O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

4 DE JULHO DE 2025

57

Estas crianças não estavam na escola porque não tinham acesso à escola. Estavam excluídas da escola

porque nunca lhes foi proporcionado acesso a um ensino inclusivo e nunca lhes foi dada essa possibilidade.

A partir do momento em que assumimos que a escola deve ser universal e para todas as crianças, temos

de criar condições para que todas as crianças possam fazer parte dessa comunidade escolar, com condições

para a aprendizagem, direito a participar igualmente na vida da escola, no dia a dia da escola, e com

condições para a sua autonomia.

É muito mais do que garantir aquela aula ou aquele apoio. É formar cidadãos e garantir que terão

condições e autonomia para intervir na sociedade. Por isso, devem poder crescer como todas as outras

crianças.

Para isso, são precisos recursos, nomeadamente professores de educação especial, de formação para

intervenção precoce, de língua gestual. São precisos técnicos especializados, são precisos auxiliares de

educação para esses alunos e para todos os outros, para que a comunidade escolar possa evoluir como um

todo, sem deixar ninguém para trás. É preciso reduzir o número de alunos por turma, é preciso promover a

participação, é preciso reconhecer espaços de participação.

Srs. Deputados, não se fazem omeletes sem ovos. Reconhecemos a necessidade de educação especial,

reconhecemos a necessidade de inclusão, mas é preciso que os recursos das escolas acompanhem a boa

vontade e o passo legislativo e civilizacional que se deu ao promover e permitir o acesso de todos à educação.

Caso contrário, não é um acesso…

Por ter excedido o tempo de intervenção, o microfone da oradora foi automaticamente desligado.

Aplausos do L.

O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Tem agora a palavra, para uma intervenção, a

Sr.ª Deputada Paula Santos, do Partido Comunista Português.

A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O PCP entende que a educação

inclusiva deve promover a igualdade de oportunidades, o acesso, o sucesso educativo, a autonomia, a

inclusão familiar, educativa e social, a estabilidade emocional, o desenvolvimento das possibilidades de

comunicação físicas e intelectuais, a separação dos obstáculos e dos seus impactos, a preparação para o

prosseguimento dos estudos ou de uma formação profissional adequada, bem como a integração na vida

socioprofissional das crianças com necessidades educativas específicas.

A verdade é que a realidade está muito longe destes pressupostos que devem estar presentes, pois

chega-nos um conjunto de preocupações, inclusive por esta petição e pelos seus subscritores, que queria

saudar por esta iniciativa. Aquilo que se identifica é um conjunto de lacunas, de insuficiências de meios e de

recursos para assegurar a igualdade e uma verdadeira educação inclusiva nas nossas escolas.

Faltam professores de educação especial, faltam auxiliares de ação educativa, faltam técnicos

especializados. Muitas turmas das nossas escolas, quando têm alunos com necessidades específicas, não

têm a redução de turma tal como prevê a nossa legislação, e isso constitui um constrangimento que não

permite uma verdadeira inclusão por parte destes alunos.

Tivemos a oportunidade de trazer, com esta petição, uma iniciativa legislativa que recomenda ao Governo

um conjunto de medidas que são absolutamente fundamentais para que a escola inclusiva seja uma realidade

para todos, desde logo, a contratação de trabalhadores afetos à educação inclusiva, docentes de educação

especial, assistentes operacionais, técnicos especializados, e a criação do grupo de recrutamento de

intervenção precoce. Esta é uma intervenção de grande importância nas idades dos 0 aos 6 anos.

Propomos também a formação específica a todos os trabalhadores e a formação pedagógica específica

para professores, nomeadamente sobre instrumentos de avaliação dinâmica, planos educacionais

individualizados, planos de transição em disciplinas e ciclos, procedimentos de inovação e intervenção

pedagógico-clínica, práticas e estratégias de inclusão efetiva.

Recomendamos igualmente o aumento do número de horas de apoios diretos na educação inclusiva e a

revisão dos rácios do número de alunos por turma, reduzindo-se o número de alunos, no caso de turmas com