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I SÉRIE — NÚMERO 71

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Vamos a factos e a dados. Quanto ao cabaz alimentar — e eu disse isto na quinta-feira passada aqui nesta

Casa —, como sabem, a DECO PROteste faz semanalmente o preço do cabaz alimentar com 63 bens

alimentares essenciais e, na última semana, esse preço atingiu o máximo histórico. Contudo, esse máximo

histórico mostrava um aumento de 1,13 € face à semana anterior. Foi este o aumento semanal. Portanto, tenho

muitas dúvidas…

O Sr. Paulo Raimundo (PCP): — Isso é que é gravíssimo!

A Sr.ª Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais: — … de que o aumento do preço dos bens alimentares,

que se vem verificando e que vai aumentando paulatinamente, seja resultado do impacto da guerra e do conflito

no Médio Oriente.

Naturalmente, estamos disponíveis para avaliar e calibrar medidas, mas, em contextos de incerteza como o

presente, o acompanhamento da situação reclama serenidade e capacidade para adotar as medidas certas no

momento oportuno, com equilíbrio e com responsabilidade, porque esse equilíbrio e essa responsabilidade

significam proteger os portugueses hoje, mas sem comprometer o futuro do nosso País.

Aplausos do PSD e do CDS-PP.

O Sr. Presidente: — A Sr.ª Secretária de Estado tem dois pedidos de esclarecimento. Responde em

conjunto?

A Sr.ª Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais: — Sim, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: — Para o primeiro pedido de esclarecimento, tem a palavra a Sr.ª Deputada Inês de Sousa

Real.

A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo, Sr.ª

Secretária de Estado, ouvimos este fim de semana o líder da bancada do PSD, num momento que quase parecia

humorístico, dizer num post nas redes sociais, e passo a citar para não ser imprecisa, que «temos consciência

de que estamos a governar muito bem».

Quem ouça isto de repente pensa que — das duas, uma — ou estamos num sketch do Ricardo Araújo Pereira

no Isto é Gozar com Quem Trabalha ou temos um Governo que, de repente, está efetivamente a responder

àquilo que os portugueses precisam.

No entanto, quando olhamos para as medidas do Governo, verificamos — e a Sr.ª Secretária de Estado falou,

ainda há pouco, no cabaz essencial — que, apesar de nos últimos quatro anos o valor do cabaz essencial ter

tido o maior aumento de sempre, porque «estamos a governar muito bem», ainda se recusam a descer o IVA e

a ter uma medida transitória de IVA zero para o cabaz essencial.

Protestos do Deputado do PSD Hugo Carneiro.

Falou também nos bombeiros voluntários, mas, Sr.ª Secretária de Estado, recordo que o valor do transporte

de doentes continua a ser o mesmo nos últimos anos, não sofreu qualquer alteração. Portanto, pergunto-lhe se

isto também é «governar muito bem».

É que as famílias não conseguem pagar o supermercado, a casa — o Governo recusa-se, inclusive, a tomar

medidas preventivas em relação ao crédito à habitação, alegando que, se o BCE (Banco Central Europeu) não

subiu até agora as taxas de juro, estaríamos aqui a especular — e a verdade é que sabemos que a inflação tem

tido consequências muito negativas na carteira das famílias, em particular no que diz respeito à habitação.

Convinha não estarmos sempre a correr atrás do prejuízo, porque senão não estaremos, como diz o líder da

bancada parlamentar do PSD, a «governar muito bem».

Sr.ª Secretária de Estado, voltemos ao IVA. Se na habitação, na saúde e nos bens essenciais os portugueses

não conseguem pagar a fatura, não são menos exceção os cuidados médico-veterinários, que continuam a ser

taxados como um bem de luxo. Mas a prioridade deste Governo não é baixar o IVA para as famílias, incluindo