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I SÉRIE — NÚMERO 79

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Aplausos do PCP. O Sr. Presidente: — Sr.ª Deputada Joana Cordeiro, da Iniciativa Liberal, tem a palavra para uma intervenção. A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: No final de 2024, discutimos aqui este

tema e, na realidade, nada mudou, portanto, vou, basicamente, repetir a intervenção que fiz nessa altura. Para enquadrar este debate, começo por dizer que vale a pena voltar, mais uma vez, a setembro de 2016.

Nessa altura, Fernando Araújo, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde do Governo do Partido Socialista, anunciava de forma ambiciosa o alargamento dos cuidados de saúde oral no SNS, a integração de médicos dentistas no SNS e também a criação de uma carreira no ano a seguir, em 2017. Pois, nada disso aconteceu.

Entretanto, a saúde oral foi assumida como uma prioridade pelo atual Governo. Nos programas eleitorais, nos programas do Governo, foi apresentado o novo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, e a pergunta mantém-se: o que é que mudou, na prática? A resposta é: nada!

Assim sendo, estamos em 2026 e continuamos a discutir exatamente o mesmo que discutimos desde 2016, portanto, há 10 anos.

Protestos das Deputadas do PS Eurídice Pereira e Susana Correia. Isto devia preocupar-nos, porque, entretanto, existiu muito investimento, foram criados gabinetes de saúde

oral, mas continuamos a ter falta de profissionais. Portanto, temos, na grande maioria dos casos, recursos que foram alocados, mas equipamentos que estão subaproveitados, e, depois, temos notícias que dizem «verbas do PRR desperdiçadas» ou «mais de 30 consultórios dentários parados no SNS».

Ou seja, o problema não é apenas a ausência da carreira, é a incapacidade permanente dos vários Governos de conseguir planear, gerir e executar.

Sr.as e Srs. Deputados, a Iniciativa Liberal reconhece a importância do acesso a cuidados de saúde oral no SNS, ainda que isso não signifique que tenha de ser o SNS a prestar esses cuidados, porque, para nós, obviamente, deve optar-se pela solução que for mais eficiente. Porém, concordamos que os médicos dentistas que hoje trabalham no SNS devem ter uma carreira digna e adequada à sua qualificação. Não faz sentido estarem enquadrados em carreiras genéricas e não faz sentido continuar a adiar esta decisão.

Também é preciso dizer que criar uma carreira por si só não resolve o problema, porque o desafio é sempre o mesmo: garantir que o sistema consiga atrair profissionais, que tenha capacidade para reter esses mesmos profissionais e que consiga utilizar bem os recursos que já tem.

E depois há outro ponto importante: a definição de carreiras na Administração Pública é uma competência do Governo e deve resultar de negociação com as estruturas representativas do setor, não deve ser feita por iniciativa da Assembleia da República.

É por isso que olhamos para este tipo de iniciativas com reservas. Por um lado, reconhecemos que há um problema real, que precisa de ser resolvido. Por outro, não acompanhamos a forma como algumas das propostas foram construídas. Em particular, não acompanhamos a ideia do Chega de misturar a carreira dos médicos dentistas na carreira médica, ignorando as especificidades próprias da profissão e criando mais problemas do que soluções.

A Sr.ª Marta Martins da Silva (CH): — Vocês votam contra tudo! A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — Sr.as e Srs. Deputados, nós não precisamos de mais anúncios, precisamos,

sim, de um sistema que funcione, que valorize os profissionais e que transforme os investimentos feitos em acesso real a cuidados de saúde.

Aplausos da IL. O Sr. Presidente: — Tem a palavra, para uma intervenção, o Sr. Deputado Alberto Machado, do PSD.