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II SÉRIE-A — NÚMERO 155 10

Impactos

I. Degradação e perda de recursos ambientais

O ambiente, os habitats, os ecossistemas e as paisagens estarão sob pressão crescente. A alteração

dos padrões de precipitação e o aumento da temperatura poderão tornar evidentes as tendências para a

alteração da distribuição geográfica e das condições de desenvolvimento de espécies vegetais e

animais. Poderá haver alterações na disponibilidade e na qualidade da água, sendo de atender às pressões

decorrentes da agricultura, indústria, áreas urbanas e áreas de turismo. O processo de desertificação do solo

tenderá a intensificar-se. Em 2030, a gestão da escassez de água e de alimentos (agrícolas e pesca) será

um grande desafio. O aprovisionamento alimentar poderá estar comprometido.

II. Riscos e vulnerabilidades

As alterações climáticas determinam mudanças na intensidade e incidência territorial dos riscos

associados às cheias e inundações fluviais, aos galgamentos costeiros, às ondas de calor e à ocorrência

de incêndios, com forte impacto em territórios de uso florestal, agravando em geral a sua frequência e

intensidade. As áreas urbanas estarão numa situação mais vulnerável. Outros riscos ambientais, como a

ocorrência de movimentos de massa em vertentes, podem ser agravados em severidade ou frequência. As

alterações do clima são também um fator de injustiça social, com consequências sobre as desigualdades intra

e intergeracionais.

III. Alterações económicas e sociais

As previsíveis alterações do clima à escala local implicarão um consumo acrescido de energia para

climatização ou para a rega. As atividades económicas são chamadas a aderir a novos modelos económicos

baseados na eficiência, reutilização e circularidade e na economia de baixo carbono. Haverão acrescidos

esforços financeiros na prevenção e na recuperação de situações de emergência decorrentes dos fenómenos

climáticos extremos. Haverá maior pressão sobre a disponibilidade de água. A sociedade terá de investir para

responder ao impacto das alterações climáticas na adaptação das infraestruturas e dos serviços sociais e

de saúde que terão de responder ao impacto das ondas de calor para combater o potencial aumento de

morbilidade e mortalidade a elas associado.

Tendências Territoriais

Do ponto de vista europeu, Portugal está inserido na região do Mediterrâneo, onde a Península Ibérica é

sinalizada com um hotspot para as Alterações Climáticas. São esperadas consequências para a sociedade

e a economia europeias, embora os impactos territoriais tenham uma grande variabilidade.

A disponibilidade de água no território, num contexto de escassez crescente, levanta desafios

infraestruturais a todas as escalas geográficas, implicando uma maior necessidade de armazenamento, níveis

de maior eficiência no seu uso e um maior controlo das pressões que podem ameaçar a sua quantidade e

qualidade.

Os contrastes entre regiões húmidas e secas aumentarão, bem como a frequência e a intensidade dos

eventos climáticos extremos. Haverá impactos diferenciados, com consequências diversificadas sobre a

biodiversidade e na sua gestão.

A produtividade agrícola tenderá a ser alterada para muitas culturas, sobretudo as mais exigentes em

disponibilidades hídricas, exigindo capacidade para gerir as mudanças. Tendem a aumentar os

desequilíbrios territoriais no acesso a bens dependentes de recursos naturais e alimentares. A produção

e os consumos de proximidade poderão consolidar – se como tendência e o valor do solo poderá ser objeto de

novas abordagens integrando outras variáveis para além da sua capacidade construtiva.

A energia será um fator crítico para a mitigação e adaptação às alterações climáticas, pois a necessidade