O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

6 Diário da Câmara dos Deputados

uma linha férrea, senão com a garantia de juro.

Quando o Sr. Brito Camacho foi Ministro do Fomento, tive ocasião de falar com êle sôbre o assunto.

S. Exa. disse-me que a tendência não era para fazer a adjudicação a qualquer empresa particular, mas sim para que fôsse o Estado o construtor de todas as linhas férreas e S. Exa. argumentava que os caminhos de ferro do Estado dão uma importante receita para o que, portanto, se poderia fazer essa construção. S. Exa. pensava assim.

Será por pensarem assim que todos os Ministros que, posteriormente à data em que a deixou o Sr. Brito Camacho, tem gerido a pasta do Fomento, continuam a não fazer nada, esperando, que possam fazer os caminhos de ferro à custa do Estado?

Se assim é, pregunto: porque motivo os Ministros do Fomento não fazem com outras linhas, reconhecidamente necessárias, o que se fez relativamente ao caminho de ferro do Vale do Sado?

Abriu-se um empréstimo para essa construção. Êsse empréstimo foi coberto em três dias pelo público e por uma casa bancária que entendeu que devia aplicar assim o seu capital, e fê-lo sem receio algum.

Porque é que o Sr. Ministro do Fomento não manda proceder a estudos sôbre o rendimento provável dessa linha e não tenta um empréstimo para a sua construção?

Um caminho de ferro que, partindo de Leiria, na linha de oeste, atravessasse, em Pombal, a linha do norte, seguindo para Castelo Branco a entroncar com a linha da Beira Baixa, em ponto a determinar, teria enormíssimas vantagens. Essa linha férrea atravessava uma zona importante, cuja riqueza todos conhecemos, riqueza em madeiras, mármores, azeite, cortiça e outros produtos próprios daquelas regiões e que não podem dali sair pela dificuldade de os levar até o cais de embarque mais próximo.

Verificado, como não seria difícil fazê-lo, que êsse caminho de ferro daria lucros ao Estado, lançava-se o empréstimo e procedia-se à construção, dum jacto, como se tem feito no Vale do Sado, pois nem eu nem ninguêm poderia desejar que êste caminho de ferro fôsse construído como tem sido outros; por exemplo, como o de Coimbra à Lousa, como os do Alto Minho, em que já se empregaram alguns centos de contos., mas que até hoje estão improdutivos, por não se encontrarem concluídos.

E já que estou falando em obras do Estado, permita-me V. Exa., Sr. Presidente, que me refira ainda às obras nos edifícios públicos.

Eu não sou, Sr. Presidente, daqueles que tem a opinião de que se deve abandonar o operário que não encontra trabalho na indústria particular, atirando-o para a fome, sem que o Estado procure aproveitar êsses braços na construção e reparação dos edifícios públicos, e não sou tambêm daqueles que atribuem o mau aproveitamento dos dinheiros despendidos nas obras do Estado, inteiramente à mandriice do operariado.

Se um ou outro operário não aplica uma actividade diligente nos trabalhos de que está encarregado, êsses constituem a excepção que se encontra sempre dentro de todas as classes.

A culpa de que a aplicação duma verba não dê os resultados desejados, não é do operário, mas da maneira como, em geral, são dirigidos os trabalhos.

A multidão de engenheiros, arquitectos e capatazes é que absorve uma grande parte da verba; outra grande parte é consumida na mão de obra, ficando para a matéria prima a parte mais insignificante.

Isto é o que sucede, quási invariavelmente, em todas as obras do Estado.

Sôbre isto, há casos que roçam pelo burlesco. Tem sucedido mandar-se construir um edifício, e juntamente com os trabalhadores munidos das picaretas para abrirem os caboucos, serem mandados tambêm estucadores e brochantes!

Poderia citar diversos casos acontecidos em várias obras, mas, não quero ser denunciante e lembro apenas ao Sr. Ministro do Fomento a conveniência de recomendar a todas as pessoas encarregadas de dirigir obras, que antes de mais nada vejam quanto pode custar a mão de obra e quanto deve ser reservada a matéria prima, para evitar o lamentável espectáculo a que se assiste a cada passo.

O Sr. Costa Júnior: - Tem V. Exa. muita razão. Eu tambêm conheço inúmeros casos dessa natureza.