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6 DE MAIO DE 2016

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Colaborador de Jaime Martins Barata, antes mesmo de terminar o curso da Escola de Artes Decorativas

António Arroio, em 1946, e de Martins Correia, foi aluno de Leopoldo de Almeida na Escola Superior de Belas

Artes de Lisboa, entre 1947 e 1950, onde se licenciou em Escultura.

É na segunda metade da década de 40 que se liga ao movimento neorrealista e os temas das suas pinturas

e desenhos prestam uma especial e melancólica atenção à precariedade das formas de vida. Numa declarada

oposição à ditadura, passa a expor em 1948 nas Exposições Gerais de Artes Plásticas da Sociedade Nacional

de Belas Artes, integrando a terceira geração modernista. No curso dos anos 50, a sua pintura dá

desenvolvimento a formas abstratizadas e a um pendor lírico que partilha com um grupo de artistas como Jorge

Vieira, Nikias Skapinakis, Sá Nogueira e João Abel Manta.

Na sequência desta via, dá inicio a uma prática da cerâmica e azulejaria cuja tradição irá renovar de forma

radical e profunda, a par de uma atividade de docência na Escola de Artes Decorativas António Arroio.

Paralelamente, inicia uma prolífica colaboração com a Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, onde desenvolve

painéis como os do Centro Comercial do Restelo (1957) ou dos Armazéns do Minho, em Moçamedes, numa

estreita colaboração com os desenvolvimentos da arquitetura moderna. Seguem-se algumas das suas obras de

referência: a decoração cerâmica do Hotel Ritz, em Lisboa (1959), o painel revolucionário A Cultura, na Reitoria

da Universidade de Lisboa (1961), o baixo-relevo Sol Ardente e Figurado, na Pastelaria Mexicana, em Lisboa

(1962), ou o grande relevo do Casino do Estoril (1967).

Apesar de ceramista reconhecido, afirmava que a sua «(…) paixão era a pintura», reclamando ser «(…) um

pintor escondido atrás da cerâmica». Foi, com efeito, um «pintor de intervenção», sobretudo nos anos de 1974

a 1980, sempre atento à conflitualidade global do mundo contemporâneo.

Depois de participações em exposições coletivas — como as de 1978, no Museu Nacional do Azulejo, ou de

1981, na Fundação Calouste Gulbenkian — e do reconhecimento vivido em 1986, com o Prémio de Azulejaria

da Câmara Municipal de Lisboa (com um painel na sede do Banco de Portugal), é organizada a sua primeira

grande retrospetiva, no Museu Nacional do Azulejo, em 1994, por ocasião da Lisboa, Capital Europeia da

Cultura.

Justamente agraciado com a Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, em 10 de junho de

2015, Querubim Lapa, pelos seus traços inigualáveis, pela autenticidade da sua obra, ficará inscrito na história

da arte portuguesa como uma figura-chave da azulejaria e da cerâmica nacionais.

A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, assinala o seu falecimento, e transmite à sua família

e amigos o mais sentido pesar.

Assembleia da República, 6 de maio de 2016.

Os Deputados: Eduardo Ferro Rodrigues (Presidente da AR) — Luís Montenegro (PSD) — Pedro Filipe

Soares (BE) — Nuno Magalhães (CDS-PP) — Heloísa Apolónia (PEV) — André Silva (PAN) — Ana Mesquita

(PCP) — Gabriela Canavilhas (PS) — Maria Augusta Santos (PS) — Idália Salvador Serrão (PS) — Emília

Santos (PSD) — Edite Estrela (PS) — André Pinotes Batista (PS).

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VOTO N.º 73/XIII (1.ª)

DE PESAR PELA MORTE DO SOCIÓLOGO RUI D’ESPINEY

Rui D’Espiney foi um destacado lutador antifascista. Nasceu em Moçambique e o seu percurso político

começou como militante do Partido Comunista Português, até 1962. Dois anos mais tarde, fundou, com

Francisco Martins Rodrigues e com João Pulido Valente, o Comité Marxista-Leninista Português/Frente de Ação

Popular (CMLP/FAP).

O sociólogo esteve exilado em França e na Argélia e regressou a Portugal em junho de 1965. Pouco depois,

foi preso pela PIDE, que o torturou e espancou barbaramente. Como contou o próprio Rui D’Espiney, em dada

altura do cativeiro, fizeram entrar a sua mulher e ela foi incapaz de o reconhecer, tais eram as nódoas negras e

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