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23 DE MAIO DE 2026

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Vítor Escária, sobre instalações do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, no período em que foi dirigido

pelo Ministro João Matos Fernandes, do Ministério das Infraestruturas, dirigido por João Galamba, e da

Secretaria de Estado da Energia e Clima, também dirigida por João Galamba em momento anterior à nomeação

ministerial. Ainda foram alvo de buscas instalações da Câmara Municipal de Sines, bem como instalações e

locais pertencentes a outras entidades públicas e empresas privadas e, ainda, a sede do Partido Socialista.

É assim que, aos nomes atrás referidos, se somam os de Diogo Lacerda Machado, consultor e amigo do

Primeiro-Ministro, Nuno Lacasta, Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Mascarenhas,

Presidente da Câmara Municipal de Sines à data da prática dos factos investigados, Afonso Salema, CEP da

Start Campus, Rui Oliveira Neves, Administrador da Start Campus, e João Tiago Silveira, Advogado e ex-

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, e da Justiça, nos XVIII e XVII Governos,

respetivamente, ambos chefiados por José Sócrates.

Estão em causa nesta investigação, entre outras, as suspeitas da prática de crimes de peculato de uso,

tráfico de influências, corrupção passiva e ativa de titular de cargo político e prevaricação.

Os factos que estão a ser investigados são relacionados com (i) as concessões de exploração de lítio nas

minas do Romano (Montalegre) e do Barroso (Boticas), (ii) um projeto de central de produção de energia a partir

de hidrogénio em Sines, apresentado por consórcio que se candidatou ao estatuto de projetos importantes de

interesse comum europeu (IPCEI), e (iii) o projeto de construção de um data center desenvolvido na Zona

Industrial e Logística de Sines pela Sociedade Start Campus, sem prejuízo de outros, com relevância criminal,

que venham a ser conhecidos no decurso da investigação.

Todavia, cerca de dois anos e meio depois do conhecimento público, continua sem ser conhecida uma data

previsível para o encerramento do inquérito e, quer o Procurador-Geral da República, quer o Diretor do

Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), recusam-se a confirmar rumores de que o

inquérito poderá ser encerrado até 2027.

Mais incómodo do que a ausência de uma perspetiva de acusação, porém, é o facto de se saber que os

procuradores que investigam este caso fazem-no apenas em part-time, acumulando essa investigação com a

de outros processos. Aparentemente, o facto de se tratar de um processo que envolve suspeitas de corrupção

nas mais altas esferas da Administração Pública portuguesa não é suficiente para que o Procurador-Geral da

República nomeie uma equipa dedicada apenas a esta investigação.

Os cinco suspeitos que foram detidos em 7 de novembro de 2023, no âmbito da «Operação Influencer», já

foram todos libertados. Mesmo assim, podê-lo-iam ter sido mais cedo, pois que só dois meses depois da

detenção é que os responsáveis pelo inquérito determinaram o levantamento do sigilo bancário e fiscal a quase

todos os arguidos.

Cerca de dois anos e meio depois das buscas e detenções, há três arguidos por ouvir e perícias por fazer.

Na verdade, um dos principais visados na investigação, João Galamba, só foi ouvido em fevereiro de 2026.

O Chega considera que é chegado o momento de a Assembleia da República escrutinar que influências

indevidas foram exercidas, e por quem, com vista a lucrar indevidamente com a exploração de recursos públicos,

que entidades externas foram usadas indevidamente, e por quem, para a obtenção de benefícios privados, e

aferir se ocorreu efetiva prática de atos de corrupção no último Governo de António Costa, e a quem devem ser

imputados.

São particularmente importantes, para efeitos deste escrutínio, as escutas que demonstram que António

Costa falou com Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus, de Sines, na véspera de Natal de 2022,

quando este último, consultor do data center, ligou àquele para lhe dar conta da «dinâmica extraordinária»do

projeto de Sines, contrariando as declarações de António Costa, em novembro de 2023, que garantiu que

«nunca, em circunstância alguma», tinha falado com Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus.

A existência destas escutas, reveladas pela comunicação social na semana passada, demonstra

adequadamente não só que o ex-Primeiro-Ministro António Costa mentiu aos portugueses, mas também que,

em áreas estratégicas para o desenvolvimento do País, como é o caso do lítio, do hidrogénio, das centrais de

dados e da gestão de dados, António Costa e um conjunto de outros dirigentes socialistas, com

responsabilidades políticas e governativas, mentiram ao País.

Importa, pois, ouvir em comissão de inquérito todos os envolvidos – designadamente, os antigos ministros e

demais responsáveis governamentais – direta ou indiretamente, neste aparente esquema de tráfico de

influências, que visou depredar os recursos nacionais e alcançar benefícios materiais ilícitos para os

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