4 DE JULHO DE 2025
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Estas crianças não estavam na escola porque não tinham acesso à escola. Estavam excluídas da escola
porque nunca lhes foi proporcionado acesso a um ensino inclusivo e nunca lhes foi dada essa possibilidade.
A partir do momento em que assumimos que a escola deve ser universal e para todas as crianças, temos
de criar condições para que todas as crianças possam fazer parte dessa comunidade escolar, com condições
para a aprendizagem, direito a participar igualmente na vida da escola, no dia a dia da escola, e com
condições para a sua autonomia.
É muito mais do que garantir aquela aula ou aquele apoio. É formar cidadãos e garantir que terão
condições e autonomia para intervir na sociedade. Por isso, devem poder crescer como todas as outras
crianças.
Para isso, são precisos recursos, nomeadamente professores de educação especial, de formação para
intervenção precoce, de língua gestual. São precisos técnicos especializados, são precisos auxiliares de
educação para esses alunos e para todos os outros, para que a comunidade escolar possa evoluir como um
todo, sem deixar ninguém para trás. É preciso reduzir o número de alunos por turma, é preciso promover a
participação, é preciso reconhecer espaços de participação.
Srs. Deputados, não se fazem omeletes sem ovos. Reconhecemos a necessidade de educação especial,
reconhecemos a necessidade de inclusão, mas é preciso que os recursos das escolas acompanhem a boa
vontade e o passo legislativo e civilizacional que se deu ao promover e permitir o acesso de todos à educação.
Caso contrário, não é um acesso…
Por ter excedido o tempo de intervenção, o microfone da oradora foi automaticamente desligado.
Aplausos do L.
O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Tem agora a palavra, para uma intervenção, a
Sr.ª Deputada Paula Santos, do Partido Comunista Português.
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O PCP entende que a educação
inclusiva deve promover a igualdade de oportunidades, o acesso, o sucesso educativo, a autonomia, a
inclusão familiar, educativa e social, a estabilidade emocional, o desenvolvimento das possibilidades de
comunicação físicas e intelectuais, a separação dos obstáculos e dos seus impactos, a preparação para o
prosseguimento dos estudos ou de uma formação profissional adequada, bem como a integração na vida
socioprofissional das crianças com necessidades educativas específicas.
A verdade é que a realidade está muito longe destes pressupostos que devem estar presentes, pois
chega-nos um conjunto de preocupações, inclusive por esta petição e pelos seus subscritores, que queria
saudar por esta iniciativa. Aquilo que se identifica é um conjunto de lacunas, de insuficiências de meios e de
recursos para assegurar a igualdade e uma verdadeira educação inclusiva nas nossas escolas.
Faltam professores de educação especial, faltam auxiliares de ação educativa, faltam técnicos
especializados. Muitas turmas das nossas escolas, quando têm alunos com necessidades específicas, não
têm a redução de turma tal como prevê a nossa legislação, e isso constitui um constrangimento que não
permite uma verdadeira inclusão por parte destes alunos.
Tivemos a oportunidade de trazer, com esta petição, uma iniciativa legislativa que recomenda ao Governo
um conjunto de medidas que são absolutamente fundamentais para que a escola inclusiva seja uma realidade
para todos, desde logo, a contratação de trabalhadores afetos à educação inclusiva, docentes de educação
especial, assistentes operacionais, técnicos especializados, e a criação do grupo de recrutamento de
intervenção precoce. Esta é uma intervenção de grande importância nas idades dos 0 aos 6 anos.
Propomos também a formação específica a todos os trabalhadores e a formação pedagógica específica
para professores, nomeadamente sobre instrumentos de avaliação dinâmica, planos educacionais
individualizados, planos de transição em disciplinas e ciclos, procedimentos de inovação e intervenção
pedagógico-clínica, práticas e estratégias de inclusão efetiva.
Recomendamos igualmente o aumento do número de horas de apoios diretos na educação inclusiva e a
revisão dos rácios do número de alunos por turma, reduzindo-se o número de alunos, no caso de turmas com