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24 DE DEZEMBRO DE 2020

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PROJETO DE VOTO N.º 428/XIV/2.ª

DE PESAR PELO FALECIMENTO DE CELINA PEREIRA

Celina Pereira, cantora, escritora, pedagoga, contadora de histórias, divulgadora da cultura cabo-verdiana, nasceu na ilha da Boa Vista, Cabo Verde, há 80 anos, e morreu no passado dia 17 em Almada.

O percurso artístico de Celina Pereira foi longo, rico e diversificado, com a primeira atuação profissional em 1968 e o seu primeiro single em 1979. Os seus trabalhos foram um marco da memória coletiva e identidade do povo cabo-verdiano.

Com pesquisas e recolhas em Cabo Verde e na diáspora cabo-verdiana espalhada pelo mundo, Celina Pereira recuperou mazurcas, cantigas de casamento e mornas, cantigas de roda, lunduns, choros, lengalengas, toadas rurais, e possibilitou a salvaguarda destes temas. Foi uma das impulsionadoras da ideia que levou à classificação da morna como Património Imaterial da Humanidade.

Celina Pereira foi uma ativista e construtora do diálogo cultural permanente entre as culturas musicais populares cabo-verdiana e portuguesa. Desenvolveu um importante trabalho de recolha e divulgação de contos tradicionais e cantigas infantis de Cabo Verde. Publicou vários livros e audiolivros, e realizou incontáveis sessões com crianças e jovens, em Portugal e noutros países da diáspora cabo-verdiana.

Foi condecorada em 2003 com a medalha de mérito – grau de Comendadora – pelo Presidente da República, pelo trabalho na área da educação e da cultura cabo-verdiana e recebeu em 2007 a Medalha do Vulcão de 1.º Grau, atribuída pelo Presidente da República de Cabo Verde.

Em abril de 2019, a apresentação do seu álbum «Areias mornas de Bubista» transformou-se numa festa de amizade e homenagem a Celina Pereira, com artistas de Cabo Verde, Portugal e Brasil, na presença de autoridades portuguesas e cabo-verdianas, em que a Assembleia da República esteve presente.

A Assembleia da República, reunida em Plenário, expressa o seu pesar pelo falecimento de Celina Pereira e envia aos seus familiares e amigos, às autoridades de Cabo Verde e ao povo cabo-verdiano sentidas condolências.

Assembleia da República, 21 de dezembro de 2020.

Os Deputados do PCP: Bruno Dias — João Oliveira — António Filipe — Paula Santos — Ana Mesquita — Duarte Alves — Alma Rivera — Diana Ferreira — João Dias — Jerónimo de Sousa.

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PROJETO DE VOTO N.º 429/XIV/2.ª DE PESAR PELO FALECIMENTO DE CELINA PEREIRA

Figura incontornável da cultura e música cabo-verdianas, voz fundamental e embaixadora da morna, Maria Celina Silva Pereira nasceu na ilha da Boavista, em Cabo Verde, mas radicada em Portugal há décadas, faleceu no passado dia 17 de dezembro, vítima de doença prolongada.

Tirou o curso do magistério primário, em Viseu, e foi hospedeira da TAP, mas ficaria conhecida pelo seu trabalho e amor à cultura, como cantora, educadora e escritora, tendo dedicado a sua vida à promoção da morna. Preconizaria, aliás, a candidatura deste género musical a Património Imaterial da Humanidade.

De entre os seus vários trabalhos, destacamos o seu primeiro single «Força di cretcheu» (força do amor), de 1979, com direção musical de Paulino Vieira, que viria também a dirigir o seu primeiro disco em 1986 e o disco «Harpejos e gorjeios», de 1998, onde canta em crioulo e português e conta com a direção musical de Zé Afonso. Em 1990, lançaria o LP «Estória, estória… no arquipélago das maravilhas» e, em 1993, edita pela editora francesa Melódie, o álbum «Nos tradição». Interpreta a morna «Bejo de sodade», da autoria de B. Leza, com o fadista Carlos Zel e, em 2000, colabora com Martinho da Vila no tema «Nutridinha (nutridinha do Sal)» do disco

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