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4 DE DEZEMBRO DE 2020

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PROJETO DE VOTO N.º 410/XIV/2.ª

DE PESAR PELO FALECIMENTO DE EDUARDO LOURENÇO

Faleceu no passado dia 1 de dezembro o professor, filósofo, crítico e ensaísta Eduardo Lourenço, aos 97

anos.

Nascido a 23 de maio de 1923, em São Pedro do Rio Seco, Guarda, Eduardo Lourenço de Faria encontrou

na Universidade de Coimbra as condições propícias à reflexão que haveria de prosseguir durante toda a sua

vida. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas em 1946, é Assistente da Faculdade de Letras entre 1947 e

1953, ano em que assume as funções de Leitor de Cultura Portuguesa nas Universidades de Hamburgo e de

Heidelberg, exercendo idênticas funções na Universidade de Montpellier entre 1956 e 1958. Depois de uma

breve passagem pelo Brasil, como Professor Convidado de Filosofia na Universidade Federal da Bahia,

regressa a França, onde passa a viver a partir de 1960.

Leitor de Língua e Cultura Portuguesas na Faculdade de Letras da Universidade de Grenoble entre 1960 e

1965, a convite do Governo francês, ocupa o cargo de maître assistant e, mais tarde, de maître de

conférences na Universidade de Nice até 1987, jubilando-se como professor da Faculdade de Letras em 1989.

Nesse ano, é nomeado Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Roma pelo Governo português,

cargo que ocupa até 1991.

Colaborador de longa data da Fundação Calouste Gulbenkian, foi seu Administrador (não executivo) entre

2002 e 2012. No ano seguinte, 2013, com a morte de Annie Salomon de Faria, a companheira de quatro

décadas – de vida, de destino partilhado, de caminho comum –, radica-se definitivamente em Lisboa.

Eduardo Lourenço deixa um legado que vai muito além da vasta obra publicada – sobre uma grande

variedade de temas (filosóficos, políticos, culturais, religiosos e literários) –, traduzindo-se na intervenção de

toda uma vida nas áreas da educação, da cultura e da cidadania, justamente reconhecida por inúmeros

prémios – incluindo os Prémios Camões (1996), Pessoa (2011) e da Academia Francesa (2016) – e

condecorações – distinguido por quatro vezes com Ordens Nacionais (com destaque para a Grã-Cruz da

Ordem da Liberdade, em 2014), e reconhecido no estrangeiro, muito em particular na França que o acolheu

por três décadas, como Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras (2000) e da Ordem Nacional da Legião de

Honra (2002). Desde abril de 2016, integrava o Conselho de Estado por designação pessoal do Presidente da

República, Marcelo Rebelo de Sousa.

De uma envergadura intelectual sem paralelo, Eduardo Lourenço foi, sem dúvida, quem melhor refletiu a

identidade nacional (tantas vezes a desconstruindo), sobre o que é ser português, na Europa e no mundo,

sobre o que nos diferencia e nos assemelha a outros povos.

Homem de imensa cultura, alavancada por uma enorme sede de conhecimento, o seu desaparecimento

constituiu uma perda irreparável para Portugal e para a Lusofonia, de que era uma das suas maiores

referências intelectuais.

A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento

de Eduardo Lourenço, figura fundamental do Portugal contemporâneo, prestando homenagem ao professor e

pensador e transmitindo à sua família e amigos as mais sentidas condolências.

Palácio de São Bento, 4 de dezembro de 2020.

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Outros subscritores: Adão Silva (PSD) — Alexandra Vieira (BE) — André Silva (PAN) — João Cotrim de

Figueiredo (IL) — Joacine Katar Moreira (N insc.) — Francisco Rocha (PS) — Tiago Barbosa Ribeiro (PS) —

Santinho Pacheco (PS) — Cláudia Bento (PSD) — Helga Correia (PSD) — João Moura (PSD) — Márcia

Passos (PSD) — Maria Germana Rocha (PSD) — Hugo Patrício Oliveira (PSD) — José Silvano (PSD) —

Paulo Rios de Oliveira (PSD) — Eduardo Teixeira (PSD) — Pedro Alves (PSD) — António Lima Costa (PSD)

— Afonso Oliveira (PSD) — Jorge Paulo Oliveira (PSD) — Firmino Marques (PSD) — Nuno Miguel Carvalho

(PSD) — Carlos Silva (PSD) — Jorge Salgueiro Mendes (PSD) — Ilídia Quadrado (PSD) — Paulo Neves

(PSD) — Olga Silvestre (PSD) — Filipa Roseta (PSD) — Pedro Pinto (PSD) — Isabel Meireles (PSD) — Luís

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