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I SÉRIE — NÚMERO 66

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Protestos da Deputada do CH Vanessa Barata.

Isto, aliás, vem da jurisprudência constitucional inicial relativa ao próprio RSI e à própria natureza do RSI,

decorrência direta da dignidade da pessoa humana. Mas, depois, é a desproporcionalidade completa. Os prazos

que se põem em cima da mesa levam a que alguém que está a contribuir não teria vislumbre nenhum de poder

ser beneficiário do regime que ajudou a sustentar e a manter.

É por isso que, da parte do nosso grupo parlamentar, terá um chumbo garantido aqui, como terá no Palácio

Ratton ou em qualquer outro local em que tentem testar uma solução tão desequilibrada, tão atentatória da

Constituição como esta.

Aplausos do PS e do Deputado do L Paulo Muacho.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado João Almeida, do CDS-PP, para uma intervenção.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Sr. Presidente: O tema que temos em debate é um tema

relevante e que, de facto, tem o risco de permitir intervenções desfasadas da realidade em alguns casos e

demagógicas em outros.

Protestos do Deputado do L Paulo Muacho.

Provavelmente, não concordaremos com quais são umas e quais são outras, mas permite-o, certamente.

Nós temos de distinguir, em primeiro lugar, o que são prestações contributivas de prestações não

contributivas e, portanto, não podemos confundir e dizer que está a receber quem não desconta para a

Segurança Social.

As prestações que estão aqui em causa, e ninguém desconta para a Segurança Social, são prestações do

regime não contributivo.

O Sr. André Ventura (CH): — É essa a diferença!

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — E de onde é que sai o dinheiro? Também não está a

descapitalizar a Segurança Social, nem a retirar dinheiro do orçamento da Segurança Social, porque estas

prestações são pagas pelo Orçamento do Estado.

Esclarecidos estes pontos, é preciso irmos ao que está, efetivamente, em causa. Vamos então a números.

Os Srs. Deputados dizem que há 800 000 imigrantes que pagam impostos e que descontam. Certo! Mas há

1 milhão e 600 mil em Portugal.

Portanto, se queremos dizer a verdade toda, temos de dizer que hoje há imigrantes, como nunca, a

descontarem para o sistema de Segurança Social e a pagarem impostos, mas, ainda mais, há imigrantes, como

nunca, a viverem em Portugal sem descontarem absolutamente nada.

Portanto, a questão tem de ser discutida, não vale a pena olhar só para um dos lados, seja num sentido, seja

no outro. Não é verdade que os imigrantes não contribuam, mas também não é verdade que não haja centenas

de milhares de imigrantes em Portugal que não fazem qualquer desconto e que são elegíveis para as prestações

sociais. Então, vamos discutir se são elegíveis para as prestações sociais. Faz sentido que o sejam ou não?

Faz sentido que, para isso, tenham condições de acesso ou não?

O Chega traz-nos duas propostas e até acho que há outras prestações sociais que devem ser discutidas e

que o Chega não trouxe aqui.

Sobre o subsídio social de desemprego, vamos ver este caso: um estrangeiro está em Portugal, até trabalhou

e descontou, recebeu subsídio de desemprego, que é uma prestação contributiva, porque tinha descontado e,

portanto, tem direito a isso, entretanto, enquanto esteve a receber o subsídio de desemprego, não conseguiu

encontrar um novo emprego. Faz sentido que, no fim disto, receba uma prestação não contributiva, que é o

subsídio social de desemprego, quando, na prática, já não está em condições de conseguir, em Portugal, a

viabilidade para o seu projeto de vida?