4 DE JULHO DE 2025
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Entendendo que não é essa a motivação do pedido desta petição, na base da petição está efetivamente, e
subsiste, o propósito de reduzir o excessivo tempo médio da população reclusa.
Por fim, para concluir, pela nossa parte, o Partido Socialista não vai deixar de pugnar pelo robustecimento
da reinserção social e de efetuar uma reflexão sobre os benefícios da justiça restaurativa, ao invés da justiça
punitiva.
Neste sentido, estamos disponíveis para apresentar uma medida legislativa, no sentido do peticionado, se
for esse o entendimento de todas as forças aqui representadas, uma vez que, dada a matéria em causa, se
exige que esta seja uma decisão consensual.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Agora tem a palavra a Sr.ª Deputada Paula Santos,
do PCP, para uma intervenção.
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Em primeiro lugar, queremos saudar
a Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos e a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso pela petição e pelo
tema que trazem à discussão na Assembleia da República.
Queremos também expressar o nosso reconhecimento pelo apoio e trabalho desenvolvido com os reclusos
que se encontram a cumprir pena nos estabelecimentos prisionais portugueses.
Esta petição propõe a concessão de uma amnistia, um perdão de penas, a propósito das comemorações
dos 50 anos do 25 de Abril, a exemplo até do que aconteceu aquando da realização da Jornada Mundial da
Juventude em Lisboa, com tranquilidade e sem alarme social.
O PCP não recusa a consideração da possibilidade de concessão de um perdão de penas, devidamente
ponderada e equilibrada, como é óbvio, em casos concretos e circunscritos. São medidas de clemência,
portanto, devem ser sempre encaradas como excecionais e limitadas nos termos da lei, no tempo, no âmbito e
no universo a abranger na tipologia de crimes, com a exclusão dos crimes graves.
Neste debate, não podemos deixar de referir os problemas do sistema prisional, que são amplamente
conhecidos e exigem um investimento sério, seja nas instalações, nas medidas de segurança, na valorização
das carreiras dos profissionais que aí trabalham, seja no trabalho com vista à reinserção dos reclusos.
Na verdade, o diagnóstico está mais do que feito; as medidas concretas anunciadas pelos Governos é que
tardam em ser concretizadas. Trata-se de problemas há muito detetados pelos sindicatos representativos dos
guardas prisionais, pelos técnicos de reinserção social, que aguardam há mais de 20 anos pela sua carreira, e
também pelas associações como as que tiveram a iniciativa desta petição, que chamam a atenção para as
infraestruturas existentes, a alimentação ou o acesso à saúde dos reclusos.
Há muito ainda por fazer para que o sistema prisional garanta dignidade para quem lá trabalha e para
quem lá cumpre a pena.
Aplausos do PCP.
O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Tem agora a palavra, para uma intervenção, o
Sr. Deputado Nuno Gabriel, do Chega.
O Sr. Nuno Gabriel (CH): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Cumprimento primeiramente a Obra
Vicentina, promotora desta petição, e saúdo o seu empenho cívico e o espírito cristão. Não podia, porém, estar
mais em desacordo, lamentando a inoportunidade desta petição.
Que sinal estamos a dar aos portugueses, quando equacionamos amnistiar bandidos, num momento em
que o crime violento cresce em flecha?
Aplausos do CH.