Programa Reforçar – Medidas de apoio à competitividade, exportação e internacionalização Adotado

Programa «Portugal sou Eu» Adotado

Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente Adotado

Programa de Assistência Técnica 2030 Adotado

Mar 2030 Adotado

Plano de Ação para o Mar A elaborar

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Designação Situação

Plano de ação da Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 Adotado

Plano Estratégico da Pequena Pesca Adotado

Estatuto do Jovem Pescador A elaborar

Plano Nacional para a Aquicultura A elaborar

Estratégia Nacional para as Florestas (ENF) Adotado

Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira (ENGIZC) Adotado

Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030 «Terra futura» Adotado

Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB) Adotado

Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região

Demarcada do Douro A elaborar

Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC 2023-2027) Adotado

Floresta 2050, Futuro +Verde Adotado

Plano de ação para reforçar a 'Marca Portugal' A elaborar

Plano para as Cooperativas Agrícolas A elaborar

Plano de Ação para a Economia Circular 2030 A rever

Plano Nacional de Ação para a Conduta Empresarial Responsável e Direitos Humanos

(PNACERDH) A elaborar

Plano Territorial de Investimentos A elaborar

Planos Regionais de Ordenamento do Território A elaborar

Planos Diretores Municipais A elaborar

Programa de acompanhamento pós-investimento para projetos de dimensão significativa A elaborar

Programa de garantias bancárias em modelo de portfólio A elaborar

Programa de aceleração de referência internacional dedicado a startups focadas em 'deep

tech' A elaborar

Programa 'Semente' A rever

Programa de apoio às 'Compras Públicas de Inovação' A elaborar

Programa de agendas mobilizadoras que estimule a capacidade industrial de Portugal no

domínio da defesa A elaborar

Programa de simplificação e desburocratização sequencial dos processos de licenciamento

de diferentes setores da economia A elaborar

Programa de capacitação e de apoio técnico e financeiro às PME para a adoção e

implementação do Passaporte Digital do Produto A elaborar

Programas de gestão inteligente dos destinos e de promoção da mobilidade sustentável pelo

território A elaborar

Programa Crescer com o Turismo Adotado

Programa de reconversão das áreas urbanas de génese ilegal A elaborar

Programa de apoio ao registo de patentes e de outra propriedade intelectual das empresas

portuguesas a nível internacional A elaborar

Estratégia Turismo 2035 A elaborar

Estratégia para a captação de grandes projetos industriais A elaborar

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Designação Situação

Estratégia para estreitar relações com o Mercosul A elaborar

Estratégia para a rede nacional de mercadores abastecedores A elaborar

Pacto para o Interior A elaborar

Pacto de Competências Digitais A elaborar

Agenda para a ação climática no turismo A elaborar

Agenda Nacional para a Inteligência Artificial A elaborar

Programas de apoio a projetos em modelo de 'agenda', que abranjam todas as etapas do

ciclo de inovação A elaborar

Agenda para a ação climática no turismo A elaborar

Agenda para a tecnologia e inteligência artificial no turismo A elaborar

Programa «Primeiro Pessoas», que visa a transformação digital da Segurança Social Em concretização

O Quadro 16 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 16 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário III «Criar

riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado»

5.1 Competitividade fiscal e laboral

A reforma fiscal que se pretende levar a cabo, tem como uns dos seus objetivos centrais a redução gradual

e sustentável da carga fiscal, centrada no IRS e no IRC, bem como a simplificação e redução dos custos de

cumprimento das obrigações fiscais, e a agilização da justiça tributária. Simultaneamente, para uma economia

aberta como a economia portuguesa, é crucial que a legislação laboral permita às empresas responder

celeremente a alterações do mercado e do seu modelo de negócio. A legislação laboral deverá promover a

competitividade e a sustentabilidade da economia portuguesa e não constituir um entrave à atração do

investimento direto estrangeiro. Adicionalmente, a legislação laboral deve procurar responder aos desafios que

se colocam aos trabalhos e suas famílias, promovendo por um lado, relações laborais estáveis, e por outro lado

uma melhor conciliação da vida pessoal, familiar e profissional. Paralelamente, a legislação laboral terá de ser

reajustada de forma a possibilitar uma maior flexibilidade às empresas perante necessidades de adaptação às

tendências do mercado, de forma a manterem-se competitivas num contexto económico global. De igual modo,

novas dinâmicas sociais, decorrentes de mudanças relativas aos desafios da digitalização e da transição verde,

podem afetar os equilíbrios socio-laborais vigentes, o que exige capacidade de antecipação do Estado,

nomeadamente através de novas políticas de formação profissional e de promoção ativa de emprego.

5.1.1 Melhorar o ambiente fiscal e incentivar o investimento

O sistema fiscal que se procura criar tem como objetivo promover o reinvestimento por parte das empresas.

Ao mesmo tempo, pretende-se simplificar e estabilizar o regime de benefícios fiscais, evitando, por um lado, a

multiplicidade de benefícios que existem, que tornam aquele regime demasiado complexo e por vezes ineficaz

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para as empresas, e, por outro lado, diminuir o grau de incerteza relativo à evolução do próprio regime de

benefícios.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Redução transversal do IRC, com diminuição gradual até 17 % (e 15 % para PME). Aproveitar o processo

de revisão da despesa fiscal (benefícios fiscais) para sustentar a eliminação de incentivos fiscais dispersos e

ineficientes e a concentração naqueles que se revelam mais eficazes, complementados com reduções adicionais

das taxas marginais e uma atenuação gradual da progressividade do imposto via derrama estadual. Reforço dos

princípios de tributação limitada de lucros reinvestidos;

• Aprofundamento da simplificação fiscal (incluindo declarativa) e reforma e aceleração da justiça tributária,

bem como da relação com a segurança social.

5.1.2 Aumentar a produtividade e a flexibilidade laboral

O Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028 contém um conjunto de

medidas para o aumento dos salários e para o apoio às empresas que promovem diretamente a produtividade

e a competitividade. Impõe-se continuar esta trajetória de promoção de criação de riqueza. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Revisão da legislação laboral, desejavelmente no contexto da concertação social, com os objetivos de

melhorar a adequação do regime legal aos desafios do trabalho na era digital, equilibrar a proteção dos

trabalhadores com uma maior flexibilidade dos regimes laborais, que é essencial para aumentar a produtividade

e competitividade das empresas, bem como de incentivar o desempenho dos trabalhadores, o diálogo social na

empresa, e o equilíbrio de interesses sociais na legislação da greve;

• Impulsionar a concertação social, procurando a convergência entre empresários e trabalhadores a favor

de medidas de aumento da produtividade.

5.1.3 Alinhar a formação profissional com o mercado e o valor acrescentado

A reestruturação do sistema de formação profissional e a prossecução da reforma do serviço público de

emprego é fundamental para garantir uma maior convergência entre a formação e a aquisição de competências,

e as necessidades do mercado e o aumento do valor acrescentado. Pretende-se concretizar este objetivo

estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Reformar o modelo atual de formação profissional de natureza pública, apostando na ligação da oferta às

necessidades efetivas do mercado de trabalho e às transformações económicas, e na interdependência entre o

financiamento e os resultados da formação em termos de empregabilidade, produtividade e reforço do valor

acrescentado;

• Reforçar os mecanismos de controlo de qualidade da formação profissional, de modo a garantir maior

empregabilidade, aumento da produtividade e consequente valorização salarial;

• Lançar um Programa Nacional de Formação Profissional Pós-secundária nomeadamente, reformular os

CET (Cursos de Especialização Tecnológica) e os CTeSP (Cursos Técnicos Superiores Profissionais);

• Reforçar os apoios do Programa +Talento para os Jovens Doutorados, de modo a premiar o seu esforço

de qualificação de nível superior e promover a transmissão de novos conhecimentos e técnicas às empresas;

• Desenvolver, programas de formação, qualificação e certificação de quadros técnicos intermédios,

preenchendo, adequadamente, a fileira de conhecimento das empresas portuguesas mais dinâmicas;

• Apostar na qualificação dos portugueses em competências tecnológicas e digitais e preparando a força

de trabalho para a revolução da inteligência artificial;

• Tendo por base a experiência do atual Programa INTEGRAR dirigido exclusivamente a desempregados

imigrantes, criar um programa dirigido a um leque mais vasto de públicos particularmente desfavorecidos face

ao mercado de trabalho;

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• Reforçar o papel da formação e qualificação profissional, incluindo a componente de formação em

contexto de trabalho, em combinação com medidas ativas de emprego dirigidas a pessoas com deficiência ou

incapacidade;

• Formular programas específicos de emprego e de requalificação profissional para os trabalhadores de

atividades económicas cujos modelos de produção e de negócio tenham mais dificuldade de se adaptar a uma

economia circular e descarbonizada, através dos quais se promove também o desenvolvimento de

competências verdes junto desses trabalhadores;

• Continuar a promover programas de formação profissional para a capacitação de imigrantes em setores

chave do mercado de trabalho;

• Valorizar a economia social dedicada à proteção e integração dos imigrantes;

• Alargar a oferta para adultos de forma a permitir a sua requalificação e adaptação às novas condições do

mercado de trabalho.

5.1.4 Valorizar o trabalho

É fundamental valorizar o trabalho e o emprego, aumentando a produtividade e a flexibilidade laboral e

combatendo a pobreza. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Aprovar benefícios fiscais associados ao aumento dos salários e ao regime de isenção de IRS e TSU nos

prémios de produtividade por desempenho até 6 % da remuneração base anual, através da eliminação da norma

que condiciona os ditos benefícios ao leque salarial nas empresas;

• Rever o regime da segurança e saúde no trabalho;

• Articular formação profissional com apoios à contratação de jovens, de modo a premiar o esforço dos

jovens que se qualifiquem por via de dupla certificação;

• Criar um sistema de subsídio ao trabalho, permitindo a acumulação de rendimentos do trabalho com

apoios sociais que incentive a participação ativa no mercado de trabalho. Substituiria um conjunto alargado de

apoios sociais, sem perdas para ninguém, por um suplemento remunerativo, acumulável com rendimentos do

trabalho, RSI, pensão social, ou outros apoios sociais dirigidos a situações sociais limite, que atenue o

empobrecimento dos trabalhadores empregados e incentive a sua participação ativa no mercado de trabalho, e

que tenha em conta a dimensão e composição do agregado familiar;

• Não penalizar a obtenção de rendimentos de trabalho em sede de RSI ou nas pensões sociais;

• Rever o regime de proteção social na eventualidade do desemprego, de forma a torná-lo mais justo e

transparente, incentivando a reentrada rápida no mercado de trabalho;

• Introduzir mecanismos de reforma a tempo parcial que permitam prolongar a vida ativa, continuar a

trabalhar e a acumular rendimentos do trabalho e de pensões, atingindo uma maior flexibilidade na idade de

acesso à pensão completa por velhice.

5.1.5 Igualdade de oportunidades e de tratamento entre mulheres e homens no trabalho e emprego

Promover a igualdade de oportunidades e de tratamento entre mulheres e homens no trabalho e no emprego

é um pilar essencial para o desenvolvimento económico e social sustentável. Apesar dos progressos

alcançados, persistem desigualdades que se refletem em disparidades salariais, na segregação de profissões

e cargos, bem como em obstáculos à conciliação entre vida profissional e pessoal. Garantir condições

equitativas de acesso, progressão e valorização profissional é não apenas uma questão de justiça social, mas

também um fator decisivo para potenciar a competitividade, a inovação e a coesão social. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Revisitar o regime das licenças de parentalidade e demais medidas de apoio à parentalidade e à

conciliação entre a vida profissional e familiar, de modo equilibrado entre mães e pais;

• Reduzir o gap salarial entre homens e mulheres;

• Reforçar a legislação sobre quotas para liderança feminina nas empresas e organizações.

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5.1.6 Promover um sistema de proteção social e de distribuição de apoios sociais mais justo e

universal

A promoção de um sistema de proteção social mais justo e universal é fundamental para responder aos

desafios atuais e futuros da sociedade. Num cenário de mudanças demográficas, transformações no mercado

de trabalho e crescentes riscos sociais, torna-se essencial assegurar que todos os cidadãos,

independentemente da sua condição económica ou profissional, tenham acesso a mecanismos eficazes de

proteção. Reforçar a justiça e a universalidade do sistema significa não só reduzir desigualdades e prevenir

situações de exclusão, mas também consolidar a coesão social e fortalecer a confiança coletiva nas instituições

públicas. A promoção de maior justiça na distribuição dos apoios sociais é um passo essencial para assegurar

que os recursos públicos chegam de forma mais eficaz a quem deles verdadeiramente necessita. Importa

garantir que os apoios sejam orientados por critérios de equidade, transparência e proporcionalidade, evitando

sobreposições e lacunas. Só através de uma distribuição mais justa e equilibrada se reforça a confiança dos

cidadãos no sistema, se promove a inclusão social e se contribui para uma sociedade mais coesa e solidária.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Aproximar ao regime de proteção social dos trabalhadores independentes e em novas formas de emprego

ao regime dos trabalhadores por conta de outrem;

• Em consonância com a Reforma Fiscal preconizada, rever o código contributivo no sentido da

harmonização, simplicidade e previsibilidade, tendente a garantir bases contributivas maiores e taxas

contributivas menores, bem como uma maior correlação entre contribuições e benefícios;

• Reformular a atual Conta-Corrente do Contribuinte-Beneficiário, permitindo criar um instrumento que dê

aos cidadãos uma visão 360º com informação fidedigna sobre o historial das suas contribuições para esquemas

públicos de Segurança Social, assim como os direitos adquiridos e todas as interações que tenham com a

Segurança Social;

• Implementar maior fluidez no sistema da segurança social para que ninguém fique desprotegido por

ineficiência operacional do mesmo;

• Elaborar um Código das Prestações Sociais, que trate de forma sistemática e integrada o conjunto das

prestações sociais do regime contributivo e não contributivo.

5.1.7 Continuar a reforçar a sustentabilidade do sistema previdencial da segurança social

A sustentabilidade do sistema previdencial da segurança social constitui um dos maiores desafios das

sociedades contemporâneas, em particular face ao envelhecimento demográfico, à transformação do mercado

de trabalho e às exigências crescentes de proteção social. Continuar a reforçar a sua sustentabilidade é

essencial para garantir que as futuras gerações possam beneficiar de pensões adequadas e de uma rede sólida

de proteção, preservando ao mesmo tempo a confiança dos cidadãos e a coesão social. Este esforço exige uma

combinação equilibrada de medidas que assegurem a viabilidade financeira, promovam a equidade

intergeracional e mantenham a capacidade do sistema em responder eficazmente às novas necessidades

sociais. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Manter a estratégia de reforço financeiro do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social;

• Promover o estudo de outros mecanismos de reforço do sistema, incluindo a diversificação das fontes de

financiamento;

• Reforçar da capacidade da Segurança Social na gestão de ativos;

• Promover junto dos cidadãos incentivos à poupança a médio e longo prazo, através de regimes

complementares de reforma.

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5.2 Concorrência e regulação

Os enquadramentos institucionais da concorrência e da regulação são peças-chave para o crescimento das

empresas e da economia como um todo. Neste âmbito, pretende-se criar um ambiente competitivo que seja

atrativo numa perspetiva global, de modo a promover o investimento nacional e estrangeiro, e que estimule o

ganho de escala das empresas. Para alcançar este objetivo, é fundamental que a regulação funcione de forma

eficaz e que esteja alinhada com aqueles propósitos, criando um regime propício à manutenção de empresas

no País, sejam estas de origem nacional ou estrangeira.

5.2.1 Promover a concorrência, a liberdade económica e a regulação especializada independente nos

setores regulados

Para a constituição de um contexto institucional competitivo, exige-se um novo quadro regulatório que o

promova, eliminando obstáculos à concorrência, à liberdade económica e à existência de uma regulação

especializada independente. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Rever as regras de governação dos reguladores, fomentando a sua independência e capacitação;

• Rever o papel e poderes de intervenção das ordens profissionais, procurando um justo equilíbrio entre os

princípios da autorregulação profissional, defesa da qualidade e deontologia no exercício das profissões, e

preservação da liberdade económica, de acesso à profissão e a inovação;

• Eliminar barreiras à entrada em todos os setores e no acesso a profissões;

• Simplificar e digitalizar os processos de licenciamento e registo para novos entrantes em setores

regulados.

5.3 Empresas

A promoção de uma economia que reforce a capacidade financeira das empresas e a redução dos custos de

contexto, é fundamental para obter ganhos de escala e inovação, que permitam alavancar a capacidade e a

produtividade e competitividade da economia nacional.

5.3.1 Financiamento e crescimento empresarial

O aumento do financiamento e o crescimento empresarial são duas dimensões essenciais para a criação de

riqueza e para a transformação sustentada da economia portuguesa. Pretende-se concretizar este objetivo

estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Remover todos os desincentivos fiscais e regulamentares ao ganho de escala das empresas;

• Reforçar a capitalização das empresas e o ecossistema de capital de risco, através da criação de um

fundo de fundos, sob gestão do Banco Português de Fomento, promovendo a mobilização de investimento

privado e a capacitação do setor.

5.3.2 Apoiar a tesouraria das empresas nacionais

As dificuldades de tesouraria das empresas nacionais é um aspeto que importa combater para uma maior

flexibilidade e agilidade financeira das mesmas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação da seguinte medida:

• Garantir que o Estado paga a 30 dias, desenvolvendo um sistema de incentivos e de penalização aos

serviços e agentes envolvidos.

5.3.3 Transformar custos de contexto em oportunidades

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A redução dos custos de contexto assume uma importância muito relevante para alcançar padrões mais altos

e mais sustentáveis de crescimento da economia portuguesa. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico

mediante a implementação da seguinte medida:

• Rever os regimes de insolvência, adotando as melhores práticas europeias, para facilitar acordos de

reestruturação, garantir celeridade, preservar o valor económico dos negócios e reforçar os instrumentos de

controlo dos credores.

5.4 Ciência e inovação

Uma articulação continuada e consistente entre o sistema educativo e científico e a promoção da inovação

nas empresas e no Estado é fundamental para criar bases sustentáveis para a transformação do perfil produtivo

da economia portuguesa, não só a nível industrial, como também ao nível dos setores agroflorestal e das pescas.

Deste modo, a reformulação desta articulação assume-se como central, nomeadamente através de estratégias

de interligação mais aprofundadas entre as capacidades e competências existentes no sistema educativo,

científico e tecnológico, com o tecido produtivo.

5.4.1 Reforçar as condições para maior impacto de todos os investigadores

Uma maior proximidade entre as instituições de ensino superior, os centros de investigação e as empresas

favorece a valorização do conhecimento e a inovação em todo o ecossistema e o encontro de soluções para os

desafios económicos e sociais. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da

seguinte medida:

• Revisão dos regimes de exclusividade dos investigadores e dos docentes do ensino superior para facilitar

a sua circulação e participação simultânea em atividades científicas e empresariais.

5.5 Fundos europeus

Os fundos europeus, designadamente o PRR, o Portugal 2030 e o PEPAC devem ser alocados a projetos e

investimentos que maximizam o retorno económico e social para o país, promovam a geração de riqueza,

alavanquem ganhos de produtividade e competitividade e, por essa via, contribuam para o desenvolvimento

económico, social, sustentado e inclusivo do País. Essencialmente, estes recursos devem ser mobilizados para

acelerar a transformação estrutural da economia portuguesa, promovendo a inovação, a transição digital e

climática, a coesão territorial, o desenvolvimento rural e a competitividade dos territórios.

5.5.1 Acelerar a execução e otimizar os fundos europeus

Para que esta visão integrada se concretize, é essencial garantir uma utilização eficaz e estratégica dos

fundos europeus. A boa gestão dos fundos europeus é a ponte entre o potencial que Portugal tem e o futuro que

se pretende alcançar. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Orientação dos fundos para as empresas e para a geração de valor acrescentado, em consonância com

a avaliação de resultados, com máxima exigência na aprovação e total alinhamento com transformação de longo

prazo da economia;

• Adoção de instrumentos de antecipação de incentivos e de financiamento de capitais alheios;

• Transformação em todo o modelo de operacionalização dos fundos.

5.6 Gestão territorial

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A promoção do desenvolvimento regional requer uma abordagem integrada, que valorize os recursos locais,

qualifique o capital humano e estabeleça redes de cooperação territorial. Neste contexto, pretende-se promover

a correção das assimetrias entre regiões no sentido de contribuir para melhorar as condições de vida e bem-

estar dos cidadãos que se encontram em regiões mais desfavorecidas e, bem assim, a redução das

desigualdades económicas e sociais entre os territórios do país.

5.6.1 Reduzir desigualdades e promover o investimento fora dos grandes centros

A consolidação de um modelo de desenvolvimento territorial equilibrado começa com o reforço da autonomia

local. Uma gestão territorial inteligente deve ter como prioridade a valorização do interior, combatendo as

assimetrias regionais e promovendo a coesão territorial como um desígnio nacional. Pretende-se concretizar

este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Apresentar o «Pacto para o Interior» com uma política eficaz de desenvolvimento regional de base local

que preveja medidas fiscais e investimento do Estado em articulação com as regiões e os municípios;

• Garantir uma maior participação das autarquias locais e suas associações na definição de políticas

públicas de base local;

• Dignificar os 50 anos da primeira eleição para órgãos das autarquias locais;

• Organizar o território com vista ao reforço da coesão nacional, através da correção das assimetrias

regionais e assegurar a igualdade de oportunidades de todos os cidadãos, independentemente do local onde

vivam, apostando na valorização das diversidades do todo nacional, diferenciando positivamente os territórios

com menor capacidade de captação de receita.

5.7 Turismo

O turismo é uma atividade fundamental para a economia portuguesa, para a coesão territorial e para a

melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Serão promovidas as condições para que o turismo possa

manter a rota de crescimento que tem registado, de forma inteligente, responsável e sustentável, ao longo de

todo o território e ao longo de todo o ano.

5.7.1 Promover o turismo sustentável e a valorização de recursos locais

Pretende-se afirmar o turismo como um pilar da prosperidade e bem-estar das populações, um promotor do

crescimento da economia nacional e da coesão económica e social do País, assente num desempenho que

transforme Portugal num dos destinos turísticos mais competitivos do mundo. Pretende-se concretizar este

objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Lançar a Estratégia Turismo 2035, como referencial estratégico focado na qualificação da oferta,

diferenciação dos produtos turísticos e valorização dos ativos endógenos.

5.8 Agricultura, florestas e pescas

As atividades económicas dos setores agrícola, florestal e das pescas dão um contributo determinante para

a competitividade e a coesão territorial, através da dinamização de atividades de comércio, de indústria, de

turismo, e de cultura. No caso da agricultura, das florestas e das pescas, importa destacar a função de produção

de alimentos, cujo abastecimento e acesso é preponderante no que respeita à defesa nacional. Aumentar a

produtividade e o valor acrescentado nos setores primários, com vista à diminuição do défice da balança

comercial agroalimentar, com resultados já visíveis em 2024, é um objetivo central a prosseguir. A melhoria do

rendimento dos agricultores, dos pescadores e dos produtores florestais, bem como a renovação geracional são

condições indispensáveis para que este objetivo seja atingido, sem esquecer da pequena agricultura familiar.

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No caso das pescas, é ainda essencial garantir que estão reunidas as condições de segurança ao exercício da

atividade, tanto em terra, como em mar.

A floresta portuguesa, que ocupa mais de um terço do território nacional, é um ativo estratégico de múltiplas

dimensões: económica, ambiental e social. O seu papel na mitigação dos efeitos das alterações climáticas é

incontornável, mas também a sua importância na criação de emprego e de valor acrescentado em territórios de

baixa densidade, devendo, por isso, ser encarada como um pilar estruturante de uma estratégia de

desenvolvimento sustentável e de ordenamento do território.

5.8.1 Aumentar a produtividade e o valor acrescentado nos setores primários

Dada a importância estratégica que os setores primários têm do ponto de vista económico, ambiental e

territorial, dar-se-á continuidade ao reforço desta área, nomeadamente, através do reforço das estruturas de

acompanhamento e de proximidade com os agricultores, os pescadores, os produtores florestais e com as

empresas e entidades do território.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Reforçar a adoção de medidas que promovam o aumento do rendimento e a renovação geracional nos

setores agrícola e das pescas de forma a prosseguir a tendência de diminuição do défice da balança comercial

agroalimentar iniciada em 2024;

• Promover a realização de reuniões da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia

Agroalimentar (PARCA) das quais resultem medidas de valorização do produtor na cadeia agroalimentar,

reforçando a ligação entre a produção, transformação e distribuição;

• Garantir a implementação das alterações estipuladas no protocolo de demarcação e complementaridade

entre os Fundos da Política de Coesão do Portugal 2030 (PT 2030) e os fundos do PEPAC Portugal;

• Consolidar os apoios à produção agrícola e às cooperativas;

• Executar o plano de intervenção para a floresta «Floresta 2050, Futuro +Verde», orientado para o aumento

da capacidade produtiva da floresta;

• Apoiar a modernização tecnológica e digital da agricultura, florestas e pescas, com foco na agricultura de

precisão, monitorização remota e plataformas de dados interoperáveis;

• Valorizar a certificação de origem e a qualidade diferenciada, reforçando a internacionalização e a

competitividade externa;

• Desenvolver seguros agrícolas acessíveis, para mitigar o risco face a catástrofes naturais e crises de

origem sanitária ou geopolítica;

• Promover a valorização económica de subprodutos agrícolas, utilizando-os na produção de composto,

biometano ou biogás, atividade que contribui para o objetivo europeu de descarbonização;

• Reforçar a autonomia e competitividade do setor cerealífero nacional, implementando a Estratégia

+Cereais 2025-2030;

• Valorizar a pastorícia extensiva como instrumento de redução do potencial combustível, prevenindo

incêndios e assegurando serviços ambientais e de biodiversidade.

• Executar o Plano de Investimentos para o Triénio 2025-2027 da Docapesca, de modo a garantir as

condições de segurança, nomeadamente através de investimentos em dragagens, e de trabalho nos portos de

pesca. Neste âmbito, é ainda fundamental que os portos de pesca apresentem infraestruturas adequadas à

comercialização do pescado.

5.9 Juventude

Promover as condições e oportunidades necessárias para que os jovens concretizem os seus projetos de

vida em Portugal, reforçando a sua autonomia, a estabilidade financeira, o acesso à educação, à habitação e à

saúde, bem como a criação de oportunidades de participação e inovação, para reter talento e potenciar o

contributo da juventude para o desenvolvimento nacional.

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5.9.1 Aumentar as oportunidades e condições de vida para os jovens em Portugal

Está a ser desenvolvida uma resposta integrada, capaz de reforçar a autonomia e as oportunidades para os

jovens em diferentes dimensões da sua vida – desde a educação e a habitação até à saúde, ao rendimento e

ao empreendedorismo – de forma a garantir que podem construir o seu futuro em Portugal com estabilidade e

perspetivas de crescimento. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Apresentação da Agenda Nacional da Juventude como instrumento orientador das políticas públicas de

juventude, definindo prioridades transversais, garantindo execução simplificada, monitorização rigorosa e

possibilidade de atualização.

• Reforço dos apoios à compra da primeira habitação, incluindo financiamento bancário da totalidade do

preço e aumento do Programa Porta 65 Jovem; investimento na criação e adaptação de residências estudantis

para reduzir barreiras no acesso ao ensino superior;

• Expansão dos programas de cheques psicólogo e nutricionista e avaliação de novas medidas para

promover estilos de vida saudáveis;

• Lançamento do primeiro Concurso Nacional de Empreendedorismo Jovem para incentivar inovação,

criatividade e projetos com impacto social e económico.

6. Eixo Prioritário IV – Imigração regulada e humanista

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário IV «Imigração regulada e humanista» assenta numa

política que equilibra rigor e humanismo, pondo fim a um ciclo de imigração descontrolada e recuperando a

capacidade do Estado para gerir os fluxos migratórios de forma a assegurar a coesão social e o acolhimento

digno.

Assume-se, como ponto de partida, o choque demográfico sofrido por Portugal nos últimos anos. Esta

evolução, que alterou o perfil demográfico do país, resultou de uma política marcada por alterações legislativas

contraproducentes e pela extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), tendo conduzido à

acumulação de milhares de processos pendentes e a uma situação que desumanizou quem chegava e corroeu

a coesão social.

Neste sentido, e na sequência da viragem iniciada em 2024 com o fim das manifestações de interesse e com

a elaboração de um novo Plano de Ação para as Migrações, implementa-se uma nova política de imigração

assente em três linhas de ação fundamentais. Primeiro, promove-se a resolução das pendências acumuladas

na Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA) e no Instituto de Registos e Notariado (IRN), como

condição essencial para restaurar a ordem e a dignidade nos processos e verificar os registos criminais de

centenas de milhares de pessoas que entraram sem controlo no país. Segundo, implementa-se uma regulação

rigorosa das entradas, com maior controlo de segurança nas fronteiras, fiscalização eficaz em território nacional

e o afastamento de quem não cumpre as leis portuguesas. Terceiro, garante-se o acolhimento e a integração

com humanismo de quem vem para o país cumprindo as regras, fomentando o respeito pelos valores

constitucionais nacionais.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 17.

Quadro 17 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao Eixo Prioritário IV «Imigração regulada e

humanista»

Temas Objetivos Estratégicos

Quadro legal da nacionalidade e imigração regulada Reforçar critérios de atribuição da nacionalidade

Acolhimento e integração de imigrantes

Controlo de fronteiras e segurança Alargar cuidados de proximidade

Criminalidade Combate à imigração ilegal, atuação preventiva e de

proximidade

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Temas Objetivos Estratégicos

Imigração qualificada, responsável e integrada Acolher e integrar de forma humanista

Atrair talento e o regresso de emigrantes

Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 18. A análise evidencia

um aumento continuado e substancial da população imigrante e estrangeira em Portugal nos últimos anos.

Quadro 18 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário IV «Imigração regulada e humanista»

Apresenta-se, no

Quadro 19, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a visão ambicionada

para o país neste eixo prioritário.

Quadro 19 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário IV «Imigração regulada e

humanista»

Designação Situação

Plano Nacional de Implementação do Pacto Global das Migrações Adotado

Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração – FAMI 2030 Adotado

Plano Estratégico de atração, acolhimento e integração de imigrantes A elaborar

Programa Regressar Adotado

V Plano de Ação para a Prevenção e o Combate ao Tráfico de Seres Humanos 2025-2027 Adotado

O Quadro 20 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 20 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário IV «Imigração

regulada e humanista»

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6.1 Quadro legal da nacionalidade e imigração regulada

O reconhecimento, por um lado, da importância que uma relação efetiva com o país tem para uma integração

de sucesso e, por outro, da importância da imigração para a sociedade e economia portuguesas implica, não

só, o aumento da exigência nos critérios de atribuição da nacionalidade portuguesa, como também a definição

de uma política de imigração regulada e a moderação dos fluxos, ambos pilares essenciais para a boa integração

de quem chega e para a confiança da população nacional. Portugal deve garantir o controlo das suas fronteiras,

bem como das condições para entrar no país e da obtenção da nacionalidade. Visa-se reverter uma situação de

imigração sem critério ou controlo com impacto na coesão social.

6.1.1 Reforçar critérios de atribuição da nacionalidade

É necessário corrigir e robustecer a exigência nos critérios de atribuição da nacionalidade portuguesa

previstos na lei da nacionalidade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação

da seguinte medida:

• Revisão da Lei da Nacionalidade, alargando o tempo mínimo de residência e presença efetiva em território

nacional, eliminando a possibilidade de a permanência ilegal ser considerada para efeitos de contagem desse

tempo, e assegurando que quem adquire a nacionalidade portuguesa tem uma relação efetiva e uma integração

de sucesso no País, reunindo as condições necessárias para assumir os direitos e cumprir os deveres inerentes

à nacionalidade.

6.1.2 Acolhimento e integração de imigrantes

A política de imigração assentará na capacidade de acolher e integrar com dignidade os imigrantes,

garantindo a coesão social. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da

seguinte medida:

• Revisão da lei de estrangeiros e da lei de asilo, limitando os fluxos migratórios, nomeadamente do

reagrupamento familiar, à capacidade dos serviços públicos e de integração da sociedade portuguesa,

restringindo o visto para procura de trabalho a candidatos com elevadas qualificações, e ponderando a

introdução de critérios de progresso no domínio da língua portuguesa nas renovações de certas modalidades

de autorização de residência.

6.2 Controlo de fronteiras e segurança

A política de imigração anterior ficou marcada pela extinção do SEF, e pela abolição do controlo de fronteiras

e da verificação de identidades. O reforço do controlo efetivo das fronteiras portuguesas, bem como da fronteira

externa da União Europeia, é essencial por forma a implementar uma imigração regulada.

6.2.1 Alargar cuidados de proximidade

Torna-se necessária a ação nas áreas do policiamento e do controlo de segurança das fronteiras, de triagem

de imigrantes e de afastamento de ilegais. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP como garante da eficácia e humanismo

da política de controlo de fronteiras, de retorno e asilo;

• Conclusão da construção dos novos centros de instalação temporária e espaços equiparados, para

implementar o novo processo de triagem dos migrantes nas fronteiras externas da União Europeia;

• Criação de um novo regime rápido e eficaz de afastamento de estrangeiros em situação ilegal, em sintonia

com a nova regulamentação em discussão nas instâncias europeias.

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II SÉRIE-A — NÚMERO 116

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6.3 Criminalidade

Portugal precisa de reforçar a fiscalização em território nacional, tendo em vista combater a imigração ilegal,

o tráfico humano e a criminalidade (individual ou organizada). O reforço destas áreas é essencial para garantir

uma imigração regulada e a segurança pública.

6.3.1 Combate à imigração ilegal, atuação preventiva e de proximidade

Para combater a criminalidade associada à imigração ilegal e ao tráfico de seres humanos, é fundamental

uma atuação preventiva e de proximidade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação da seguinte medida:

• Combater a imigração ilegal e o tráfico humano, prevenindo e protegendo as vítimas destas práticas,

estimulando o reforço de atuação no terreno e a articulação entre as forças e serviços de segurança, a AIMA e

outras autoridades inspetivas relevantes (como ACT, ASAE, AT).

6.4 Imigração qualificada, responsável e integrada

Na continuação da medida que terminou com as manifestações de interesse e resolveu meio milhão de

processos pendentes, a política de imigração deve assentar no controlo e na capacidade de acolhimento digno

dos migrantes. A boa integração na sociedade portuguesa é uma condição necessária à receção de população

estrangeira. Ao mesmo tempo, apostar-se-á na fixação de talento qualificado vindo do estrangeiro e no regresso

de emigrantes portugueses, com particular atenção para a criação de condições que favoreçam a valorização e

a retenção de jovens.

6.4.1 Acolher e integrar de forma humanista

O bom acolhimento dos imigrantes passa pela corresponsabilização efetiva dos atores sociais e pelo reforço

de iniciativas de integração. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Preservação dos princípios e condições de corresponsabilização e internalização pelo recrutador

(empregador ou instituição de ensino) dos custos sociais de integração de imigrantes que estão previstas no

Acordo de Imigração Laboral Responsável subscrito com as confederações empresariais, ponderando a sua

aplicação a instituições do setor social (quando empregadoras) e do ensino superior;

• Reforço das iniciativas de integração baseadas na lógica «direitos e deveres», em particular para

estudantes nas escolas, no acesso a serviços públicos, e através de intervenções comunitárias e territoriais que

fomentem a aprendizagem da língua e cultura portuguesas e previnam a formação de núcleos fechados à

integração na comunidade e ao respeito dos valores constitucionais portugueses.

6.4.2 Atrair talento e o regresso de emigrantes

A atração de talento qualificado e o regresso de emigrantes portugueses e lusodescendentes são uma

prioridade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Adotar mecanismos e procedimentos que promovam e privilegiem a atração e fixação de talento altamente

qualificado vindo do estrangeiro, incluindo portugueses emigrantes e lusodescendentes.

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7. Eixo Prioritário V – Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com

complementaridade entre oferta pública, privada e social

A visão ambicionada para o País no eixo prioritário V «serviços essenciais a funcionar para todos e com

qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social» assenta numa política que recupere

o Estado Social e assegure saúde, educação, cultura e transportes públicos acessíveis e com qualidade para

todos os cidadãos. Responder aos desafios de oferta, acessibilidade e qualidade dos serviços essenciais exige

a mobilização, de forma complementar, dos setores público, privado e social.

Promove-se a transição para um paradigma em que as escolas e os hospitais públicos têm a mesma

autonomia de gestão e orçamental que têm as escolas em regime de contrato de associação ou os hospitais em

regime de PPP, bem como a convergência para a indistinção entre a provisão pública ou privada, dando

capacidade às entidades públicas de competir de forma equilibrada com o setor privado.

Promove-se uma saúde mais próxima, com mais médicos de família, cuidados domiciliários, o gestor do

doente crónico e um reforço de parcerias que ampliam a capacidade de resposta, numa aposta clara na

complementaridade entre público, social e privado, mantendo o SNS no centro do sistema de saúde. Investe-se

na saúde digital – desde um ecossistema de dados em saúde a serviços de monitorização à distância do doente

crónico – e reforça-se a regulação efetiva com a aplicação de um quadro normativo comum nos setores público,

privado e social.

Valoriza-se um sistema de educação e uma escola pública com professores e profissionais motivados, com

exigência, serenidade, diálogo e foco nas competências críticas que asseguram o futuro.

Propõe-se transformar a Cultura num setor determinante para o desenvolvimento do País, apostando na

descentralização das artes, na valorização de criadores e estruturas independentes e na defesa da livre criação

artística, ao mesmo tempo que reforça a promoção da língua portuguesa no mundo. Para tornar estas medidas

uma realidade, será reforçado o financiamento do setor, ultrapassando o subfinanciamento crónico e a baixa

participação cultural e posicionando a Cultura como motor de inovação, criatividade e conhecimento, capaz de

acrescentar valor à economia nacional e projetar Portugal à escala global.

No setor do desporto, visa-se incentivar a prática desportiva de qualidade em todo o território nacional,

reduzindo os níveis de sedentarismo, criando oportunidades para todos e alinhando o País com as melhores

práticas internacionais. O objetivo é garantir que o desporto contribui para estilos de vida mais saudáveis, para

o desenvolvimento de comunidades mais coesas e para a valorização do talento desportivo, desde as primeiras

fases da vida até ao desporto de alto rendimento.

Implementa-se uma política de mobilidade que promova a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos,

combata a pobreza de mobilidade e a descarbonização, alicerçada na livre concorrência, que gira a entrada de

novos operadores e que reforce o papel estruturante do transporte público na coesão do interior com o litoral –

não deixando ninguém para trás.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos que se apresentam em seguida (Quadro

21).

Quadro 21 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário V «Serviços essenciais a funcionar

para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social»

Temas Objetivos Estratégicos

Saúde

Combater a desigualdade de acesso à Saúde

Aumentar a eficiência na Saúde

Alargar cuidados de proximidade

Transformação digital na Saúde

Promover a Saúde e prevenir a doença

Investimentos no SNS

Educação Modernizar o sistema educativo e confiar nas

escolas públicas: mais autonomia para ensinar

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Temas Objetivos Estratégicos

Criação de ambientes escolares seguros

Combater as desigualdades sociais

Começar cedo: a educação dos 0 aos 6 anos de

idade

Melhorar a aprendizagem: um currículo exigente e

flexível para contextos de incerteza

Transformar digitalmente o sistema de informação

educativo

Valorizar os professores

Cultura

Apoio às artes, participação cultural e promoção

da criação artística e do acesso à cultura

Democratizar o acesso à cultura

Apoio ao cinema, à criação audiovisual e à

preservação do património cinematográfico

Património Cultural

Promoção da criação literária, da leitura e do

património arquivístico

Projetar Portugal no panorama cultural europeu e

internacional

Desporto

Promover estilos de vida ativos e saudáveis

Garantir igualdade de acesso e inclusão no

desporto

Valorizar o talento e o desporto de alto rendimento

Mobilidade/sistemas de transportes coletivos

Diversificar a oferta de mobilidade

Regular o ecossistema da mobilidade e

transportes para fomentar desenvolvimento

económico e social

Combater a pobreza de mobilidade e promover a

inclusão com coesão social e territorial

Acelerar a transferência modal para o transporte

público

Segurança Social Transformação digital da segurança social

Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no

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Quadro 22. Não obstante a evolução genericamente positiva registada, observa-se uma redução no número

de utentes com médico de família atribuído, bem como da média obtida pelos alunos residentes em Portugal,

nos testes PISA.

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Quadro 22 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário V «Serviços essenciais a funcionar para

todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social»

Apresenta-se, no Quadro 23, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a

visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 23 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário V «Serviços essenciais a

funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social»

Designação Situação

Plano de Motivação dos Profissionais de Saúde Em desenvolvimento

Plano Nacional de Saúde 2030 Adotado

Estratégia Nacional de Luta contra o Cancro 2021-2030 Adotado

Plano Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças Transmitidas por Vetores Adotado

Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências 2030 Adotado

Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026 Adotado

Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral 2030 Adotado

Programa Nacional para a Diabetes Adotado

2010 2015 2020 2024

Norte % -98,77

(2016)96,82 97,35

Centro % -97,27

(2016)95,16 88,74

Lisboa e Vale do Tejo % -83,31

(2016)85,20 72,06

Alentejo % -96,52

(2016)93,02 84,96

Algarve % -84,10

(2016)86,70 81,21

Enfermeiros Nº - 38 678 48 630 51 751

Médicos (sem

contabilizar internos)Nº - 16 978 20 228 21 719

Médicos internos Nº - 8 330 9 311 9 981

% 24,00 32,10 39,70 41,90 -

x̄ (PT)489

(2012)501

492

(2018)

484

(2022)-

(OCDE)

501

(2012)493

489

(2018)

485

(2022)-

x̄ (PT)488

(2012)498

492

(2018)

477

(2022)-

(OCDE)

496

(2012)493

487

(2018)

476

(2022)-

x̄ (PT)487

(2012)492

492

(2018)

472

(2022)-

(OCDE)

494

(2012)490

489

(2018)

472

(2022)-

Autocarros % 6,50 5,80 4,207,50

(2023)

Comboios % 4,40 4,20 2,804,20

(2023)

Indicadores de contexto

Unidade

de

medida

Portugal Evolução

Indicador

PT

Fonte: SPMS - Serviços Partilhados Ministério da Saúde; EUROSTAT; OCDE; DGAEP - Direção-Geral da Administração e do

Total Utentes com Mdf

atríbuido (%)

Trabalhadores do Serviço

Nacional de Saúde

Taxa de escolaridade do nível de ensino superior (30 a 34

anos)

Ciências

Notas: "-" Dado não disponível; "x̄ (PT)" representa a média dos resultados PISA dos alunos residentes em Portugal; "x̄

(OCDE)"representa a média dos resultados PISA dos alunos residentes nos países da OCDE. Última atualização a 08/09/2025.

Leitura

Matemática

Distribuição modal do

transporte de passageiros

Resultados PISA dos alunos

residentes em Portugal e

OCDE, por disciplina (*)

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Designação Situação

Plano Nacional de Desenvolvimento do Desporto A adotar

Plano «Aprender Mais Agora» (Plano A + A) Adotado

Programa de Incentivo ao Transporte Público Coletivo de Passageiros (Incentiva+TP). Adotado

Estratégia para o Digital na Educação A elaborar

O Quadro 24 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 24 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário V «Serviços

essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e

social»

7.1 Saúde

A saúde é um pilar essencial do bem-estar da população, da coesão social e da confiança no Estado. É

essencial uma transformação integrada do Serviço Nacional de Saúde (SNS), orientada para a equidade no

acesso, a eficiência na gestão, a inovação tecnológica, a valorização da prevenção e da proximidade e a

colaboração entre os setores público, privado e social.

Esta transformação visa assegurar um SNS moderno, resiliente, próximo das pessoas e preparado para os

desafios demográficos tecnológicos, e sociais do futuro, enquanto se mantém o compromisso de servir as

pessoas, garantindo um acesso à saúde em tempo útil e com qualidade.

7.1.1 Combater a desigualdade de acesso à Saúde

Reduzir as assimetrias no acesso aos cuidados de saúde exige uma reorganização da resposta assistencial,

com foco na proximidade, na equidade territorial e na garantia de uma equipa de saúde familiar para todos. A

valorização dos profissionais de saúde e a gestão integrada da capacidade instalada são pilares desta

transformação. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes

medidas:

• Concluir a implementação do Plano de Emergência e Transformação da Saúde 2024-2029, com destaque

para o novo Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINACC) e acesso ao médico de família e saúde

familiar;

• Plano de motivação dos profissionais de saúde, que integra um planeamento da evolução da organização

dos cuidados, com valorização da multidisciplinaridade, incentivos à atração e retenção de talentos no sistema

de saúde, e identificação da necessidade e o perfil de competências dos profissionais de saúde para a próxima

década.

7.1.2 Aumentar a eficiência na saúde

A eficiência do SNS depende de um novo modelo de governação, com maior autonomia das unidades,

reorganização territorial dos serviços e um modelo de financiamento centrado no valor para o cidadão. A

articulação entre setores e a descentralização funcional e territorial são instrumentos-chave para uma gestão

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mais eficiente. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes

medidas:

• Reestruturar a gestão do SNS, com participação de entidades públicas, privadas e sociais, revisitando o

modelo de gestão participada e descentralizada dos serviços de saúde;

• Reformar o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), no que concerne à sua natureza jurídica,

competências e atribuições, modelo de financiamento, controlo orçamental e de gestão, modelo operativo, e

perfil funcional e de competências dos seus recursos humanos;

• Convergir para um modelo de autonomia dos hospitais públicos, incluindo na gestão de recursos humanos

e planos de investimento, explorando a flexibilização da contratação pública;

• Promover a evolução do modelo de financiamento dos serviços de saúde baseado na produção de atos,

para um modelo baseado na centralidade, e no valor, de e para o utilizador («saúde baseada em valor»),

viabilizando a medição de custos e resultados para os cidadãos, respetiva auscultação e partilha de riscos com

fornecedores;

• Rever as competências das entidades tuteladas pelo Ministério da Saúde, com transferência para as

CCDR e municípios.

7.1.3 Alargar cuidados de proximidade

Reforçar os cuidados de saúde de proximidade é um objetivo essencial para responder às necessidades das

populações, designadamente em territórios de baixa densidade. Adicionalmente, importa assegurar a expansão

dos cuidados continuados e paliativos permitindo assim uma resposta mais próxima, integrada e humanista.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Aumentar o acesso de qualidade aos cuidados de saúde primários, bem como no âmbito dos cuidados

paliativos e aos cuidados continuados, apostando nomeadamente em PPP, centros de saúde contratualizados

(USF B e C) e convenções.

7.1.4 Transformação digital na saúde

A digitalização do sistema de saúde é um acelerador de eficiência, segurança e continuidade dos cuidados,

assegurando a interoperabilidade entre prestadores e colocando o cidadão no centro da gestão da sua

informação clínica. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte

medida:

• Criação do registo de saúde eletrónico único (RSEU), uma plataforma digital única, integrada e segura,

que reúne toda a informação clínica de cada cidadão e a torna acessível a todos os prestadores de cuidados de

saúde autorizados, independentemente de serem públicos, privados ou do setor social.

7.1.5 Promover a saúde e prevenir a doença

A promoção da saúde e a prevenção da doença são eixos estruturantes de um sistema de saúde moderno,

equitativo e sustentável. Ao investir nestas áreas, reduz-se a carga de doença evitável, prolonga-se a esperança

de vida saudável e promove-se a qualidade de vida das populações. Um sistema de saúde orientado para a

promoção da saúde e prevenção da doença permite ganhos em saúde que se repercutem em toda a sociedade,

não apenas no bem-estar individual, mas também na produtividade económica e na sustentabilidade do SNS.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Reforço dos programas e estratégias de vacinação, assegurando elevadas taxas de cobertura vacinal em

todas as fases do ciclo de vida;

• Consolidação dos programas de rastreio de base populacional, com expansão progressiva da cobertura

populacional e introdução de novos rastreios baseados em ganhos em saúde;

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• Desenvolvimento do programa de saúde oral, através da atualização e ampliação do cheque-dentista para

prevenção e tratamento das populações vulneráveis, da introdução do cheque prótese e do reforço da resposta

através dos Gabinetes de Saúde Oral nos cuidados primários;

• Desenvolvimento, atualização e monitorização de normas e orientações clínicas, assegurando que a

prestação de cuidados no SNS se baseia na melhor evidência disponível, com processos sistemáticos de

auditoria, avaliação de impacto e formação dos profissionais de saúde.

7.1.6 Investimentos no SNS

A modernização da rede de infraestruturas e equipamentos do SNS é condição essencial para garantir

qualidade, segurança e inovação na prestação de cuidados. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico

mediante a implementação da seguinte medida:

• Investimento em unidades de saúde, hospitalares (ex.: Hospital de Todos os Santos), e de proximidade e

cuidados primários por todo o país, bem como em equipamentos de saúde (robôs cirúrgicos, ressonâncias

magnéticas, TAC, angiógrafos, câmaras gama, aceleradores lineares, Rx e PET).

7.2 Educação

A educação é um fator decisivo para o desenvolvimento do país e para a promoção da igualdade de

oportunidades. A estratégia educativa aposta na universalização da educação pré-escolar, na valorização da

carreira docente e na autonomia das escolas, promovendo a qualidade, a equidade e a inovação pedagógica. A

digitalização e o uso de inteligência artificial são instrumentos fundamentais para personalizar a aprendizagem

e preparar os alunos para os desafios do século XXI, reforçando a capacidade do sistema educativo para

responder às exigências de um mundo em constante transformação.

7.2.1 Modernizar o sistema educativo e confiar nas escolas públicas: mais autonomia para ensinar

Reforçar a autonomia das escolas públicas é essencial para promover uma gestão mais eficaz, próxima e

ajustada às realidades locais. A modernização do sistema educativo passa por capacitar as escolas com

instrumentos de gestão pedagógica, financeira e de recursos humanos, valorizando o papel dos diretores e

professores na construção de soluções educativas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante

a implementação das seguintes medidas:

• Construir, em diálogo com os diretores e professores, um novo modelo de autonomia e gestão das

escolas, que robusteça a autonomia financeira, pedagógica e de gestão de recursos humanos e infraestruturas

das escolas;

• Rever as competências dos serviços centrais do Ministério da Educação, Ciência e Inovação e concretizar

o sistema de transferência de competências para as autarquias, em articulação com as escolas, eliminando

redundâncias e instituindo um sistema eficaz de prestação de contas.

7.2.2 Criação de ambientes escolares seguros

A criação de ambientes escolares seguros e inclusivos é condição para o sucesso educativo. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Proibir o uso do telemóvel nas escolas até ao 6.º ano e regular o consumo de redes sociais pelas crianças

(até aos 12 anos).

7.2.3 Combater as desigualdades sociais

A igualdade de oportunidades no acesso à aprendizagem exige apoio aos alunos em situação de

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vulnerabilidade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes

medidas:

• Criar um serviço de apoio ao estudo para alunos carenciados ou em risco;

• Implementar medidas de prevenção e intervenção, bem como canais de denúncia, para enfrentar de forma

eficaz o fenómeno do bullying e do cyberbullying nas escolas.

7.2.4 Começar cedo: a educação dos 0 aos 6 anos de idade

A universalização da educação pré-escolar, bem como a integração da faixa dos 0 aos 3 anos no sistema

educativo, são fundamentais para garantir um início de percurso escolar equitativo e promotor de

desenvolvimento. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte

medida:

• Assegurar o acesso universal e gratuito à educação pré-escolar a partir dos 3 anos, contratualizando com

o setor social, particular e cooperativo as cerca de 12 mil vagas que se estima faltarem nos territórios mais

carentes. Integrar a faixa etária dos 0 aos 3 anos no sistema educativo tutelado pelo Ministério da Educação,

Ciência e Inovação.

7.2.5 Melhorar a aprendizagem: um currículo exigente e flexível para contextos de incerteza

A melhoria das aprendizagens exige um currículo que combine exigência e flexibilidade, capaz de responder

aos desafios contemporâneos. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da

seguinte medida:

• Desenvolver e implementar uma estratégia para o digital na educação, potenciando as oportunidades da

digitalização para garantir o desenvolvimento de competências, na criação de recursos educativos digitais

inovadores e no potencial da inteligência artificial para o apoio personalizado à aprendizagem dos alunos.

7.2.6 Transformar digitalmente o sistema de informação educativo

A transformação digital da educação passa pela modernização dos sistemas de informação. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Implementar sistemas de informação robustos, que giram informação rigorosa, simplifiquem

procedimentos administrativos e garantam a transparência de processos.

7.2.7 Valorizar os professores

A valorização da profissão docente é essencial para garantir qualidade no ensino. O planeamento estratégico

da formação de professores permite antecipar necessidades e reforçar a capacidade formativa das instituições

de ensino superior. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte

medida:

• Identificar as necessidades de professores para a próxima década, por grupo disciplinar e região, e

estabelecer contratos programa com as instituições de ensino superior para garantir o aumento necessário na

formação de professores.

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19 DE DEZEMBRO DE 2025

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7.3 Cultura

A cultura é um pilar essencial da identidade nacional, da coesão social e do desenvolvimento económico.

Simultaneamente expressão da criatividade e do conhecimento, a cultura contribui para uma economia baseada

na inovação e no talento, reforçando o sentimento de pertença e a projeção internacional do país. Assume-se

como prioridade uma política cultural sólida, descentralizada e inclusiva, capaz de garantir o acesso de todos os

cidadãos à fruição cultural, apoiar a criação artística e valorizar o património, articulando-se com áreas como a

educação, a ciência, a economia, o turismo e a coesão territorial.

7.3.1 Apoio às artes, participação cultural e promoção da criação artística e do acesso à cultura

Apoiar a criação e a formação artística em todas as áreas disciplinares, assegurando oportunidades em todo

o território, com especial atenção aos mais jovens e aos públicos mais vulneráveis, enquanto se promove o

conhecimento, o pensamento crítico e a fruição cultural. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico

mediante a implementação das seguintes medidas:

• Reforçar os apoios a projetos artísticos em todas as áreas, incluindo artes performativas, visuais, música

e artes de rua;

• Incentivar a ida de artistas às escolas e o contacto dos alunos com a criação artística;

• Apoiar estratégias culturais de desenvolvimento local e sub-regional.

7.3.2 Democratizar o acesso à cultura

Garantir o acesso à cultura para todos os cidadãos, em especial os jovens e os públicos mais vulneráveis,

exige medidas estruturadas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Promover o acesso gratuito da comunidade escolar a museus, monumentos e teatros do Estado;

• Promover a diversificação e inclusão de públicos, assegurando que as atividades culturais chegam a todos

os segmentos da população e respeitam a pluralidade cultural;

• Revisão do regime legal do mecenato cultural, tornando-o mais atrativo e capaz de mobilizar recursos, de

forma a flexibilizar e intensificar as práticas de preservação, programação e criação.

7.3.3 Apoio ao cinema, à criação audiovisual e à preservação do património cinematográfico

É fundamental reforçar as políticas de apoio à criação, produção e promoção cinematográfica e audiovisual.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Implementar o programa SCRI.PT para o desenvolvimento e internacionalização das produções

audiovisuais e cinematográficas.

7.3.4 Património cultural

A preservação e valorização do património cultural são prioridades para salvaguardar a memória coletiva e

promover o desenvolvimento territorial. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Executar os investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), designadamente dos

investimentos previstos para a Componente do Património Cultural, garantindo o cumprimento dos prazos e

dando resposta adequada aos exigentes critérios da conservação e do restauro, assim como a execução dos

investimentos previstos para a Componente das Redes Culturais e Transição Digital, através da valorização de

equipamentos e da digitalização dos acervos;

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• Reforçar as medidas de salvaguarda do património, como a inventariação, classificação, reabilitação e

restauro, envolvendo comunidades locais e instituições culturais;

• Aprofundar os modelos de gestão do património, com vista, entre outras, a uma maior representatividade

nos diversos territórios do País, essencial às metodologias de inventariação, estudo e preservação;

• Criação de um plano específico de inventariação e reabilitação dos edifícios com maior valor cultural;

• Prosseguir com os estudos sobre os efeitos das alterações climáticas no património priorizando zonas de

risco máximo e o desenvolvimento de planos de mitigação;

• Preservar e valorizar o património cultural subaquático;

• Democratizar o acesso a museus, monumentos e palácios sob tutela do Ministério da Cultura;

• Aprofundar o acesso gratuito da comunidade escolar a museus, monumentos e teatros do Estado.

7.3.5 Promoção da criação literária, da leitura e do património arquivístico

Valorizar a língua portuguesa, promover hábitos de leitura e modernizar o sistema de arquivos são

prioridades estratégicas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Lançamento da 2.ª edição do Cheque Livro;

• Reforçar os programas de bolsas de criação literária;

• Modernizar a gestão arquivística e reforçar a preservação digital do património documental;

• Assegurar melhores condições de preservação da informação arquivística que efetivamente necessite de

ser conservada;

• Garantir uma gestão mais eficaz do património digital do país.

7.3.6 Projetar Portugal no panorama cultural europeu e internacional

A valorização da cultura portuguesa a nível internacional exige investimento estratégico e programação

cultural de excelência. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte

medida:

• Executar as linhas programáticas do Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura, promovendo a

qualificação do espaço público, a oferta artística e a projeção internacional da cidade e da região.

7.4 Desporto

A promoção da prática desportiva, em todo o território nacional, constitui um elemento essencial para a

redução do sedentarismo, para a melhoria da saúde pública e para o desenvolvimento de comunidades mais

ativas, saudáveis e inclusivas. Garantir o acesso ao desporto, desde a infância até à idade adulta, reforçando a

igualdade de oportunidades e incentivando a prática regular de atividade física, contribui para estilos de vida

equilibrados e para a valorização do talento desportivo.

7.4.1 Promover estilos de vida ativos e saudáveis

Promover estilos de vida ativos é essencial para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida. Pretende-

se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Reforço da prática desportiva nas escolas, incluindo a monitorização da atividade física e a prevenção da

obesidade infantil;

• Desenvolvimento de campanhas nacionais para reduzir o sedentarismo e incentivar a atividade física em

todas as idades.

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7.4.2 Garantir igualdade de acesso e inclusão no desporto

A igualdade de acesso ao desporto deve ser garantida em todas as idades e territórios, promovendo a

inclusão e a participação de todos os cidadãos. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Expansão e modernização das infraestruturas desportivas em todo o território nacional;

• Promoção da participação feminina no desporto, incluindo a liderança e a arbitragem;

• Melhoria das acessibilidades e reforço dos programas para a prática desportiva de pessoas com

deficiência.

7.4.3 Valorizar o talento e o desporto de alto rendimento

A valorização do talento e o apoio ao desporto de alto rendimento são essenciais para promover a excelência

e a conciliação entre a vida académica e a carreira desportiva. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico

mediante a implementação das seguintes medidas:

• Apoio aos atletas de alto rendimento e aos atletas-estudantes, promovendo a conciliação entre a carreira

desportiva e académica;

• Incentivo à excelência desportiva através de programas específicos de formação e apoio técnico.

7.5 Mobilidade/sistemas de transportes coletivos

A mobilidade sustentável e acessível é essencial para a coesão territorial e para a qualidade de vida das

populações. A política de transportes aposta na modernização das infraestruturas, na integração tarifária e na

revisão da regulação da concorrência, promovendo um sistema de transporte coletivo mais eficiente, inclusivo

e ambientalmente responsável. A digitalização e a interoperabilidade dos sistemas promovem uma mobilidade

mais inteligente e centrada nas pessoas, capaz de responder aos desafios da transição energética e da

conectividade territorial.

7.5.1 Diversificar a oferta de mobilidade

A diversificação da oferta de mobilidade é essencial para garantir liberdade de escolha, eficiência e

sustentabilidade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes

medidas:

• Lançamento de concursos para concessão de linhas ferroviárias específicas e aceleração da abertura à

concorrência nas linhas que permitam a operação simultânea de vários operadores;

• Fomentar a oferta de transporte público rodoviário, limitando as restrições de operabilidade nas áreas

geográficas cobertas por concessões e todas as barreiras relacionadas com a utilização de terminais, paragens

ou outras;

• Liberalizar o mercado da mobilidade elétrica e dos sistemas de carregamento de veículos, fomentando a

concorrência e a transparência, e continuando a apoiar a renovação de frotas.

7.5.2 Regular o ecossistema da mobilidade e transportes para fomentar o desenvolvimento

económico e social

A regulação eficaz do ecossistema da mobilidade e transportes é fundamental para garantir segurança,

qualidade e equidade no acesso. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação

da seguinte medida:

• Reforçar o enquadramento e a regulação da mobilidade em veículos com condutor, nomeadamente o

setor do TVDE, reforçando os critérios no licenciamento, formação e segurança para o exercício da atividade.

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7.5.3 Combater a pobreza de mobilidade e promover a inclusão com coesão social e territorial

A mobilidade inclusiva exige soluções adaptadas aos territórios de baixa densidade e às populações com

mobilidade reduzida, que garantam coesão territorial e igualdade de acesso. Pretende-se concretizar este

objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Desenvolver a oferta de serviço complementar ao transporte público regular em territórios de baixa

densidade ou em situações de baixa procura, garantindo o acesso a pessoas com mobilidade reduzida.

7.5.4 Acelerar a transferência modal para o transporte público

A transferência modal para o transporte público é uma prioridade para a descarbonização e para a eficiência

do sistema. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Implementar sistemas tarifários que tragam maior flexibilidade, simplificação e universalidade na utilização

do transporte público pelas pessoas, alicerçados em soluções integradas de bilhética;

• Desenvolver novos modelos de negócio e de exploração das interfaces multimodais efetivando a

universalidade de acesso e um melhor serviço aos cidadãos.

7.6. Segurança Social

De forma a tornar a máquina administrativa da segurança social mais próxima, ágil, eficiente, eficaz dos

cidadãos impõe-se uma reforma dos seus serviços através de uma profunda modernização focada no serviço

público às pessoas e às empresas.

7.6.1 Transformação digital da Segurança Social

Visa-se melhorar o atendimento e a eficiência dos serviços da Segurança Social, numa abordagem inovadora

e focada na humanização do atendimento e na simplificação da comunicação. Pretende-se cumprir este objetivo

estratégico através das seguintes medidas:

• Reforçar a interconexão técnica e operacional entre a segurança social e a Autoridade Tributária, com

vista a aproveitamento de sinergias entre os sistemas;

• Simplificar o ciclo contributivo para as empresas;

• Reduzir o tempo de atribuição das pensões unificadas;

• Reforçar o combate à fraude e à evasão contributiva e no sistema de prestações sociais, nomeadamente

utilizando soluções tecnológicas inovadoras com recurso à inteligência artificial e robustecer as medidas de

exigência, transparência e ajuste de equilíbrio das prestações sociais não contributivas, incluindo também

reforçar mecanismos de controlo que evitem pagamentos indevidos;

• Completar a transformação digital da Segurança Social, numa abordagem inovadora que visa melhorar o

atendimento e a eficiência dos serviços da Segurança Social, focada na humanização do atendimento e na

simplificação da comunicação, com estes quatro objetivos: (i) Redução do Atendimento Presencial; (ii)

Otimização da Experiência; (iii) Empatia Digital e (iii) Segurança Social como marca.

8. Eixo Prioritário VI – Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário VI «Segurança mais próxima, justiça mais rápida e

combate à corrupção» assenta numa política que fortalece o Estado de direito, sendo que a segurança tem de

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ser garante de direitos, liberdades e garantias. Almeja-se uma reforma da Justiça para assegurar a sua

celeridade e eficácia, centrada na celeridade processual, na digitalização e numa cultura de eficiência nos

tribunais. Reduzem-se burocracias, eliminam-se expedientes inúteis e promovem-se julgamentos expeditos,

especialmente na criminalidade grave em casos de flagrante delito.

Promove-se um policiamento visível, de proximidade e comunitário, que transmita tranquilidade à população,

a par de uma reforçada capacidade preventiva e de atuação rápida das forças e serviços de segurança, em

particular contra a criminalidade violenta e organizada.

Combate-se determinantemente a corrupção, que quebra o contrato de confiança entre os cidadãos e o

Estado. Implementa-se um amplo enquadramento para a sua prevenção e combate, através da formação, de

maior transparência nos processos de tomada de decisão e do reforço da capacidade de repressão do

fenómeno, que impulsione a transição para um paradigma de maior autonomia e responsabilização dos serviços

e organismos públicos.

Este Eixo Prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos apresentados no Quadro 25.

Quadro 25 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário VI «Segurança mais próxima, justiça

mais rápida e combate à corrupção»

Temas Objetivos Estratégicos

Proximidade e segurança

Reforço do policiamento de visibilidade,

de proximidade e comunitário como

forma de reforçar a tranquilidade pública

Investir em novos meios tecnológicos

capazes de aumentar a capacidade de

vigilância das forças de segurança

Reforço da capacidade operacional

Fortalecimento da capacidade

operacional das forças, em especial para

combater a criminalidade violenta e

grave, o tráfico de droga e a

criminalidade organizada

Fortalecimento da capacidade

operacional das forças de Emergência e

Proteção Civil

Sinistralidade rodoviária Aumentar a eficácia na prevenção

Respostas a novas ameaças Adaptar às novas dinâmicas

sociodemográficas

Criminalidade juvenil Aumentar a eficácia na prevenção

Violência Doméstica

Aumentar a eficácia na prevenção e

combate à violência doméstica e

proteção das vítimas

Justiça

Promover celeridade processual

Transformação digital da Justiça

Proteção às Vítimas de Crime

Combate à corrupção

Promover a prevenção

Reforçar a capacidade de repressão das

atividades criminosas

Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no

Quadro 26. Não obstante a recente evolução positiva no que respeita à resolução processual no âmbito da

justiça, a taxa de criminalidade, a sinistralidade rodoviária e a perceção da corrupção têm apresentado trajetórias

desfavoráveis.

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Quadro 26 – Indicadores de contexto referentes ao Eixo Prioritário VI «Segurança mais próxima, justiça mais

rápida e combate à corrupção»

O Quadro 27 apresenta a lista de instrumento de planeamento que contribuem para materializar a visão

ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 27 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário VI «Segurança mais

próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção»

Designação Situação

Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – Recuperar Portugal, construindo o Futuro Adotado

Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo Adotado

Estratégia Integrada de Segurança Urbana Adotado

Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária A elaborar

Estratégia Nacional de Segurança Interna A elaborar

Estratégia Nacional para o Combate à Disseminação de Conteúdos Violentos no Espaço

Digital A elaborar

Estratégia Digital para a Justiça A elaborar

Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não-Discriminação 2018 – 2030 – Portugal + Igual

(ENIND) Adotado

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O Quadro 28 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 28 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário VI «Segurança

mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção»

8.1 Proximidade e segurança

A segurança deve ser garante de direitos, liberdades e garantias, bem como um ativo estratégico no plano

económico e, de forma transversal, de toda a sociedade. Um policiamento visível, de proximidade e comunitário

que transmita a tranquilidade pública e humanismo das forças no apoio às populações.

8.1.1 Reforço do policiamento de visibilidade, de proximidade e comunitário como forma de

reforçar a tranquilidade

As forças de segurança devem responder, através da sua ação, prioritariamente preventiva, às necessidades

identificadas, pelo que, uma observação conjunta de elementos culminará num policiamento mais eficaz e

reforçado. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Reorganização da distribuição de polícias da PSP e militares da GNR para as tarefas de policiamento,

encontrando um novo modelo administrativo para libertar o maior número de operacionais de tarefas

redundantes ou puramente administrativas;

• Novas capacidades tecnológicas preditivas e de cartografia de risco;

• Rever o enquadramento legal das polícias municipais, respetivas competências e modelo formativo;

• Investimento nos postos e esquadras, estabelecendo parcerias com autarquias locais.

8.1.2 Investir em novos meios tecnológicos capazes de aumentar a capacidade de vigilância das

forças de segurança

A acomodação de meios tecnológicos específicos de aplicação por parte das forças de segurança melhora

a eficiência e segurança das operações, potenciando a responsabilidade e a transparência. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Implementação da plataforma unificada de segurança de sistemas de videovigilância e bodycams;

• Investimento na capacidade de videovigilância das forças de segurança aumentando o número de

equipamentos autorizados, em parceria com as autarquias locais e distribuição de bodycams às forças de

segurança, em cumprimento da legislação vigente.

8.2 Reforço da capacidade operacional

O reforço da capacidade operacional garante a todos os níveis o cumprimento da missão dos agentes de

segurança, independentemente do nível e grau dos cenários de atuação. Concomitantemente, compete ao

Estado garantir serviços de Proteção Civil eficazes e que contribuam para o bem-estar das comunidades. No

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contexto das alterações climáticas que temos assistido e que causam fenómenos naturais extremos com maior

frequência é fundamental reforçar as capacidades de prevenção e reação dos serviços de proteção civil.

8.2.1 Fortalecimento da capacidade operacional das forças, em especial para combater a

criminalidade violenta e grave, o tráfico de droga e a criminalidade organizada

Face às dinâmicas crescentes do crime organizado há que prosseguir o investimento em equipamento e

tecnologia que acompanhe tais dinâmicas. Consolidar a relação operacional entre as forças e os serviços de

segurança, garantindo um planeamento sustentado, conjugado com o reforço de ativos capazes de garantir

ações determinadas e robustas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação

das seguintes medidas:

• Uma maior articulação e cooperação entre as forças e serviços de segurança;

• Melhorar o aproveitamento dos quadros plurianuais de investimentos em infraestruturas e equipamentos

das forças de segurança (2022-2026 em execução, 2027-2031 em planificação), nomeadamente através da

conclusão de mais intervenções em postos e esquadras;

• Modernização do parque automóvel das forças de segurança, com a entrega de novas viaturas, bem

como a aquisição de novos equipamentos e meios de suporte à atividade operacional.

8.2.2 Fortalecimento da capacidade operacional das forças de Emergência e Proteção Civil

Urge trabalhar na qualificação da resposta dos serviços de proteção civil, com uma maior incorporação

tecnológica, na valorização dos seus meios e recursos humanos, e na maior interoperabilidade entre os serviços

de proteção civil e os demais meios e serviços relevantes do Estado e das autarquias locais. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Aumentar a resiliência do Estado em matéria de proteção civil para garantir a segurança das populações,

através do aumento da capacidade operacional dos agentes de proteção civil, fortalecendo e agilizando a

interoperabilidade e coordenação institucional, através da atualização do Sistema Integrado de Operações de

Proteção e Socorro;

• Apostar na profissionalização da 1.ª intervenção nos corpos dos bombeiros voluntários (24H/365dias) dos

seus agentes, especialmente através da criar a carreira de Bombeiros, reforçar as Equipas de Intervenção

Permanente, aumentar substancialmente o número de efetivos da Força Especial de Proteção Civil (FEPC) da

ANEPC e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR (UEPS), reforçar os meios que integram

o Sistema de Proteção Civil para garantir uma resposta eficaz a situações emergentes, proteção da população

e preservação de bens e do ambiente;

• Melhorar os meios e recursos à disposição dos agentes de proteção civil, através do reequipamento do

parque de viaturas, atualizar os sistemas de comunicações em emergência e tecnologias de comunicação e

informação e os atuais sistemas de apoio à decisão com vista a auxiliar no comando e controlo das operações.

8.3 Sinistralidade rodoviária

A sinistralidade rodoviária constitui um problema de saúde pública de elevada gravidade, refletindo-se em

perdas humanas irreparáveis e em substanciais custos socioeconómicos, tanto diretos como indiretos. Combater

esta realidade é, por isso, essencial para proteger vidas, garantir o bem-estar coletivo e reforçar a

sustentabilidade económica.

8.3.1 Aumentar a eficácia na prevenção

A prevenção rodoviária visa reduzir o número e a gravidade dos acidentes de trânsito, protegendo a vida de

todos os utentes da estrada e a mesma abrange múltiplas áreas de atuação, sendo por isso um esforço

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multifacetado que deve ser plasmado num novo instrumento de planeamento de forma que o mesmo possa

contribuir para a redução da sinistralidade, através da sua concretização. Pretende-se concretizar este objetivo

estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Aprovar e implementar a nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária.

8.4 Respostas a novas ameaças

A perceção de segurança é um ativo de que o País não pode abdicar. A par da capacidade preventiva e da

atuação pronta das forças e serviços de segurança é fundamental corresponder às novas ameaças no contexto

da criminalidade violenta, bem como da criminalidade organizada.

8.4.1 Adaptar às novas dinâmicas sociodemográficas

Considerando as novas dinâmicas sociodemográficas e ameaças internas urge rever a política e o

planeamento que visa garantir a segurança dos cidadãos e do território nacional. Pretende concretizar-se este

objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Proceder à revisão e regular atualização do conceito estratégico de segurança interna.

8.5 Criminalidade juvenil

O consumo de estupefacientes em idade juvenil, a criminalidade associada às redes sociais e ao

ciberespaço, a violência no namoro, o bullying e o abuso e assédio sexuais, entre outros comportamentos,

determinam ações especializadas por parte das forças de segurança no âmbito da delinquência e criminalidade

juvenil e colocam novas exigências ao nível do sistema tutelar educativo.

8.5.1 Aumentar a eficácia na prevenção

A prevenção da criminalidade juvenil exige um combate preventivo e eficaz, focado nas grandes ameaças

que pendem sobre o comportamento dos jovens. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação da seguinte medida:

• Reforço da prevenção e das capacidades de combate a: criminalidade juvenil e grupal, violência

doméstica, criação e partilha de conteúdos digitais nefastos ao desenvolvimento das crianças e jovens

(nomeadamente pornografia e conteúdos sexuais), sinistralidade rodoviária, cibercrime e ameaças híbridas

(como a desinformação, a interferência eleitoral ilegítima e a disseminação de conteúdos violentos no espaço

digital).

8.6 Violência doméstica

A violência doméstica, frequentemente associada a desigualdades de género e a dinâmicas de poder

marcadas pela violência, constitui uma grave violação dos direitos humanos e uma ameaça à coesão social.

Exige uma resposta firme e articulada do Estado, promovendo a proteção das vítimas, a responsabilização dos

agressores e a sensibilização da sociedade.

8.6.1 Aumentar a eficácia na prevenção e combate à violência doméstica e proteção das vítimas

A prevenção e combate à violência doméstica exige uma abordagem integrada, que combine medidas de

proteção das vítimas, mecanismos eficazes de denúncia e estratégias de sensibilização e educação para a

igualdade. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

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• Reforço da capacidade de resposta das forças de segurança e do sistema judiciário no atendimento

especializado e célere às vítimas;

• Potenciação dos mecanismos de denúncia e proteção;

• Implementação de programas específicos dirigidos a agressores, focados na responsabilização,

reabilitação e prevenção da reincidência;

• Intensificação da cooperação entre entidades públicas, organizações da sociedade civil e redes de apoio

social, assegurando uma resposta integrada e permanente.

8.7 Justiça

A Justiça carece de uma reforma sólida, prosseguida passo a passo, e com um horizonte que vá para além

de uma legislatura, prosseguindo objetivos de longo prazo, visando aprimorar a eficiência, celeridade e

acessibilidade do sistema judicial, em consonância com a modernização tecnológica do sistema.

8.7.1 Promover a celeridade processual

A reforma do sistema de justiça é uma prioridade e uma das suas componentes fundamentais incide sobre o

reforço de celeridade processual, promovendo a redução de custos e o descongestionamento dos tribunais.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Nova gestão processual baseada na promoção da redução da extensão das peças processuais, na

melhoria dos procedimentos para citação e notificação das partes e intervenientes acidentais, no agendamento

de diligências após prévia articulação de agendas dos intervenientes, e concluir o quadro normativo das

assessorias nos tribunais através do reforço e atribuição de um papel mais relevante aos assessores;

• Alterar a legislação processual penal, assegurando uma maior filtragem de denúncias, o reforço dos

poderes de gestão processual do juiz e a racionalidade em matéria de recursos (com restrição do número, do

seu momento no fluxo do processo e dos respetivos efeitos suspensivos), e reequacionar a fase de instrução,

nomeadamente a limitação do seu âmbito ou da possibilidade de acesso;

• Medidas de reforço da celeridade processual, considerando uma maior especialização dos tribunais e dos

magistrados, a implementação de mecanismos premiais e a definição de meios de mitigação dos

megaprocessos;

• Avançar com a reforma da jurisdição administrativa e fiscal.

8.7.2 Transformação digital da justiça

A transformação digital da Justiça é outra prioridade que contribuirá para a celeridade na conclusão de

processos, promovendo também a simplificação e facilitação no acesso à justiça por parte do cidadão e das

empresas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Reforçar e concluir o processo de digitalização e modernização administrativa da Justiça, no âmbito do

PRR, e o processo de desenvolvimento de sistemas de interoperabilidade entre várias entidades e os tribunais,

promovendo a celeridade processual e a poupança de recursos;

• Aumentar o recurso a meios alternativos de resolução de litígios.

8.7.3 Proteção às vítimas de crime

O reforço da proteção às vítimas é um pilar central de uma justiça mais humana e próxima. Pretende

concretizar-se este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

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• Alargar e consolidar a rede de gabinetes de apoio à vítima, assegurando atendimento especializado e

multidisciplinar;

• Reforçar os mecanismos de proteção das vítimas de violência doméstica, violência de género, crimes

sexuais e crimes contra crianças, com medidas de prevenção, acompanhamento e apoio psicológico e social;

• Desenvolver sistemas de monitorização eletrónica que aumentem a eficácia das medidas de coação e

proteção;

• Intensificar a cooperação entre tribunais, forças de segurança, Ministério Público e entidades da

sociedade civil, garantindo respostas rápidas e eficazes.

8.8 Combate à corrupção

A confiança é a base de uma administração mais ágil, mais humana e mais justa – e o antídoto contra a

corrupção que se alimenta da opacidade e da lentidão. Impõe-se um combate sistemático e rigoroso à corrupção,

que mina o contrato de confiança entre os cidadãos e o Estado. É fundamental ter um amplo enquadramento

para o seu combate, em particular na transição para um paradigma de maior autonomia e responsabilização dos

serviços e organismos públicos.

8.8.1 Promover a prevenção

O combate à corrupção é fundamental para recuperar a confiança dos cidadãos nas instituições públicas e

inicia-se na prevenção. Para tal, é essencial reforçar a política existente bem como adotar novas medidas que

fomentem a transparência. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Regulamentar o registo de interesses legítimos («lóbi») e incrementar as potencialidades do Portal BASE

(designadamente quanto à possibilidade do tratamento em massa dos dados);

• Dar sequência à reforma institucional das entidades públicas especializadas na transparência e prevenção

da corrupção: MENAC, Entidade para a Transparência e Entidade das Contas e Financiamentos Políticos;

• Reforçar a atuação dos órgãos de auditoria e inspeção do Estado, aumentando a articulação entre

entidades com funções preventivas e repressivas, incluindo no recebimento de denúncias e respetivo

tratamento.

8.8.2 Reforçar a capacidade de repressão das atividades criminosas

O combate à corrupção exige um foco determinado na repressão, assumindo-se este como um fator

essencial para a melhoria da confiança nas instituições públicas. Para tal, propõe-se fortalecer os mecanismos

de recuperação de ativos e consolidar as matérias legais no que à perda alargada de bens diz respeito, em

consonância com as diretivas europeias. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Reforçar os instrumentos em matéria de perda das vantagens de atividade criminosa, nomeadamente

através de um novo mecanismo de perda alargada de bens;

• Dinamizar os gabinetes de recuperação de ativos e de administração de bens.

9. Eixo Prioritário VII – Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário VII «Construir Portugal: mobilização de todos para

ultrapassar a crise da habitação» assenta numa política que enfrenta a crise da habitação como um desígnio

nacional, mobilizando a sociedade para uma resposta coletiva, ambiciosa e estrutural. Nesse sentido, propõe-

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se uma abordagem integrada que envolve os setores privado, público e cooperativo, com o objetivo de assegurar

que toda a população possa viver com dignidade, segurança e estabilidade.

Promove-se o reforço substancial da oferta habitacional em determinados segmentos do mercado, como

resposta fundamental à escassez de imóveis que tem gerado uma pressão insustentável sobre a população,

especialmente sobre os mais vulneráveis e a classe média.

É prestado apoio à população mais jovem na aquisição da sua primeira habitação, através da isenção de

determinadas tributações e do acesso facilitado ao crédito, com o objetivo de atenuar o esforço financeiro

associado e assegurar o cumprimento dos encargos, sem acréscimo de pressão fiscal.

Implementa-se a simplificação dos processos de licenciamento urbanístico, combatendo a burocracia

excessiva e a falta de previsibilidade que têm sido entraves ao investimento e à construção. Reforça-se a

transição do modelo de controlo prévio para um modelo de fiscalização objetiva a posteriori, garantindo-se, em

todo o momento, a segurança do produto final, promovendo-se uma gestão territorial mais ágil e colaborativa

entre o Governo e as autarquias locais para acelerar projetos, garantir maior transparência e fomentar a

confiança entre os diferentes intervenientes.

Fomenta-se a criação de novas centralidades urbanas nas áreas metropolitanas, pensadas como espaços

multifuncionais, sustentáveis e bem conectados, capazes de aliviar a pressão sobre os centros urbanos e de

oferecer alternativas habitacionais acessíveis e de qualidade.

Garante-se, em paralelo, a recuperação da estabilidade e da confiança no mercado de arrendamento,

condição essencial para um setor habitacional saudável, dinâmico e acessível a todos.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 29.

Quadro 29 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário VII «Construir Portugal: mobilização

de todos para ultrapassar a crise da habitação»

Temas Objetivos Estratégicos

Oferta de habitação Mobilizar património imobiliário do Estado e

aumentar a oferta de habitação

Construção

Simplificar e estimular a construção

Modernizar o setor da construção

Desenvolvimento urbano integrado Requalificar e expandir áreas urbanas de forma

planeada e integrada

Mercado de Arrendamento Reforçar, dar estabilidade e confiança

Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no

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Quadro 30. O setor da habitação em Portugal registou oscilações, existindo melhorias nas condições

habitacionais até 2020, contudo, com registo de agravamentos recentes neste domínio, enquanto os preços de

venda e de arrendamento aumentam substancialmente.

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Quadro 30 – Indicadores de contexto referentes ao Eixo Prioritário VII «Construir Portugal: mobilização de

todos para ultrapassar a crise da habitação»

Apresenta-se, no

Quadro 31, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a visão ambicionada

para o país neste eixo prioritário.

Quadro 31 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário VII «Construir Portugal:

mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação»

Designação Situação

Programa Nacional de Habitação 2022-2026 Adotado

Construir Portugal: Nova Estratégia do XXV Governo para a Habitação Adotado

O Quadro 32 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 32 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário VII «Construir

Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação»

9.1 Oferta de habitação

A crise no acesso à habitação em Portugal, evidenciada desde 2017, levou a uma priorização do aumento

da oferta habitacional como resposta estrutural ao desequilíbrio entre rendimentos e preços de mercado. O plano

«Construir Portugal», apresentado em maio de 2024, pelo XXIV Governo, propôs a mobilização do património

imobiliário do Estado, bem como a dinamização da oferta pública, privada e cooperativa, com foco na produção

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de habitação a preços acessíveis para a classe média. Esta abordagem visa garantir uma resposta eficaz às

necessidades habitacionais, promovendo simultaneamente a coesão social e territorial.

9.1.1 Mobilizar património imobiliário do Estado e aumentar a oferta de habitação

Aumentar a oferta de habitação através da mobilização do património do Estado é fundamental para

ultrapassar a crise da habitação. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação

das seguintes medidas:

• Executar 59 mil casas públicas e disponibilizar financiamento para mais projetos, incluindo PPP em

imóveis do Estado devolutos com aptidão habitacional;

• Injetar no mercado imóveis públicos devolutos ou subutilizados, destinando-se à oferta de habitação

acessível diretamente ou indiretamente. Esta injeção pode ocorrer por pacotes de imóveis destinados a

investidores experientes e qualificados, designadamente por concessão começando esta metodologia por ser

aplicada aos imóveis libertados pela concentração de ministérios e entidades no Campus XXI;

• Transferir do Estado para os municípios edifícios e frações habitacionais dispersas para a sua

recuperação e reabilitação e posterior atribuição em arrendamento habitacional público.

9.2 Construção

A construção é um elemento estruturante do setor da habitação e desempenha um papel decisivo na resposta

às necessidades da população. Num contexto atual marcado pelo aumento da procura, pela escassez de oferta

a preços comportáveis e pela necessidade de reabilitação do edificado degradado existente, o setor da

construção assume uma responsabilidade acrescida, pois a sua capacidade de inovação e adaptação às

exigências atuais é determinante para garantir que o crescimento da oferta se faz de forma equilibrada e

inclusiva. Assim, para facilitar a construção e acelerar a disponibilização de novas habitações, é fundamental

simplificar processos. Ao mesmo tempo, a modernização do setor da construção é fundamental, através da

adoção de tecnologias como o Building Information Modeling e a industrialização dos processos, o que permitirá

tornar o setor mais eficiente e capaz de responder às exigências atuais com maior rapidez e qualidade.

9.2.1 Simplificar e estimular a construção

Reconhecendo os entraves burocráticos que dificultam o licenciamento e a construção, é essencial garantir

a simplificação administrativa, bem como a redução dos custos relativos a obras de construção ou reabilitação.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Criar um regime excecional e temporário que acelere a construção e renovação por oferta privada ou

cooperativa, designadamente através da redução dos custos em obras de construção ou reabilitação; aplicação

de IVA à taxa mínima de 6 % nas obras e serviços de construção e reabilitação, com limite de incidência no

valor final dos imóveis;

• Rever o enquadramento legislativo do licenciamento e controlo urbanístico, bem como assegurar a

modernização das normas aplicáveis à construção, reforçando decisivamente a simplificação e a previsibilidade

no setor.

9.2.2 Modernizar o setor da construção

A modernização do setor da construção é fulcral para ultrapassar a crise da habitação, pois permitirá otimizar

e acelerar processos. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte

medida:

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• Dinamizar a modernização do setor da construção, ao nível da gestão de projetos com a dinamização de

tecnologias como o building information modeling (BIM), bem como na industrialização de processos

construtivos.

9.3 Desenvolvimento urbano integrado

O desenvolvimento urbano integrado é um dos pilares fundamentais do planeamento estratégico das

cidades, cujo principal objetivo é garantir o acesso de forma equitativa à habitação e a promoção de

comunidades sustentáveis, inclusivas e centradas no bem-estar, facilitando nomeadamente a prestação de

serviços de apoio e cuidados continuados à população sénior, de forma a responder a situações de extrema

gravidade social. Importa apostar na revitalização urbana sem induzir fenómenos de gentrificação, preservando

a identidade dos bairros e das comunidades, enquanto se incentiva a inovação e se implementam soluções com

o propósito de tornar a habitação acessível. Para um desenvolvimento urbano integrado é ainda fundamental a

criação e a articulação de uma rede de transportes mais sustentável, capaz de desbloquear o acesso a novas

áreas do território.

9.3.1 Requalificar e expandir áreas urbanas de forma planeada e integrada

Um desenvolvimento urbano integrado exige um planeamento descentralizado, com licenciamento ágil e

execução célere de infraestruturas e equipamentos sociais, potenciando a transformação qualificada do

território. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Dinamizar zonas prioritárias de expansão urbana, através de sociedades de reabilitação urbana e de

promoção habitacional, em articulação com os municípios, seguindo o modelo da Parque Expo, com

planeamento e licenciamento descentralizado e execução expedita de infraestruturas e equipamentos sociais,

no espírito do anunciado Parque Cidades do Tejo (transformação da área metropolitana de Lisboa, articulada

em quatro grandes eixos – Arco Ribeirinho Sul, Ocean Campus, Aeroporto Humberto Delgado e Cidade

Aeroportuária);

• Orientar o planeamento do uso do solo para dar satisfação às prementes necessidades de habitação bem

como às atividades económicas, com respeito pela salvaguarda dos recursos naturais;

• Generalizar a execução e conservação do cadastro predial a todo o território nacional;

• Promover a obtenção de dados geoespaciais do País de forma regular, de modo a garantir um

conhecimento atualizado do território e assim possibilitar a sua gestão, monitorização e ordenamento de modo

sustentado, permitindo ainda assegurar a adequada territorialização das políticas públicas.

9.4 Mercado de arrendamento

O mercado de arrendamento desempenha um papel essencial no setor da habitação. Nos últimos anos,

houve um agravamento da oferta e um aumento do preço das rendas, dificultando o acesso àquele setor. Para

contrariar este aumento, torna-se urgente reorientar a intervenção pública, apostando numa política de apoio

através da subsidiação dos arrendatários em situação de vulnerabilidade, e não da penalização generalizada

dos proprietários, de forma a recuperar a confiança no mercado de arrendamento. A subsidiação deve ser

simples, transparente e eficaz, evitando a excessiva burocracia dos programas de arrendamento que ainda

persiste e que conduz ao atraso nos pagamentos, ou a um desfasamento significativo entre a realidade dos

arrendatários e o histórico que é usado para os apoiar.

9.4.1 Dar estabilidade e confiança

A recuperação da confiança no mercado de arrendamento, de forma a dar estabilidade aos portugueses, é

considerado um ponto fundamental para a resolução dos desafios no setor da habitação. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

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• Rever o regime de arrendamento urbano, devolvendo a confiança ao mercado e garantindo, de modo

eficaz, os direitos dos proprietários em caso de incumprimento;

• Rever os programas de arrendamento, seja simplificando e reforçando a eficiência do arrendamento

acessível, seja promovendo o modelo de contratos de investimento build-to-rent com condições de

previsibilidade de rentabilidade e de estabilidade legislativa essenciais para atrair o investimento privado;

• Rever e racionalizar todos os programas públicos de apoio à renda, simplificando e acelerando

procedimentos e reforçando a eficiência e equidade nos apoios.

10. Eixo Prioritário VIII – As infraestruturas que alavancam o País

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário VIII «As infraestruturas que alavancam o País» assenta

numa política orientada para a execução de projetos estruturantes. Esta visão integra investimentos com impacto

direto na mobilidade, na energia, na coesão territorial e na atratividade competitiva do território nacional.

Promove-se a modernização e o desenvolvimento integrado das infraestruturas nacionais. É crucial expandir e

otimizar as infraestruturas aeroportuárias nacionais, tendo em vista o aumento da capacidade de resposta à

crescente procura de tráfego de passageiros e carga, garantindo maior eficiência operacional e aumentando a

sua ligação e articulação com a restante infraestrutura de transportes. Neste domínio, é estratégico também

concretizar-se a primeira fase da privatização da TAP.

Importa, de igual modo, após uma década marcada por falhas de gestão, ausência de planeamento integrado

e insuficiência de investimento, promover o setor portuário e o transporte marítimo, nomeadamente, através da

digitalização e da descarbonização, de modo a reforçar a competitividade e atrair investimento privado. No

transporte ferroviário, aposta-se na sua revitalização mediante a abertura à concorrência e entrada de novos

operadores.

Garante-se o reforço da rede elétrica nacional e das suas interligações com a Europa, assegurando uma

oferta energética sustentável e competitiva e inclusiva, reforçando a soberania energética nacional, e investe-

se em infraestruturas de serviços públicos essenciais, como na saúde, educação, justiça e segurança.

Impulsiona-se, por fim, a modernização das redes tecnológicas, como o 5G e os data centers, para garantir

a competitividade digital, e cria-se um instrumento nacional de planeamento, de forma a assegurar a

coordenação dos grandes investimentos e, consequentemente, a sua coerência articulação e eficácia.

A concretização destes objetivos articula-se com o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030),

garantindo-se assim o alinhamento com as metas nacionais e europeias de descarbonização.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 33.

Quadro 33 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário VIII «As infraestruturas que

alavancam o país»

Temas Objetivos Estratégicos

Aeroportos e transporte aéreo

Transformação do setor da aviação em Portugal,

resolvendo o atraso sistémico de decisões e

investimento de décadas

Ferrovia

Modernização da ferrovia e concretização do plano

ferroviário nacional, assegurando um sistema moderno

e competitivo de transporte de passageiros e de

mercadorias

Rodovia Expandir e modernizar as redes rodoviárias

Infraestruturas – Portos Expandir e modernizar as redes portuárias nacionais

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Temas Objetivos Estratégicos

Infraestruturas energéticas e tecnológicas

Modernizar as infraestruturas energéticas para a

competitividade nacional

Modernizar as infraestruturas tecnológicas para a

competitividade nacional

Infraestruturas de serviços públicos Garantir capacidade de provisão dos serviços e

funções do Estado

Investimentos públicos Assegurar coordenação e planeamento integrado dos

investimentos públicos

Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no

Quadro 34. Entre 2010 e 2023, Portugal registou uma recuperação no transporte público no pós-pandemia,

bem como um crescimento acentuado na atividade portuária e aeroportuária, e uma intensificação da atividade

logística e do turismo.

Quadro 34 – Indicadores de contexto referentes Ao eixo Prioritário VIII «As infraestruturas que alavancam o

País»

O Quadro 356 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a visão

ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 356 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao Eixo Prioritário VIII «As infraestruturas

que alavancam o País»

Designação Situação

Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-2030 Adotado

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Designação Situação

Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Pedonal 2020-2030 Adotado

Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente Adotado

Plano Ferroviário Nacional Adotado

Programa Nacional de Investimentos 2030 Adotado

Estratégia ‘Portos 5+’ 2025-2035 Adotado

Plano de Investimentos para o Triénio 2025-2027 da Docapesca Adotado

Plano Nacional de Energia e Clima 2030 Adotado

Plano de Reforço da Segurança do Sistema Elétrico Nacional A elaborar

O Quadro 36 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 36 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário VIII «As

infraestruturas que alavancam o país»

10.1 Aeroportos e transporte aéreo

Os setores da aviação e aeroportuário têm sido dominados na última década por atrasos na decisão e

bloqueios administrativos, desde a falta de capacidade do Aeroporto Humberto Delgado ao adiamento da

escolha da melhor opção de expansão, bem como o complexo processo de nacionalização da TAP.

10.1.1 Transformação do setor da aviação em Portugal, resolvendo o atraso sistémico de decisões

e investimento de décadas

Face à crescente competitividade internacional no setor de aviação, Portugal necessita de implementar

avanços estratégicos que assegurem a sua posição no panorama global. Para tal, impõe-se o reforço da rede

aeroportuária nacional e a concretização da primeira fase da privatização da TAP. Pretende-se concretizar este

objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• A conclusão da negociação e lançamento da construção do Aeroporto Luís de Camões;

• O reforço da capacidade na restante rede aeroportuária nacional;

• A concretização da primeira fase da privatização da TAP.

10.2 Ferrovia

O transporte ferroviário desempenha um papel essencial no ecossistema do serviço público de transporte de

pessoas e bens, sendo um elemento estruturante do território e um pilar central das políticas de mobilidade

sustentável. No entanto, em Portugal, este setor tem vindo a perder, ao longo das últimas décadas, a sua

relevância enquanto instrumento de coesão territorial e desenvolvimento. A revitalização do transporte ferroviário

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exige, por isso, uma aposta clara na promoção da concorrência e na entrada de novos operadores, de forma a

garantir maior eficiência, inovação e capacidade de resposta às necessidades do País.

10.2.1 Modernização da ferrovia e concretização do plano ferroviário nacional, assegurando um

sistema moderno e competitivo de transporte de passageiros e de mercadorias

A promoção da mobilidade em Portugal exige a definição clara de prioridades estratégicas. Entre estas,

destacam-se o investimento no setor ferroviário, tanto na implementação da rede de Alta Velocidade como na

expansão da rede nacional, e uma nova abordagem à mobilidade intermunicipal na Área Metropolitana de

Lisboa, assente na integração dos sistemas de metropolitano num único sistema. Pretende-se concretizar este

objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Execução atempada da rede de Alta Velocidade (Porto-Lisboa, Porto-Valença e Lisboa-Caia), bem como

da Terceira Travessia do Tejo;

• Definição das prioridades na expansão da rede nomeadamente na ligação às capitais de distrito que ainda

não estão ligadas (Viseu, Vila Real, Bragança) e linhas metropolitanas (Vale do Sousa e Loures);

• Plano para a integração num sistema único de Metro, dos vários sistemas de metropolitano da Área

Metropolitana de Lisboa, ligando as duas margens do Tejo (o Metro de Lisboa, o Metro Sul do Tejo e as outras

linhas de Metro Ligeiro propostas para a Margem Norte).

10.3 Rodovia

A execução de projetos de infraestruturas rodoviárias estruturantes, a modernização das infraestruturas, a

atuação na falta de capacidade da rede existente, o combate à sinistralidade, a resolução de estrangulamentos

de mobilidade urbana, a reabilitação dos ativos, a garantia das condições de circulação e segurança, são

essenciais para melhorar a mobilidade, a segurança, reforçar a competitividade regional e promover a coesão

territorial.

Potenciar a utilização das autoestradas, algumas das quais com tráfego reduzido, especialmente em zonas

de baixa densidade, tirando partido das valências destas infraestruturas, com a execução de novas ligações à

rede viária envolvente e a revisão global do regime de portagem praticado em Portugal, é igualmente um dos

focos.

Para tal, e tendo também em consideração o facto dos atuais contratos das concessões rodoviárias estarem

a terminar, impõe-se um estudo aprofundado do modelo de financiamento do setor rodoviário que, entre outras

matérias inclua o estudo de novas fontes de financiamento, e investimento, incluindo a adoção de instrumentos

inovadores como os «vales rodoviários», sem descurar a necessária sustentabilidade financeira do setor.

10.3.1 Expandir e modernizar as redes rodoviárias

Expandir e modernizar as redes rodoviárias, nomeadamente através da construção de ligações estratégicas,

exige investimento e novos modelos de financiamento. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico

mediante a implementação da seguinte medida:

• Revisão dos modelos de financiamento e investimento em rodovias, potenciando o aumento de

investimento em novas vias e em vias existentes («vales rodoviários») para reforço das interligações e conclusão

de projetos sucessivamente adiados (de que é exemplo prioritário a ligação em perfil de autoestrada entre Viseu

e Coimbra).

10.4 Infraestruturas – Portos

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O setor portuário e o transporte marítimo nacionais têm enfrentado, na última década, um atraso significativo

no seu desenvolvimento e modernização. Apesar do seu papel estratégico na economia portuguesa e na

articulação logística internacional, este setor tem sido marcado pela falta de gestão com cultura empresarial,

com as administrações portuárias a operar frequentemente sem instrumentos eficazes de coordenação e

planeamento integrado. Este contexto tem sido agravado por um défice de investimento público e privado, bem

como por um desfasamento das normas legais e regulatórias face às exigências infraestruturais e tecnológicas

do setor. Simultaneamente, os portos, à semelhança da indústria marítima e da logística, encontram-se num

processo de transformação profunda, marcado pela transição digital e pela crescente aposta na

sustentabilidade.

10.4.1 Expandir e modernizar as redes portuárias nacionais

Portugal definiu uma estratégia portuária centrada na retoma do investimento e na modernização, com forte

aposta na digitalização, no reforço da competitividade e da sustentabilidade. Esta iniciativa prevê um

crescimento expressivo na movimentação de mercadorias, passageiros e contentores. Pretende-se concretizar

este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Reforço das capacidades portuárias nacionais, através de um vasto programa de investimento nos portos

(Portos 5+), por forma a aumentar a quota modal do transporte marítimo;

10.5 Infraestruturas energéticas e tecnológicas

Entre as prioridades definidas destacam-se a expansão da rede elétrica e das interligações internacionais, a

integração de energias renováveis e o estabelecimento de quadros regulatórios eficazes, reconhecendo-se

igualmente a relevância das matérias-primas críticas como condição essencial à transição energética, digital e

à resiliência industrial do país. Adicionalmente, a melhoria da acessibilidade às comunicações, com qualidade,

segurança e sustentabilidade, é vital para o crescimento económico. Complementarmente, são promovidos

incentivos ao investimento em capacidade tecnológica nacional e criadas condições para o teste e

implementação de novas soluções desenvolvidas com recurso a IA e outras tecnologias, com vista à atração de

novos projetos e ao reforço da competitividade do País.

10.5.1 Modernizar as infraestruturas energéticas para a competitividade nacional

O reforço da rede elétrica nacional e das interligações internacionais, com foco na segurança do fornecimento

e na integração de energias renováveis e na soberania energética, será a base para atrair investimento e

consolidar a competitividade energética de Portugal, mas também para assegurar a inclusão social, a

acessibilidade tarifária e a equidade territorial. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a

implementação da seguinte medida:

• Aumento da capacidade da rede elétrica nacional e das interligações elétricas entre a Península Ibérica

e França, da segurança do fornecimento elétrico, e da incorporação sustentável e competitiva de energias

renováveis como forma de sustentar a atração e instalação de novos investimentos empresariais, mantendo e

reforçando a competitividade energética nacional, a resiliência industrial e a equidade no acesso.

10.5.2 Modernizar as infraestruturas tecnológicas para a competitividade nacional

Promover a competitividade tecnológica nacional implica um reforço dos mecanismos regulatórios e dos

incentivos ao investimento em infraestruturas tecnológicas. Pretende-se também simplificar a construção e

manutenção de redes, desburocratizando procedimentos com autarquias e autoridades. As comunicações com

os Açores e Madeira dependem de cabos submarinos, cuja obsolescência exige substituição urgente. Prioriza-

se o desenvolvimento do projeto Atlantic CAM e a modernização das ligações inter-ilhas nos Açores e entre a

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Madeira e Porto Santo, assegurando a continuidade dos serviços nas regiões autónomas. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Fomentar os enquadramentos regulatórios e de incentivos para o investimento nas redes tecnológicas,

sistemas de suporte e capacidade tecnológica nacional que assegurem a competitividade tecnológica do País;

• Rever o Regime previsto no Decreto-Lei n.º 123/2009, de 21 de maio, tendo em vista a execução do

Regulamento (UE) 2024/1309, do Parlamento Europeu e o Conselho, de 29 de abril de 2024, relativo a medidas

destinadas a reduzir o custo da implantação de redes de comunicações eletrónicas gigabit (Regulamento Gigabit

ou GIA) e, bem assim, atualizar as disposições relativas às infraestruturas em edifícios, conjuntos de edifícios e

urbanizações (ITUR) e em edifícios (ITED), prevendo um regime mais simples e a supressão de disposições

redundantes;

• Promover o desenvolvimento do Atlantic CAM, atualmente em curso e atualizar da restante infraestrutura

de cabos submarinos, nomeadamente, as ligações inter-ilhas dos Açores e a nova ligação entre a Madeira e

Porto Santo.

10.6 Infraestruturas de serviços públicos

A melhoria da capacidade de provisão dos serviços públicos obriga a uma abordagem estratégica e à

execução de infraestruturas fundamentais, adaptadas às especificidades de cada setor e território. A adoção

dos modelos contratuais, sejam públicos, privados ou em regime de parceria, permitirá otimizar recursos e

acelerar a resposta às necessidades. Esta intervenção visa corrigir deficiências estruturais na rede de

equipamentos do Estado, promovendo simultaneamente a coesão territorial e a equidade no acesso aos

serviços.

10.6.1 Garantir capacidade de provisão dos serviços e funções do Estado

Reforçar a capacidade do Estado na prestação de serviços públicos exige investimento em infraestruturas

essenciais, com vista a corrigir desigualdades territoriais e a aumentar a eficiência administrativa, com especial

atenção nos setores social e ambiental. Do mesmo modo, os serviços postais mantêm-se essenciais, exigindo

regulação eficaz para garantir o seu caráter público, universal e sustentável. Pretende-se concretizar este

objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Execução, nos modelos contratuais mais adequados a cada caso, das infraestruturas fundamentais para

robustecer a capacidade de provisão dos serviços e funções do Estado, promovendo a coesão territorial e a

solução das deficiências de rede existentes, com destaque para os setores da saúde, educação, justiça,

segurança interna, segurança social e ambiente;

• Requalificar e modernizar os edifícios, promovendo maior eficiência energética e acessibilidade universal;

• Implementar um plano de gestão patrimonial que racionalize recursos, concentre serviços e valorize a

proximidade às populações;

• Garantir a continuação da prestação do serviço público em todo o território nacional através do contrato

de concessão do serviço postal universal.

10.7 Investimentos públicos

A crescente complexidade dos investimentos públicos e diversidade de objetivos setoriais e territoriais exigem

uma abordagem integrada e coordenada das diferentes escalas de planeamento e setores de intervenção.

10.7.1 Assegurar coordenação e planeamento integrado dos investimentos públicos

É necessária a criação de um mecanismo estratégico para alinhar os investimentos públicos com as

prioridades setoriais e territoriais, promovendo coerência, eficácia e eficiência na ação governativa. Pretende-

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se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Desenvolver um instrumento de coordenação, integração e coerência entre os diversos investimentos

públicos e os vários objetivos e prioridades setoriais e para os diversos níveis territoriais (nacional, regional e

local).

11. Eixo Prioritário IX – Água que Une: salvaguardar o futuro

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário IX «Água que Une: salvaguardar o futuro» assenta numa

política orientada para dotar Portugal das infraestruturas de captação, armazenamento e distribuição eficiente

de água, indispensáveis no atual contexto de escassez e volatilidade hídrica.

Definem-se orientações, medidas e investimentos que, num horizonte de médio prazo, garantam maior

segurança e sustentabilidade na gestão da água em Portugal, assumindo uma perspetiva de modernização e

transformação estrutural. Promove-se, simultaneamente, o uso eficiente da água e a segurança do

abastecimento para prevenir situações de racionamento que comprometam o bem-estar das populações, a

agricultura, o desenvolvimento económico e a coesão territorial.

Garante-se, por um lado, a segurança do abastecimento à agricultura e demais setores económicos,

mitigando o impacto das secas, das cheias e das alterações climáticas, evitando crises e custos acrescidos e,

por outro, promove-se a sustentabilidade para proteger os ecossistemas e os recursos naturais, garantindo uma

gestão mais integrada da água e compatibilizando preocupações ambientais, económicas e sociais, bem como

de coesão territorial.

Implementam-se diversas medidas assentes em três áreas – eficiência, eficácia e inteligência. A eficiência

incide em intervenções ao nível das estruturas existentes, com vista a poupar água, reduzir perdas nas redes

de abastecimento e de rega, reabilitar reservatórios e aproveitar águas residuais tratadas, visando potenciar o

capital físico disponível. A resiliência contempla a aposta em novas soluções e infraestruturas para reforçar o

armazenamento, garantir mais segurança no abastecimento às populações, à agricultura e aos restantes setores

económicos, restaurar rios e ecossistemas, criar reservas estratégicas de água e interligar sistemas para

assegurar maior robustez hidrológica. A inteligência promove a modernização institucional e tecnológica e a

implementação de uma gestão mais integrada dos recursos hídricos, a capacitação da administração e a aposta

na digitalização do ciclo da água.

Com a Estratégia «Água que Une», ambiciona-se um impacto transformador em Portugal, configurando um

esforço para modernizar e reformar a gestão dos recursos hídricos, em linha com as necessidades das

populações e das regiões, dos ecossistemas e dos setores económicos.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 37.

Quadro 37 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário IX «Água que Une: salvaguardar o

futuro»

Temas Objetivos Estratégicos

Eficiência

Garantir a segurança de abastecimento à população

e aos setores de atividade prevenindo crises

hidrológicas

Resiliência

Expandir e modernizar as infraestruturas de

aproveitamento hidroagrícola

Expandir e modernizar as infraestruturas de

armazenamento

Promover uma gestão especializada do

abastecimento industrial

Inteligência Restaurar rios e ecossistemas

Reformar a gestão dos recursos hídricos

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Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 38. Existe uma

aproximação ao limiar de escassez hídrica no índice de exploração da água, parcialmente compensada por um

acréscimo do total de superfície das águas abertas (km2) e por uma redução da água não faturada nos sistemas

em baixa.

Quadro 38 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário IX «Água que Une: salvaguardar o futuro»

O Quadro 39 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a visão

ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 39 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao Eixo Prioritário IX «Água que Une:

salvaguardar o futuro»

Designação Situação

Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030 «Terra futura» Adotado

Estratégia Nacional «Água que Une» Adotado

Programa Nacional de Regadios Adotado

Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020) A rever

Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 (ENCNB) A rever

Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais 2030 (ENEAPAI 2030) Adotado

Plano de Ação para a Digitalização Integral do Ciclo da Água  A elaborar

Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC 2030) A elaborar

Plano de Armazenamento e Abastecimento Eficiente de Água para a Agricultura (Plano REGA) A elaborar

Plano Estratégico para os Resíduos não Urbanos (PERNU 2030) Adotado

Plano de Gestão dos Riscos de Inundações Adotado

Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais e Pluviais

2030 (PENSAARP 2030) Adotado

Plano Nacional da Água (PNA) A rever

Plano Nacional de Energia e Clima 2030 Adotado

Plano Nacional de Gestão de Resíduos (PNGR 2030) Adotado

Plano Nacional de Restauro Ecológico A elaborar

Planos de Gestão das Regiões Hidrográficas Adotado

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Designação Situação

Programa de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas (P-3AC) Adotado

Programa de Ação para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais 2030 – Tomo I Adotado

Programa de Restauro e Revitalização de Zonas Estuarinas (Programa FOZ) A elaborar

O Quadro 40 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 40 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário IX «Água que

Une: salvaguardar o futuro»

11.1 Eficiência

Perante o cenário de escassez hídrica, torna-se urgente adotar uma abordagem de gestão da água assente

na eficiência. A estratégia centra-se na otimização das infraestruturas existentes, na redução de perdas nas

redes de abastecimento e rega, e na reutilização de águas residuais tratadas para fins não potáveis, promovendo

a economia circular e reforçando a sustentabilidade do sistema hídrico nacional.

11.1.1 Garantir a segurança de abastecimento à população e aos setores de atividade prevenindo

crises hidrológicas

A eficiência dos serviços de abastecimento de água em baixa é essencial para o bem-estar da população e

o desenvolvimento económico. Neste campo, são abordadas matérias relacionadas com as perdas, o estado de

conservação das infraestruturas, o tratamento e a valorização da água residual. Pretende concretizar-se este

objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:

• Programa de Ação para a Redução de Perdas de Água, com vista ao controlo e redução de perdas nos

sistemas de abastecimento em baixa de água potável.

• Programa Água +Circular, para a promoção da utilização de água residual tratada.

11.2 Resiliência

Face ao cenário expectável de escassez hídrica em Portugal, agravado pelas alterações climáticas, torna-se

fundamental reforçar a resiliência e garantir a segurança hídrica através de uma abordagem integrada, que

envolverá a modernização das infraestruturas agrícolas, a expansão das áreas de rega, a criação de reservas

estratégicas e a adoção de modelos de gestão eficientes. No setor industrial, são necessárias soluções

sustentáveis e adaptadas às diferentes origens de água, promovendo, simultaneamente, a competitividade

regional e a preservação dos recursos hídricos.

11.2.1 Expandir e modernizar as infraestruturas de aproveitamento hidroagrícola

O aumento do potencial produtivo implica o reforço das áreas irrigadas de modo a beneficiar e modernizar

os empreendimentos hidroagrícolas, procurando alcançar uma gestão da água mais centralizada, eficiente e

resiliente. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

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• Programa para a eficiência dos Empreendimentos Hidroagrícolas, que integra diversas medidas de

beneficiação e modernização de empreendimentos públicos visando o reforço do potencial produtivo.

11.2.2 Expandir e modernizar as infraestruturas de armazenamento

O reforço das reservas de água é fundamental para aumentar a segurança hídrica e aliviar os efeitos de

eventos extremos. Neste âmbito, destacam-se a ampliação da capacidade das atuais barragens, o estudo e

construção de novas infraestruturas, bem como a criação de um empreendimento de fins múltiplos para a bacia

hidrográfica do Tejo. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes

medidas:

• Programa para o Reforço do Armazenamento de Água por via do aumento da capacidade das barragens

existentes e da construção de novas barragens, e de interligações;

• Programa para a Resiliência Hídrica do Tejo, que reforça a autonomia nacional e a valorização económica

e ambiental da região através de um conjunto de medidas que incluem a construção da barragem do Alvito /

Ocreza, a otimização da exploração das barragens existentes e o reforço do potencial produtivo ao nível agrícola.

11.2.3 Promover uma gestão especializada do abastecimento industrial

A expansão da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) exige uma solução específica de abastecimento

de água, que respeite os recursos naturais e esteja integrada num modelo adequado de administração.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Programa ZILS/H2O para a gestão integrada e sustentável do abastecimento ao polo industrial de Sines.

11.2.4 Restaurar rios e ecossistemas

O reforço das ações de conservação e restauro dos cursos de água em Portugal continental é um objetivo

assumido, alinhado com metas nacionais e europeias, e articulado com o Plano Nacional de Restauro da

Natureza e os instrumentos de gestão de recursos hídricos. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico

mediante a implementação da seguinte medida:

• Programa PRORios 2030 prevendo medidas de conservação, reabilitação e restauro de rios e ribeiras,

bem como a remoção de barreiras obsoletas à continuidade fluvial.

11.3 Inteligência

A componente de inteligência na gestão da água aposta na inovação tecnológica e organizacional para

promover a sustentabilidade ambiental e económica. A estratégia inclui a modernização institucional, a

digitalização do ciclo da água e a gestão integrada dos recursos hídricos. Destaca-se ainda o uso de inteligência

artificial e a criação de um modelo avançado de gestão das bacias hidrográficas, orientado para a eficiência,

equidade, resiliência e sustentabilidade regional.

11.3.1 Reformar a gestão dos recursos hídricos

A transformação da gestão da água constitui uma ambição, sustentada pela adoção de soluções inovadoras,

como a inteligência artificial. Neste âmbito, destaca-se a criação de uma abordagem multifuncional de gestão

das bacias do Mondego e do Tejo, através de uma iniciativa com a responsabilidade de implementar um modelo

alternativo de gestão. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

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• Programa de Ação para Digitalização Integral do Ciclo da Água, que promove o reforço das tecnologias e

metodologias para o conhecimento em tempo real do estado das massas de água superficiais e subterrâneas e

dos consumos e utilizações dos recursos hídricos;

• Programa para constituição do Empreendimento de Fins Múltiplos do Médio Tejo e do Mondego, atentas

as múltiplas utilizações existentes nas regiões, com criação de estruturas de gestão especializadas e

capacitadas (semelhantes à EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, S.A).

12. Eixo Prioritário X – Plano de reforço estratégico de investimento em defesa

A visão ambicionada para o País no Eixo Prioritário X «Plano de reforço estratégico de investimento em

defesa» assenta numa política que dota o Estado de capacidade de resposta ao novo e exigente contexto

geopolítico internacional.

Neste quadro, prossegue-se uma linha de continuidade estratégica orientada para o reforço das relações

bilaterais do Estado Português e da participação portuguesa em todos os fora de que é parte, fortalecendo os

valores do multilateralismo, da Carta das Nações Unidas (ONU), e o primado do Direito internacional. A aposta

nas dinâmicas bilaterais e multilaterais nos eixos europeu, lusófono, atlântico e ibero-americano será

acompanhada de um reforço das ligações à diáspora portuguesa, sendo esta reconhecida como um dos mais

importantes ativos económicos e culturais da nossa política externa.

Implementa-se um reforço decisivo dos pilares da defesa e segurança, que justifica a antecipação do

cumprimento dos compromissos assumidos com a OTAN e países aliados. Garante-se o investimento de 2 %

do PIB na Defesa Nacional já em 2025, para que Portugal seja um país credível e consciente do seu papel no

plano internacional, reforçando o seu lugar no multilateralismo no seio da Aliança Atlântica, da União Europeia

e das Nações Unidas.

Garante-se, por fim, que este investimento serve, não só para a modernização de equipamentos e para a

capacitação das Forças Armadas, mas também para alavancar a indústria nacional de segurança e defesa,

aproveitando as oportunidades que representam iniciativas como o Plano ReArm Europe/Readiness 2030. Todo

este esforço estratégico será sempre executado com a premissa de preservar e fortalecer o modelo nacional do

Estado social.

Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 41.

Quadro 41 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao Eixo Prioritário X «Plano de reforço estratégico de

investimento em defesa»

Temas Objetivos Estratégicos

Investimento em Defesa Cumprir os compromissos de investimento OTAN

e organizações

Indústrias de Defesa Desenvolver e capacitar o setor industrial de

defesa nacional

Forças Armadas Garantir Forças Armadas capacitadas

Ciberdefesa e inteligência artificial

Fortalecer as capacidades de ciberdefesa, aplicar

e regular a inteligência artificial no domínio da

defesa

Gestão de crise Garantir a continuidade dos serviços em situações

de crise

Portugal na Europa Aprofundar a integração e o alargamento

europeus

Portugal no Mundo Projetar Portugal nas organizações internacionais

Aprofundar dinâmicas comunitárias

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Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 42. Entre 2010 e 2024,

Portugal registou uma evolução positiva na atividade económica com países da CPLP, no entanto, no que toca

às Forças Armadas, o número de efetivos reflete uma descida considerável.

Quadro 42 – Indicadores de contexto referentes ao Eixo Prioritário X «Plano de reforço estratégico de

investimento em defesa»

O Quadro 43 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para materializar a visão

ambicionada para o país neste eixo prioritário.

Quadro 43 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao Eixo Prioritário X «Plano de reforço

estratégico de investimento em defesa»

Designação Situação

Estratégia Nacional de Ciberdefesa Adotado

Estratégia de Desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa 2023 -2033 Adotado

Conceito Estratégico de Defesa Nacional A rever

Estratégia da Defesa Nacional para o Ambiente, Segurança e Alterações Climáticas Adotado

Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade Adotado

Plano de Ação para a Profissionalização do Serviço Militar Adotado

Roteiro de Formação e Educação Estratégica para a Segurança e Defesa Nacional A elaborar

Programa Internacionalizar 2030 Adotado

Estratégia da Cooperação Portuguesa para o Desenvolvimento 2030 Adotado

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Designação Situação

Estratégia da Defesa Nacional para o Espaço A rever

O Quadro 44 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública associadas a

este eixo prioritário.

Quadro 44 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao Eixo Prioritário X «Plano de

reforço estratégico de investimento em defesa»

12.1 Investimento em defesa

A defesa nacional é uma área de soberania fundamental, assumindo-se com o objetivo de garantir o

cumprimento dos compromissos assumidos com os nossos aliados e a participação de Portugal em missões ao

serviço da OTAN, ONU, UE ou Frontex. Assume-se, de modo determinado, a necessidade de avançar para a

modernização de equipamentos, bens e infraestruturas militares do País, assim como de aumentar de forma

consistente o recrutamento e retenção, garantindo a capacidade de projetar força militar.

12.1.1 Cumprir os compromissos de investimento OTAN e organizações multilaterais

A credibilidade de Portugal para com os seus aliados e a capacidade de projeção de força militar são

qualidades essenciais. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante a implementação das

seguintes medidas:

• Alcançar 2 % do PIB em investimento na Defesa Nacional já em 2025, antecipando a meta de 2029, com

20 % do investimento destinado a bens, infraestruturas e equipamentos, em linha com os compromissos OTAN;

• Cumprir os compromissos assumidos no âmbito das organizações multilaterais de que Portugal faz parte.

12.2 Indústrias de defesa

A modernização de equipamentos, bens e infraestruturas militares de Portugal é necessária e deve ser feita

mediante a criação de um ambiente favorável à indústria nacional de segurança e defesa, sendo esta capaz de

ter um efeito multiplicador do investimento público. Neste contexto, o Plano ReArm Europe/Readiness 2030, da

Comissão Europeia, confere ainda uma janela temporal e financeira para reforçar as capacidades de contratação

e produção conjuntas, A adoção deste programa de investimento, acompanhado pelo Fundo Europeu de Defesa

servirá de catalisador a uma indústria nacional e europeia de defesa forte, capaz de desenvolver tecnologias e

equipamentos de ponta e interoperáveis.

12.2.1 Desenvolver e capacitar o setor industrial de defesa nacional

O desenvolvimento de uma indústria de defesa nacional é prioritário no contexto de mudança geopolítica,

económica e tecnológica que o mundo atravessa. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante a

implementação das seguintes medidas:

• Alavancar este investimento no desenvolvimento da capacidade industrial nacional na área da Segurança

e Defesa, gerando emprego, valor acrescentado e capacidades tecnológicas, de investigação, desenvolvimento

e de inovação neste setor em território nacional;

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• Apoiar a promoção do cluster de indústrias de defesa, como forma de atrair investimento relacionado com

o reforço do investimento em defesa ao nível europeu;

• Estímulo aos investimentos passíveis de duplo uso, militar e civil, nomeadamente meios aéreos de uso

militar com possibilidade de adaptação ao combate a incêndios e/ou missões de busca e salvamento.

12.3 Forças Armadas

A capacidade de projeção de força militar e de cumprimento dos compromissos assumidos com os nossos

Aliados são fundamentais. Torna-se necessário dotar Portugal, em linha com o esforço empreendido em 2024,

de Forças Armadas capacitadas e de elevada prontidão, com plataformas no Exército, Marinha e Força Aérea

capazes de assegurar o elenco de missões para as quais estão acometidas, nas fronteiras nacionais e

internacionais, em terra, mar, ar, ciberespaço e espaço. Continuará também a ser assegurado o investimento

nos recursos humanos das Forças Armadas.

12.3.1 Garantir Forças Armadas capacitadas

Dotar Portugal de Forças Armadas capacitadas e de elevada prontidão é uma questão de soberania e

credibilidade. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Coordenar e sincronizar os ciclos de planeamento de efetivos, de investimento, de orçamentos, de treino

e aprontamento de forças, em linha com o planeamento do seu emprego e potencialidades das indústrias de

defesa, e assegurar os mecanismos de financiamento que garantam o cumprimento da Lei de Programação

Militar de acordo com as necessidades nacionais e os compromissos internacionais assumidos.

12.4 Ciberdefesa e inteligência artificial

No contexto das aceleradas mudanças geopolíticas e da existência de zonas de fricção no espaço físico e

virtual, a cibersegurança e a inteligência artificial ganham um novo relevo. Torna-se necessário reforçar as

capacidades de ciberdefesa, em termos de planeamento, bem como dos recursos técnicos e humanos.

12.4.1 Fortalecer as capacidades de ciberdefesa, aplicar e regular a inteligência artificial no

domínio da defesa

Uma ciberdefesa robusta é essencial para o bom funcionamento das instituições. Pretende concretizar-se

este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Reforçar capacidades de ciberdefesa, em matéria de formação e treino, resiliência, combate a ameaças

e gestão de vulnerabilidades, bem como aplicar e regular a inteligência artificial no domínio de defesa.

12.5 Gestão de crise

A preparação da sociedade e do Estado para situações de crise é uma ação prioritária. Garantir a segurança,

e o abastecimento das populações exige ações que antecipem cenários eventuais de rotura de cadeias

logísticas. Torna-se fundamental desenvolver uma estratégia de contingência para a segurança alimentar que

assegure o armazenamento, o abastecimento e a distribuição de bens alimentares essenciais à população.

12.5.1 Garantir a continuidade dos serviços em situações de crise

No contexto atual, elevar o nível de preparação da sociedade face a situações de crise é uma prioridade.

Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

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• Desenvolver uma estratégia de contingência que assegure o abastecimento e a distribuição de bens

alimentares essenciais à população em situações de crise.

12.6 Portugal na Europa

Na Europa, palco cada vez mais estruturante da nossa política externa, Portugal deve assumir uma posição

liderante e contribuir de forma decisiva para as principais prioridades da agenda europeia dos próximos anos.

Dar-se-á prioridade ao acompanhamento das matérias de segurança e defesa, alargamento, aprofundamento e

execução da agenda de simplificação, mercado único, negociação do próximo Quadro Financeiro Plurianual,

assim como à conclusão da União Económica e Monetária.

12.6.1 Aprofundar a integração e o alargamento europeus

Ter um papel liderante e ativo nas agendas de integração europeia e nos futuros alargamentos é de interesse

decisivo para o País. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes

medidas:

• Garantir um aprofundamento da integração europeia nas áreas da segurança e defesa, mas também da

simplificação da União Económica e Monetária, do mercado interno e das políticas de comércio livre;

• Apoiar ativamente o alargamento da União Europeia, nomeadamente à Ucrânia, Moldávia e países dos

Balcãs Ocidentais, eventualmente Islândia e Geórgia.

12.7 Portugal no mundo

O mundo atual exige uma política externa mais ágil e estratégica. Nas organizações internacionais, Portugal

afirmar-se-á com ambição, defendendo os interesses nacionais e ampliando a projeção internacional do país.

Adicionalmente, propõe-se continuar, nos próximos anos, a reforçar as ligações e conexões à nossa diáspora,

seja tradicional, seja a de nova geração, enquanto elemento de afirmação de Portugal no mundo.

12.7.1 Projetar Portugal nas organizações internacionais

Ter um papel de relevo nas organizações internacionais confere capacidade de projeção ao país, e aos seus

interesses. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Apostar na eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações

Unidas.

12.7.2 Aprofundar dinâmicas comunitárias

O reforço de Portugal no plano global requer a mobilização e uso de todos os seus ativos tangíveis e

intangíveis (soft power), em especial no que se refere à ligação às comunidades lusófonas. Pretende-se

concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:

• Reforçar a afirmação de Portugal no plano global através do reforço do papel e das capacidades da CPLP

e da comunidade ibero-americana.

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ANEXO II

(a que se refere a alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º)

A DIVISÃO DE REDAÇÃO.

(milhões de euros) por memória:

2026 2027 2028 2029

Administração Central

01 - Encargos Gerais do Estado 7 679,2 7 733,6 7 930,6 8 140,0 8 337,3 0,7% 2,5% 2,6% 2,4%

02 - Presidência do Conselho de Ministros 925,3 1 017,6 985,3 997,7 1 009,5 10,0% -3,2% 1,3% 1,2%

03 - Negócios Estrangeiros 585,0 600,6 600,2 606,7 614,2 2,7% -0,1% 1,1% 1,2%

04 - Finanças 208 792,2 211 891,6 213 119,4 212 753,2 222 739,4 1,5% 0,6% -0,2% 4,7%

Finanças 30 026,1 36 874,1 37 141,0 35 905,7 44 864,9 22,8% 0,7% -3,3% 25,0%

Gestão da Dívida Pública 178 766,1 175 017,5 175 978,5 176 847,5 177 874,5 -2,1% 0,5% 0,5% 0,6%

05 - Economia e Coesão Territorial 8 161,7 5 916,7 4 744,7 4 696,0 4 470,0 -27,5% -19,8% -1,0% -4,8%

Economia 7 161,1 4 788,7 3 611,6 3 591,6 3 410,6 -33,1% -24,6% -0,6% -5,0%

Coesão Territorial 1 000,6 1 128,0 1 133,1 1 104,4 1 059,4 12,7% 0,4% -2,5% -4,1%

06 - Reforma do Estado 216,0 164,4 72,6 73,9 75,2 -23,9% -55,8% 1,8% 1,8%

07 - Defesa 3 132,8 3 836,9 3 827,8 3 894,1 3 967,5 22,5% -0,2% 1,7% 1,9%

08 - Infraestruturas e Habitação 9 176,7 10 119,5 10 083,4 9 540,8 9 561,0 10,3% -0,4% -5,4% 0,2%

09 - Justiça 2 414,0 2 460,4 2 418,0 2 441,4 2 487,2 1,9% -1,7% 1,0% 1,9%

10 - Administração Interna 3 231,8 3 310,3 3 210,6 3 251,2 3 282,5 2,4% -3,0% 1,3% 1,0%

11 - Educação, Ciência e Inovação 14 220,1 14 649,3 14 077,0 14 089,6 14 236,8 3,0% -3,9% 0,1% 1,0%

Educação 7 832,6 8 170,5 8 080,4 8 213,4 8 234,6 4,3% -1,1% 1,6% 0,3%

Ensino Superior, Ciência e Inovação 6 387,5 6 478,9 5 996,6 5 876,2 6 002,2 1,4% -7,4% -2,0% 2,1%

12 - Saúde 44 766,1 46 823,5 47 497,5 48 775,6 50 086,0 4,6% 1,4% 2,7% 2,7%

13 - Trabalho, Solidariedade e Segurança Social 35 089,1 37 673,7 39 454,6 41 436,0 43 060,1 7,4% 4,7% 5,0% 3,9%

14 - Ambiente e Energia 3 255,0 3 117,6 2 260,9 2 267,3 2 242,7 -4,2% -27,5% 0,3% -1,1%

15 - Cultura, Juventude e Desporto 978,5 1 063,3 763,1 768,5 769,5 8,7% -28,2% 0,7% 0,1%

Cultura 819,6 876,9 575,1 579,7 587,6 7,0% -34,4% 0,8% 1,3%

Juventude e modernização 158,9 186,3 188,0 188,8 181,9 17,3% 0,9% 0,4% -3,6%

16 - Agricultura e Mar 2 460,4 2 093,3 1 899,7 1 845,7 1 349,2 -14,9% -9,3% -2,8% -26,9%

Total da AC 345 084,0 352 472,4 352 945,3 355 577,7 368 288,2 2,1% 0,1% 0,7% 3,6%

Total da AC excluindo Gestão da Dívida Pública 166 317,9 177 454,9 176 966,8 178 730,2 190 413,7 6,7% -0,3% 1,0% 6,5%

Segurança Social (SS) 82 167,0 89 625,3 95 254,8 103 211,2 110 638,1 9,1% 6,3% 8,4% 7,2%

Total da AC+SS 427 251,1 442 097,7 448 200,1 458 788,9 478 926,2 3,5% 1,4% 2,4% 4,4%

Total da AC+SS excluindo Gestão da Dívida Pública 248 485,0 267 080,2 272 221,6 281 941,4 301 051,7 7,5% 1,9% 3,6% 6,8%

Fontes de Financiamento OE2025 2026 2027 2028 2029

Administração Central e Segurança Social

Receitas de Impostos 292 663,7 298 688,1 305 296,2 309 185,9 323 626,8

Fundos Europeus 11 676,1 10 147,0 5 228,7 4 924,5 3 332,2

Outras 122 911,3 133 262,6 137 675,2 144 678,4 151 967,3

Total da AC+SS 427 251,1 442 097,7 448 200,1 458 788,9 478 926,2

Fonte: Ministério das Finanças.

Variação percentualOE2025Missões de Base Orgânica 2026 2027 2028 2029

Projeção de Receitas por Fonte de Financiamento

Quadro plurianual das despesas públicas

Quadro Plurianual das Despesas Públicas

Limites de Despesa por Missão de Base Orgânica

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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 42 Temas Objetivos Estratégicos Imigraçã
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 43 6.1 Quadro legal da nacionalidade e imigração regulada <
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 44 6.3 Criminalidade Portug
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 45 7. Eixo Prioritário V – Serviços essenciais a funcionar par
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 46 Temas Objetivos Estratégicos Criação
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 47 Quadro 22. Não obstante a evolução genericamente positiva r
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 48 Quadro 22 – Indicadores de contexto referent
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 49 Designação Situação Plano Nacional de Desenvolviment
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 50 mais eficiente. Pretende-se concretizar este
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 51 • Desenvolvimento do programa de saúde oral, através da atu
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 52 vulnerabilidade. Pretende-se concretizar est
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 53 7.3 Cultura A cultura é um pilar essencial da
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 54 • Reforçar as medidas de salvaguarda do patr
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 55 7.4.2 Garantir igualdade de acesso e inclusão no desporto
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 56 7.5.3 Combater a pobreza de mobilidad
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 57 ser garante de direitos, liberdades e garantias. Almeja-se
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 58 Quadro 26 – Indicadores de contexto
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 59 O Quadro 28 evidencia os valores do financiamento plurianua
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 60 contexto das alterações climáticas que temos
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 61 multifacetado que deve ser plasmado num novo instrumento de
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 62 • Reforço da capacidade de resposta d
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 63 • Alargar e consolidar a rede de gabinetes de apoio à vítim
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 64 se uma abordagem integrada que envolve os se
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 65 Quadro 30. O setor da habitação em Portugal registou oscila
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 66 Quadro 30 – Indicadores de contexto referent
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 67 de habitação a preços acessíveis para a classe média. Esta
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 68 • Dinamizar a modernização do setor da const
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 69 • Rever o regime de arrendamento urbano, devolvendo
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 70 Temas Objetivos Estratégicos Infraest
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 71 Designação Situação Estratégia Nacional para a Mobil
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 72 exige, por isso, uma aposta clara na promoçã
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 73 O setor portuário e o transporte marítimo nacionais têm enf
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 74 Madeira e Porto Santo, assegurando a continu
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 75 se concretizar este objetivo estratégico mediante a impleme
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 76 Os indicadores de contexto relativos a este
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 77 Designação Situação Programa de Ação para a Adaptaçã
Página 0078:
II SÉRIE-A — NÚMERO 116 78 • Programa para a eficiência dos Empreendime
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 79 • Programa de Ação para Digitalização Integral do Ci
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 80 Os indicadores de contexto relativos a este
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 81 Designação Situação Estratégia da Defesa Nacional pa
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 82 • Apoiar a promoção do cluster de indústrias
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19 DE DEZEMBRO DE 2025 83 • Desenvolver uma estratégia de contingência que ass
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II SÉRIE-A — NÚMERO 116 84 ANEXO II (a que se refere a alínea b)

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