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Quarta-feira, 19 de Outubro de 1988 11 Série- A - Número 1
V LEGISLATURA 2.• SESSÃO LEGISLATIVA (1988·1989)
SUPLEMENTO
SUMÁRIO
Proposta de lei n. • 75. V:
Grandes Opções do Plano para 1989·1992 e Gran· de.s Opções do Plano para 1989:
Relatório . . . . . . . . . . . . • . . . . . • • 2·(368) Parecer do Con,elho Nacional do Plano . . . 2·(424)
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PROPOSTA DE LEI N. o 75N
GRANDES OPÇOES DO PIANO PARA 1-1192 E GRANDES OPÇOES DO PIANO PARA 18
Compete ao Governo elaborar, nos termos do dis-posto no artigo 94. 0 , n. 0 2, da Constituição, a proposta de lei do Plano, fazendo acompanhar esta do relató-rio sobre as grandes opções globais e sectoriais, in-cluindo a respectiva fundamentação com base nos es-tudos preparatórios.
A presente proposta de lei, reflectindo o exercício da-quela competência e o cumprimento daquelas formali-dades, define as Grandes Opções do Plano para 1989-1992 e as Grandes Opções do Plano para 1989.
As Grandes Opções do Plano para o período de 1989-1992 inserem-se numa abordagem global e inte-grada das grandes questões nacionais sobre o desenvol-vimento, tendo em vista as novas condições emergen-tes da integração de Portugal nas Comunidades Europeias e, em particular, da adopção do Acto Único Europeu.
«Portugal - 1992» tem de ser assumido como um projecto nacional de horizonte amplo, orientado para a aproximação da economia e sociedade portuguesas aos níveis europeus, o que, muito em especial nos pró-ximos quatro anos, implica a criação de condições para que os agentes económicos possam responder com su-cesso aos novos desafios e potencialidades do mercado interno.
A estratégia global de desenvolvimento agora defi-nida estabelece o enquadramento do plano de desen-volvimento regional (POR), a elaborar até fmal do ano, o qual será o documento fundamental de negociação com a comissão das Comunidades Europeias sobre as intervenções estruturais comunitárias em Portugal a mé-dio prazo, com vista à realização do princípio da coe-são económica e social.
As medidas de política e acções de investimentos que, em sectores prioritários e de modo articulado, consti-tuirão o núcleo estratégico de impacte determinante no processo de desenvolvimento e modernização do País, serão informadas pelas políticas estruturais de organi-zação do Estado e da sociedade, as quais representam, em última instância, a garantia de coerência nacional das primeiras.
As Grandes Opções do Plano para 1989 reflectem a estratégia definida para as Grandes Opções do Plano para 1989-1992, coincidindo com estas por uma exigên-cia de articulação mútua. Nos termos constitucionais previstos traduzem o que no horizonte anual virá a constituir a base fundamental da actividade do Go-verno.
Assim: Nos termos da alínea d) do n. 0 1 do artigo 200. 0 da
Constituição, o Governo apresenta à Assembleia da Re-pública a seguinte proposta de lei:
Artigo 1. o
Objecto
1 - São aprovadas as Grandes Opções do Plano para o período 1989-1992.
2 - São aprovadas as Grandes Opções do Plano para 1989.
11 SÉRIE-A- NÚMERO 1
Artigo 2. 0
Definição
As Grandes Opções do Plano para o período 1989-1992 e as Grandes Opções do Plano para 1989 articulando-se entre si e concebendo-se de acordo corr: as exigências dos períodos temporais diferenciados que abrangem, são as seguintes:
a) Informar e mobilizar a sociedade; b) Valorizar os recursos humanos e fortalecer o te-
cido social; c) Reconverter e modernizar a economia.
Artigo 3. 0
Relatório
O relatório sobre as Grandes Opções do Plano para o período 1989-1992 e as Grandes Opções do Plano para 1989, publicado em anexo, faz parte integrante desta lei.
Artigo 4. 0
Elabonção dos planos
O Governo promoverá a elaboração dos planos a mé-dio prazo, para o período 1989-1992, e anual, para 1989, de harmonia com a presente lei e demais legisla-ção aplicável.
Artigo 5. 0
Execução dos planos e relatórios
O Governo promoverá a execução de cada um dos planos e elaborará os respectivos relatórios de execução.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 13 de Outubro de 1988. - O Primeiro-Ministro, Cavaco Silva - O Ministro dos Assuntos Parlamentares, An-t6nio Capucho - O Ministro do Planeamento e da Ad-ministração do Território, Valente de Oliveira.
PORTUGAL 1992
I - INTRODUÇÃO • Enquadramento polltiro-econ6mico
• Apresentação das GOPs • Grandes desafios para 1989-1992
• Ao nfvel internacional • Ao nfvel comunitário • Ao nivel nacio.nal
U- ENQUADRAMENTO COMUNITÁRIO
• Portugal no contexto dos Doze
• Os primeiros anos de integTaçllo
• O Mercado Interno • Objectivos • Dinllmica comunitária até 1992
• Consequl!ncias para a economia portuguesa
ffi- ENQUADRAMENTO MACRO.ECONÓMICO
• Economia internacional • Evolução recente
• Perspectivas
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• 'Economia naàonal • Evoluçlo re<:~ente
• Penpectivas
IV- ESTRArtGIA DE DESENVOLVIMENTO
• Pressupostoo
• Grandes OpçOes do Plano para 1989-92 • Iniormar e mobilizar a sociedade • Valorizar os recursos humanos e forta.lecer o
teddo social
• Reconverter e modernizar a economia
• PoUticas de o~ do Estado
V - PROGRAMA DE INVESTIMENTO 1989-92
• Programa de Investimento • Politica de Investimentos
• Evolu<;ao por grandes sectores • Financiamento
Vl- PRINCIPAIS ORIENTAç0ES DO PLANO DE
DESENVOLVIMENTO REGIONAL 1989-92
• Fundos estruturais comun.itirios. • Estratégia de utilizaçlo dos fundos estruturais em
Portugal • O Plano de Desenvolvimento Regional • Intervenções do Plano de Desenvolvimento Regional
Vll- ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO
• lntroduçlo • Sistema Nacional de Aoompanhamento • Programas Operacionais e PDR
VID- 0 ANO DE 1989 • Grandes OpçOes do Plano • Evoluçlo eoonómica
•PIDDAC~
• Slntese
• PIDDAC Tradicional Sectorial • PIDDAC 'n'adidonal-lntervenções Regionais
• PIDDAC Apoios • Financiamento
CAPtrowl
INTRODUÇÃO
Enquad.nmento PoUtico-Económico
1. Portugal 1992 - mais que uma simples proposta, est! subjacente a esta meta um autêntico projecto na-cional.
Trata-se de, assumindo e projectando no futuro o nosso passado histórico, modemizannos o Pais de modo a participarmos plenamente na
construçlo do destino oomum da Europa de que fazemos parte - por l1lZlo geográfica e op<;ao de poUtica, cultura e esp!rito.
E isto numa altura em que, conscientes de que a sua sobreviv~cia económica e capacidade de expressão e acçlo estavam em jogo, os palses que integram as Comunidades Europeias se dispõem, de forma decidida, a inidar um processo histórico de aflJ1Jlaçlo do seu posicionamento no contexto poHtico, soda. e económico mundial e~ em particular, no seu relacionamento com as duas outras gntndes ireas industrializadas. os
Estados Unidos e o japlo.
Portugal é clwnado a responder a este desafio. Deste modo, a capacidade de resposta dos portugueses e os nossos méritos e qualidades vão ser
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po&tos à prova. Temos, por isso, de acreditar em nós próprios, sabendo exactamente o que queremos, as metas a atingir e o sentido a trilhar. Temos, deste modo, que aproveitar as condições de estabilidade politica e social que foi possfvel garantU", bem como o clima de confiança que se vive entre nós e de que é expresslo .t vitalidade inovadora e criativa da nossa economia e da nossa sociedade. Cabe-nos.. individual e colectivamente, a responsabilidade de transformar em desenvolvimento, em progresso e em modemizaçlo as condições de que dispomos
À estabiHdade e à confiança, à determinação e A criatividade dos portugueses - factor decisivo nos hltos passados e futuros - há a acrescentar a importlncia que o Governo tem atribuido à coerência das
esoolhas politicas e económicas. TrataooSe de articular permanentemente as diversas metas e instrumentos de modo a garantir nllo só as transforma~ qualitativas do desenvolvimento económico e social, mas também a conduc;lo da conjuntura. ~. evidentemente, um equilrbrio diffcil de alcançar.
As reformas estruturais em curso, que permitiria à economia portuguesa responder com eficiência e eD\ paridade de árcunsttndas relativamente
aos nossos parceiros internacionais, designadamente europeus,
constituem ainda um pano de fundo a teT em conta quando olhamos o horizonte de 1992. O desenvolvimento exige coragem, determ.inaçlo e sentido de futuro nas transrormaçôes estruturais e institucionais. OaJ a necessidade de uma mobiliuçlo voluntária e empc.n.h.ada dos dcbdlos e doa agentes ~n6m.icos e sociais, empftÃrios e tr.lbal.Udores, ~ tomo
doe objectivos de mu É neste contexto que teremos de enfrentar o exigente esUmulo que nos é dado a nfvel europeu. 2- A construçlo do Mercado Interno até 1992 ser;!, sem margem para dtl.vidas, a mais importante vitória poUtica da Europa nas últimas dkadas deste século. O desafio da criaçlo do grande mercado europeu está lançado - a realizaçlo de um espa..., económico comum, com 320 milhões de pessoas promovendo a livre circulação de pessoas, serviços, capitais e bens, terá efeitos de aceleraçlo do crescimento, criaçlo de novos empregos, economias de escala, ganhos de produtividade e rentabilidade, concorrência acrescida, maior estabilidade dos preços e maior possibilidade de esoolha para os oonsumidores. Em definitivo trata-se de melhonr as condições de vida de todos os Europeus. Nenhum Estado membro poderia, sózinho, transformaT t:fio profundamente as suas realiza.ções e perspectivas eoonómicas. Mas, pretendendo-se responder de um modo mais adequado aos estímulos da economia internacional • a que isoladamente n~o seria posslvel replicar - impõe-se tambbn assegurar maior igualdade de oportunidades e uma melhor repartiçlo de recursos no seio da maao-regilo comunithia. Nessa medid~ se o Mercado Interno é o grande objectivo a atingir e a oportunidade a aproveitar, a outra vertente do Acto Único, a Coesão Económica e Social, é c::ondiçJo indispensável para o crescimento económico mais estável, equilibrado e aiador de maior número de postos de trabalho. Na sua essência, o prindpio da Coesa.o significa a promoç~o do desenvolvimento harmonioso do conjunto da Comunidade, procurando reduzir a diferença de nfveis de vida entre Estados~membros e entre regiôes comunitárias. O reforço e concentraç.lo muito significativos dos meios financeiros dos fundos estruturais até 1992 é sinal evident-.. da im.port!ncia que se atribui a esta questâo e constitui um instrumento privilegiado de apoio ao ajustamento est:rutura1 das regiões mais atrasadas, que haverá que saber utilizar de forma. mais efidente. 3. Por outro lado, a dlmen.do social do Mercado Interno é uma componente fundamental em todo o projecto. O grande Mercado Interno
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nlo teria sentido se os nlvels de vida e de protecçlo soóal dos cidadlos
fossem po5tos em causa.
Pelo contrArio, a justificaçao politica e económica do Mercado Interno
radica no progresso social aaescido e nas vantagens que oferecerá a todos os àdadlos europeus.
A tarefa do desenvolvimento numa Ewopa sem fronteiras e num mundo em mudança acelerada tem assim de nos mobilizar. ~ chegado o momento de conseguirmos a um tempo dois des!gnios fundamentais: por um lado, responder aos estlmulos que estio lançados e que nos poderio permitir abandonar a tradicional poslçlo de atraso na Europa oddent.ol e, por outro, criar condições concretu para um melhor aproveitamento das
vantagens comparativu, potenciais e efectivas, que est:Ao ao nosso alcance.
4. A !dela da Europa comunitária nao pode ser confundida com
uma miragem ou com um sucedaneo fr6gil para uma história rica, em
fase de esgotamento e de cansa.;o. Pelo contrArio, trata-se para Portugal de uma opçlo natwal, lmbulda de querer e de criativldade,lnserlda numa
vocaçlo aberta ao mundo e envolvendo a renovaçao de um projecto nacional pleno de ...- tido e adaptado a um tempo em que as distancias se
redll2iram e os espaços de trocas, lnterclmbio e dWogo se alargaram.
O nosso universalismo, manifestado em locais distantes e num tempo em que portugull e europeu se confundiam com naturalldade, outras raizes nlo teve que nlo fosse essa generosa capacidade de entrega e de Ir mais
além em conheàmentos e relações com base no saber de experiência feito.
Entre a Europa e o Atl!ntlco continuamos a ter um destino intimamente ligado aos dois.
Com a creseente lntemacionalizaçlo da vida económica, num tempo de mudanças profundas e irreversíveis, de inter-influê.ndas entre sistemas e modos de produzir, as possibilidades do espaço europeu alargam-se.
Paralelamente, um pals como Portugal lr.l tender para constituir cada vtz menos uma periferia. Temos de aproveitar as encruzilhadas que nos irlo
considerar como ponto de referência. O policentrismo que jl se afirma obrigar-nos-A, por isso, a contrariar com determinaçlo o que nlo deve ser visto como uma fatalidade inelutável - a nossa situaçlo geográfica, distante dos pólos tradicionalmente significativos.
5. Porta da Europa, encruzilhada do Atl!ntico, ponto privilegiado pela localizaçlo e pelo clima, zona de acolhimento tur!stico, cientifico ou comercial, espa.;o de paz e de estabilidade, de convivência e de diAlogo -s!o múltiplos os aspectos que poderio favorecer decisivamente, nwn
sentido positivo, a evoluçao de Portugal.
Importa, porém, que todo• ae ~mpenhem - poderes p1lblioos e iniciativas Individuais, Estado e soóedade - na criaçlo de condições de promoçlo do d~nvolvlmento e do Ajustamento estrutural da nossa economia, propiciando uma cres A um tempo, os bloqueamentos l eficiência, as periferias Internas e o atraso ttm de ser contrariados, o que passa por um conceito de desenvolvimento no qual se compreendam as diferenças internas das regiOes nas suas idiosslncra harmonizar a modernizaçlo das estruturas com a criatividade da descentralizaçlo - que o poder local democrático tem tomado realldade -atrJvés de um esfor.;o comum e coerente de ooUdariedade e de realizaçlo da igualdade de oportunidades. 6. Todo este esfor.;o implica a crlaçlo de estrmulos, que passam pela transformaçao de mentalidades, por uma melhor orga.nizaçlo das pessoas, dos espaços e das coisas, por um melhor e mais correcto aproveitamento e salvaguarda dos recursos naturais, por uma melhor e mais rápida comunicac;J.o entre mercados e agentes económicos e, ainda, por uma aposta decisiva na investigaçlo cientifica e téatica e na sua ligaçlo ao desenvolvimento. 11 SÉRIE-A- NÚMERO 1 A impresànd!vel alteraçlo de mentalidades, levando à crescente adopçlo de comportamentos de modernidade, envolve um definitivo corte com o patemaüsmo de Estado e com a tendência - que a estatizaçlo de 1975 acentuou - da soóedade portuguesa para depender excessivamente da actuaçlo e da iniciativa dos poderes p1lbüoos. Assim, a reduçlo do peso do EstAdo na economia e na sociedade visa, antes de mais, criar condiçOes propicias l plena manifestaçlo da capaàdade criativa e inovadora dos portugueses, das empresas, das organizações da sociedade civU. Dando pre!erênàa l qualidade, ao realismo e à organizaçao racional das entidades e agentes aptos a asswnlrem o movimento e a modemizaçlo, h' que concentrar especiais esfor.;os na componente educativa. O capital humano f o 6nico realmenl~ insubslilulvel e é aquele que poderá permitir alcançar mais elevados fndices de aproveitamento e de reprodutividade dos investimentos. Qualquer projecto ou qualquer empresa, para que obtenha sucesso, envolve a aventura da lnovaçlo e o rigor do planeamento. Daf que apenas pela aposta forte na educaçlo e na formaçlo seja poss!vel tomar o desenvolvimento português em tarefa de todos e numa consequência de um novo esplrito de eficácia e de justiça. Temos de acreditar nu nouu possibilidades. Importa u.llentar as qualldades doe portugueses e a sua capacidade de resposta, posta l prova em s«uuos de história. O pragmatismo tem de se aliar ao rigor, a aenalbllldade l tfcnlca, o aaber de experiência feito l organlzaçlo, a generoaidade ao método. Tudo bto alo méritos que nlo podem deixar de ser Incentivados e aprofundados, designadamente numa transformaçlo de mentalidades que tem de estar presente quando privilegiamos a prioridade educativa e de formaçlo. 7. Na Europa dos povos e dos àdadlos, as politicas de desenvolvimento constltuirlo a melhor garantia para o reconhecimento, na pr'tica, do direito l diferença e da rica complm.entarid•de entre as d.lvuau exp~ du Identidades nacionais e as salutares manifestações de unlversallsmo e de abertura ao diAlogo. Nlo se trata, pob, de construir uma Europa sem alma e sem nervo e de encararmos a lntegraçlo de um modo conformista e bwocrldco. A nossa personalidade, as nossas peculiaridades, os nossos contributos especlíloos - tudo Isso temos de afirmar com determinaçllo. O nosso futuro depende do que formos capazes de criar, de construir, de transformar. Da! que a modemizaçlo exija que nos apercebamos do que esti a mudar e do que temo. de mudar, uma vez que val haver actividades produtivas nas quais iremos ser confrontados com o dinamismo de outras economias com mio-de-obra barata e de fiei! acesso a. matérias primas, sendo exemplar a situaçlo dos novos países industrializados. H! que prever essa evoluçlo e lançar u bases de uma resposta rigorosa e eficiente. Portugal, numa Europa que se prepara para ser mais solidAria, tem uma palavra a dizer. Na negodaçlo permanente que constitui a presença na Comunidade, trata-$< de promover a satisfaçlo das necessidades humanas fundamentais dos portugueses sem prejudicar, antes favorecendo. o melhor aproveitamento das condiçOes de troca nos mercados internacionais numa perspectiva din!mica e de futuro. O atraso combate-se com criatividade e lnovaçlo. A justiça social e o desenvolvimento constroem-se com obras concretas e com permanente atençlo A realidade que muda. 8. Em 1992, data fronteira para o instrumento que agora se apresenta, Portupi aer6 chamado a presidir aos destlnoa do Conaelho dat Comunidades Europtlu. Iremos, assim, ter espeàals responsabilidades no ultimar dos preparativos gerais para atingir essa meta decla.lva. Importa, porém, delinear, com rigor, e desde já, u tarefas a pOr em prAtica na economia portuguesa. Esse é um dos objectivos centrais das Grandes Opçi!es do Plano de Médio Prazo, que deverlo constituir um ponto de referência a ter presente na caminhada de modemizaçlo e desenvolvimento em que o Pais estA empenhado.
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Depois de 1992, outros desafios, igualmente exigentes, se coloarlo - DIU é tempo de compreender que as realizaçOes humanas, para serem fecundas, exigem a gradual e metódica ronsideraçlo de metas, pelo atingir d&a quais o progresso e o aperfeiçoamento das sociedades vlo sendo alcançados.
Apreaenbçlo du GOPo
9. Ao apresentar à Assembleia da RepóbUca as Grmdeo Opç6H do Plano de MEdlo Prazo 1989-1992 (GOPo 89-92) e, enquadradas por estas, as Grande• Opçileo do Pbno paro 1989 (GOPo 89) o Governo cumpre a determlnaçlo constitucional constante dos artigos 91" e seguintes da Lei Fundamental, e em especial das allneas b) e c) do artigo 93".
Considerando tais dispositivos à luz de uma concepçto livre e aberta da economia e da sociedade~ parte--se do entendimento de que uma politica de modernização e de desenvolvimento aconselha a existênda de um pla.ne~ento estratEgico, essencialmente orientador, visando um melhor aproveitamento dos recursos disponiveis, uma coordenac;a.o efectiva de
esforços e um conhecimento claro dos objectivos gerais da governaçlo no domlnio económico.
tO. As transformações que se anundam na ordem comunitária abrem novas perspectivas para a definic;lo da estratigia de desenvolvimento a midio prazo para o nosso pa(s. Componente importante, embora nlo única, tem a ver com a aplicaçJo doa avultados recursos flnancei.ros agora postos ~ nossa disposiçlo, a qual deverá ser realizada de uma forma integrada, estabelecendo os equilíbrios necessários entre crescimento económico global e desenvolvimento harmonioso dos vários sectores e regiões.
Essas novas condições carecem de novos m~todos e instrumentos de trabalho no domínio do planeamento, designadamente para dar resposta pronta aos requisitos comunitários recentemente aprovados, no l.mbito dos quais passa a ser necessário apresentar à Comiss!o das Comunidad.,.
Europeias um novo Plano de Duenvolvlmento Reslonal • POR, qu<• constituirá o documento fundamental da negociaçlo sobre as intervenções estruturais comunitirias no médio prazo, com base no qual será definido o Quadro Comunitário de Apoio a cada Estado Membro.
O POR constitui assim elemento indispensável para uma aplicaçlo correcta dos recursos colocados l dlsposiçlo dos Estados-Membros, tendo em vista a realizaçlo da Coes!o Económica e Social, objectivo crucial da poUiica europeia. Tal objectivo, terá de ter uma traduçlo em cada Estado-Membro pelo que, a nfvel nacional, também se impõe uma dlferenciaçlo
regional.
11. A fim de evitar a proliferaçlo de documentos e a mulllplicaçlo de esforços, ganhando-se em operacionalidade e ellclda. entendeu-se que a soluçao mais correcta para responder ao conjunto de solidtações referidas passa pela elaboraçlo de um único Instrumento de planeamento . o Progr.m:ta de Desenvolvimento Económico e Soclal Regionalmente OUerenclado - garantindo assim uma abordagem global e integrada das grandes questões nadonals sobre o desenvolvimento, tendo em vista as novas condlçOes emergentes da integraçlo de Portugal nas Comunidades Europeias, e, em particular, da ldopçlo do Acto Único Europeu.
Assim, a preparaçlo daquele Programa permitirA:
• Bquodonar respostas necessúias oos desafios associados l realizaçlo
do Merado lnttmo;
• Preparar lntervençOes estruturais que poderio optimizar as vantagens decoM!ntes do prindpio da Coeoio Econ6mic:a e SocW e, em particular, do refo.rço dos Fundoe Eotrutwall;
• Orientar actuaÇões a cargo do sector póblico e Informar e apoiar o sector privado de acordo com uma estratégia global de
desenvolvimento e modemlzaçJo.
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• Grandes Opçõeo do Plano (GOPs) • de médio-pruo e anulUS, consubstanciando as primeiras a estratégia global que orientará. o POR;
• Plano de Desenvolvimento Regional (POR) - que constltuírA o documento fundamental de negociaçlo com a Comissao Europeia sobre as intervençOes estruturais comunitárias no médio prazo~ com base no qual seri definido o Quadro Comunitário de Apoio;
• Programu Operacional• de Âmbito Sectorial e Regional -que corporizaria o POR
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Importa. por Isso, que - CJaDdee Opçllft do Pluo pua o pedodo 1919-92 come«m por ld~nliflc.u 01 prlndp.U. el-atloo cleNa novoo panclfl
d-a...
Ao nfwl íntuucioul
14. Inserida num contexto de afirmaçlo lenta mas segura da
importtnda politico-económica de uma parle do continente asiitico e favoreàda pela f- de desanuviamento militar entre as duas grandes potêndas, que n1o deixar~ de ter repercussOes na reoomposi~ geo-estratégia dos blocos em que a Europa pretende reassumir papel de relevo, a ~nomia mundi.aJ dever' aceluu o aeu actual movimento de int~rdependfncla doe prlndpalo m~radoo ~onais com a afirmaçlo crescente de estratégias empresariais l escala intemadonal.
Elemento determinante da evoluçlo dessa tendência é o liatema financeiro int~rnaclonal, na sua dupla vertente da integra~ financeira e integração monetária.
Através dele se estabele Em paralelo a este movimento, o deHnvolvimenlo lecnolclgico recente e, sobretudo, a sua previsfvel intensilicaçlo, com influência em todos os domlnios da actividade humana. do económioo ao cultur..t, ~ pela própria estandardizaçlo dos comportamentos quotidianos, contribui igu..tmente de modo muito acentwado para o aumento da interpenetraçlo de mercados e de culturas a uma escala que laálmente ultrapasoa os obstáculos nadonais. A outro nfvel, mas com significado que inevitavelmente se reforçari no tempo, a problemática de conoervaçlo e prolecçio do ambi~nle, s..ttando fronteiras (as alteraçl!es climitias que podem derivar da polulçlo atmoofúlca e da degra~ doo ~ dos soloo agrlcolas ou das orlas marftlmas ou dos rios e a quesllo doo llxDo radioactivos) ~ outra irea em que desponta uma tendênda c:Jara de mundializaçlo. Ao nlutl comunil4rio 15. O "programa" de resposta da Comunidade Económica Europeia a estas novas condiç6et envolventes - •o depfio stobal" - esti consubstanciado no Acto Ílalco Europeu, o qual, alterando significativamente o sistema instituàonal e decisório vigente, aponta para os seguintes grandes objectivos: • realiuçlo do Mercado ln temo até aos finais de 1992; • reforço da Coeslo Económica e Social; • lançamento de uma polftica comum de desenvolvimento cient:Uiro e tecnológico; • reforço do Sistema Monetúio Europeu; • consolidaçlo da dimenslo tod..t europeia; • coordenaçlo das a~ em rnatúla de ambiente. 16. Entre estes objectivos avulta, pela sua dimenslo e impUcaçOes diversas, o primeiro. Orientado para a criaçlo de um espaço económico único, através da eliminac;l.o de baneiru técnicas~ administrativas, fiscais e aduaneiras. quer diz.er, um espaço sem fronteiras, com livre circulação de pessoas. 11 SÉRIE-A- NÚMERO I mercadoria•, capitais e serviços (incluindo os financeiros), constituir,, sem dolvida. uma verdadeira "revoluçlo tranquila", na expresslo de Jacques Delonl. Naturalmente, a llberalluçlo da drculaçlo de macadoriu, e multo especialmente de capitala e oerviçoo, seri um móbil lortlsslmo para a pt'OIIlOÇio de novu e aaeocid&s condiçOes de coru:onênda no interior da Comunidade, para u quais oo vtrios agentes económicos ter&o de oe preparar, nomeadamente os que actuam em paises com estrutura e A Uberalizaçlo da prestaçlo de serviços financeiros, em especial - e apesar das tensões inidais que provoc:arl. - poderá transformar-se num dos pilareo de atatentaçio do grande mercado, dado que favorecer~ uma afectaçlo mais eficaz dos recunos e contribuiri decisivamente para o rei~ do Sistema Monetário Europeu. pela via da cooperaçlo monettria. 17, A par destes desafios, outro há cujos eleitos nlo podem ser menoriudoo: a abertura sradu..t a terceiros paises, decorre.nte das negodaçOes no quadro do "Uruguay Round" do GA TI, com a revislo dos obst.tculos nlo pautais que slo hoje aplicados a favor de certos produtos comunittrios, alguns deles produzidos por uma larga peroentagem de pequenas e médias empresas portuguesas com problemas de redimensionamento, e envolvendo pela primeira vez alguns ramos dos oedon!s primirio e terciirio. A rtYiolo da Politica Agrlcola Comum, considerada como uma das reformas mais prementes no quadro do Acto Único, que acentwa a aproximaçlo dos nossos preços internos aos preços de garantia comunit.trloo (que slo inferiores e ter1o tendência a bainr), sert outra dificuldade que oelart sentir em grande parle do território nadonal. Finalmente, a adopçJo de wn.a polflla comum de d~nvolvimento cientifico e lecnol6sic:o , destinada a elevar o potend..t tecnológico da Europa ao nlvel de outras regiões desenvolvidas do mundo, possibilitará o surgimento de estrutuns económicas mais sólidas. constftuldas por empresas - onde se deve destacar o papel das PMEs, cujo papel económico activo deve ser ainda mais encorajado - dotadas de uma acrescida capacidade tecnológica e de mio-de-obra muito mais qualificada. Mas todo este processo obrigará a que nos preparemos para a construçlo de um grande mercado de trab..tho, dado que serlo progressivamente eliminada as buTelras que ainda limitam o exerddo electivo da livre cira1laçlo de peuou e a liberdade de estabeleàmento. Toda esta evoluçlo ter-se-t de traduzir em formas de mobilidade profiSSional que poaam ajudar a desenvolver empresas mais efldentes e mais competitiva e obrigará l definiçlo de outro tipo de instrumentos que. no oeu conjunto, configurem progressivamente urna politica sodaJ activa a nlvel comunitúio. 18. Bem entendido, todos estes factores contribuirlo conjuntamente pua o aprofundamento das relaçl!es de competitividode, intemu e externas l Comunidade. Mas, muito pa.rticularmente, lmporlo o emergir de uma nova condiçlo necessária de sobrevivênda económica: o eleito da dlmenoio. Para o atingir t de esperar que os grandes grupos empresari..ts de cada Bstado-membro (e mesmo os multinacionais) venham a alterar profundamente as suas estratégias, com vista a um reiO<ço progressivo de posiçOes, em tennoo comunitirios e intemadonais, podendo •as regras de jogo" actu&ls vir a ser objecto de alteraçOes qualitativas cujo alcance é ainda difidl de p~fr. 19. Evidentemente, toda essa transformaçlo seri acompanhada de medidas destinadas a promover um desenvolvimento mais harmonioso, procurando reduzir a diferença de nlveis de vida entre as diversas regiões da Comunidade e o atraso das mais desfavoreàdas - ~ o prlnclplo da ~ Econ6mla e SodaJ.
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A Comunidade apoiará essa orientaçao através da acc;J.o dos seus
Instrumentos finaru:eiros e, em particular, dos fundos ostnllurai&.
Estes últimos, a par da reforma dos seus prindpios e mcxWidades de intervenç-lo (que é outra das vertentes operacionais decorrentes do Acto Único), com vista a relon;ar a sua eficácia, verlo os seus recursos
aumentados e concentrados de modo significativo, devendo atingir a d uplicação, em termos reais, até 1993, e para as regiões mais desfavorecidas (caso de Portugal), até 1992.
O nosso pa[s, cujo território seré. contemplado na totalidade, deverá
beneficiar nesse perlodo de uma ajuda na ordem dos 1100 milhOes de contos.
A absorçJo eficaz. desses fundos com visb a promover o ajustamento tstl'Utural da nossa economia ser.i uma componente essencial da estratégia global de desenvolvimento.
Ao níuel naciontd
20. Em termos sintéticos pode dizer-se que a aposta maior que se pOe a Portugal neste virar de década é a passagem de uma sociedade que ainda se rege em muitos domlnios - mental, sodal, económico - por um
"modelo fechado"' para outra de tipo aberto, à semelhança dos nossos parceiros comunitários.
Os impulsos determinantes desse movimento - cujo ritmo pode vir a ser
surpreendente para muitos - terão origem no exterior do pais. A transformaçlo para ser ajustada às nossas características tem de ser gerida
pelos portugueses.
A capacidade que demonstramos para compreender este pressuposto, adaptando as formas de actuaç!o dos protagonistas (Estado, parceiros
sociais e ddadlos) de modo a estabelecer equi.Ubrios dinlmicos entre rftSiruturaçlo e modem.izaçlo, ser,i o elemento-chave do nosso processo
de desenvolvimento.
21. o Estado, tanto na esfera política como na administrativa, terá que substituir gradualmente as actividades tradicionais de controle por outras dirigidas essencialmente para a promoçlo das potenci;a_lid;a_des, naturais ou adquiridas, que permitam enquadrarmo-nos no contexto
amplo da transformação da 'Europa. procurando desde já ocupar as
posições mais favoráveis nessa ordem económica futura.
Deverá fazê-lo através do aperfeiçoamento dos mecanismos de
interpretação das linhas de necessidade e oportunidade que se vlo colocando à Europa e a Portugal, e pelo reforço sistemático das funçõu d< inlormaçJo e promoção de apacidade empresarial - o apoio dos fundos estruturais para a implementaçlo de inhaestruturas produtivas ou o fomento da valorização do potendal endógeno, por exemplo, entroncam
aqui.
Simultaneamente, haverá que aperfeiçoar as funções de compensação e
regulaçao das tensõeS sociais resultantes das acções mais intensas de
reestruturaç:lo e redimensionamento.
Harmonização das estratégias dos vários agentes e exploração dos sõstmus
de complementaridades contribuirão ~sim, em p~alel_o, para a potenciação dos efeitos de dimensão, orgaru~c;Jo e raoonaltZAçlo das organizações empresariais e para o preenchimento das lacunas que;
sobretudo em termos sociais .. se vierem a revelar.
Aos agentes económicos - e especialmente ao sistema financeiro 22 ~ · ta assegurar condições de maturaçlo e cooperaçlo portugu - tm~rt romovu a sua apadcbde competitiva e de crescentes com vts a a p
internacionalização.
A sua inserçto progressiva no sistema econó~~ comunitário. far-se-á tendo como critério essencial de orientaçao a vtabihdade eronóm.~ca. Este
2-(373)
pressuposto só será conaetiúvel atnv~ duma estra~ que roloque de forma inequlvoca a iniciativa privada no papel de principal agente do
desenvolvimento.
No aparelho pnxiutivo impõe-se assim uma reconsiderõtçlo profuncb do
modelo de espeda!Wção actual de modo a colocar a eoonomia portuguesa em condições de aspirar a produções de gama midia. com segm r.ipida e dispondo de abundantes recursos humanos com ntveis crescentes de formaçlo proflSSÍonal. 23. No mundo que as novas gerac;ões ir.lo conhecer. a inte:rpenetraçao plena entre a capacidade de compreender os sinais de mudança e agir com flexibilidade ser! condiçJo bA.sica de suces.so Nenhuma estratégia de desenvolvimento social e económico poderá atingir efeitos duradouros no nosso pats se isto nJo (or entendido. E a ser assim. há que reconhecer que se impõe uma alteraçao radical no sistema de educa~ o e formação que vimos praticando desde há longos anos. Nele se encontra a e.xpJicaçlo para uma parte substancial das nossas dificuldades de adaptação ls novas realidades, que nos •·êm chegando do exterior, problema que: abrange • é preciso dizê-lo - todas as camadas sociais e estratos profissionais sem diferenças sens!veis. ~ uma das úeas em que o empenho para a mudança terá de ser maior com vista a colocar o sistema ao serviço do processo de modemizaç.lo da sociedade portuguesa. Encarado na globalidade, todas as suas virtualidades deverão ser exploradas: • a nossa cultura universalista e a import3nda estratégica da llngua portuguesa representam especificidades que nos abrem horizontes de actuaçlo apreciáveis no contexto da Europa e do mundo; • a melhoria dos métodos de educaçlo/formaç!o e das actividades de investigaça.o e pesquisa temológica, com o reforço do relaóonamento entre universidade e empresas .. representa instrumento indispe~vel para a obtençlo dos nlveis de produtividade sem os quais a estra~ de especialização nlo será sustentivel. 24. Em úJti.mo lugar. mas nlo menos importante, ht o agravamento contínuo dos desequilíbrios de d~nvolvimento regiona.J . com o desaproveitamento dos recursos naturais de várias zonas do interior e a sua aescente desertificaçlo e envelhecimento populacional, a par das deseconomias provocadas pelo congestionamento da faixa litoral. ll um desalio para que importa encontrar uma resposta estratégico que garanta o equilíbrio necesHrio entre rentabilidade económica glOO.I e justiça soc:hl à escala espacial, tendo em vista que a e:xisthcia de um eiatema produtivo int~regiorual coerente f peça fund,amental para o unnque e J~Unutenção do pf'OC'.a.SO de dese.nvolvimento ttlobal do país. ENQUADRAMENTO COMUNITÁRIO Portugal no contexto dos Dou 25. A análise comparada entre Portugal e o COI\j\1.'\to dos paiseS que constituem a CEE, feita com base nos indu:adores sociais e económicos convencionais .. revela grandes disparidades, Lraduzindo estruturas económicas e soàais em diferentes estádios de desenvolvimento.Num momento em que se intensifica o esforço de aproximaçlo dos níveis de dese.nvolvimento, importa desenhar um quadro sintético, ilustrativo da nossa situaçlo sód
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2·(374)
26. Na ma da demogroflo, e focando em particular as respectivas Incidências na irea do economia, hA dois aspectos que nos distinguem fundamentalmente da Comunidade, nomeadamente dos palses do Norte e do Centro: a tan de crescimento e o estruturo eU.rio do populaçlo.
O crtaci.mento populacional em Portugal (tua anual de 0,5~ previstos para o período 1985-2005) estA acima do crescimento populacional na CEE (0,16'1r.), diferença que f todavia msufidente para alterar de modo signilicativo o peso actual da populaç!o portuguesa na populaç!o total da Comunidade (3,1% em 1985 e 3,4'1r. em 2005).
A partir de 2005, as curvas de crescimento populacional da CEE e de Portugal tomam-se negativas, reflectindo um decréscimo médio anual de 0,25% e O, I% respectivamente. O diferencial de variaç!o tomar-se-á, pois, também menor.
A <&trutun etir!a da populaçlo portuguesa, conforme se pode ver no quadro seguinte, é mais jovem que a população total da CEE, apresentando* por outro lado, uma situaçlo semelhante à verificada nos restantes palses periféricos da Comunidade Europeia.
POPULAÇÃO TOrAL POR GRUPOS ETÁRIOS (1981) Em% Palses
Grupo ettr1o PottuRal CI!E (12) Periférloos (•)
0-14anoo 25.5 21.5 IS· 24 anos 16.6 15.9 25·44anoo 24.9 26.8 45·64anoo 21.6 22.1 65 + anoo 11.5 13.7
Total 100 too
Fonte: EUROSTAT, Estatislicu Demogr!fic:as, 1983 (•) Grécia, Irlanda e Espanha
25.3 16.3 25.2 21.9 11.3
100
Como consequência daquelas estruturas etirias, a tan de dependência dos jovens em Portugal (37%) é superior l média comunitária (29,6%), enquanto que a taxa de depend~ncia dos Idosos (18,4%) é Inferior l média (20,1%).
Esta situaçao demogr6flca tem naturais Incidências sociais e económicas, nomeadamente sobre o mercado de trabalho e sobre o sistema de segurança social, lnddências que serlo provavelmente düerentes em Portugal e no conjunto da CEE.
27. Acresce que o baixo nlvel de Intensidade capitaUstica deixa antever uma maior margem para a substituiçlo do factor trabalho pelo factor capital, sltuaç!o de elevada probabilidade num contexto em que as condiçOes de competitividade (Intra CEE e extra CEE) nlo delxarlo de pressionar no sentido da aproxirnaç:lo das tans de produtividode, as quais em 1986 se encontravam numa relaç:lo de 2 para 1 (PIB avaliado segundo a paridade do poder de compra).
TAXAS DE ESCOLARIZAÇÃO
Anoo de l!aoolaridode PAISES H 7·U Ena.S~.rlor
Alemanha (1983) 99 14 29.0 Bllgla (1984) 93 86 30.6 Dinamarca (1983) 100 16 29.3 Espanha (1983) 100 91 25.2 Pra~ (1983) 100 90 26.8 Crfclo (1981) 89 76 17.7 Holanda (1984) 87 86 31.4 Irlanda (1982) 89 79 22.1 I!Jlio (1984) 99 74 26.3 Rolno Unido (1982) 93 81 20.3 Portugal (1987)• 90 40 11.0
FontH' Stotlstiell Y..,book, UNESCO (19861
•DCEBS/ME
U SÉRIE-A- NÚMERO I
O aumento da produtividade depende, além da notureza do •stock" de capital fixo, da quaUflcaçlo da força de trabalho, e esta por sua vez, do sistema de ensino e de formaç:lo profiSSional. A análise comparativa dos Indicadores do slslema de ensino entre Portugal e a CEE revela um atraso, comprometedor da qualidade futun da nossa força de trabalho. Tomando um indicador meramente quantitativo, a taxa de escolari.z.tçlo, verifica-se que Portugal só se aproxima dos valores médios da Comunidade no caso do escolaridade bisi01.
28. Outros indicadores permitem completar este quadro: a tau de analfabetismo da populaçao com mais de 15 anos em Portugal passou de 20,6'!1. em 1981 (na CEE era de 3,6%) para 15% em 1988; a duraçlo média dos estudos da populaçao activa é de 4,5 anos em Portugal em comparaçlo com 7,6 para a média oomunitiria.
O aumento dos encargos orçamentais com a educação em relaçlo ao PIB (4,2% em 1984 e 4,4% em 1987) permitiu urna ligeira aproximaçlo 1 média da CEE (situada na vizinhança de 6%). A plena ocupaç!o dos recursos existentes, particularmente dos recursos
humanos, reladona·se com o tipo e a distribulçlo das actividades produtivas.
REPARTIÇÃO DA POPULAÇÃO EMPREGADA POR SECTORES
f' 1 1985 1977 1 '
1. Asri T ... t tOO 100 100 100 Fonte EUROSTAT, Contat Nadonab, 1987 C"J Com oxdutlo do Esponha. Cr«!a. tr .. ncla e Porhlpl 29. A pressao da procuro de emprego é, presentemente, maJor na generalidade dos palaes da CEB, quando comparada com a sltuaçlo em Portugal • a taxa média de desemprego é actualmente de 11,3% na CEE enquanto que em Portugal é de 6%. A conjugaçlo do factor económico e do factor demogr,fico tender~. a médio prazo, a Inverter aquela poslç!o. De facto, a evoluç!o da pirlmide etirla na CEB tende para um maior estreitamento da faixa ettria relativa 1 populaçlo em idade activa, reduzindo-se por essa razão a presslo sobre o mercado de trabalho1 ao mesmo tempo que se acelera o envelhecimento da populaçlo e aumenta a taxa de dependência da populaçao Idosa. Considerando o factor económico, as condiçOes prevalecentes actualmente em Portugal düerem também substancialmente das observadas na Comunidade. A reestruturaçlo do aparelho produtivo português é ousceptlvel de libertar um importante volume de mio-de-obra, prindpalmente na agricultura, sector que ocupa ainda 25,4% do total em comparaç!o oom a média de 6,3% dos pa.lses mais desenvolvidos da CEE. 30. Comparando a dlstrlbulçlo do Valor Ac:r<&eentado Bruto (VAB) por sectores, em Portugal e na CEE, se quisermos utilizar este indicador como primeira aproximaçao l análise da estrutura produtiva, verificamos que o padrlo de progress.ilo do VAB no sentido agricultura • indústria • serviços se caracteriza na CEE por um rútido ganho de posiçao por parte dos serviços, em contraposiçlo rom o dec:rés
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19 DE OUTUBRO DE 1988
REPARTIÇÃO DO VALOR ACRESCENTADO POR SECTORES
Em'lfo ~
...!'!.!.' -"'" ""'' t. ASJ!culturo Sllvlculturo e Pacu 3.9 2.9 Uj 7.7 2.EntJP 5.4 6.8 2.1 3.7 3. lnchhlrio Transformadora 29.0 25.9 25.9 779 4. Con>IJUÇJo 7JJ Sj 7.5 5.5 S. 5ervtçoo MttaniU 40JI 44.1 40.7 43.() 6. 5trvt(os nJo Mtrantls 14.0 14.5 12.0 lU
ToW 100 100 100 100
Fonlo: EUROSTAT, Contas NodoN.iS, 1987 (") CEE com exdUSioo da Esponho, Crfdo, Irlanda e Portupt
Em Portugal, embora se observe uma tendência geral semelhante, hA diferenças qualitativas que Importa sublinhar. Em primeiro lugar, o peao ainda uceaslvo da asrfcultura (resultado nlo de uma deliberada
espedallzaçlo produtiva, mas devido l soblevivênda de exploraçOes em condi~ marginais de produçlo e l debilidade relativa dos restantes
sectores) tender' Inevitavelmente a reduzlr-oe a m..UO/longo prazo.
A predomln1nda de mlo-
contributo do sector pan o défice comerdal (dependência agro-alimentar que tem variado entre 14 e 17._,) e nos baixos rendimentos médios da populaçlo.
O actual padrlo de produçlo e a relaçlo oferta interna/procura alo insustentAveis no contexto do mercado comunitário, pelo que slo inevit,veis um recuo e/ou a exduslo de algumas culturas, se se mantiverem as actuais condiçOes de produçlo e de comerdalluçlo. O prevlslvel reforço da silvicultura e de alguns segmentos da agricultura nlo parece suficiente para contrariar a perda de peso do conjunto do sector primirlo. Os diferenciais de preços observados no gr'flco
testemunham bem aquela aflrmaçlo.
•• 50
•• •• 20
lO
AOAICU. T\IIA PT•• (17J88) -
Trigo rljo T•lgo rljo T Fonle:. Relalórlo do grupo de trabalho dt Ag11cultura Qulho de 19681 31, Em segundo lugar, 0 aumento do peso dos aervlço_a, emboro acompanhando o movimento observodo da média da Comurudade, nlo traduz uma composiçlo Interna compar'vel com a observada nos pafses mais desenvolvidos., na medida em que em Portugal se trata de uma evoluçlo referida a uma base tecnológica Incipiente. 32. Em tennos energ~ticos, a situação portuguesa caracterlu-se por uma elevada dependência externa (90'1fo contra 4J'Ifo da média dos palses da CEE), concentrada no petróleo (79'1fo rontta 32'1fo da CEE). O sector tem, na estrutura do VAB, um peso inferio~ ao observado na CEE, em parte devido ls diferentes estruturas produtivas e, em pa.rte, ao desnlvel observado na capitaçllo do consumo energético. 2-(375) COl'SUMO DE ENERGIA PER CAPIT A EM RELAÇÃO À CEE CEE•IOO I'U'UO" 1981 1983 1985 lndllstria 45 60 45 Transportes 51 50 46 Serviços/Util. Domést 19 20 19 Fon~ EUROSTAT, Revista 1976/1985 33. A economia portuguesa apresentli um elevado grau de inttsnçlo com a ~conomia comu.niUria, como mostram a pucentt~gem das nossas exportações absorvida por este mercado (n ._,) e a dos nossas importações com origem na CEE (63..,), situaçlo que se tem intensificado nos últimos anos. Porém, mais relevante que o grau de \ntegraçllo f o tipo de integraçlo que se estruturou nas últimas décadas e que, por lnhda, se tende a consolidar e Intensificar no futuro. A an'lise dos flwcoa de comércio entre Portugal e a Comunidade Europeia, reflectindo naturalmente as diferenças entre u respectivas estruturas produtivas, revela que o nosso padrlo dt txportaçl!es é essenc:lalmente constltuldo por produtos de consumo fmal, com uma baixa dlnlmlco de procura no mercado europeu (os têxteis • vestu!rio e calçado representam só por si mais de 1/3 das nossas exportações para a CEE) e sujeitos a forte ronrorrênda de palses terceiros. PRINCIPAIS EXPORTAÇ0ES POR11JGUESAS PARA A CEE NlMBXE PRODUTOS ._,~RT PARACEE 60 Malhas 10.3 61 Vestuúlo 8.9 6( Calçado 8.4 85 Miqulnas eléctricas 7.8 47 Pasta de papel 6.3 44 Madeira e mobililrio 4.9 84 MAquinas nlo eléctricas 4.9 62 Textels-lar 46 22 Bebidas 41 tr1 Automóveú 33 Total 63.5 34. Assegurando uma quota de 0,7.., no mercado do CEE, a nossa penetraçlo no me.rado europeu só é verdadeiramente signfficatl\•a no cuo dos produtos da cortiça (que asseguram uma quolll de mercado de 70._,) e, embora com menoa amporttnruo, no caso d~ pasta de papel e de alguns produtos têxteis. Assim, ~ nossa posiçlo no mercado de têxteis • lar (14._, do merc~do romunitlrio) revela algumas potendalldades neste segmento da indli5tna tfxtll, particularmente significativa no caso do Reino Unido, onde preenchemos 42.4' do respectivo merc~do de Importações Também no caso da pasta de papel, Portugal des~•-oe do conJunto dos países comunitários como o que tem maior quota no mercado daquele produto na CEE, denotando aliú um segmento importante da nos~ especiali.zaçlo produtiva.
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QUarAS DE MERCAOO DE PORTUGAL NA CEE -1986
NIMEXE PR0lll11'C$ ~7 .. ';' ..,:,.&;;:TM> '"~"'~';;O"" WERCADODA CEE .. ;:_.., ,.. ....... S1A ...... I ,..
" 14JI ~~ .... ::::::::: Wl ., ~ ..... ... "~ u .. 6.1 ,_....., IUJ U.. cu .. ....... .. -...,.,. 10.1111 :a8
22 ....... 3,8 .. _ 10-7 ...... ,... " Vestúrio 33 ....... ... 1 .... ~~· .. ;;.eo:~.wftkal ~7 ....... 9A ~~ .. , .. S6 u "-""""' 55 RFA 2U .. Madfttal~riD u R.Uoldo 55 RFA 7.1
... I 0.7 &,.au 13 RFA 1 ..
Forot« EUROSTAT. Coc:n4rdo &wnlo. 1981
Portugal encontra-se perante o problema da alteraçao do perfil de exportaçlo como forma de alcançar uma integtação económica mais
favorável que a actual. Com efeito, as linhas de força que se desenham no mercado mundial colocam Portugal entre a concorrência de pafses terceiros, cuja vantagem principal é o baixo custo da força de trabalho, e a
concorrência da própna CEE, que tende a reagir com a automatizaçlo e a especializaçlo em produtos de maior qualidade. O peso da Itália na produçao e exportaçlo de produtos das indústrias de vestuário e calçado ilustra bem aquele problema, precisamente em relaçlo aos produtos mais importantes da nossa estrutura de exportações.
35. As nossas importaçoes da CEE são fundamentalmente constitu(das por produtos de consumo fmal de elevado valor unitário e por factores de produçao industriais essenciais ao funcionamento do nosso aparelho produtivo.
PRINCIP AlS IMPORTAÇOES PORTUGUESAS DA CEE-1986
%IMPORT. NIMEXE PRODUTO daCEE
84 M4quinas nao eléctricas 15.9 frl Automóveis IM 85 M4quinas eléctricas 7.7 73 Ferro e aço 6.3 Zl Combustlveis e óleos u 39 Matérias pListicas 3.9 29 Produtos quim. orglnicos 2.8 90 ln5trumentos e aparelhos 2.2 41 Peles e couros 2.2 SI Têxteis sintéticos e art. 1.9
Total 61.1
Fonte: EUROSTAT, Comércio Externo, 191rl
O perfil do comércio externo entre Portugal e a CEE reflecte, em suma, uma dada articulaçao das respectivas estruturas produtivas, de tal modo que a nossa se situa nos segmentos mais a jusante da produção de bens de
consumo final, com base em tecnologias de produc;lio relativamente banalizadas.
36. O desenvolvimento do aparelho produtivo requer uma rede ordenada de infraestruturas de transportes e comunicações que em Portugal está ainda longe dos valores de referência europeu. O quadro seguinte traduz essa realidade no que refere à densidade das redes rodoviária e ferroviária.
11 SÉRIE-A- NÚMERO I
DENSIDADE DAS REDES DE TRANSPORTE
KM/IOOOhab Portugal CE_!\12l
RODOVIÁRIA 5.58 8.14 AUTO-ESTRADAS 0.01 0.08 ESTRADAS NAOONAlS 1.86 0.78 FERROVIÁRIA 0.35 0.39
Fonte:Relatório do G.T. das Grandes Infraestruturas e Orden. Territ.- Julho de 1988
As diferenças são particularmente acentuadas na rede rodoviária normal
e nas auto-estradas, embora a pequena diferença observada na rede ferroviária deva ser ponderada com a reduzida rentabilidade e, nalguns
casoo, a deficiente qualidade de algumas vias.
No ca.pftulo das t~l~comunicações., o aescimento que se tem verificado nos últimos anos ainda não foi suficiente para atingirmos os valores médios da CEE. Se se tomar como indicador da densidade da rede de telecomunicaçOes a capitaçao em postos telefónicos e de telexes fica-se com uma ideia mais clara daquela diferença.
TELECOMUNICAÇOES
37. A anilise das condições de S a Hpennça de vida l n.a.scença e a mortalidade infant11. Em relaçio ao primeiro indicador Portugal aproxima-se dos valores comunitários; em reJaç.lo à mortalidade infantil os desnfveis observados, sendo significativos têm vindo a evoluir de modo muito favorável - no infcio da década de 70 aproximaram-se dos 40%, tendo atingido em 1987 os 14,2%. INDICADORES DE NfvEL SANITÁRIO (•) ..,....'1' ...... Mortalldad .<:_Too";,~~U 1'1C1;1'\CUI - ~-.. inf•ntll tu~l~ ... - neupla.sl.u ~~~1:) Y.SC11br 11\a~S AleiNnh• 71.2 71.8 8.7 121) 210 35 ""8k> 7QJ) 76.8 9:7 105 235 21 """""" 72.9 79.7 7.7 75 22D lO LWI'nnbuf'IO 70.0 7~1 1!J ISS 2SS 21) Olnamara 71.6 715 8.2 75 245 s Fnnça 715 79.7 8.0 95 205 25 Rdno Urôdo 71.6 715 95 105 220 13 1Wio 71.4 711.1 9.8 125 195 • lrllnda 70.1 ,. 8.7 125 210 8 ~Mo 72.2 76A tU 145 160 77 72.5 78.6 9.0 145 165 28 """'ao! 70.3 77.1 1~ 265 160 n fON'TES: EUROST'AT, Estalhticas Olmog:rtfk:as, 1988 OCP~I noCon1alloCS.CEE..AniliHd.NCondi(6esde Vkb, 1988 ('") Vabu rcfctenta ~ priJnrirCII anos CS. d6cada de 80, com pequmas variaçllft de pab par11 pfs. Se se oonsiderarem. três doenças cuja incidência está correladonada com o nfvel de desenvolvimento (cardio-vasculares, neoplasias maJignas e tuberculose), condui-oe que • situaçao da saúde da populaçlo portuguesa é carade.riz.ada por uma incidência mista de doença típicas de países
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desenvolvidos e de doenças carac:terlsticas de palses em desenvolvimento. De facto, e como revelam os vaiOn!S do quadro acima representado, a taxa de mortalidade em Portugal provocada pelas doenças cardio-vasculares mais do que duplica a mediana observada na CEE. já no que se refere ls neoplasias malignas, CUJa moaenoa tem também uma correlaçlo positiva com o nível de desenvolvimento, Portugal tem um valor francamente abaixo da mediana comunitária.
38. O défice du contas do ~dor público constitui um indicador importante para aferir das diferenças entre as economias, nomeadamente porque permite avaliar o peso do Estado na vida económica.
CONTAS DO SECIOR I'ÚBUCO ADMINISTRATIVO - 1987
Délíce Corrente 1 uence ae Capital uence Total 'li. PIB 'li. PIB 'li. PIB
CEE/12 -o.s -3.6 -4.1 Bélgica -4.8 -2.4 -72 Dinamarca u -2.3 2.1 RFA!emanha 1.9 -3.6 -1.7 Gftda -5.8 -4.5 -10.3 Espanha 1.7 -5.3 -3.6 França 1.0 -3.5 -2.5 Reino Unido 0.3 -1.7 -1.4 Irlanda -5.2 -3.3 -3.5 IWla ·5.6 -4.9 -10.5 Luxemburgo 11.5 -5.9 5.6 Holanda -1.2 -3.9 -5.1 Portusai ·3.8 -4.1 -3.5
Foote: Budget Eamornique, 1988/89, junho de 1988
Como se pode ronstatar, o peso do défice global do SPA no PIB é, em Portugal, dos mais elevados das Comunidades (cerca de quatro pontos peroentuais acima da IMclia romunitária), só ultrapassado nos casos da Gl6:ia e da I~ e oemelhanle ao da Irlanda.
Contudo, enquanto que em tennoo das CXJntas amentes ocorrem diversas situaçOes de excedente, nas rontu de capital verifu:a- uma sltuaçlo generali2ada de défice, com uma amplitude de variaçlo entre os valores assumidos para os vúios palses comunitários muito mais reduzida: +11,5/-5,8% no caso das contas a>rrentes e -1,7/-5/J'll. nas oontas de capital
Pode portanto dizer-se que a maior discreplncia nos resultados das oontas públicas entre Portugal e a Comunidade ooorre nas contas correntes, em que 0 peso das outras despesas assume volores muito elevados, com particular relevo para os juros da divida pública que representaram em
1987 cerca de 25% das receitas correntes.
39. A comparaçao de Portugal com os restantes poises comunitários revela claramente as necessidades prementes de modernização da estrutura produtiva e de valorizaçlo do capital humano - o produto per capita médio na CEE é actualmente da ordem dos 14.000 ECU enquanto que em Portugal é de 1.000 ECU. O actuo! desfasamento não . poderá manter-se sendo por isso fundamental criar as condições necessárias para competir, com êxito no grande Mercado Interno Comunitário,
ultrapassando deódidarnente a situaçlo de atraso relativo em relação aos
pa1ses mais prósperos da Comunidade.
Os primohos ano. de integraçilo
40. A vali ar os primeiros anos de integraç~o de Portugal na Comunidade Europeia é, antes de mais, realçar a participação portuguesa na multifacetada vida romunitária, de uma fonna cnerente e constante.
do ponto de vista quantitativo e qualitativo.
2-(377)
A nossa presença na Comunidade, neste perlodo, tem-se p•utado pelas seguintes balizas orientadoras:
• gerir de forma rigorosa a tnnsiçJo, quer negociando complementos ao Tratado, quer maximizando os efeitos das medidas transitórias das derrogações temporárias no Acto de Adesão;
• promover as adaptaçOes tócnicas e Ieg;slativas, de forma progressiva
e segura, assimilando a ordem ju.rfdica comunitária, sem rupturas gravosas no plano interno;
• assegurar ruultados benificos, em termos politicas, económicos e financeiros, com vista a potenciar o esforço de desenvolvimento sóc:io-económico do Pais;
• assumir pa.rtidpaçJo intetvenitnte e construtiva nas grandes queat6., europeias, partilhando o projecto de união europeia e valorizando o contributo de Portugal para a Europa Comunitária.
41. Foi neste quadro de referência que participámos n• negociação do Acto Único Europeu, conclulda em 1986, o qual nao só constituiu um passo positivo para a união europeia, como também estabeleceu objectivos e prioridades que favorecem claramente Portugal, como é exemplo o principio da Coes.lo Económica e Social e as condições da realiz.açao do Mercado Interno. No mesmo contexto devem relevar-se as negociâ.ç.Oes das reformas comunitárias, na sequência do Acto Único Europeu, nas quais Portugal assumiu partiàpaçlo activa desde a sua génese até ao compromisso final, pugnando pelo aumento substancial dos Fundos Estruturais como uma das vias primaciais para realiz.ar o refor~ da Coeslo Económica e Social, a defesa de uma soluçlo especifica para a nossa agricultura no quadro da reforma da Polftica Agrlcola Comum, o aumento dos recursos próprios compatfvel com os objectivos do Acto Único e o novo sistema de fmilndamento mais ajustado à prosperidade relativa dos Estados membros.
Neste perlodo pode úiJlllar-se com segurança que, do ponto do vista económico, os resultados estiveram acima das expect..tivas: os fundos estruturais foram aproveitados de forma racional, com elevada expressão
quantitativa e também lndices qualitativos muito altos e com taxas de utilizaçlo próximas do miximo possfvel; o saldo dos fluxos financeiros é significativo e exibe uma tendência para crescer; o investimento multiplicou-se; a actividade ciêntifica e técnica colheu em incentivos e apoios.
No domlnio das trocaa comerciais prosseguiu-se no sentido de conseguir alargar as nossas oportunidades nos mercados externos, seja pela mnquist.. de novas vantagens no acesso aos mercados, com realce para o extraordinilrio incremento das trocas entre Portugal e Espanha, seja pela defesa da preferência comunitúia em domínios sens!veis como o sector têxtil.
42 As relaçõe-s externas da Comunidade merereram particular atençlo, nlo só por constituirmos uma economia aberta de grande tradiçlo no comércio externo, mas também pelas ligações preferenciais que nos unem a muitas zonas do mundo.
Temos assumido, neste plano, uma atitude de abertura, na consciência de que a Comunidade nlo deve fechar-se sobre o seu próprio projecto e deve encontrar, à escala mundial, o seu espac;n de afirmação e sucesso. Os acordos preferenciais com a Convenção de Lomé (de que são parte os poises ahicanos de expressão portuguesa) e a América Laíina, e o diálogo e oooperaçao com Estados do EFTA, o contenàoso comercial com os EUA e o ja~o, as negociações com os Palses Mediterr1nicos e do Golfo concitaram as nossas atenções e, em todos esses domínios, demos CJX1tributo activo e construtivo.
Deve ser feita referência espeàol ls negociações do •uruguay Round" no lmbito do GATT, nas quais como parceiro comunitário temos assumido posiçlo favorável à criação de condições que alarguem as oportunidades
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do comércio intemadonal, na convicçJo de que isso contribuirá para a expans3o da actividade económica em geral. Mas nllo deixAmos de nos guiar pela defesa intransigente dos pontos que apresentam para nós vulnerabilidades especificas, como é o caso dos têxteis e dos serviços.
43. Com a aprovaçlo das Rtformas Comunlt~rlas, na sequência do Acto Único Europeu, depois de ano e meio de negociaçOes, para o que foi indispensavel o compromlsso alcançado na Cimeira de Bruxelas de Fevereiro de 1988, deram-se passos fundamentais no sentido da viabiliz.aç3.o do reforço da Coedo Económica t Social. A Comunidade criou condições para, num horizonte de médio prazo, reforçar a coesão interna, num contexto financeiro comunitário seguro e estável que lhe possibilita responder às exigências dos objectivos do Acto Único Europeu e assim readquirir o seu papelinsubstitulvei no contexto mundial. Com efeito, consagrou-se um sistema de financiamento que proporcionará recursos estiveis e suficientes para o saneamento das finanças comunitárias, para o desenvolvimento de novas políticas e para o reforço da acção dos fundos estruturais e, ao mesmo tempo, corrige-se quase totalmente a inequidade do sistema de financiamento; foi concretizada a reforma dos fundos estruturais, duplicando até 1993 (para Portugal 1992) as verbas a eu:$ consignadas, concentrando (geográfica e financeiramente) a sua actuac;lo nas zonas mais desfavorecidas e consagrando toda uma nova metodologia para a sua actuaça.o; procedeu·se à reforma da PAC, nomeadamente, no sentido de controlar o crescimento da produc;ao agrCcola comunitária e estruturalmente excedentária e ao mesmo tempo controlar o aesdmento acelerado e incontrolado das despesas agrícolas; reforçou-se a disciplina orçamental estendendo-a a todas as categorias de despesas ( obrigatórias e nlo obrigatórias). Com estas reformas Portugal obteve a reduçio da tua partidpaçio no financiamento comunitúio (reduçlo que atingirA entre 120 a 125 MECU em 1992), a dupUcaç&o até 1992 dos fundos estruturalt, assim como uma flexlbillzaçio dos tipos de actuaçlo passiveis, de acordo com as nossas necessidades, e um aumento das taxas de compartlcipaçlo comunitária, possibilitando a absorçlo dos cerca de 1 100 milMet de contos de que se disporá até 1992. Conseguiu-se também a atrlbuiçlo de uma linha especifica para o PEDIP no valor de 100 MECU I ano a adicionar como financiamento a mais 300 MECU/ano proveniente• dos fundos estruturais, do BEl e do NIC, a reduç&o a 30'llí da partldpaçio de Portugal no escoamento dos stocks agricolas acumulados no ano pUYdo, a limitaçlo da participaçAo portuguesa no Reembolso ao Reino Unido. O reconhecimento da especi/lcidade da agricultura portuguesa (alargando os prazos de translçllo, reforçando os apoios l modemlzaçlo, ajustando a aplicaçllo das disciplinas comunitárias de produç~o no decuno da segunda etapa à referida especiAddade e possibilitando o recurso ao mecanismo do "set-aside" numa base voluntAria até 1996) foi também consagrado na Cimeira.
O Mercado Interno
Objectioos
44 As alteraçOes do contexto interno e externo da economia europeia, ocorridas nos \Utimos anos, especialmente devido às mutações tecnológicas, à emergência da concorrência dos novos países industrializados e ao declineo relativo da Europa em funçlo de outras grandes potências., fizeram renascer a ideia das virtualidades do grande Merado Interno.
Reunido um novo empenhamento poUtico em torno do aprofundamento do fenómeno de integrac;a.o, o Mercado Interno surge como uma das peças fundamentais do Ado Único Europeu, nlo tanto porque introduza alguma inovaçao conceptual significativa mas porque define um horizonte temporal bem determinado para a sua realização, consagra os instrumentos necessários a esse fim e, sobretudo .. constitui um objectivo mobilizador ~ a reallzaçAo de um espaço se.m fronteiras até 1992.
11 SÉRIE-A- NÚMERO I
Os objectivos da reallzaç3o do Mercado Interno s~o essencialmente os
seguintes:
• unificar os doze mercados nadonais para os tTansfo,rmar num mercado úníco sem fronteiras;
• transformar esse grande espaço nurn mercado em expans1o, din1mico e flexível, que permita a utilização optimizada de todos os recursos;
• aproveitar as virtualidades de um grande mercado como factor de desenvolvimento, relançando a economia europeia e criando novas oportunidades de emprego.
45. A realização do Mercado Interno nlo é, pois, um conceito meramente abstracto mas um processo de desenvolvimento que lerá consequências tangíveis para o quotidiano do ádadao comunitário e a eli.minaçlo das barreiras técnicas, ffsicas e fiscais, será um instrumento, um meio de criar um clima mais favorável para o relançamento económico e para a afectação efidente dos recursos colectivos. Mas, para que o mercado único constitua um autêntico espaço sem fronteiras há que empreender um vasto conjunto de acções positivas, em domfnios tao diversos como a Europa dos Odadlos, o reforço das bases cientificas e tecnológicas da Comunidade, a criaçlo de um espaço social europeu, o ambiente, o Sistema Monetário Europeu, a Coeslo Económica e Social.
O Mercado Interno apresenta evidentes virtualidades, quer do ponto de vista do interesse comunitário, quer do ponto de vista nadonaJ, mas nlo ~ isento de riscos, particularmente para os sectores que revelam maior vulnerabilidade.
Nlo se ilude, de facto, que a realizaçlo do Mercado Interno - sendo objectivo inquestionável na caminhada para a unilo europeia • vai envolver um considerável esforço de adaptaçlo às estruturas administrativas e às economias de todos os Estados membros. mas com especial impacte nos Estados de estruturas e economias mais débeis. Por isso, o artigo s• C do Acto Único, tomando em devida consideraçlo estas preocupações, _permite a aplicaçlo de medidas transitórias ou derrogatórias especialmente definidas para os Estado membros que enfrentem particulares dificuldades. Portugal nlo deve ter neste domfnio uma estratégia meramente defensiva. Dotado de um reduzfdo mercado nadonal, medianamente industrializado, tendo fronteira com um único Estado membro, tem todo o interesse e vantagem em ganhar acesso a um amplo mercado unificado.
E tendo em conta as nossas caracterlstlcas, Portugal defende uma evoluçlo harmónica e progressiva do Mercado Interno, evitando descontinuidades e assimetrias de tratamento entre os diversos domfnios em questao. O Mercado Interno deverá assim resultar num compromisso final equilibrado que traduza os objectivos consagrados no Acto Único Europeu, e nlo apenas pardalmente os interesses pontuais de alguns Estados membros.
Dfnlmica comunitdrio •11 1992
46. A realizaçlo do Mercado Interno Comunitário representa tanto um estfmulo como um desafio à capacidade de ajustamento das estruturas produtivas comunitárias.
Por um lado, a unüicac;lo de doze mercados que se encontravam fragmentados tende a alterar a percepçlo do espaço comunitário por parte dos diferentes actores económicos e, por consequência, a alterar a sua atitude perante as trocas com os restantes Estados membros.
Como consequência tende a produzir-se uma aescente globalização das respectivas estratégias concorrenóais.
Por outro lado, o abater das barreiras nlo aduaneiras vai permitir n:llo só uma redução imediata de custos como também vai pote.ndar economjas
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19 DE OUTUBRO DE 19gg
de escala e efeitos de aprendiZagem através do reforço das trocas intracomunltM!as em mercados antes protegidos.
Isto é, as estruturas produtivas serlo ch.tmadas a antecipar ou a responder,
por um lado, l lntensifiaçlo da concorrência resultante quer da abertura em cada um de merc.tdos nacionais, até agora parcialmente isolados, quer da alteraçlo dos quadros mentais e, por consequência, das estratégias concorrenciais dos diferentes actores; e por outro, a posicionarem-se face
aos efeitos de concentraçao e de reordenamento sectorial decorrentes das economias de escala potenciais.
A economia comunitiria, encarada no seu todo, tomar-se-i mais eficaz, libertando recursos, que na presença de adequadas politicas
macroeconómlcas, permltirlo relançar um processo de expanslo
sustentada. Todavia, o Impacte sectorial e espacial tende 1 ser diferenciado.
47. O Impacte sectorial tende a variar em funçlo, por um lado, das economlu de escala e dos efeitos de aprendizagem Induzidos pela ellminaçlo das barreiras nlo aduaneiras e, por outro, pela maior ou menor possibilidade de diferenciaçlo do produto:
• nos sectores em que as posslbUldades de diferenciaçlo do produto slo reduzidas, e em que os limiares crfticos das despesas de lnvestlgaçlo e desenvolvimento slo elevados e a dimenslo da quota de mercado determina a dlmenslo das economias de escala e do efeito de aprendizagem, a realizaçlo do Mercado Interno tender! a
determinar uma maior concentraçlo da produçlo e, por consequência, grandes dificuldades de ajustamento das empresas que têm sobrevivido a coberto das barreiras nlo aduaneiras que ainda subsistem;
• nos sectores em que há uma grande procura de dlierenciaçlo da produçlo, fornecendo um gr~nde nl1mero de nichos, e em que coexistem diferentes tecnologias e predominam as pequenas e médias empresas, a realizaçlo do Mercado Interno nlo se tarA sentir tanto pela via dos custos (isto é, economias de escala) mas mais, e sobretudo, pelo alargamento dos nichos de mercado subsequente a uma maior
cobertura espacial;
• nos sectores em que a tecnologia e o produto slo uniformes e acess!vels aos concorrentes de palses terceiros, nomeadamente aos
novos pa!ses industrializados, e que já. se debatem com reduzidas margens de exploraçlo e subutilizaçlo da capacidade produtiva
Instalada ( casos das lndl1strias sldenlrgica e naval), a realizaçlo do Mercado Interno tenderA a acentuar oo problemas das empresas que
têm sobrevivido protegidas da concorrência !ntracomunitArla ou de palses terceiros através de barreiras nlo aduaneiras (por exemplo,
através do condicionamento da concorrência lntracomunit!ria, no caso doo mercados públicos, ou de obot!culoo t4cnlros l abordagem Integrada do mercado comunitlrlo por parte de concorrentes oriundos
de palses terceiros);
• por último, nos sectores em que ponderam factores loc~s ou regionais na determinaçlo do padrlo da procura e em que slo múltiplas as diferenciações de produto e as economias de escala e os
custos de entrada e nlda slo baixos, tender .i a ser reduzido o impacto do Mercado Interno sobre o respectivo tecido empresarial, constituido
sobretudo por pequenas empresas.
48. O Impacte da realizaçlo do Mercado Interno sobre um dado
espaço vai depender da estrutura sectorial ai Implantada e das estratégias prosseguidos pelos respectivos actores, empresariais e públicos, da evoluçlo dos preços relativos dos factores de produçlo e das estratégias de desloc:alizaçlo dos actores situados noutros espaços ou em poises terceiros.
A Importância da estrutura sectorial é compreensivel se se tiver em conta que nem todos os sectores revelam a mesma sensibilidade à globalizaçlo
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da concorrência e às economias de escala que resultam da reali.Zaçlo do mercado ilnlco.
Tendencialmente, poderemos diZer que é poss!vel distinguir entre os espaços onde predominam sectores sensivels às economias de escala e aos
efeitos de aprendizagem e espaços onde predominam sectores pouco sensh·els l escala de produçlo e ao eleito de aprendiugem:
• no primeiro tipo de espaços, a realizaçlo do Mercado Interno
representad uma grande oportunidade para as respectivas empresas aumentarem de dlmenslo, controlando o mercado comunitário e a
partir dai atacarem o mercado dos palses terceiros • risco na medida
em que a posiçlo competitiva ou a estratégia das empresas nlo permitam compensar as perdas result.tntes do agrovamento da concorrência nos sectores tradicionais ou fazer face ao próprio procesoo de concentraçlo no Interior do respectivo sector;
• no segundo tipo de npaços, a realizaçlo do Mercado Interno permitirA sobretudo ls emp-.. uma melhor exploraçlo de nichos de
mercado numa abordagem mais vasta • envolvert todavia o risco, eventualmente nlo compensado, do deo&paredmento das empresas
menoe eficientes situada& em sectores sensíveis ls economias de escala libertas pelo aumento da dimenslo do mercado, e em particular, aquelaa que viveram a coberto da preferência nacional dos compradorw pl1bUcoa.
49. No entanto, a sensibilidade da estrutura sectorial ~ realizaçlo do
mercado ilnlco nlo esgota a questlo do Impacte espacial do Mercado Interno. Ht que entrar em conta com as estratégias das empresas e da admlnistraçlo pllblica face aos desalias do Mercado Interno. Trata-se, em primeiro lugar, de saber que uso farlo as empresas das vantagens sectoriais e empresariais de que dl.spOem l partida.
A perspectiva da realizaçlo do Mercado Interno desencadeou j.i, em determinados Estados membros e em determinados sectores, reposidonamentos estratégicos, quer pela via do reoe.ntrar e racionalizar da actividade prosseguida, quer pela via da potenclaçlo da escala de produçlo ( lncorporaçlo de outras empresas ou alargamento da cobertura geográfica).
Para fazerem face t alteraçlo da envolvente Induzida pela reallzaçlo do Mercado Interno, as empresas precisam de flexibilidade estratégica, capacidade operacional e uma e outra requerem competênoa profissional. Isto é, o ajustamento ser! tanto mais vantajoso quanto, por um lado, maJs
r.ipidas se revelarem, ao nivel dos quadros dirigentes, as alteroçOes das estruturas mentais, nomeadamente quanto à definiçlo do espaço de
lnserçlo das respectivas empresas, as exigências de profissionalizaçlo e aumento de competência no domlnio da gestllo; e, por outro lado, quanto maior for a Identidade dos objectivos, a efiáda. a lnovaçlo e a capacidade de reacçlo das equipas operacionais de cada empresa.
Trata-se, em segundo lugar, de saber qual a atitude das autoridade> p~biicas de cada Estado membro face ls implicar;Oes da realizaçlo do Mercado Interno.
A formulaçlo de estratégias empresariais depende, de forma critica, da
capacidade dos actores po.ra se aperceberem da alteraçlo da sua envolvente, da disponibilidade de recursos humanos para as levar 1
prAtica e da existência de um quadro material e regulamentar coerent~ a>m eosu mesmas estratégias. No caso da realizaçlo do mercado 11nico, a adaptaçlo eatratégica vai depender essencialmente das medidas adoptadas durante o perfodo que decorre até 1992 no que respeita à dlfuslo da lnformaçlo, t preparaçlo de quadros empresariais e administrath•os, l formaçlo de mio-de-obra qualificada e l aproxlmaçlo flsica e mental que,
entretanto, se opere entre a populaçlo portuguesa e o núcleo central do grande mercado ilnlco. O que significa que vai depender também do
ajustamento da oferta de serviços p11bllcos aos desafios que se colocam à estrutura produtiva.
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Con~qulncitts P'"' t1 economia portugutu
50. No que respeita l economia portuguesa, a realizaçlo do Mercado Interno representa um grande desafio que se cruza com dois outros: a necessidade de ajustar a agricultura portuguesa aos condicionalismos que resultem da reforma da PAC e de ajustar o sector transformador e de serviços a um maior desarmamento perante países terceiros, em consequência das negociações do Uruguay Round.
A refOUDa da PoHtica Agrícola Comum vem aumentar a pressão sobre as
condições de produçAo do sector agrfcola, tomando urgente o aumento da produtividade e, portanto, a desloc:açAo de parte da respectiva populaçao
activa para outros sectores.
Por seu lado, a tendência que se regista no quadro das negociações comerciais multilaterais aponta para um maior desa.rmamento briUrio e
para a eliminaçao das restrições quantitativas às importações dos países menos: desenvolvidos, com o consequente aumento da tensJ.o concorrencial no mercado comunit-Mio de produtos tradicionais.
51. No que toc:a à indústria translormadora, a realizaçao do Mercado Interno tenderá, por um lado, a reduzir os tuStos decorre.ntes da
dist1ncia relativamente aos principais mercados consumidores e a abater
as barreiras nlo aduaneiras que afectam os principais sectores exportadores; e, por outro, a aumentar a concorrência no Mercado Interno. As empresas instaladas em território português aumentaria a sua competitividade externa em funçlo da reduçao da perificidade do
território português e do desaparecimento de limltaçiles quantitativas, ou outras, ao aumento da taxa de penetraçAo doo produtos portugueses no mercado comunitúio.
Para o sector exportador, a realizaçl.o do Mercado Interno representa um desafio e uma oportunidade de elevaçao de qualidade, quer atravês da deslocação para segmentos de mercados mais vantajosos em termos de valor acrescentado por activo, quer atra~ da plena exploraçAo de alguns nichos de mercado onde já opera.
Trata-se de um resultado que vai depender de duas ordens de circunst1nàas:
• por um lado, dependerá da interao;ao que se estabeleça no quadro do mercado único entre os produtores e as redes de distribuiçao;
• por outro, da flexibilidade de estratégia das empresas e da disponibilidade de recursos humanos para as pôr em prática.
Nos sectores onde os circuitos de distribuiçao romandam o mercado e, por essa via, a produção, uma resultante favorável deste jogo de forças supõe que os produtores se equipem humana e tecnológica.mente de forma a lançar mAo da valorização do produto pela via da diferenciação dos produtos.
52 O mercado português passará a fazer parte integrante do grande mercado comunitário e, portanto, passa a estar sujeito a uma press1o acrescida das empresas instalada~ nos restantes Estados membros ou em paises terceiros, o que representará uma ameaça para as empresas nacionais cuja sobrevivênda assentou na fragmentaçlo dos mercados.
Assim, estao particularmente em causa:
• por um lado,. as empresas dependentes dos mercados públicos, produtoras de bens que nao têm de ser fornecidos no loc:al e instaladas em sectores em que é baixa a taxa média de utilizaçao da capacidade produtiva;
• e, por outro, as empresas pnxlutora.s de bens de consumo menos eficientes e voltadas para o Mercado Interno, e dependentes de um circuito de distribuiçlo que privilegiava os pequenos volumes e as particularidades na espedficaçilo do produto.
II SÉRIE-A- NÚMERO I
Neste último caso, poder-se-A assistir l aescente lntegraçAo do mercado nacional na estratégia empresarial das empresas, até agora. predominan-temente exportadoras.
Paralelamente aos efeitos directos do Mercado Interno sobre a estrutura
produtiva instalada, é de admitir que a referida mutaçlo dos circuitos de disbibuiçlo no sentido de uma maior concentraçlo favoreç& os produtores e, portanto, a instalaçlo de novas unidades produtivas nos espaços mais competitivos em termos de custos, e que uma parte dessa relocalização se faça no interior da Comunidade a favor da.s regiões menos desenvolvidas, entre as quais Portugal se inclui
CAPfruLom
ENQUADRAMENTO MACRO.ECONÓMICO
Economia lnlenucional
fvoluçlo Recente
53. O espaço económico internacional em que a economia portuguesa se insere vem revelando taxas de Cftscimento estJveis e moderadas, sendo a situaç.lo actual melhor do que aquela que se esperava após a crise bolsista de Outubro de 1987. De facto, a fim de controlar efeitos
potenciais de recessão da aise,. as autoridades económicas das principais economias afrouxa.rarn as suas poUticas monetárias, o que contribuiu para uma evoluçlo econónúca mais rápida do que a esperada ao mesmo tempo que tornaria principal preocupaçlo do momento alguns ind[cios de tensões inflaccionistas.
54. Os desequUibrios tstruturais que, por veus, foram apontados como alguns dos factores da aise bolsista. • défices corrente e orçamental norte-americano e excedentes correntes japonês e alemlo · denotam algwu atenu.açao.
No entanto, a correcçllo mais rApida do que se contava do dHice comercial
norte---amuicano, veio conduzir a uma invuslo da tendência descendente da divisa norte-americana. Depois de o dólar ter atingido valores abaixo doo 1.60 OM no inicio do conente ano, as estaUstic:as do comércio externo americano ao apontarem para uma recuperaçlo mais rápida favoreceram a apreciação do dólar, o qual chegou a ultrapassar os 1.90 OM em Agosto último. A apredaçao do dólar nilo é alheia a um relativo aperto na politica monetAria americana, destinado a tentar controlar indlcios de tensões inflaccionistu na respectiva economia, e que vem conduzindo a um aumento nu taxas de juro. Esses indlcios resultam quer do próprio ritmo de actividade eamómica (associado a elevados ritmos de crescimento da procura interna e a níveis de utilizaçAo da capacidade produtiva e de taxa de desemprego considerados baixos), quer de aumentos de preçoo agrícolas provocados por m~s colheitas derivadas de condit;Oe:s climatéricas adversas.
Estas evoluções vêm propiciando uma forte volatilidade aombial a nlvel do sistema bancário intemadonal, e que também se traduzem em tensões no Sistema MonetArio Europeu.
55. O serviço da dfvida externa dos países em vias de desenvolvimento altamente endividados continua a constituir uma preocupaçlo para o sistema financeiro internacional, embora em proporções mais controiAveis.
De facto, a banca internacional tem vindo a constituir reservas para faur face a eventuais situações de insolv~cia, bem como levar a perdas, em termos contabillsticos, parte da divida. Estas vias associadas a operações de reescalonamento têm contribufdo para minorar potenciais situações delicadas para o sistema financeiro internacional derivadas de eventuais situações de insolvência formal que porventura viessem a ser declaradas.
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19 OE OUTUBRO DE 1988
No entanto, embora na perspectiva da banca internacional a situaçlo
possa estar controlada, na perspectiva do sistema económico internacional, designadamente em termos de desenvolvimento dos países devedores e de assegurar fluxos de comércio a situação permanece delicada. De facto, se n.lo se criam condiç!les de financiamento (nomeadamente fluxos Uquidos adicionais de capital) As economias em
causa, viabilizando o respectivo crescimento, nlo é de afastar a hipótese de potenciais sltuaQ)es regionais graves de ruptura social e de reforço das pressi!es proteccionistas, as quais interferiria com o comércio mundial e conjugar-se-lo com as demais tensões.
56. A CEE, os Estados Unidos e o Japlo vêm revelando ritmos de crescimento económico diferenciados, sendo a economia comunitária a
que vem apresentando taxas de crescimento mais baixas.
O aumento das taxas de juro na economia americana, contribuindo para a apreciação do dólar, levantou preocupações de inflaçio (importada) na economia aleml, o que conduziu também a uma reacçlo de aumento das
taxas de juro nas principais economias comunitárias. No entanto .. a Comunidade vem vivendo com um valor médio de inflac;lo historicamente baixo, ligeiramente acima dos 3%1 enquanto que na economia nort~americana o nfvel se situa nos 4 ~ ( com tendência para um ligeiro aumento).
Em termos de desemprego, a situação comparada entre a Comunidade e os Estados Unidos é bastante diferente: na CEB a taxa de desemprego deverá
rondar o nivel médio anual, em 1988, de 11% enquanto que nos Estados
Unidos se situará nos 5,5%.
ESTIMATIVAS E PREVISOES MACROECONÓMICAS
~B,nn volume
CEE 2.6 2.6 :u USA 2.9 3.1 19
JAPAO .., .. 3.S
NFLAÇAO CEE 3.3 3.2 33 USA 4.0 4.0 5Jl JAPAO .... 2.0 u B. TRANSAC<;OoS CIORRENTES !un S do I'UI) CEE 1.0 o.6 ll.) USA ""' .:).0 .... JAPAO 3.6 2.9 u DESEMPREGO CEE 11.7 113 11.1 USA 6.2 S.5 S.1 /APAO :z.a 2.6 :z.a Ptrspectiv11s 57. As perspectivas de evolução da economia internacional apontam para uma ligeira desac:eleraçio do ritmo de CftSCimento no curto prazo. O recente aperto relativo nas poUticas monetárias., destinado a contrariar os indícios de pressOes inflaccionistas, mais confirma as perspectivas de ligeiro abrandamento que já eram esperados. 58. Uma das principais incertezas em termos de perspectivas, quer no curto quer no mé A recente inflexa:o do decUnio do dólar vem contrariar a correcçlo do défice romerdal norte--americano. Dado que, adióonalmente, a economia 2-(381) americana passou duma posiçlo credora para uma posição devedora, o serviço da divida começari a pesar nas suas contas externas. A prevalecerem os factores de correcçlo dos desequilibrios estruturais, o dów deverá depreciar-se no médio prazo face As restantes principais moedas do sistema financeiro intemaàonal. Contudo, nlo é de afastar a hipótese de surgirem periodos de recuperação da divisa norte-americana suscitados pelo seu papel de principal moeda de comércio internacional, motivados quer por diferenciais de taxa de juro compensadores, quer por ritmos de correcçlo do desequiUbrio corrente mais rápidos do que o previsto, quer ainda por a economia norte Americana revelar ritmos de crescimento superiores às outras zonas romerdais. A próxima administraçl.o americana, caso prossiga um programa de correcçlo do défice orçamental, poderá suster uma eventual tendência de decUnio da divisa americana. Todo este conjunto de incertezas contribuirá provavelmente para uma volatillobcle c:amb!aJ porventura superior àquela em que ternos vivido. 59. A tentativa de minorar a volatiliobde cambial irá compeUndo a tentativas de aCQto concertada nos mercadoo monetário-cambiais por parle das autoriobdes moneblrias das principais economias. A Comunidade corre, no entanto, o risco de, para defesa da cotação das suas moedas . em particular a do marco alemlo - vir a prosseguir politicas monetir ias relatlnmente prudenta que, combinadas com políticas fiscais de idêntica lndole, venham a impUcar ritmos de crescimento económico mais lentos do que os de outras zonas económicas e que, portanto, ni!o contribuilõ!o para enfrentar o problema do alto nível de desemprego. 60. As condições dos mercados petrollferos e em particular os potenciais desenvolvimentos do ronflito lrl~lraque e seus reflexos no cartel OPEP n.lo perspectivam contextos de crescimentos sustentados do preço de energia. Tal constitui um potencial elemento positivo em termos de inflaçlo e de crescimento a nível internacional. 61. As recentes condiQ)es climatéricas adversas que afectaram as produQ)es agr!oolas, em particular na economia norte-americana, poderi!o ter um deito de paragem no desmantelamento de s ubsídios e outras medidu protecdonietas ao sedar, as quais têm vindo a originar excedentes de produçlo - com níveis significativos de stocks nos Estados Unidos e na Comunidade - e interferências nas potencialidades de produção de países menos desenvolvidos. Caso se verifique esse efeito de paragem e nlo se repitam as condiçOes climatéricas adversas .. corre-se o risco de se agravarem no curto e médio prazo as condições de sobreprodução agrícola nalgumas economias. 62. Um aspecto relevante nas perspectivas a médio prazo silo os riscos de aumento da.s tensões nas trocas comerciais, propiciando um aumento do proteccioni.lmo e afectando negativamente o comércio mundial e o pr6prio ritmo de crescimento económico. A recente "trade bill" norte-americ:ana é um dos elementos potenciais desse aumento de tensões; a gradual realização das condições do Mercado Interno Comunitúio poderA, também, conduzir a reacQ)es de protecção por parte de outras zonas económicas, caso os eventuais conflitos nlo sejam resolvidos ao nlvel politico-diplomático; os problemas de financiamento dos palses altamente endividados constituem também facton!S de reforço do proteccionismo. 63. Estas perspectivas nefl.ectir-se-lo necessáriamente na evolução da economia portuguesa. De facto, o seu crescimento será condicionado pelo dinamismo das economias internaóonal e oomun.itária, que interferem di.re<:tamente no
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ritmo de expansão dos seus mercados de exportação. Por outro lado, a volatilidade cambial e em particular, os surtos de apreciaçlo do dólar, afectarl.o negativamente as aquisit;Oes de energia e de bens alimentares, podendo, inclusivé, conduzir a situaçOes de perda de termos de troca. Um
outro aspecto é o da manipulaçlo das taxas de Juro como um dos instrumentos principais para assegurar estabilidade cambial por parte das grandes economias, que interferirá naturalmente na eficácia da politica
monetária e se reflectirá nos custos do serviço da divida externa. Finalmente, o reforço das pressOes protecdonlstas e das correspondentes tensOes comerciais entre grandes zonas de comércio, prejudicando a diversiflcaçlo do nosso relacionamento com palses terceiros, mais reforçará o aprofundamento da integraçlo portuguesa no contexto
comunitário.
Em suma, as perspectivas a médio prazo do quadro envolvente da economia portuguesa correspondem a um acréscimo dos factores de incerteza e do ritmo a que se processa a respectiva interacçlo. No entanto, quer no curto, quer no midio prazo estes factores de incerteza nlo afectarlo a elevada probabilidade de Economia Nacional E:voluçlo Reconte 64. A economia portuguesa revelou, nos 11ltimos três anos, resultados multo positivos ao n!vel das principais variáveis macroeconómicas. O clima de estabilidade polltica potenciou uma nova atitude de optimismo e confiança por parte dos diferentes agentes económicos. Por outro lado, um padrão de politica coerente e adequado, permitiu a concretização de objectivos ambiciosos e indispensáveis ao crescimento sustentado da economia portuguesa e à sua modernização. A dinlmica imprimida pela adesão àS Comunidades, conjugada com uma envolvente externa favorável influenciou adicionalmente a evoluçlo da si tuaç:lo económica. Foi possível, assim, conseguir, em simultâneo, um aescimento senslvel e constante d o produto, do investimento, dos salários reais, da produtividade, da capaàdade de aum.fmanciamento das empresas e das reservas cambiais e, ao mesmo tempo, reduzir significativamente a inflação, o desemprego, o ritmo de desvalorização do escudo e, o peso (no PIB) da divida externa, e do défice orçamental, mantendo uma situação conrroiada e favorável ao nível da balança de pagamentos. 65. A persistência do desajustamento entre a produçio Interna e a procura, associada à subida das taxas de juro nos mercados financeiros internacionais, à subida dos preços de algumas matérias primas, à recente apreciação do dólar e à ocorrência de um mau ano agrlcola em 1988, poderio todavia repercutir-se negativamente sobre a evolução de algumas variáveis macroeconómicas, nomeadamente na inflaçlo cuja desaceleração se vem processando de forma mais lenta e nas contas externas, que, no entanto, nlo se afastarlo sJgnificativamente duma situação de equillbrio em finais de 1988. 66. Depois de atingidos os objectivos do acordo de estabilização com o Fundo Monetário Internacional em 1983/84, a economia portuguesa encetou um processo de recuperação que lhe permitiu um crescimento económico superior a 4~ ao ano desde 1986. Inflectindo a situação verificada anteriormente, a partir de 1986 a procura interna apresentou um acentuado aescimento médio da ordem dos 8,5'10/ano, constituindo, pelo seu peso relativo, o principal factor de crescimento da economia. A procura externa continuou a evoluir favoravelmente, no perlodo de 1986/88, reflectindo ganhos de quotas de mercado, dado que as exportações, ao registarem acréscimos médios de 8'10/ ano superaram a procura potenciai dos principais mercados. II SÉRIE- A - NÚMERO 1 O acentuado ritmo de cres<:imento da procura interna, especialmente notável no caso do investimento (cerca de 14'10 em termos médios desde 1986, mais do que recuperando da acentuada queda registada entre 1983 e 1985), associado à integraçlo nas Comunidades Europeias, implicou um significativo aumento do grau de abertura da economia e um maior conteúdo importado da procura, que se traduziu na aceleração do crescimento das importações de bens e serviços (de cerca de 4'10 em 1985, terá atingido cerca de 25'10 em J98n. A esperada redução do conteúdo importado da procura indiciam agora uma menor taxa de crescimento das importaçoes. Este comportamento poderá reOectir-se, já em 1988, numa evolução do saldo da balança comercial, menos desfavorável, dado que, cumulativamente, as exportações continuam a apresentar um comportamento bastante positivo. Os ganhos de termos de troca, especialmente acentuados em 1986, a ocorrência de bons resultados no sector do turismo, o bom nivel atingido pelas remessas de emigrantes e as entradas de fundos provenientes das Comunidades Europeias possibilitaram que as contas externas se tenham apresmudo excedenthlas . A eventualidade de manutenção da apreciação do dólar, ocorrida em meados de 1988, poderá implicar uma deterioração dos termos de troca, embora a balança de transat;Oes amentes se deva situar próximo do equillbrio com um ligeiro superavit.
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BALANÇA DE TRANSACÇ0ES CORRENTEs
RENDIMENTOS OE CAPITAIS
TRANSFE"R2NCIAS UNILATERAIS ~Privadu
Tnnsfe
BALANÇA OE TRANSACÇOES CORRENTES (~PIB)
FONTE: & nro de Portugal, Dcpartalnellto Central de l'lane...,.,to.
PRINCIPAIS INDICADORES MACROECONÓMICOS
Procura lnte."'a Consumo pnvodo ronn..;to bNUI de ap:uJ fixo ~debonoe~lm debeNe~ PJ Bpm
~-d•t~c:orrM\tet C"doPIBl
Divido ex"""" Ct. PIIJ)
ennot d il UOCII U'ol de dznbto efettava
(ndD de prec;oa no consumidor Com babtuçto
Emp
o..mpreso: Sent~ lato Sentido ,.rito
Rtndlrnento d ltpoNvel do. pardcularu ~Lirlo1
Poupança
~-ctivot Uquid01 na pOMe do pUblko MI· p.tito _,..11 tcOnOaU.
~de-do SPA '"doPIBJ
~c:orren.•ctuco&Uado SPA (~ do PIB)
(A) IIaJo t\t)COP"a8S ftl:!' -{d) jaMo (t)OED
(f) MlNMrio da• Flftançu
uadev em"""""' 0.8 8.1 9.9 1.2 6.8 '-8 ·1.3 94 195 113 74 10-2 3.9 115 ZU 35 45 4.8
MilhO. de d6i.uea
""' 1150 ... 0.1) (3.9] 0.8) 16612 "lO! 183&0 (1U) " 85 7.1 Taxa de c::rudmftll:o real 2.2 u S.9 1.8 55 J.5 Em ft do rendimuto disponivcl 285 ,.;.o 24.9 ....... noau 21~ 22.2 14.0 28.4 lS.I 12.3 20.0 13.4 10~ -419.2 431.9 S!S.1 (10.9) (9,0) (&5) ,.;s.s 169.2 196.9 (75) (3.9) (3.8) " 5.0 1:1.0 &.o 12.5 4,0 100 0.3 1&937(8,) J9.81ol .0.7 -3-S(b) &J5(0 15 7.3Cc) 6.t (d 2.2 u 22.9 lU(d) IS.S(d) 10.1(d} SIS,I(e) (8.8) 248.1(e) (UI Fonte &nco de Portupl. ~rUDM!fUO CenlnJ de ~to. lnJtituto Nadonal de üta:úticl Pn-sptctivRs 67. O cen,do macro-econ6mlco para 1992 toma em consideraç!o, por um lado, a vulnerabilidade da nossa economia face à envolvente externa e as principais deficiências estruturais e, por outro, os objectivos de crescimento e de absorçlo dos meios financeiros postos à disposiç!o do Pais pelas Comunidades Europeias A politica mac:roeconómlca para 1989·92 ser.!. assim determinada fundamentalmente pelas duas seguintes finalidades: • Acelerar o ritmo de modernizaçJo dil Konomi.a e sociedade portuguesas, 0 que exigir' um esforço adicional de investimento em ~'--------------------------------------------- 2-(383). capital f!sico (produtivo e infraestruturas) e em capttal humano e conaetizad progresstvamente o processo de convrrgfncia .real com os n!Stanles palses da CEE. • ~nrvu os equilfbrios atacroecon6mios, de modo a prossegwr o processo de convergfnc.ia nominal reduzindo progressivamente a laxa de inflaçlo e o peso do défice do sector pllblico, mantendo as contas externas próximas do equillbrio. 68 Para conseguir esta dupla finalidade. o Governo usará os fundos comunitários postos ao nosso dlspõr e irá utilizar os instrumentos próprios das pol!ticas monel!ria, orçamental e de n!ndimentos. A utilizaçlo daqueles recursos financeiros pemútirá supenr os upectos contraditórios da modemizaç1o/convergência nominal, j! que evitarl que o crescimento do investimento e o consequente aumento da desposo Interna se repercucam de forma demasiado negativa na balança de pagamentos, uma vez que o maior défice da balança de beru; e serviços ser.!. em par 69. A conjugaçlo du pol!tlcu ob)KtO especifico do pr...,nte Programa, com as politicas monetária. orçamental e de rendimentos, cujas orlenta«Ses constam do PCEDED , pennitlrá obter um crescimento do PIB mais dpldo do que o da mfdLa comunitária da ordem de 4':\ em mfdla onual. Consldera...se que este crescimento do PIB é o mais elevado que serj poss!vel obter sem causar desequil!brios graves na balança de pagamentos nem impossibilitar uma nova desaceleraçlo no ritmo da inflaçlo, que se situar'- a nive.is inferiores a 5 .. em 1992. Por outro lado, seri sufldentemente rápido para permitir ganhos de produtividade -indispensAveis perante a realizaçlo do Mercado Interno Comunitário em 1992 ·sem afectar a evolução favorável do emprego. 70. Pesem embora as transfer@ndas comunitárias, a restriç.J:o externa continuad certamente actuante Com efeito, a economia portuguesa ~ uma economia aberta integrada num mercado mais vasto, com livre drcu.Jaçlo de mercadorias, a caminho de uma integrac;lo plena de cirollaçlo de serviços e factores produtivos Assim, nlo fariA qualquer sentido admitir que Portugal poss. produzir todos os bens de forma mais eficiente e, por consequ~nda, a menor custo do que o mercado intemadon.a.l. Por isso, aumentos de procura interna levado certamente a aumentos das importo~ções no que respeita aos bens e serv1ços transacdon,veis; por outro lado, caso essa evoluc;Jo da procur~ St."Ja demasi~do ripida, ela Jevarl ao surgtmento de tensões inflaccionista.s se nlo existir capacidade de resposta por parte da estrutura produtiva nacional no que se refere aos bens nao transaccionáveis com o exterior, assumindo particulu relevo o sector da construçlo civil. 71. Para conseguir este crescimento .. equilibrado do ponto de vista externo e nlo inflacdonista, a política económica terá de actuar decisivamentt do hldo da procura, mantendo uma onentaç3o fundamental de actuaçlo sobre a oferta e sobre os custos de produç!o. Dados os objectivos das pol!llcu estruturais de modemlzaçlo, ser! necessário aumentar a particlpaçlo da formaç!o bruta de capital fixo no PIB (a qual passará de 26,6':\ em 1988 paro 30,6':\ em 1992). Este aumento seri compensado parcialmente por um maior défice de bens e serviços (tomado pooslvel dadu as trAnSferências comunitárias) mas ser! sempre nec:essúio obter um.a moderaçJ.o D.l. evoluçJ.o do conswno (privado e pllbUco) de modo a que pera peso no total do PIB. 1510 signifia que o
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crescimento do consumo teri de ser inferior ao PIB ou, por outras palavras, que interessa manter altos nlveis de poupança interna. Será a conjugaçlo das politicas orçamental, monetária e de rendimentos que
permitir:i garantir as condições internas de financiamento nlo in/Jaàorústa do aaéscimo de investimento.
EVOLUÇÃO MACROECONÓMJCA 1989-92 (1)
Taxa de varlaçao em volume
Consumo Total 3 PBCF 7 3/4 Procura Interna 4 1/4 Exporta<;Oes 6 1/4 Procura Total 4 3/4 lmporta<;Oes de Bens e Serviços 6 1/4
PIB 4
(1) Em ronsonancia rom o PCEDED
n.. Desta forma, o crescimento do PIB será i n d u" ido fundamentalmente pelo tttS mercado comunitário. Ter·se--' ass~ com este cenário um progrH&O na convergência real rom oo reotanteo palstl comunitArloo embora sem pllr em causa oa objectivos da ronvergênda nominal. 73. Dentro da evoluçlo do PIB serlo de esperar evoluçOes favor.ive.is nos sectores industriais mais ligados às exportações de produtos nlo tradicionais tais como as m'quinas e material eléctrico e o material de transporte, bem como no sector da construçlo civil e nos sectores industriais com ele relaàonados. No entanto a moderaçlo do consumo levari a um aesdmento relativamente menor de produçJ.o dos bens destinados ao mercado interno português. Admite-se uma evoluçlo relativamente riplda do produto da agricultura, consequência do investimento jA realwdo. 74. A adaptação à realização do mercado interno exigirâ um processo continuo de aumento de produtividade do trabalho. Para isso conta·se ·om importantes recursos fmanceiros destinados à formaçao profissional e com uma expanslo acelerada do sector de educação, embora neste caso os efeitos se tornem vis{veis fundamentalmente no longo prazo. No médio prazo, contudo, serlo as melhorias de organização empresa.rial, a fltxibillzaçJo do mercado de trabalho e a formaçio profissional que poderio ter impacte no crresdmento da produtividade do trabalho. Considera·se, assim, ser possivel um aescimento de 3% ao ano na produtividade global do trabalho, o que representa uma melhoria significativa relativamente~ tendência dos últimos 10 anos. 75. A evoluçil.o da produtividade global permitirá que o empreso cresça a cerca de 1'11. ao ano, o que implicarA que a taxa de desemprego em 11 SÉRIE-A- NÚMERO I Portugal, em 1992 se sltue perto dos 6'11., continuando a ser uma das mais baixas da Europa. No entanto, existirlo certamente importantes transferêndas lntersectorials de emprego, resultantes naturalmente do processo de modemi:uçlo. Prevê-se, assim, uma perda de emprego no sector agrfcola por trmslerência para os sectores da construçlo dvil e dos serviços, sendo t.unbém de admitir no sector industrial uma perda em relaçlo aos sectores mais tradicionais, bem como um aumento do emprego relaàonado com a tercea:rl:uçil.o dos sectores agrfcola e industrial A politica de emprego incentivará esta mobilidade de forma a serem atingidos nlvels mais elevados de produtividade, reduzindo o subemprego nos sectores onde ainda existe em proporçlo significativa do emprego. A politica agrfcola, por outro lado, nlo incentivará a fixaçil.o artifiàal de emprego no sector à custa de baixos nlveis de produtividade. 76. No que respeita às exportações que se admitiu poderem crescer a cerca de 6 1/4% ao ano rontinuam a existir boas perspectivas para os sectores da produção Oorestal embora condicionadas pela oferta de matérias primas, bem como para os sectores das máquinas e material eléctrico, do material de transporte e do turismo. Alguns subsectores da qulmka ligeira e das máquinas nlo eléctricas poderio ganhar peso nas nossas exportaçOes e rontribuir a prazo para a sua diversificaçao. No entanto, grande parte das exportações será ainda determinada pelo que suceder a sectores mais tradicionais romo os têxteis, vestuário e calçado. A provivel concorrência acrescida de pafses terceiros no mercado comunitirio poderi tornar mais diffcil, no futuro, a obtenç3o de crescimentos rápidos para as exportações destes sectores que, aliás, tenderlo a perder peso lo medida que o processo de modernizaçlo se desenvolver. Contudo, é provável que nos próximos anos estes sectores ainda apresentem taJCas de crescimento significativas, embora inferiores à média das exportaçiles no que respeita aos têxteis e vestuário. BAI..ANÇA DE TRANSACÇ0ES CORRENTES (1) Milhlles de dólares correntes 1988 1992 Exportaçiles de bens e serviços 13781 19592 Importações de bens e serviços 16996 24612 Rendimentos de capitais -900 ·I 067 Transferências unilaterais 4 215 5168 Transferêndas Privadas 3500 4018 Transferências Públicas 715 1150 Balança de transa«;;es correntes 100 ·919 Balança de transa«;;es correntes/ PIB 'llo 0.3 ·18 (1) Em ronsonanda com o PCEDED n. Este ritmo de crescimento de exportações n.lo será, contudo, sufiàente para rompensar a evoluçao das importaçOes, em grande parte consequência do esforço de investimento programado. Desta forma, apesar das trmsferências romunitárias, o défice da balança dt transacções corrtni cerca de 920 milhOes de dólares em 1992, ou seja, cerca de -1,8~ do PIB. Este valor é perfeitamente financiável e é consequência do esforço adidonal de Investimento, pelo que se encontra plenamente justificado dentro das regras de boa gestão macroeconómica. A manutençao de bom ritmo de crescimento das exportaçOes é essencial ao desenvolvimento equilibrado da economia portuguesa; só assim será posslvel compensar algumas das suas vulnerabilidades estruturais, nomeadamente ao nlvel da dependência energética, alimentar (cereais, oleaginosas e produtos tropicais) e de bens de equipamento sofisticados. Cumulativamente, o dinamismo das exportações permitirá superar alguns aspectos negativos decorrentes do elevado grau de abertura da economia ao aproximar as contribuições das exportações e das Importações~ como é característico de economias desenvolvidas significativamente abertas ao exterior.
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l'ftsaupostos
CAPITULO IV
ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO
78. A estratégia de desenvolvimento a implemenw oté 1992 parte dos seguintes pressupostos básicos:
• o arranque do processo de modemizaçJo acelerada que se impõe l sociedade portugueso só poder i ser ronseguldo através do IUiçnnento dt um projedo mobilizador que permita tirar pleno partido, no longo prazo, das capaddades latentes no conjunto da a>munidade nacional,
articulando de forma criativa as aduaçõea nos domínios sócio· cultunJ e económico;
• a inse.rção no upaço e na economia comunitirios fomece 011 grandes enquad.ram~tntoa para as v6rias politicas de desenvolvimento, destacande>-se, especificamente nos próximos quatro anos, a aiaçJo de um grande mercado sem fronteiras e a disponibillzaçlo de importantes recursos financeiros para recuperar o atraso do desenvolvimento;
• as politicas de desenvolvimento utiliz.a.r.lo as potendalidades oferecidas por e55es enquadramentos, nomeadamente aproveitando os me.rcados que se abrem e respondendo ao nforço ac:rHCido de investimento~ no respeito pela salvaguarda dos equiUbrios maa~ económicos;
• o processo de desenvolvimento económico é complexo e multifacetado~ envolvendo uma grande diversidade de actores e agentes, pllblicos e privados, pelo que as aduaçOes que o Governo se propõe desenvolver nos próximos quatro anos, privilegiulo a
~ctuaçio sobre os factores produtivos de modo a aumentar a sua produtividade global e permitir, consequentemente, um acriscimo de tflclmcia para o ronjunto da economia.
79. Poder-se-ia considerar que, colocados perante o reforço da Coesao Eronómica e Social e a a!açio do Mercado Interno, a concentraçao de esforços na maximização dos fluxos financeiros oriundos dos fundos estruturais comunitArios deveria ser exclusivamente orientada para atenuar e compensar o declínio das actividades com futuro mais incerto e para melhorar, no plano imediato, as rondiçOes de vida da populaçio.
Esta possrvel atitude corresponderia no entanto a privilegiar sucessos de curto prazo e a comprometer • numa escala tempor-al mais alargada • a possibilidade quer de influendar o futuro colectivo quer de criar rondiçOes estáveis de progresso e bern-esta:r.
Ela é por Isso recusoda, preferind<>-se-lhe um caminho mais complexo e difiál, mas colectivamente mais compensador a médio e longo prazos: o de utlliur plena e adequ~dounente os recursos dia:ponibiJiudos pelos fundos estruturais pata beneficiar das potenclalidades oferecidas pelo grande me.tcado sem ftonteira.s, no que ele signilica de aumento das escalas de referênda e de actuaçlo para agentes económiros e de aiaçlo de oportunidades derivadas do comércio internacional e dos fluxos de investimento que lhe estlo associados.
Apenas por esta via se criar!o condições duradouras de distribuiçAo da capacidade de aiu riqueza. e de melhoria dos rúveis de bem-estar, e assim,
se recupenri o atraso de desenvolvimento relativamente à economia e 1 sociedade turopeiJ;, o~..S&tgurando uma participa~Jo mais e.ficu no processo de evolu~lo cb economia romuniUrla.
Grandes Opções do P!Uio para 198911992
80. Portugal1992 tem que ser assumido como um projecto nacional de horizonte temporal amplo, orientado para a aproximaç.to da economia e sociedade portuguesas aos nlveis europeus, o que, muito em espedal
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nos próximos quatro anos, implica a criaçio de condições para que os agentes económicos poasam responder com sua!$$0 aos novos desafios e potencWldAdes do Mercado Interno Europeu.
Nesta perspectiva, as três Grandes Opçoes que regerao a politica de desenvolvimento no período de 1969/1992 sao as seguintes:
• Vtdoriur os fYCIIrSOtlu~tntllt06 t fortalec:n o tuido social;
81. A primeira • informar e mobilizar a sociedade • nlo significando que a actuaçlo do Estado seja dirigista, no sentido de impõr aos agentes económiros ded.sóes que lhes pertenoem, implica que o Estado também nlo se deved demitir da sua tarefa de impulsionador do processo de modernizaçJ.o, nomeadamente garantindo a utiliza~~o
criteriosa dos novos e avultados meoa que seno postos ao nosso dispõr.
As suas prindpais linhas de força slo:
• valorizar os simbolos reais da identidade nacional Oingua, cu1tura, património);
• aumentar a efid.cia de ac:tuaçlo da comunidade nacional. reformando a Administraçlo Pública e tomando mais transparentes
os processos de tomada de ded.sóes (desburoaatiz.açao. atendimento ao pllbllco. divulpçlo de procedimentos, infonnaçlo sobre dedsóes), apoiando o associativismo dos parceiros sociais e incentivando a respectiva partidpaçlo nas ~ colectivos e omda aperle1çew>do os processos de recolha, tratamento e divulpçlo da informaçlo, em particular junto dos agentes económiros (mercados, tecnologias. oportunidades, empregos).
82.. A segunda· v&lorú:.ar os fKUJ'SOs humanos e forblecu o tecido I«W pressupõe a alribuiçlo de primeira prioridade ao potencial humano (educaçlo/fotmaça.o) e l investigaçJ.o e desenvolvimento tecnológiro.
Em relaçlo ao capital humano haver• dois sectores de actuaçlo com impacte dintcto na sua eficiência. embora com eleitos diferidos no tempo: por um lado, o grande esforço que se irá realizar no sector educativo, aproximando-nos decisivamente das taxas de escolaridade europeias e criando rondiçOes para um acréscimo de eficiênàa no longo prazo; por outro, o incremento da formaçJo profissional que perm1tiri, se decididamente aproveitada, melhoru a produtividade do tra~lho com resultados mais próximos no tempo.
Em simuJtaneo, é vital pu.t o êxito, em termos de concortê:nda no Mercado Interno comunitário, que a nOSS.t estrutura produtiva se adapte a uma gama de produçJo rom maior conteúdo de inovaçÃo. Este ronstituirá um esforço de grande dimenslo, de que uma componente vital será a investigaçlo cientlfica, para .t qual se procurarA conseguir novos aumentos de recursos na sequência lógica do que tem sido realizado nos últimos anos.
As vertentes económicas e financeiras da construc;~o do Mercado Interno, bem como as respectivas repercu.ssoes em Portugal, nlo Seio; no entanto; exclusivas nem tendendalmente predominantes.
A valoriza~lo da dimenslo social desta dinlmic:a é esse-ncial designadamente no sentido de assegunr uma utili.z.açlo mais efic&z. ; exaustiva de todos os recursos disponlveis ~ uma repartiçAo socialmente equilibrado dos benefldoa decorn:ntes.
A própria justilicaçlo do cresámento económico se Insere na concepçJo globalizante do desenvolvimento, no duplo sentido de nao reduzir os nlveis de vida e de protecçlo SO
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83. A terceira opç!io - reconverter e modernizar a economia representa o culminar de todos os esforços intermédios e é a grande meta a atingir, de modo a iniciar um processo sustentado de aproximação às médias comunitárias. nos seus principais indicadores económicos e sociais~ durante a década de noventa, valorizando as nossas potencialidades específicas no contexto comunitário e internacional.
No que respeita ao factor capital a estratégia passa por um forte aumento do investimento em infraestrutwas que, nomeadamente em matéria de acessibilidades, terá um impacte determinante na eficiência de outros sectores produtivos, e também por um apoio acrescido ao investimento de modernizaça.o nos sectores de agricultura, pescas, indústria, energia,
turismo e serviços.
Mas, se é importante o papel a desempenhar pelas acções a efectivar sobre cada um dos factores produtivos, n!o menos importante será garantir que a sua combinaça.o seja obtida com maiores níveis de eficiência. Assim, a organização e a melhoria da formação e da gestão a nlvei empresarial serão domínios a merecer maior atenção, em particular, no sentido da inserção das empresas na moderna economia aberta, assegurando condições de maturaçao e cooperação internacional crescentes, com vista a promo· ;)]' a sua capacidade conconencial.
Finalmente, a estratégia será prosseguida te.ndo em atenc;lo um cruzamento sistemático entre as diferentes ópticas sectoriais e a óptica regional com vista a garantir a propagação dos efeitos de progresso e bem-estar social no maior número possivel de zonas do território nacional.
84. Portugal apresenta-se perante os desafios que se colocam nos próximos quatro anos numa situação em que é contraditória a tranquilidade duma sociedade marcada por uma história longa, rica e enriquecedora como Naçlo autónoma e independente, que soube afirmar o seu posicionamento no mundo e influenciar o próprio sentido da evolução mundial, com a inquietaç3o colectiva que decorre de mudanças recentes e profundas que, desproporcionadamente valorizadas pela proximidade temporal entre o ponto de observação e a realidade observada, aparecem marcadas pelo termo do ciclo do Império e pela recriaç!o do sistema politico, económico e social.
Mesmo sem recorrermos a optimismos exagerados e, por natureza, mal fundamentados~ importa que acreditemos na capaddade colectiva de superação destes desafios para que, sem hesitações, possamos mobilizar a sociedade por forma a que ela conheça e se reconheça no Portugal de ontem, de hoje e de amanhã.
85. O primeiro dos slmbolos reais da identidade nacional é a cultur• - e, portanto, a multiplicidade de actuações e de intervençOes que integra, com importância acentuada para a Lfngua Portuguesa. Sem prejulzo das acções e iniciativas dirigidas à informaçao e conhecimento do papel histórico da cultura portuguesa - ou seja, ao reforço e revitalização da memória colectiva • privilegiar*'Se-~o as actuações visando:
• a profissionalização, desestatizaç!o e descentralizaçao da actividade cultural;
• a utilizaçao e integração harmónica das novas tecnologias no domlnio cultural (no que respeita à produção, circulaç!o, promoção e difusao);
• a participac;a:o nos circuitos de produçlo e circulação internacionais (de modo a afirmar-se cada vez mais uma atitude de modernidade cultural).
As principais linhas de acção a adoptar neste perlodo são as seguintes:
• atribuiçlo de prioridade ao ensino - na renovaçao das atitudes face à cultura, na formaçl.o cultural e na superação do divórcio entre formação cientrfica e formaçSo humanfstica · e à formação proftSsional;
U StRIE-A- NÚMERO 1
• integraçao da dimensão cultural na vertente externa da actuação do Estado, de modo autónomo ou em articulação com outras dimensões, propiciando a afirmação da produça.o cultural nacional no exterior, assegurando o acesso aos principais circuitos culturais internacionais, intensificando o relacionamento com as grandes correntes da criação cultural estrangeira contemporânea e criando Institutos de Ungua e Cultura Portuguesas no estrangeiro (em particular nos PALOP) e assegurando a participação portuguesa na polftica audovisual europeia;
• valorização da utilização correcta da Língua Portuguesa e adopção de uma estratégia para a lusofonia no mundo ;
• valorização e revitaiizaçlo da herança cultural - recuperação e reconverslo funcional de monumentos e zonas históricas, identificação e restauro dos patrimónios museológicos, informatizaçlo de bibliografias e acervos iconográficos, arquivos de inventários de formas de expressão oral e estabelecimento de atlas lingulsticoo, valorização da paisagem, etc;
• lançamento de incentivos à criação e fruição artísticas, tanto no que respeita à prossecução das poUticas que têm vindo a ser adoptadas -nos domlnios do livro (bibliotecas públicas, apoio à ediçao e comercialização), da m~ica, do bailado, das artes plásticas, do teatro e do cinema - como a outras formas de expressão artística com relações mais estreitas com a actividade produtiva - fotografia. moda, "design", artesanato;
• apoio às indústrias e serviços culturais, designadamente no espaço europeu, com relevo para o audiovisual e turismo;
• aperfeiçoamento dos mecanismos fiscais de estímulo à acção mecenática actualmente existentesi
• apoio a programas integrados de acção cultural descentralizada, com intervenç(o das autarquias, associações locais, fundac;Oes, outtas entidades privadas, etc.;
• preparação cuidada e atempada da partidpaça.o portuguesa em grandes manifestações culturais intemadonals, como é a Europáiia (Bélgica), dedicada a Portugal em 1991, a Expo 92 (Sevilha) e ainda nas que tenham lugar em Portugal: Presidência das Comunidades em 1992, inauguração do complexo de Belém no mesmo ano e Lisboa -Capital Europeia da Cultura, em 1994.
86. A comemoração dos De~obrimentos Portugueses deverá, nos próximos quatro anos, constituir um factor da afirmação da identidade nacional portuguesa e da demonstração da sua capacidade para enfrentar os desafios da história. Essas comemorações devem contribuir também
para consagrar o papel das navegações qUinhentistas no encontro de culturas, na afirmação de Portugal como eixo de um diálogo entre os continentes que a sua vocação marltima decididamente potencia.
Deste modo, fixam-se os seguintes objectivos gerais para essas comemorações:
• assinalar o decisivo contributo das navegações portuguesas para o processo de abertura e interpenetração cultural a nlvel planetário, com efeitos da maior importlncia no progresso cientUico e técnico, no diálogo entre os povos e as culturas;
• mobilizar a comunidade portuguesa, dentrO e fora das fronteiras, para a valorização da obra dos Descobrimentos.. peJo efeito de progresso que induziu no conhedmento e no património universais;
• estreitar o diálogo com países e povos com os quais o Portugal de quinhentos entrou em contacto e que, ao longo das gerações e para além das vicissitudes históricas, mantiveram com os Portugueses · laços humanos e de cultura que constituem hoje uma das riqueza do nosso património como comunidade aberta e voltada para uma afirmaçlo internacional centrada numa perspectiva de relações
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equitativas e de respeito mútuo pelu soberanias e identidades nadonAJ.S;
• trabalhar para potenciar a aproximaçlo e o diálogo no espaço da Ungua Portuguesa, hoje falada por cerca de 170 milhões de pessoas, de quem é patrimómo comum, como factor de enriquecimento e prestígio dos sete palses onde é l!ngua oficial
Nos próximos cinco anos importa.rl. nomeadamente desenvolver convenientemente as acções respeitantes l pa.rticipaçlo na Exposiçlo Universal de Sevilha de 1992 e l comemoraçlo, om 1993, dos 450 anos sobre a chegada dos Portugueses ao )apiO.
No que respeita aos domfnlos fundamentais de actuaçlo consideram-se os
seguintes: investigaçlo e ediç!o; educaçlo; exposições, colóquios. conferêndas e outras inidativu afins; m\llica e bailado; teatro; artes plútlcas, arqwtectura e urbanismo; património; produçJo de cinema e televi.slo; comunicac;lo social nacional e estrangeira.
Por tlltimo, dever4 promover-se um vuto progr~a de Comemorações
das Desc:obertas na própria escola, envolvendo alunos, pais e profesloreo, com vista a dinamiur e reforçar o ensino da História de Portugal e a JUvivar os valores históricos e culturais portugueses.
trl. Uma poUtica para as Comunidades Portuguesas terA de ser, necessariamente, uma poUtica nadonaJ, devendo concitar um especial e-sforço e empenho no quadro da aa;Jo governativa..
Deste modo, fiXam-se como principais objectivos de politica em matéria de Comunidades Portuguesas para 1989/92: preservar e difundir a Ungua
e Cultura Portuguesas; a defesa dos direitos e interesses dos portugueses residentes no estrangeiro; a promoçlo do exercido de direitos polftícos, quer em Portugal, quer nos palses de acolhimento; a ligac;J.o dos lusodescendentes a Portugal, cativando-os através dos nossos valores, d• nossa cultura e das nossas potendalidades económicas; o aumento do~ lnflu~nda social e polltic.J. dos portugueses nas sociedades de acolhimento; e a criac;J.o de condições favoriveis de reinserc;J.o aos portugueses que decidam regressar definitivamente a Portugal.
As principais medidas a adoptar neste período sJo as seguintes: crlaçlo de ins titutos e centros de cultura portuguesa; reestruturac;J.o da rede consula.r; projecto de informa~lo triangular, isto é, aumento e melhoria dos fluxos noticiosos de Portugal para as Comunidades, das Comunidades
para Portugal e das Comunidades entre si; reali.zac;ao de actividades de carActer educativo, cultural e social junto das Comunidades Portuguesas; fomento do associativismo no seio das Comunidades e ronstitujc;lo de
"lobbies" junto das sociedades de acolhimento.
88. Também o património construído e natural constHui um sfmbolo da identidade nacional que importa preservar, manter e valorizar. Procurar~se-á portanto, quer autonomamente, quer em estreita
arUcula~lo com outras polrticas, recuperar o património histórico e cultural, reconverter a respectiva utlllzac;lo e articular a sua fruic;lo com a relativa ao património ambiental.
A poUtica de prottcç.5:o do ambitntt t «tnservaçlo da natureu, como componente essencial das políticas económiu, industrial, agrfcola e social, assentar' na melhoria da qualidade de vída e na defesa do meio
ambiente.
As intervençOes no domfnlo do ambiente serlo de domlnlnda preventiva, estimulando-se a sua componente antecip.a.tiva através da oenolblllzaçlo, informaçJo e educaçlo da populaçJo e pela promoçlo da
investlgaçlo aplicada à resoluçlo de problemas de carácter preventivo, e
a-ntrar--se-lo na:
• elaboraçJo da leglslaçlo que dê exeqwbiUdade à Lei de Bases do
Ambiente;
• celebraçlo de contratos-programa entre a Adminisrraçlo Central e
Local;
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• celebraçlo de protocolos com assodac;Oti empretariais
representativas de sectores poluidores vis.ando a sua partiopaçl.o plena e res:pon.s.ivel, e com outrtU entidades, pu.a re1li.UçJo de trabalhos de investigaçlo no domfnlo do ambiente;
• protecçlo e valorluçlo do litoral, VlSOndo a preservaçlo das 6reas frágeis e do património natural;
•melhoria das condições de funcionamento nas :bea~ protegidas,
dotando-as de Infraestruturas e equ1pamento de apoio;
• identifica~lo dos riscos reais e definiçlo de posiçôes naCionais relativ~ente a riSCOI potenciais e a polittas internacionaiS no domfnlo da segurança nuclear;
• promoçlo de acçOes de divulgaçlo e sensibilizal;lo da populaçlo para
os problemas do ambiente.
89. A melhoria e a modernizaçJo das estruturas que servem de base l informaçlo, bem como a total cobertura do Pais em termos de rádio e
televisl.o, ao lado da promoçl.o da indústria audiovisual. cosutituem, a
par da politica deliberalizaçlo do oector, os grandes obJectí•-os • proueguir até 1992 no domfnio da ComunicaçJo Soc:lal.
Em termos de comunica~lo social escrita, prosseguiri o processo jA
Iniciado de allenaçlo doo títulos, quow, partes, aC('Oes e conjunto de bens que o Estado detém em empresas jomallsticao.
Em termos de radlodlfuolo a proooecuçlo daqu~les objectivos exige, em primeiro lugar, a realizaçlo de todo um conjunto de acçOeo que se sltuarlo primordialmente nas seguintes irea.s: consolidaçlo e ampliaçlo da. cobertura do serviço póbllco nacional; acompanhamento da evoluçlo
tecnológica; melhoria do Jerviço internacional de ondas C"Wtu t concentraçJo das instaloçOeo da RDP
Exige, por outro lado, a regularizaçlo do estado caótico em que se encontra o espectro radioeléctrlco português. bem como a tomada das medídu necessárias a que o Estado nJo ""!a detentor de mais do que um serviço público minlmo no campo de rAdio.
Relativamente l televislo, as acções a promover serlo, por um lado: a ultimac;lo da rede primAria de grandes centros emissores; expanslo da rede secundiirla de grande5 retransmissores; instalaçlo de pequenos retransmissores destinados a colD\I.tar actuais zonas de sombra; melhoria
do centro de produçlo de Lísbol da RTP e desinvestimento nas inst.al.açOeo actualmente dispersas; melhoria dos centros de produçJo da Madeín. do
Porto e dos Açores.
Por outro lado, serlo tomadas as medidas nec:e:sdrias a que os operadores
privados possam actuar no campo da televislo.
Ao nlvel da produçAo de audiovisuais, e para além das acçOes acima referidas, os esforços devem incidir essencialmente no fomento da formaçlo profissional em funçOeo especificas da lndlistrla aud1ovisual.
90. A promoçJo deliberada do desenvolvimento económico e social, exige uma dUpon.ibilldade e um empenhamttnto cole-ctivos elevados, para os quais existem - como a história demonstra - apaddad .. sufidentes, que importa todavia mobilizar.
Para que esta mobillzaçlo sej.a real ImportarA assegurar, por um lado, o eficiente e eficaz desempenho du lan!fas que ao Estado Incumbem; e, por outro, a pamcipaçlo activa dos cidadlos e dos agentes económicos no
processo de desenvolvimento.
Assim, no lmbito da Admlnbtraçlo P6bllca, doU grandes desafios se
colocam:
• propiciar condiçOeo de competívidade ao sector empres&rUI. atravb
da diminui~lo e suprt'Uio dos constrangimentos bl.lfocr.it1cos . espe
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obrigações de informação estatfstica e fiscal e o acesso a benefícios
flSCais e fmanceiros;
• desenvolver os recursos humanos ao serviço da Administração como factor decisivo para a melhoria da qualidade dos serviços prestados~ tendo em vista a necessidade de criar condições que permitam à Administração Pública reautar, manter e desenvolver os
recursos humanos necessários ao prosseguimento d~ suas missões.
Neste contexto, os desafios atrás mencionados apontam para a construção
tendencial e gradativa de um modelo de Administração Pública que:
• privilegie o serviço público, a atenção ao serviço prestado, ao resultado final da organização;
• aie, progressivamente, uma rede inten:ninisterial de informação administrativa ao público em geral e condições para que a administração passe oficiosamente a promover diligências que hoje incumbem aos cidad.los, reforçando as suas garantias;
• d~ abrigo a um corpo muito qualificado de funcionários~ remunerados de forma justa e equitativa;
• adopte formas de organizaçlo descentralizada e flexíveis e processos de decislo desconcentrados;
• dê prioridade às formas de organização e circulação célere da informação, com amplo recurso às tecnologias de informação;
• limite os procedimentos administrativos aos casos em que da actividade de regulaçAo da AdministraçAo se retirem contrapartidas de eficácia e efiàênda.
Prosseguirá assim, no próximo período de quatro anos, o esforço já iniciado de, utilizando da melhor maneira recursos escassos, aumentar a eficlcia dos agentes públicos do desenvolvimento económico e social, em especial através da maior transparência no processo de tomada de decisões públicas, da valorizaçlo da participaçAo dos parceiros sociais, do refor~ do processo de descentral.ização de competências e da consolidação do n!vel regional, de acordo e na sequência das normas constitucionais e legais que forem aprovadas pela Assembleia da República.
91. A informação estatística constitui, cada vez mais, um elemento de base indispensável para a tomada de decisões dos agentes eoonómicos e a definição de políticas globais. Existe indiscutivelmente uma elevada correlação entre o desenvolvimento de uma sociedade e o desenvolvimento do seu aparelho estatístico.
O Sistema Estatístico Nacional encontra-se num processo de grande mudança, pretendendo-se prepará-lo para que, num prazo de quatro a cinco anos, esteja em condições de responder eficazmente às solicitações crescentes dos utilizadores da informaçJ.o estatística, as quais sofrerão, certamente, alterações com o advento do mercado único.
Neste sentido, vai:
• promover-se a aprovação de uma lei de bases, que redefine claramr,te as linhas orientadoras de aplicação dos prindpios do Sistema Estatístico Nacional e reorganiza a sua estrutura institucional;
• alterar-se o estatuto do Instituto Nacional de Estatística (INE), de modo a tomá-lo num organismo vivo, dinâmico e moderno, virado para a produçAo e difuslo da informaçAo estatística na pm;pectiva dos utilizadores;
• proceder-se à remodelaçlo e ampliação das actuais instalações do INE, necessidade reconhecida desde há mais de vinte anos;
• criar--se, no seio da Universidade, mas em intima ligac;lo com o INE, uma estrutura de formação de quadros superiores do Sistema Estatístico Nacional. Esta estrutura deverá complementar a formaçlo universitária numa perspectiva eminentemente profissional. A
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criaçAo desta estrutura vai ainda permitir responder às necessidades de reforçar a base institucional para a cooperação co.m os PALOP no domlnio da estatística.
O processo de reestruturaçAo do Sistema Estatístico Nacional é apoiado pela Comissão das Comunidades Europeias, prevendo-se, neste dom!nio e a breve pra.w, a aprovaçAo de uma poUtica comunitária no domínio da informaçAo estatística.
92. A Constituiçlo prevê a existência de tr~s categorias de Autarquias: as Regiões Administrativas, os Munidpios e as Freguesias.
Só as duas últimas existiam aquando da entrada em vigor da Constituição.
Mas a instituição das Regiões Administrativas revela-se de grande complexidade e nlo pode deixar de ser vista numa perspectiva de longo prazo. Trata-se de instituir algo de novo, de conduzir um processo onde esteja em causa mais do que o mero cumprimento de uma directiva oonstitudonal, ou seja, fazer algo que melhore o funcionamento das instituições e que tenha um efeito positivo no bem-estar das populações. Há, em primeiro lugar, que definir as competências e atribuições das Regiões Administrativas, de forma a que não conllituem com as dos munidpios. Definidas as competências configurar-se-ão os limites e desencadear-s<>-lo os processos de trans~cia de oompetências.
Mas o facto de este prooesso ainda estar a decorrer n!o justifica, antes exige, o fortalecimento do Poder tocai existente. Esse fortalecimento passa pela dinamlzaçlo do seu enorme potencial de iniciativa para as tarefas do desenvolvimento. A este respeito, os ganhos de escala e a integração de objectivos têm de merecer prioridade. Há que fomentar o associativismo municipal a fim de conseguir que os projectos de investimento possam dar uma contribuição mais decisiva em termos de desenvolvimento regional. O recurso aos fundos comunitários e à relação oontratual entre Estado e as Autarquias serão os incentivos disponlveis e determinantes para a concretizaçlo de tal poUtica.
V11lorizar os recursos ltuma,os e forltdecn o teddo social
93. A superação dos desafios que se apresentam ao processo de desenvolvimento económico e social implica, necessariamente, a plena, eficiente e eficaz utilização dos nume rosos e valiosos recursos e potencialidades que se verificam na sociedade e no território nacionais.
Embora se nao desconheçam uns e outras, verifica-se com frequência quer a sua desvalorização relativamente a ocorrências e manifestações identicas de origem externa, quer uma desproporção entre as prioridades atribuldas a determinadas categorias e a sua importância estratégica para o desenvolvimento nacional.
Haverá, portanto, que atribuir prioridade à valorizaçao das capacidades e realizações nacionais - cabendo n~o só .às instituições públicas o desempenho das actividades adequadas mas, principalmente; a toda a Naçao a mudança de comportamento e de atitudes que essa vaJorizaçao implica.
Essencial é lambem concentrar capacidades nas potencialidades e nos recursos que nos slo especlficos no contexto internacional - e, em particular, no lmbito comunitário - para ai basearmos a afirmação dos nossos traços característicos e a fundamentação das vantagens comparativas que nos slo (ou se podem tomar) particularmente favorá.veis.
ti decisivo, ainda, criar oondições em termos de eficácia de organização e de gest!o que maximizem o respectivo aproveitamento e preservem a sua qualidade e disporubilidade.
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O mais essencial e insubstituível destes recursos é, obviamente, o potencial humano. Para ele será, portanto, nos próximos anos, atribulda prioridade e concentrada a capacidade, quer no que respeita à respectiva preparação para superar os desa6os e para mobilizar as potencialidades que se apresentam • designadamente através de acçõeS no lmbito da educa~o, da forma~o e da ciência e temologia - quer no que se refere à criaçlo das condi.;ões indispensáveis ao fortalecimento do tecido social - o
que envolve, em especial, actuações relativas à saúde, ao emprego, à segurança social e à habita~o.
A poUtica de juventude, rom características horizontais e estruturantes,
propicia e potencia finalmente a sustentação do modelo de
desenvolvimento económico e social
94. Uma prioridade é, nestas citcunstâ.ndas, atribuída à educação •
essencialmente no que ela representa de capacidade para apoiar empenhadamente o processo de desenvolvimento económico e social.
Verifica-se, no entanto, que, à existênda deste enorme e significativo recurso e potenáalidade. nJo tem correspondido um esforço equivalente de formação e educação, cuja gravidade se acentua ao compararmos as exigênàas e solicitações da Europa de 92 com a existência de graves desequilíbrios educativos intra-comunitários. Este facto é especialmente penalizador para o nosso pais, que fundona, na sua globalidade, ao nl~el da instrução primária (cerca de 9/10 da população tem a 6' classe ou menos e a taxa de analfabetismo ainda representa 15% da popula~o) e que observa profundas desigualdades - entre o ensino técnico e o geral,
entre o politécnico e o universitário, entre a escolarização no litoral e no interior, entre o desenvolvimento universitãrio em Lisboa e a exploslo demográfica no Norte, entre um parque escolar em expanslo e a maioria das escolas com graves problemas de manutenção e conservação. entre o
ensino ofidaJ e o ensino partic:ular.
Para enfrentar frontalmente esta situação e aiar condições adequadas à respectiva superação • o que significa assegurar a continuidade do desenvolvimento económico e social e poder beneficiar das consequências da construção do Mercado Interno comun.itário -promoverá o Governo até 1992 a concentraç!o acentuada de recursos
financeiros na educaçlo. por forma a prosseguir os seguintes objectivos,
metas e acçOes:
• generaliza~o do acesso à educaçlo, que envolve:
- a educac;lo pré-escolar por forma a elevar a taxa de escolarizaç.Jo do grupo etário correspondente, com ênfase nas crianças de cinco anos. As acções aqui integradas consistem em projectos de estímulo às autarquias e instituições particulares para a criação de pólos de itiner.tnci~ centros de animação infantil e jardins de inlância;
• a construçao das infraestruturas necessárias para assegurar o cumprimento da escolaridade obrigatória de nove anos em 1992, disponibilizando instalaçOes para alojar as turmas necessárias para a expansão do ensino secundário e a ampliaçJo da rede de residências que alberguem os alunos que vivem mais afastados dos centros de ensino;
- a elevaçao da taxa de cobertura do ensino especial, privilegiando o ensino integrado e igualizando as oportunidades de acesso entre regiões;
- a e.xpans:io do ensino profissional por forma a integrar no uúnimo 1/4 dos alunos do ensino secundário em 1992# o que
obriga ao apetrechamento de novas salas de aula;
- o alargamento da educação de adultos por forma a reduzir a taxa de analfabetismo para 10% em 1992, acompanhado pelo propiciar da escolarizaçllo do segundo cido a 50% dos adultos nascidos após Janeiro de 1967 e que abandonaram a escola antes de a terminar e pelo reforço da capacidade de resposta a uma procura acrescida deste ciclo de ensino por adultos de outras
faixas etárias;
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- a elevação da esoolarizaçJo no ensino superior para 18 a 20% em 1992, criando condi.;ões para fazer face ao maior número de alunos no ensino politécnico# no ensino universitário e na Unlvenidade Aberta e construindo ou adaptando residências universitárias para assegurar o acesso de alunos oriundos das zonas mais periféricas do pais.
• modemiz.açlo das infraestruturas educativas, que implica:
- a concentraçlo das escolas do t• ciclo~ prevendo-se a gradual eliminação das com menos de 10 alunos e a criaçlo de centros escolares;
- a conservaçllo do parque escolar;
• o reapetrechamento das escolas com espaços desportivos, com núcleos de informática e com bibliotecas adaptadas ao ciclo correspondente e ao níimero de alunos.
• melhoria da qualidade da educação, envolvendo:
- o progrilD\a de promoçlo do sucesso escolar. visando a tendencial eliminaçJ.o deste fenómeno (38'% das crianças repetem o 1° dclo de ensino);
- a formaçlo e orientaçlo profissional dirigida aos alunos de anos de transição para a vida activa;
- a formação contínua de professores, que se devem submeter a acções periódicas de formação presencial e de formação à distância.
A implementaçJo destas orientac;Oes será feita em estreita articulaç!o com as autarquias locais e conhecerá modulações adequadas às especifiddades e caract:erfsticas regionais e locais.
95. A polltica de formação profissional, como componente da poUtica de emprego, apresenta como finalidade última a valorização dos
recursos humanos. a qual é fundamental para o processo de desenvolvimento do Pais, sabendo-se que, por um lado, cerca dos 64% dos trabalhadores por conta de outrém em empresas tinham, quanto muito, o ensino btsico primário em 1986 e, por outro~ os nfveis de qualificação registavam um grau elevado das profissões semi·qualificadas e nlo quali6cadas ( mais de 30%) e uma reduzida preparaçlo de quadros médios e superiores ( cerca de 3%).
Oeste modo, uma poUtica de forma~o pro6ssional adequada possibilitará ~s empresas a existência de uma mão-de--obra qualificada. com reflexos importantes nos domínios da produtividade e rompetitividade.
Os objectivos a prosseguir no domlnio da formaçlo profissional deverllo
visar:
• aquisi~o de qualificaçllo por parte dos jovens que possibilitem a sua inserçlo na vida profissional, tendo em vista a frequência de, peJo menos, um ano de formação profissional, antes da entrada na vida activa;
• melhoria da qualificação dos activos existentes quer intensificando as acções ao nfvel dos activos já empregados. quer atendendo à necessidade de fornecer formaçlo aos estratos populacionais actualmente desempregados;
• possibilidade de reconverslo de activos. nos casos tornados indispensáveis pelas reestruturações sectoriais e uma ;>alftica de
moderniza~o;
A fun de se conseguir atingir os objectivos apontados é indispensável a existência de uma estratégia global relativamente à formaç.'io profissional a qual assente nos seguintes eixos de desenvolvimento:
• a empresa como sustentáculo fundamental de formaç.'io,. contempland~se a globalidade dos seus recursos humanos. com
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especial inddtncia na optimização da capacidade empresarial e na
valorizaçlo dos estratos médios ou intermédios;
• o reforço da formaçlo profissional junto das pequenas e médias empresas, atendendo l estrutura empresarial portuguesa;
• o papel supletivo do Estado, sem prejuízo de exercer uma acção directa através de estruturas estatais ou protocolares, em relação a determinadas franjas de população mais carenciadas (desempregados, deficientes, trabalhadores dos sectores em reconversão), e a determinadas regioes com tecido empresarial mais fraco;
• maior envolvimento dos parceiros sociais na definição das linhas de
orientação relativas à formação profissional;
• maior sensibilização dos empresários relativamente ao papel que a
formação pode ter nos respectivos processos de modernização e de desenvolvimento.
Com vista à prossecução dos objectivos fooodos para a polltica da formação profissional, e tendo em conta as linhas de estratégia traçadas, impõe-se a execução de medidas de politica de v.iria natureza, nomeadamente:
• melhoria do enquadramento institucional através da elaboração de um quadro normativo que permita o reforço da ligac;lo entre entidades envolvidas na formação profissional;
• a formação e orienta.c;lo profissional, através da preparaça.o de orientadores profissionais e da criação de infraestruturas de lnforma~lo sobre o mercado de trabalho e oferta de formação profissional;
• alargamento da capacidade formativa traduzida na expanslo da formação em aprendizagem, diversificaçlo das áreas de formaça.o, criação de cursos especializados após o I 2" ano;
• desenvolvimento de acções de formaçlo profissional nos sectores considerados prioritários de acordo oom as necessidades regionais;
• fonnaçlo de ogentes de desenvolvimento de acordo com o perfil adequado ao aparecimento de verdadeiros motores de aproveitamento dos recunos endógenos;
• desenvolvimento de acções de formaçlo profissional para as seguintes populaçoes-alvo - empresários e dirigentes, quadros superiores, quadros mMios e pessoal de enquadramento, quadros intermédios/trabalhadores altamente qualificados e trabalhadores qualiflcados;
• desenvolvimento de acções de formação para estratos espedficos da populaçlo, nomeadamente mulheres, jovens, desempregados de longa duraçlo, trabalhadores de sectores em reeonversAOi
• optimizaçaio das infraestruras de formaçl o existentes e criação de outras em sectores com carência manifesta de satisfaç:io de necessidadesi
• melhoria dos aspectos qualitativos do sistema de formaça.o profissional traduzida no aumento do número de formadores, actualização dos conteúdos programáticos, recurso a organismos de investlgaçao e universitários, avaliaçlo das acçOes e certificaçlo das mesmas, ~tabelecimento de correspondência de qualificaçOes com cursos ministrados por diferentes entidades, regras de funcionamento relativas a formandos e formadores;
• desenvolvimento de um sistema de info·rmação e orientação profissionais alargado ao maior número poss!vel da populaçlo, mas centrando-se prioritariamente nos jovens e nos adultos., e em relaç.ao a estes, especialmente os que se encontram em sectores sujeitos a processos de reconversão, os desempregados de longa duraçao, as mulheres e os trabalhadores de fraca formaçlo de base e de baixa qualiflcação.
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96 A valorização do potencial humano e a aproxim~ção a uma Europa que identifica como objectivo prioritário a inovação e o desenvolvimento dent!fico e tecnológico implicam a implementação de um processo de desenvolvimento do sistema cientifico e tecnológico nacional baseado no equilíbrio entre a concentraç.llo de esforços num número restrito de grandes projectos e a manutençlo do maior número posslvel de áreas apoiadas na intensificaçlo do apoio à actividade produtiva e na intemaciona.lizaç:lo do sistema de Ciência e Tecnologia, em articulação com os objectivos nacionais de desenvolvimento.
Neste contexto, os prindpais objectivos da Ciênda e Tecnologia silo os seguintes:
• apoiar o processo de modernização e diversificação do aparelho produtivo, no sentido de endogeneizar tecnologias modernas nos sectores tradicionais e alargar o campo das actividades internacionalmente competitivas e com mais forte intensidade tecnológica;
• manter o ensino superior português em permanente actualizaçlo e inserir mais profundamente o sistema universitário nas redes mundiais do conhecimento cientifico;
• permitir a definiçllo de áreas dent!ficas e tecnológicas em que Portugal possa ser reconhecido como pólo de excelênda na Europa;
• contribuir para a transformac;lo da Ciência e Tecnologia num instrumento de acçllo externa do pais, designadamente no que respeita à cooperação com o mundo de llngua portuguesa;
• contribuir para a redução das disparidades entre ngiões no dom!nio da criação intelectual e das actividades de investigaçlo cient!fica e desenvolvimento tecnológico.
Tendo em conta que a dlsponibllldade e a qualidade de recursos humanos para lnvestigaçlo e Desenvolvimento constituem os principais bloqueamentos ao desenvolvimento do sistema científico e técnico nadonal, atribuir~se·á prioridade no horizonte de 1992 à respectiva forma.çlo, de acordo a>m as seguintes orientações:
• disponibilização de condições de formação do mais alto n!vel de qualidade, associada à mais adequada orientaçlo dent!flca, em articulação com programas de investigação cientifica ou tecnológica e recorrendo largamente l fonnac;lo no estrangeiro;
• criação de condições para elevar a percentagem dos investigadores em exclusividade de funçOOS;
• promoçlo da mobilidade profissional dos investigadores;
• valorizaçlo curricular do trabaJho de lnvestigaçlo e Desenvolvimento realiz.ado em contacto directo com a actividade económica;
• aumento das oportunidades de realização de estágios em empresas e instituiçoes de investigação estrangeiras por jovens licenciados;
• fomento das actividades de lnvestigaçlo e Desenvolvimento experimental dentro das empresas.
O desenvolvimento da Ciência e Tecnologia em Portugal implica a afLrDlac;ão do pa.ls no seio da comunidade internadonal, pelo que se toma necessário:
• reforçar a participação portuguesa nos programas de Investigação e Desenvolvimento Experimental europeus;
• desenvolver um quac;lro de relações bilaterais no contexto comunitário;
• ampliar a partidpaçlo portuguesa em organizações cientificas internacionais;
• desenvolver todos os esforços para atenuar o carácter periférico do pais, atraindo para Portugal o centro ou nós de redes de cooperação cientHica internacional;
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• prosseguir acções junto de organizações internacionais, com o objectivo de garantir a participaçlo portuguesa na criaçlo de
plataformas cientlficas e técnicas de lrnbito internacional.
As orientaçOes fundamentais da evolução estratégica do sistema cientlfico e tecnológico · que irlo moldar os respectivos instrumentos, onde relevam a prossecução do Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia
e a implementação de um Programa Estrutural de Desenvolvimento da Investigação Cientlfica e Tecnológica - slo, finalmente, as seguintes:
• os principais investimentos públicos, de natureza financeira e em recursos humanos, dirigir-se-lo às empresas e ao ensino superior, bem como ao apoio e desenvolvimento de instituições privadas sem fins luaativosi
• as instituiçOes cientlficas e te • a instalação em Portugal de centros de investigação internacionais, articulados com instituições nacionais, será estimulada; • o desenvolvimento do sistema financeiro deverá integrar instrumentos de estimulo à inovaça.o no aparelho produtivo nacional. 97. A politica de emprego, tendo em conta a m3o·de-obra disponlvel no perlodo em referência, deverá nortear-se pelos seguintes objectivos: • crescimento do emprego necessário para. impedir o agravamento de situaçOes de desequillbrio do mercado de trabalho, que estão ligadas à falta de emprego e às suas diversas formas de precarização; • redução das disparidades existentes no mercado de trabalho, a nlvel regional, procurando·se a atenuação das taxas de desemprego nas regi!5es do Alentejo e de Lisboa e Vale do Tejo; • redução das desigualdades perante o mercado de trabalho de grupos espedficos em situação de maior vulnerabilidade. Se há que basear o aumento de emprego fundamentalmente no cresàmento da economia, também é necessário adoptar uma estratégia em que os objectivos de empreso referidos também sejam prioritários. Defende-se, assim, a adopçlo de uma estratégia selectiva e multiforme em que, a par dos esforços de Investimento de capital intensivo e das tecnologias avançadas, concentrados nas actividades com maiores ganhos de produtividade, se procurará a utilização mais racional dos recursos disponlvels ou subaproveitados de modo a produzir-se um máximo de bens e serviços de que o Pais precisa Internamente, a qual se poderá conseguir com combinações produtivas e temologias menos intensivas em capital, com menores ganhos de produtividade, mas melhores hipóteses de progressão do emprego e com vantagem para as contas externas. Entre estas actividades poderão contar·se os serviços, a construção e obras públicas, algumas das actividades industriais que produzem sobretudo para o mercado interno e certos sectores da agricultura. No sector terciário há que referir as potencialidades de emprego na área da cultura na ocupaçlo dos tempos livres. Esta selectividade sectorial implica uma coordenação intersectorial e uma compatibili.zac;lo e integraçJ.o dos objectivos do desenvolvimento regional. Na prossecuç~o dos objectivos e estratégia de empreso referidos importa distinguir os principais tipos de medidas: • melhoria da administração do trabalho com especial incidência na renovaç~o da rede de centros de emprego; • apoios à criação de empresos a nlvellocal e auto-emprego; 2-(391) • enquadramento institucional dos agentes de desenvolvimento na perspectiva do aproveitamento dos recursos endógenos de cada região; • programas sectoriais de modernização e desenvolvimento (sectores produtivos e sectores sociais); • intervenções integradas de desenvolvimento regional; • programas de inserção e ocupaç~o de desempregados de longa duraçlo • programas temporúios para desempresados sazonais; • inserçlo dos proc:essos de reestrutllr1lção sectorial em programas e operaçOes Integradas de desenvolvimento; • conjugaçlo desses processoo com o fomento de projectos de criação de novos empregos e novas actividades. 98. Considerando-se o objectivo final de melhoria do nlvel de Sa6dt da populaçlo e de garantia do efectivo exercido do direito à saúde, nlo só tratar e prevenir a doença mas, sobretudo, melhorar o nfvel de vida e aumentar o bem--estar dos ddadlos, defmem-se como objectivos operacionais para este sector os seguintes: • a aproximaçlo dos nossos lndices de mortalidade e morbilidade aos valores médios europeus; • a eliminaçlo progressiva das assimetrias regionais, no que respeita à quantidade e qualidade da oferta dos serviços de prestação de cuidados de saúde; • a reorganizaçlo dos serviços para melhorar a sua produtividade. Encontram·se em implementação três veciores principais de actuação que, visando prosseguir os objectivos enunciados, continuarlo a ser desenvolvidos nos próximos anos: • Programas espedficos de cuidados de saúde, onde se destaca quer o reforço da protecção a alguns grupos vulner!veis, com relevo para os programas de saúde materno-infantil, de saúde mental e de recuperaçlo e prevenc;lo da t6xico--dependê.nda, alcoolismo e tabagismo, quer os programas espedficos nos domlnios da cirurgia cardio-torádca, do transplante e hemodiálise, da luta contra o canao e da humanização dos serviços de saúde; • Reorganização dos serviços de saúde, onde merece particular destaque a alteração do sistema de gestlo hospitalar, a implementação de um novo sistema de funcionamento dos serviços de saúde, a promoçlo de uma poUtica de racionalizaçlo de meios e controlo informático do m:eituúio de medicamentos e da prescrição de meios auxiliares de diagnóstico, bem como o desenvolvimento de recursos humanos, especialmente com formaçlo de quadros em gestão; • Investimentos em instalações e equipamentos, com relevo para a renovaçlo das instituiçOes nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, para a recuperaçlo de hospitais distritais com as valências básicas mais adequadas, para a construç3.o de centros de saúde e extensões de saúde e para a edificação de instalac;Oes para formação de pessoal têcnico do sector (no lmbito do ensino e formaçlo profissional, do aperfeiçoamento profissional e, ainda, visando a melhoria da respectiva distribuição espacial). 99. A ~gurança SocW constitui·se nas sociedades modernas como um meio insubstitufvel de promoçao de uma sociedade mais justa, mais humana e mais solidária. Contudo, em sociedades democráticas, a actuac;lo do Estado nlo pode esgotar a intervenç3.o na realidade social pois que outras formas de intervenção slo posslvels e desejáveis. Considera·se, assim, fundamental que a conceptualiz.ação do sistema de Segurança Social português defina e intesre o papel do Estado e da
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sociedade óvil e que promova a actuaçlo conc:enada de diversas entidades na esfera social.
O sistema de Segurança Social deverá incluir, deste modo, diversos veetores de intervenção que contribuiria conjugadamente para a protecçlo social da populatlo e designadamente o Estado, as Instituições Particulares de Solidariedade Soóal, as Mutualidades, os Esquemas Complementares Privados de Segurança Soóal e os Fundos de Pensões.
~ da combinação articulada de todos estes vectores, naturalmente de diferente peso e proporção, que se poderá esperar uma actuaçJo mais equ1hbrada e uma maior interügaçlo entre o Estado e a sociedade dvil.
Ao Governo caberá estimular e aiar oondições para o desenvolvimento das outras formas de intervençlo e de solidariedade social, competindo-lhe, para além da sua própria actuaçlo, definir fundamentalmente o grande enquadramento e os objectivos essenóais a prosseguir pelo sistema de Segurança Soóal.
A grande linha de orientaçlo a prosseguir pela Segurança Soóal consistirá na procura constante da melhoria efectiva das condições de vida e das prestações sociais atribuídas l populaçlo benefióária e prioritariamente ls camad .. de populaçlo mais desfavoreódas e carenóadas.
Esta grande linha de rumo concretiz.a·H:, designadamente, pela actuallz.açlo das prestaçoes pecuniárias da Segurança Social, pelo incremento da cobertura do País em termos de instalaçlo de equipamentos sodais e pelo desenvolvimento de projectos e de medidas espedficas de combate ~ pobreza.
A Unha de estratégia adoptada, que traça o percurso do Pais em direcçlo a uma mais alargada e melhor protec:çlo social, leva, assim, a combinar com equUJbrlo os fins de solidariedade social próprioo do sistema de Segurança Soóal com a diversidade e o potenóal de recursos existentes e a mobilizar na sociedade portuguesa, nomeadamente os que resultem da vontade e lnidativa das comunidades de ódadlos organizadas em tomo das suas instituições.
100. O desporto conhea!ri concretizaç()es Importantes no plano das infraestruturas nlo só pela cobertura total do parque escolor com instalações desportivas adequadas - o que constitui a prioridade absoluta definida no lmbito da Rede Integrada de Infraestruturas Desportivas, -mas tambén tendo em vista o horizonte de 1992. a duplo titulo: isto é, quer porque se trata do tenno do ódo oUmpico on iniciado (1989-1992), quer porque a realizaçlo dos próximos Jogos OUmplcos de Veria em Barcelona pode permitir ao nosso pais a obtençlo de vantagens Importantes a nível intemadonal, desde que disponha de infraestruturas
desportivas de qualidade no quadro da alta competiçlo, em diversas
modalidades.
Assim, o esforço de pleno aproveitamento das potenóalidades olereódas pelas Instalações do Jamor, da Lapa, e de Lamego, pelos Estidios Universitários de Usbo.l., Porto e Coimbra, e por outros complexos e ceniTos desportivos regionais e locais, bem como de planos de água ou na oonstruçlo de piscinas - será desenvolvido e intensificado em obediência a esta perspectiva: 1992 como horizonte desportivo ele próprio.
Este quadriénio seri, em slmult!neo, marcado pela lmplementaçlo e desenvolvimento da Lei de Bues do Sistema Desportivo, de que se espen o reordenamento profundo da sltuaçlo do desporio naóonal, em moldes adequados quer à promoçlo efectiva do desporto para todos quer ao seu progresso técnico e à melhoria da qualidade competitiva portuguesa em divenas modalidades, segundo padroes intemaóon&is e designadamente
europeus.
101. A juventude, nlo só pela influência que tem no desenho da sociedade, mas também pelas espeófiódades com que caracteriza Portugal • um dos palses -mais jovens• da Europa das Comunidades exige o
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fortalecimento de uma poUtica integrada, • parliópar no aperfeiçoamento do sistema de ensino, na dupla vertente da recuperaçlo do atraso relativamente aoo padroes europeus e da ripida e eficaz transiçlo da escola para a vida activa; • contribuir para a ooeréncia e eflclóa da formaçlo profiSSional por forma a responder ls exigênóas crescentes do mercado de trabalho e a melhorar o acesso ao primeiro emprego; • garantir o acesso l cultura, apoiando jovens aiadores e autores; • incentivar a mobilidade e o interclmbio internacionais; • apostar na capaódade de iniciativa e empreendedora dos jovens; • reforçar o apoio ao movimento associativo juvenil com vista a gerar pólos de soUdariedade e coeslo capazes de potendar a partiópaçlo portuguesa no espaço europeu. Actuar~;!., neste período, atrav& das linhas seguintes: • aiar e desenvoJver sistemas de infOI'D'\AÇão para a juventude, com vista a garantir uma base de igualdade de oportunidades e a difundir o ideal europeu; • abrir a maior nC&mero de candidatos o ingresso no ensino superior, no sentido de preparar quadros sufidentes para o desafio do Mercado Interno comunitúio; • criar um sistema eficaz de coordenaçlo da formaçlo profissional, estabeletlendo um quadro de referênda em termos de oferta/procura e dos segmentos de espeóalizaçlo da economia portuguesa; • incrementar e melhorar o sistema de aprendizagem em alternância; • aproveitar as potendalidades do programa •Juventude para a Europa" para dinamizar o interclmbio juvenil em Portugal e des • aiar programas de bolsas e mecanismos de apoio a jovens criadores e autores, visando estimular o apareómento de revelações na área da cultura; • desenvolver e diversificar o apoio técnico, material e financeiro ls assoóações juvenis; • criar uma rede de Centros de Juventude, artlculada com a de C.S.. de Juventude, com vista a disponibilizar infraestruturas que respondam ls aspirações dos jovens a nfvel regional e local; • desenvolver uma rede de turismo juvenil como forma de apoio ao lnterclmbio e l valorizaçlo dos tempos livres e mobilidade dos jovens; • reforçar o apoio aos jovens empresá.rios, jovens agricultores e inventores. 102. A politica de habitaçlo concretizar-se-i pela lnióativa e capaódade de todos nós na resoluçlo dos nossos próprios problemas, contando com todas as componentes do mercado, ou seja, rom a revitalização do mercado do arrendamento, adaptando-se l espeófiódade e características dos diversos promotores envolvidos bem como das populações a que se destina, numa perspectiva solidária, na medida em que seri, como até aqui, sobretudo orientada para os agregados familiares de menores recursos, insolventes e classes sociais mais carenciadas.. A poUtia de hablta(lo será cada vez mais des ,
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permitam ultrapassar as consequências do passado, nomeadamente no que respeita a bairros clandestinos, barracas e reconstrução do tecido
urbano.
A poUtica de crédito l aquisição de casa própria manter-se-á no essencial dentro da estrutura e modelo definido, reforçar-se-á o aédito 1l construçlo e os instrumentos de poupança, tendo em vista a recomposição qualitativa da oferta, ou seja, o reequilíbrio do mercado com a
consequente estabilização de preços através do reforço da promoçlo da
habitação a custos controlados.
O crédito global ao sector evoluirá de acordo com os limites do aescimento controlado e com o aumento signiiicativo do peso relativo da habitação a custos controlados, ao qual se deverá associar os efeitos da revitalizaçlo objectiva do mercado do arrendamento.
A promoçlo da habitaçlo a custos controlados na medida em que se trata de uma alternativa com qualidade, a preços compat!veis à estrutura de rendimentos de grande parte das furúlias e ronstitue a melhor forma de awcimizar os beneffóos da estratégia de progresso controlado a favor da populaçlo.
Para além disso, assume um papel fundamental de regulador do mercado, sobretudo em perfodos de desequilíbrio como o actual, revestindo-se, ainda, de importlncia significativa no combate aos clandestinos e contribuindo, simultaneamente, para o tio necessário ordenamento do
território.
Embora os resultados já atingidos tenham ultrapassado as melhores expectativas, as necessidades do Pafs deternúnam uma participação ainda mais ambiciosa pelo que se elaborará, para o perlodo em causa, um programa de desenvolvimento da habitaçlo a custos controlados que se orientará para as necessidades da populaçlo de rendimentos mais reduzidos ou que vivam em situaçlo precária.
A capacidade de iniciativa e solidariedade da sociedade civil, o associativismo e a acçlo supletiva por parte do Estado constituiria a base daquele programa de desenvolvimento.
Às autarquias locais caberá uma participação muito activa, quer no domfnio da caracterização das carências habitadonais e respectivo enquadramento ao nível politico-operacional, quer na articulaçlo, conjugaçlo e coordenaçlo da intervençJo dos diversos promotores.
Às cooperativas de habitaçlo atribuir-se-á um papel muito mais a~vo, mais responsável, sobretudo, muito mais profissionalizado no encontra das soluções, na condução, desenvolvimento e fiscalização dos empreendimentos.
Das empresas privadas espera"'Se um envolvimento mais decidido em todo o processo, assumindo a funçlo social que também lhes compete.
Ao Governo, para além de um enquadramento nonnativo adequado e bem defmido, concretizado por organismos púbHcos eficazes e flexlveis, competirá:
- a articulaçlo, conjugaçlo e coordenaçJo da intervençlo dos diversos promotores numa perspectiva nacional, descentraUuda e não
intervencionista;
- a garantia da disponibilidade dos meios financeiros e dos apoios neoessários;
- a garantia de um apoio téoüco e administrativo decidido aos diversos promotores, sobretudo ls autarquias locais pelas suas responsabilidades aaesddas.
A evoluçlo e o controlo dos custos de construçlo, em particular o binómio qualidade/custo, revestir-se-i de imporlánda fundamental para a conaetizaçlo da poUtlca de habitação pelo que, quer a legislaçlo relativa a polltica de solos, a Planos Directores Municipais, loteamentos, licenciamento de obras particulares, quer as medidas relativas à normaliz.açlo dos materiais e componentes de construção serão revistos tendo em vista a sua maior eficááa e simplificaçllo.
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A recomposiçlo do tecido urbano, nomeadamente, no que respeita 1l recuperaçlo e conservação do parque habitacional degradado continuará a merecer por parte do Governo o maior estímulo, procurando-se sensibilizar as populaçOes envolvidas para este imperativo Nacional.
103. Embora a economia portuguesa conheça diversidades significativas, que se manifestam tanto em termos sectoriais como regionais .. poder-se--.! considerar de forma razoavelmente segura - embora extremamente simplificada - que a organização económica actual, onde predominam as unidades produtivas de reduzida dimensão, se concentra numa parcela restrita do território e nwn número limitado de sectores de actividade, enb'e si desarticulados e que frequentemente correspondem àqueles onde se verifica (no contexto europeu) um excesso de oferta e uma concorrência acentuada por parte de paises terceiros; o processo produtivo apresenta uma grande dependência do exterior, especialmente evidendada nas matérias primas, equipamentos e tecnologias; o controlo do mercado interno nacional quase se limita aos bens de consumo vulgarizados e os segmentos económicos externamente agressivos baseiam com frequência a sua competitividade nas vantagens comparativas decorrentes do custo da mão-de-obra.
104. A reconversão da economia nacional e a respectiva modemizac;lo constituem portanto prioridades essenciais, das quais dependem em boa medida os graus e as características da nossa efectiva inserção no tecido económiro europeu.
Nlo se ignora no entanto que_, mesmo que fosse esse o modelo adoptado, a capacidade efectiva de orientaçlo da espedalizaçao produtiva por parte do Estado é reduzida e que a progressiva integração nas Comunidades Europeias tende, ainda, a atenuá-la. Por isso, t.lmbem se toma imprescindível utilizar judiciosamente e com a maior eficácia os instrumentos disponfveis, onde avultam a concertaça.o com os parceiros sociais, o apoio ao associativismo empresarial e ~ racionalização dos segmentos produtivos estratégicos, e a correspondência estreita entre a concess.Jo de incentivos fiscais e financeiros • na agricultura, indústria e serviços - e os objectivos da poUtica económica.
Nlo se desconhece também que a estruturaçlo do aparelho produtivo decorre de tendências com dimensão temporal longa, dotadas de uma inércia própria cuja reorientaçlo apenas se pode perspectivar no médio e longo prazos. Sobretudo nestas circunstâncias importa assegurar a eficáàa dos instrumentos utilizados, o rigor da respectiva gestao e a selecç-~o criteriosa de objectivos a atingir • salientando-se a necessidade de diversificar a actividade produtiva .. de atenuar as dependêndas externas e de propiciar condiçOes para as produçOes de gama média, com segmentos de excelência.
E, neste âmbito, importa reforçar a perspectiva de uma actuação essencialmente orientada para a competitividade empresarial no horizonte 1992.
105. A ocupaçJo do território pela actividade produtiva conhece um padrlo caracterfstico, verificando-se que a agricultura - ocupando embora todo o território • apresenta maior competitividade na estreita faixa do ütoral onde, sem prejuizo de infiltrações mais ou menos profundas no interior (ou mesmo, esporadicamente, algumas ocupações territorialmente limitadas) se concentram as actividades de tró\1\sform.açlo e os serviços.
Este padrlo espacial, que dificulta a exploração dos recursos naturais portugueses (responsável por dependências externas desnecessá.rias e potencialmente gerador de desvantagens comparativas acrescidas) e condiciona a racionalidade dos fluxos comerciais com os mercados europeus (9/10 do trãfego de mercadorias é transportado por via ma.rftima), tem uma correspondência estreita na distribuiç.lo territorial da
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população (2/3 na faixa litoral), prejudica decisivamente o equilfbrio da
rede urbana e produz ineficiências na dotaçllo de infraestruturas e no equillbrio das condições de vida.
106. A consideraçao da diversidade regional nlo visa preocupações de equiJibrios espadais plenos que, procurando a equiparac;J.o total de condições de vida ou a distribuição artificialmente equilibrada da actividade produtiva no território~ poderiam corresponder a uma ooncentraçao madça dos recursos disponíveis nas áreas mais perifhi.cas e menos desenvolvidas do território nacional.
Importa ter em conta, aliás, que a consideraçlo da dimensao espacial na formulaçJ..o de estratégias de desenvolvimento de médio prazo constitui a forma mais eficaz de superar, por antecipação, a edoslo de fenómenos colectivamente negativos de evidente dimensão poHtica, cujas maniiestaçOes mais evidentes corresponderiam ao acentuar dos desequilfbrios sociais de rendimento e de condiçOes de vida e ao recuo deliberado das nossas fronteiras económicas continentais.
A eonsiderac;.'lo de diferendações regionais traduzir-se-á em termos operacionais, nestas circunstlncias, quer na modulaç.J.o espacial das intervençOes sectoriais, quer na preparação de programas de âmbito regionalmente limitado (integrando abordagens pluri-sectoriais ou
árcunscritas a um único sector), quer ainda no tratamento da problemática fronteiriça.
107. O confronto entre as situações da agticultura portuguesa e comunitária é fundamentalmente marcado pelo significativo desnivelamento de preços, pela baixa produtividade flsica e pela redUZida eficiência do sector em PortugaL
A integraça:o nas Comunidades Europeias, que representa a adopção gradual do correspondente modelo agrícola. determina os objectivos fundamentais de desenvolvimento do sector: modernizaçao rápida da agricultura portuguesa de forma a, utilizando efióentemente os factores de produçlo, garantir a competitividade dos produtos no mercado internacional, possibilitar rendimentos aceitáveis aos agricultores e obter nfveis satisfatórios de auto-abastedm.ento.
A prossecuc;.'lo destes objectivos será resultado de um conjunto de intervenc;Oes dirigidas:
• à modernizac;.'lo tecnológica, através da introduc;âo de novas tecnologias nas explorações e nas actividades de transformação, da melhoria na organização de mer • à melhoria da organizaçlo institucional, prosseguida pelo apoio às organizac;Oes de produtores, pelo reforço da respectiva capacidade organizativa, técnica e de gestlo e pela transferência de funções actualmente desempenhadas pela administraçao pública; • ao aperfeiçoamento da formaçSo dos agricultores, em especial dos que entram no sector, complementada pela formação de técnicos e de vulgarizadores; • à promoção de ajustamentos estruturais da agricultura, especialmente dirigidos à estrutura fundiária e ao ordenamento cultural das exploraçoes, bem como ao rejuvenescimento da população activa agtlcola (através de acções visando a cessação de actividade) e ao apoio aos sistemas de produçlo que se baseiam na pluriactividade; • ao incentivo ao rejuvenescimento do tecido empresarial agrfcola, designadamente ah'avés da criaçlo de uma nova dinâmica empresarial e do apoio à instalação de jovens na agricultura. 11 S.ÉRJE-A- NÚMERO 1 Estas intervençOes, que serlo adaptadas e moduladas de acordo com as especifiddades agrícolas regionais, encontnm-se articuladas com as medidas e instrumentos de politica prosseguidos pelas Comunidades Europeias e serlo fundamentalmente concretizadas com o apoio dos fundos estruturais comunitários 4 onde, relevando embora o FEOOA- Orientação e, como é óbvio, o Progtama Especifico de Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa (PEDAP), é de assinalar a importancia aescente das acções ce>-fmanciadas pelo FEDER e FSE. A prioridade atribuída ao aumento da competitividade e à modemizaçJ.o do tecido económico agtlcola conduz a que as intervenções realizadas até 1992 • no lmbito do incentivo ao investimento a.grfcola, do apoio aos rendimentos dos agricultores e da poHtica de preços e cambial • privilegiem as que incidem directamente sobre as explorações agtlcolas e, bem assim, as que se dirigem à transformação e romerdallzação dos produtos da agricultura. Integram-se no lmbito da primeira dessas categorias: • o reforço da capacidade das empresas viáveis e a valorização das potencialidades das que apresentam condições de viabilizaçao; • o apoio ~ produçlo de produtos diferendados e alternativos rom vantagens comparativas externas, visando alargar o peso de actividades como a horticultura, fruticultura, floricultura, vitivinicultura, ovinicultura e caprinicultura e silvicultura; • o alargamento da formaç3o técnica e de gestAo, em estreita articulação com a investigaçJo, a divulgação e a adaptaçlo das estruturas das exploraçOes. A segunda categoria, relaUva à transformação e comerdalizac;!o de produtoo agrlcolas, incidirá especialmente: • no desenvolvimento das condições necessárias à defesa de um nfvcl elevado de auto-abastecimento e à penetraçlo progressiva nos mercados externos; • na modemizaçlo e raàonalidade das unidades existentes, apoiando a vulgarizaçlo de novas tecnologias e o aperfeiçoamento e transparência dos drc:Wtos de distribuiçao. As diferendações regionais da estratégia de desenvolvimento do sector agt!cola n!o incidirlo sobre as politicas de preços e cambial (que, sendo uniformes em todo o território nacional, vlsarlo o ajustamento dos preços garantidos aos preços de equllfbrio do mercado, segundo uma trajectória controlada que tenha em conta, essencialmente, os ganhos de produtividade). As orientac;Oes regionais das pollticas de incentivo ao investimento e d..e apoio ao rendimento são as seguintes: • a concentraçlo dos apoios ao investimento produtivo nas zonas que, em cada regi lo, apresentam maior aptidlo agrícola; • a modulação regional dos modelos de e.xploraçl.o e dos sistemas de produção cu;os investimentos serJo preferencialmente apoiados; • a espedficaç.'lo das orientaçOes para o reordenamento cuJtural das explorações agtlcolas; • a identificação das zonas de incidência prioritAria das polUicas dirigidas ao apoio aos rendimentos dos agricultores; • e, finalmente, tanto a programação sectorialmente integrada de intervenções (através da preparaçlo de Programas de Desenvolvimento Agrário Regionais ~ PDAR), como a inserção das acções de reestrutu.raçlo e modemizac;lo agrfcolas em intervençOes espedflcas de desenvolvimento regional (onde relevam as OperaçOes Integradas de Desenvolvimento Regional • OID). Enquanto que, no primeiro caso, se visa predominantemente aumentar a eficâda das actuações dirigidas à modernizaçlo do tecido agtlcola através da respectiva adequação minuciosa às especifiddades sub-regionais, procurar-se-á, no segundo, articular as intervenções ~gr!colas com as que se dirigem ao conjunto das estruturas produtins regionais.
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108. Os oceanos, e a sua adequada exp loraçllo, constituem uma prioridade estTatégtca do desenvolvimento nacional, uma vez que corresponde à utiliz.açlo de um recurso e de uma potencialidade Importante, que contribuirlo para a Envolvendo embora um conjunto diversificado de actuações, em vários sectores e com perspectivas complementares, da utilização desse recurso depende o desenvolvimento ao sector ptsc~s. CUJO objectivo final corresponde à reduçlo dos níveis de dependência, através da diversificação, da prossecução articulada de acçOes e da consideração dos potenciais e capacidades especlflcos de cada região, nos três sub-sectores básicos: pescas, aquacultura e indústria transformadora dos produtos aquáticos. Para a concretizaç.lo deste objectivo final concorrer.!o de forma coerente os seguintes objectivos intermédios: • pleno aproveitamento dos recursos disponíveis, que pressupõe um melhor conhecimento dos recursos, a racionalizaçlo do seu uso e o consequente ordenamento das actividades de exploração; • incentivos l investigaçlo aplicada no quadro regional, tendo em vista colmatar parte das lacUl'las existentes, especialmente a nfvel regional, bem como estimular um melhor conhecimento e uso dos recursos locais, o que passarA por uma maior aproximação entre a investigação e a indústria da pesca; • sistema de iniormaçlo como suporte para o desenvolvimento do sector, que decorre da expanslo do Banco Naáonal de Dados para as Pescas e do Sistema de lnformaçlo para as Pescas, em estreita associação rom o Sistema de Vigilância e Controlo das Actividades de Pesca em iguas sob soberania ou jurisdição portuguesa; • correcça:o das assimetrias regionais, através da criação de nódulos de desenvolvimento regional assentes no estímulo ao aproveitamento dos recUTSOS naturais locais, bem como de um conceito de produc;.to integrada e que passará por: - reestruturação e modernização das empresas; - estimulo às organizações de produtores, bem como às formas de organização da actividade dos diferentes segmentos que constituem o sector; • criaç::lo de condições para o bom funcionamento dos mercados abastecedores e difusão dos produtos • assegura ndo um equUfbrio ajustado entre a produção de origem nacional e as necessidades de importac;Jo; - melhoria das comunicações e da informação; • emprego e formaçlo profissional, onde assume espedal importância o rejuvenescimento e aperfeic;oamento profissional da comunidade piscatória, be.m a>mo as acções que visem alternativas de reconversão dessas mesmas comunidades afectadas pela aplicação da polltica comunitária para as pescas. No contexto destes objectivos, serão prosseguidas no horizonte de 1992 as seguintes mediclas: • desenvolvimento equiHbrado das infraestruturas portuárias, adequand~as às potencialidades da frota, como forma de atingir a qualidade do produto e a regulação do mercado; • relativamente à frota: • estabilizaçlo a médio prazo da capacidade global da frota, renovando-a e modernizando aqueles segmentos em que se verificam defidências; • reorientação do esforço de pesca para águas mais profundas e afastadas da orla costeira; • melhoria das condiçoes de trabalho e segurança dos !ripulantes, a bordo; 2-(395) • melhoria da conservaç3o e tratamento a bordo das capturas~ com vista ao acréscimo da sua qualidade e, portanto, a um melhor rendimento económico da exploração da unidade; - realização de campanhas de pesca experimental e exploratória, prioritariamente em águas da CEE nacional, fora do mar territorial. com vista à prospecça.o de novos pesqueiros e espécies; - imobilizações temporárias das embarcações, sempre que o estado dos recursos e o equillbrio da frota em actividade assim o exija; • reduçlo definitiva da actividade nos casos em que haja necessidade de diminuir o esforço de pesca com vista l recuperaçlo das existêndas; • no que respeita à aquacultura: - melhoria dos nlveio de produção e de qualidade dos estabelecimentos de cultura existentes (construção de infraestruturas, instalação de equipamentos e divulgação de técnicas de maneio apropriadas); - Incentivo à investigação aplicada; - desenvolvimento ponderado de unidades laboratoriais piloto; - instalação de unidades de produção de juvenis; • apoio directo aos aquacultores actuais no domínio da exten.slo através de acções no campo e com recurso a audio--visuais e incentivos à especialização e formação de técnicos e a aquacultores; • quanto à indústria transformadora: - racionalização e modernização das instalações e equipamentos de transformaçlo e de comeráalização; • melhoria da qualidade e apresentação dos produtos, diversilicaçlo da produção e promoção de novos produtos; - limitação do défice comeráal dos produtos da pesca; • relativamente ao consumo: • reorientação dos consumos para espécies pouco divulgadas e de qualidade, visando urna menor depend~da da frota de factores sazonais e uma diversificação da oferta, com a consequente estabilização de preços. 109. A lnd6stri.a portuguesa encontra·se perante um sério desafio resultante do processo da sua intemacionalizaçlo com a consequente abertura aos mercados externos. desafio esse que será particularmente acentuado com o duplo choque decorrente do fim do perfodo transitório de entrada na CEE e da real.i.zaçlo do grande Mercado Interno EW'Opeu. A nossa estraMgia de desenvolvimento industrial na CEE terá de ser liderada pelo sector exportador. As perspectivas desse desenvolvimento dependerão pois da capacidade dos nossos empresários em explorarem e desenvoJverem os beneficies potenciais da abertura de uma pequena economia como a portuguesa sobre um grande mercado. O objectivo principal de curto prazo da politica industrial será assim o de preparar a indústria portuguesa para a concorrência nesse grande Mercado Interno que se perspectiva para 1992, aproximando os seus nfveis de produtividade e de eficiência dos padrões médios da indústria europeia. Neste contexto, é vila) o aperfeiçoamento tecnológico, de "marketing" e dos recursos humanos da base industrjaJ existente. pois não se pode construir uma indústria nova esquecendo a existente, e será fundamentalmente com essa base industrial, que urge modernizar., que iremos competir nesse grande mercado.
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Como o médio-longo prazo se constrói a partir dessa sucessa:o de trajectórias de curto praz.o~ as acções a empreender desde já devem inserir· se numa perspectiva mais dilatada no tempo. que vá para além de 1992, a qual consiste em tomar Portugal no horizonte 2000 um Pafs industria!, moderno, produtor de bens e servi~os de qualidade. adequados aos
padrões de consumo nessa época.
É neste contexto que uma perspectiva de política industrial a médio-longo prazo deve ter preocupações de diversifica ambientais, pois o grande desafio das sociedades industriais evoluldas será o de perspectivarem um d~nvolvimento industrial que na.o agrida o ambiente como aconteceu no passado recente. Por isso, o PEDIP instrumento fundamental da politica industrial, mas transitório - porque tem a duração de cinco anos ·, visará a implementaça.o duma estratégia industrial que, procurando a muito curto prazo defender e modernizar o que temos, permita ao mesmo tempo o avanço para novos produtos, novos processos de fabrico enquadrados na perspectiva de médio--longo prazo. Uma especialização dinâmica da indústria portuguesa pressupõe o reforço dos nlveis de competitividade interna e externa e exige que, a par de uma reestruturação e modemizaçao das indústrias tradicionais, se dêsenvolvam novos sectores com elevado potencial de crescimento, em particular novas produções com maior amteúdo tecnológico, e a produç!o de bens de equipamento, por forma a que a indústria portuguesa adquira algumas vantagens estratégicas e concorrenciais perante os competidores externos. Em suma, o PEDIP visará, de acordo com a poUtica industrial, modernizar I diversificar a estrutura industrial portuguesa. A politica industrial para os próximos anos é claramente a de um Estado-regulador em detrimento da de um Estado-empresário, nlo pretendendo o Governo substituir·se aos empresários na formu.laçlo das suas estratégias e nas decisOes que, autónoma e responsavelmente, eles devem tomar face ao mercado existente ou potencial que enfrentam. Ela aparecerá então como um complemento e nlo um substituto d os mecanismos do mercado. No passado e em economia fechada, a poUtica industrial podia ser mais voluntarista e intervencionista. Hoje em dia, em economia aberta e no quadro de crescente intemadonalizaçlo das nossas empresas, a poJítica industrial tem de se afastar desse tipo de actuação, devendo ajustar-5e nlo só às regras do jogo da Comunidade mas também ao contexto internacional, em que os comportamentos empresariais estratégicos assumem primordial import1ncia. Trata·se pois de conceber uma estratégia de desenvolvimento industrial em que as empresas slo o destinatá.rio principal, ao contrário de propostas e visoes de décadas passadas que, numa visio voluntarista e de economia fechada privilegiavam a abordagem pelos sectores industriais. Cada vez mais na Europa Comunitária a especiali.zac;!o é ao nivel dos produtos e nlio dos sectores industriais, o que é bem reflectido pela importância crescente das trocas comerciais intra·industriais em detrimento das inter·industriais. A polftica industrial terá pois um carácter mais horizontal e menos sectorial, preocupando-se com a criaçlo de infraestruturas e serviços de apoio à Indústria e de estímulo à actividade industrial, através de esquemas de apoio à inovação, à qualidade, ao '"design", ao "marketing'",- à comercialização e à formação de recursos humanos e de sistemas de incentivos selectivos ao investimento industrial. A estratégia visará, em suma, proporcionar às empresas os meios necessários para que o sect·or privado venha a apresentar suficiente flexibilidade quer de adaptação às novas formas de concorrênâa quer de antecipaçlo aos mercados do futuro e ao emergir de novas oportunidades de investimento. Teremos ent!o em Portugal uma poUtica industrial nlo intervencionista, destinada a apoiar as empresas, com as seguintes linhas de base: • melhorar o funcionamento dos mercados (por ex: mercado de capitais, mercados de trabalho) por forma a libertar as empresas portuguesas da rigidez e das buroaacias que têm dificultado o seu 11 SÉRIE-A- NÚMERO ajustamento estrutural, diminuindo·lhe as desvantagens comparativas que nessas matérias têm sentidÕ em relação aos seus competidores estrangeiros; • estimular os factores dinâmicos de competitividade na estrutura industrial, designadamente a qualidade e a inovação; • reduzir o conteúdo energético do produto industrial, estimulando os esforços de conservaçlo e utilização racional de ene.rgia e de diversiflcaçlo energética em relac;lo ao petróleo, através do aproveitamento dos reslduos e do vapor gerado nos processos industriais com vista à satisfac;!o dos consumos industriais através da auto--produçJo; • adaptar todo o sector industrial ils alterações que, com cada vez maior rapidez, se têm vindo a verificar na procura, prevendo apoios quer à produc;!o quer aos factores de produc;!o. Nesta quarta linha de base impõem-5e as seguintes seis prioridades: • optimiz:aç.lo de aproveitamento industrial dos recursos naturais, maximizando o valor acrescentado nacional; • mode.rnizaçlo das nossas ind\lstrias tradicionais através da introduçlo das novas tecnologias e do esforço intenso nas áreas da qualidade, "design", comerciali.zaç!o, "marketing", melhoria e reforço da capacidade de gestlo e organi.zaç!o. ( o caso da indústria textil mostra de forma saliente que nlo há sectores industriais obsoletos mas sim empresas que se modernizam e outras que nlio o fazem); • melhoria da qualidade e expansão nas indústrias em que já temos tecnologia própria e arranque de novas indústrias em que é passivei obter essa tecnologia, quer através de importac;!o de tecnologia -investimento estrangeiro ou inovaçlo aaescentada ~ quer através do desenvolvimento em Portugal de novas tecnologias. Nesta prioridade é crucial o desenvolvimento da produçlo em Portugal de bens de equipamento, numa óptica de mercado aberto e concorrencial, atendendo à nossa fragilidade estrutural nessas produções; • produç!o de tecnologias avançadas adaptadas ils necessidades quer de modernizac;!o e reconverslo tecnológica da nossa base industrial, quer de avanço para novas áreas através dum processo de investigac;!o industrialmente orientado em Portugal; • desenvolvimento da ind\lstria de serviços, designadamente de "software", em llgaç!o quer com os processos de automac;!o industrial quer com o processamento de informações através das tecnologias de informac;!o implementadas nos sectores de serviços; • desenvolvimento do sector de serviços internacionais intenned.iac;!o comercial e finanoeira. telecomunicações e tranportes ma.rítimos - aproveitando a nossa base industrial exportadora. Como já referido, o PEDIP será o principal instrumento (mas nlo o único) de suporte desta poUtica, e de acordo com as prioridades aqui referidas fornecerá à indústria portuguesa as seguintes possibilidades: • apoios de enquadramento através das infraestruturas de base e tecnológicas (eixo 1) e de formac;!o profissional (eixo 2); • apoios financeiros através dos sistemas de incentivos financeiros e dos mecanismos de engenharia fmanceira (eixo 3); • apoios aos factores dina.micos de competitividade através das missões de produtividade e de qualidade e ·design" industrial (eixo 4). No quadro do sistema de incentivos ao PEDIP (SINPEDIP) assume grande importância o sub-sistema .. Aquisição e Desenvolvimento de Tecnologias" com vista a estimular a investigação industrialmente orientada nas nossas empresas. Nos pafses da CEE constatou-se empiricamente existir uma forte relaçlo positiva entre Investigação e Desenvolvimento e a diversificac;.lo. O padrão da nossa divers.ificaç.lo interindusbial n.lo será indiferente ao facto de ser gerado por trabalhos de
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Investigaçlo e Desenvolvimento em Portugal ou de assentar na tranSferência de tecnologia. Este instrumento serã pois muito importante para fazer disparar o processo de investigaçlo aplicada na indústria
portuguesa, assim contribuindo para a desejável diversificaçao da nossa
estrutura no quadro aberto e concorrencial do grande Mercado Interno e para a diminuição da nossa dependência em relaçlo a produtos senslveis
na Comwúdade.
Importa ainda fazer uma referência às empresas públicas do sector
industrial e energético. Também o sector püblico português Rio pode ficar isolado ou imune à crescente intemaàonalizaçlo da nossa economia e aos comportamentos estratégicos das empresas estrangeiras que operam nos
sectores onde existem EPs, comportamentos estratégicos esses, feitos numa perspectiva de mundialização das actividades e produções.
Impõe-se pois, para além dos processos de privatizaçlo já em curso, a reestruturaçlo e racionalizaçlo das EPs em situaçlo econ6mi~financeira
difícil, reequilibrando-as e fomentando as associações com o sector privado e explorando as sinergias e complementaridades entre empresas
püblicas e sector privado.
Tal foi aliãs um dos objectivos da alteração da Lei de Delimitação dos Sectores, pois a manutenção da situação anterior iria condenar a expansao de muitas actividades que estavam no sector püblico por impossibilidade de abertura ao sector privado, levando à inviabilidade económica a prazo dessas actividades e ao seu desaparecimento no âmbito do Mercado Interno Europeu.
110. A diversidade da actividade económica., e as consequências sociais da dinlmica que essa diversidade imprime, repercutem-se frequentemente na concepção e montagem de instrumentos de actuaçlo baseados na concepçlo de que a agricultura e a indústria slo os únicos sectores a ter verdadeiramente e.m conta.
No entanto, os serviços não só têm, desempenhado um papel fundamental na evoluçlo da actividade económica, como têm tambem contribuído de forma muito significativa para a definição dos seus
contornos e para a perspectivaçlo das respectivas tendências prospectivas de desenvolvimento.
Constituindo, quando confrontado com a agricultura e a indústria, o único S&'tor em que se verificou um crescimento relativo mais acentuado, o terciário desempenha também um papel relevante na formaçlo dos padrões espaciais sociais e económicos, tanto nos sistemas urbanos como nas zonas rurais - substituindo nas cidades a indústria na ocupaçao de mio-de-obra e apoiando o movimento de refor<;o de centros urbanos de média dimensão (cujo crescimento decorre tambem dos novos padroes da actividade agrícola e das tendências - claras nas sociedades ewopeias e que se desenham já em Portugal - de transferência de localização das wúdades produtivas industriais).
Esta evoluçlo do sector terciário resulta da combinaçlo de múltiplos
factores; assinalam-se, no entanto, como essenciais os seguintes:
• a eficãcia e a racionalização do crescimento das inte rapidamente exigem a possibilidade de estabelecimento de relações mais sofisticadas respeitantes, designadamente, às financeiras; • a organização e a gestão das actividades económicas agrtcolas e industriais encontra-se num processo continuo de transformação e modernização, salientando-se neste contexto que os serviços que slo habitualmente executados dentro das próprias unidades produtivas revelam uma tendência de autonomização e de especialização, correspondendo assim à externalizaçlo dessas actividades; • os padrões de vida e os valores sociais alteram-se tambem, no sentido quer do acentuar da procura de produtos e serviços mais 2-(397) personalizados e individualizados, quer da valorizaçlo progressiva dos tempos livres e do lazer, em contraponto às actividades de produçlo, quer ainda pelas consequências desta última tendência na aceitação crescente da dimensão ambiental e ecológica das sociedades modernas; • a evolução do sector püblico dinamiza finalmente o sector terciãrio, tanto pelo que representa de geração da procura de servi<;os, quer pela prestaçlo acrescida de serviços aos cidadaos e aos agentes económicos. As tendências gerais referidas terão, quando combinadas com as especificidades nacionais e regionais e com as consequências1 neste lmbito, da construçlo do Mercado ln temo, traduçlo diferenciada: • considera-se como prov-ável, por um lado, que a dinâmica económica decorrente do Mercado Interno contribua para a uniformizaçlo tendencial da natureza e qualidade dos serviços prestados à actividade económica e aos cidadlos das Comurüdades Europeias; esta evoluçlo, nlo tendo embora efeitos imediatos, tenderá a privilegiar o desenvolvimento do terciário nos Estados membros e nas regiões onde actualmente apresenta maiores insuficiências; • essa tendência dever._ por outro lado, ser acompanhada e temperada pela e voluçlo da espedalizaçlo te rciúia que corresponderá à concentraçlo dos serviços avançados de alta tecnologia nas regiões centrais e l irradlaçlo dos que absorvem mais mao-de-obra para a periferia; tal evolução nao deverá, no entanto, desenvolver-se apenas l escala internacional mas, tambem, produzir efeitos no plano intra-nacional; • o desenvolvimento da exportação de servi<;os" serã também um factor a ter em conta, designadamente no contexto da politica com.ercia.l comunit.iria, e com consequências potencialmente significativu nos Estados membros que, como Portugal, apresentam vantapns comparativas regionais; • u diferendaçóes na evoluçlo demogrãfica condicionaria ainda o crescimento divenlficado dos segmentos da actividade terciãria com mercados etários pré-determinados, Influenciando as perspectivas de crescimento em situaçOes como a portuguesa no que respeita aos serviços de educaçao, formaçlo profissional e saúde; • os recursos e as potencialidades que marcam as especificidades portuguesas no mbito comunitário deverlo, fmalmente, constituir suporte estratégico ao desenvolvimento estimulado de alguns segmentos da actividade terciária, onde se deve assinalar a imporUnda crucial do turismo. As prioridades relativas ao desenvolvimento do sector terciário nos próximos anos deverão enquadrar-se nas perspectivas apresentadas e na articulação estreita que se toma necessário estabelecer entre a construção de infraestruturas e a dinamizaçlo dos serviços que as vao utilizar. Definem-se, nestas circunstlndas, os seguintes eixos fundamentais: • dom.fnios em que deverá ser concentrado um esforço de modernizaçlo e desenvolvimento: educação, saúde, terceira idade, desporto e transportes; • domínios em que Portugal detem vantagens comparativas que devem ser potenciadas: turismo e ambiente, em estreita ligação com a cultura; • domlnios em que se apresentam potencialidades nacionais que devem basear polos de especializaçlo e de excelência no plano comwútúio: serviços de apoio ao desporto, saúde para a terceira idade, desenvolvimento de aplicações informãticas e a criação artlstica e formaçlo técnica no uso de meios electrórücos ligados à discografia, video e publicidade. Assinala-se, finalmente, a atribuição de prioridade à modemizaçlo da nossa estrutura empresarial no sector dos serviços e, em particular do comhdo, onde avulta a formação especifica, o estimulo à constituição de
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centrais de compras e agrupamentos complementares de empresas, a criaçlo de mercados abastecedores e a especializaçlo do pequeno comérdo
a par da modemiz.açlo e investimento na qwilidade dos produtos.
111. Os objectivos genis da politica de Turismo decorrem, naturalmente, dos objectivos globais fixados para a poUtica de de!>envolvimento económ.ico e social Assim~ o turismo dever·se-à enquadrar nas seguintes finalidades fundamentais:
• melhoria da qualidade de vida das populações;
• contribuiçlo para a resoluçlo de problemas económicos e dinamizaçlo da actividade produtiv;l;
• atenuaçlo dos deseq..Uibrios regionais;
• protecçlo do ambiente e valorizaçlo do património cultural.
Tendo em conta estas finalidades, os objectivos prosseguidos pela polftica de turismo slo:
• aumentar o peso do sector nas contas nadonais, contribuindo para o equillbrio da b.ilança de pagamentos;
• dinamizar a actividade económica nacional e atenuar os deseq..Uibrios e as assimetrias regionais;
• contribuir para a melhoria da qualidade de vida da populaçlo;
• aumentar os nfvei.s de emprego;
• contribuir para • protecçlo do meio ambiente e para a valorizaçlo do património cultural.
O primeiro objectivo será prosseguido através do aumento e dlversificaç,So da procura turística global, visando o aumento das receit-as externas, a atenuaçlo da sazonalidade e a diversificaçlo de mercados emissores. Assim_, prevê-se aumentar em 7% as receitas diá.rias .. per capita" (variaçlo média anual 89/92), aumentar em 10% as receitas aposento médio por dormida na hotelaria, aumentar em 50% as dormidas de estrangeiros em todos os meios de alojamento no perfodo Jun./Set em relaç.to às dormidas anuais e, ainda. limitar a partiàpaçlo individual de cada mercado estrangeiro ao máximo de 25% em 1992.
O objectivo de atenuaçlo dos desequilibrios regionais será prosseguido atrav6 da diversifkaçlo da procura a n(vel regional quer através da promoçlo do turismo Interno quer da reorientaçk> da procura externa a lavor das regUles com potendalidades turisticas mas n.lo tradidonais. Neste lmbito foram definidos como prioritários da politica de Turismo os Eixos de Desenvolvimento Turlstico e as RegiOes Especificas de Aproveitamento Turlstico e os Polos de Desenvolvimento Turlstico.
Por outro lado, aquele objectivo seri sobretudo prosseguido através de actuações que visem melhorar e diversificar a oferta turlstica das regioes prioritárias, quer através de Incentivos directos as actividades produtivas, quer através da realizaçJo das necessúias infraestruturas públicas de interesse turfstico.
A cont:ribulçlo para a melhoria da qualidade de vida da populaçlo portuguesa lar-se-à através da promoçJo de formas de exploraçlo tu.risticas complementares das economias fam.Ulare:s - turismo no espaço rural e ainda pela promoçlo do turismo sodal e desportivo.
A protecçlo do meio ambiente e a valorizaçlo do património cultural envolverlo ac<;Oes com vista a privilegiar zonas e regiOes que disponham de planos de ordenamento territorial, à recuperaçlo de monumentos e património urbano e à defesa das várias formas de cultura popular.
Por último, todas estas linhas de actuaçlo contribuem para o objectivo de aumentar os nlvels de emprego e de qualllicaç1o profissional, que será especificamente prosseguido através de acçOes de lormaçlo profissional.
112. A poUtica de transportes. entendida como uma componente determinante da articulaçlo do sistema urbano e interurbano nacional e
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Internacional, assegurará n.lo apenas o prosseguimento dos esforços de investimento nas Infraestruturas de transportes (estradas, caminhos de ferro, aeroportos e portos), mas também a flexibilizaçk> e dinamizaçlo da oferta dos serviços de transporte de pessoas e mercadorias.
Assim, salienta-se que no horizonte de 1992:
• prosseguiria as acções com vista l desregulamentaçlo e Uberalizaçlo graduais do mercado;
• com a aprovaçlo da Lei de Bases dos Transportes Terrestres serk> revistos e slmpUflcados regulamentos dos transportes rodoviMios;
• a reconverslo da exploraçlo ferroviária e o redimensionamento da rede encontraria na referida lei o suporte jurídico para garantia do serviço público e da melhor forma de ser prestado;
• continuaria a ser adoptadas medidas tendentes a garantir a Igualdade do tratamento entre as empresas públicas e privadas que conconem no mercado;
• o quadro tnstitudonal do planeamento dos transportes nas regiOes urbanas ser6 ajustado por forma a consagrar urna maior lntervençlo dos po(!eres locais, incluindo o respectivo financiamento;
• relativamente ao transporte aéreo seri aberto o serviço regular no
interior do continente a novos operadores sob o regime de llcendamento ou concesslo, de forma a melhorar a qualidade e a diversificar os serviços oferecidos;
• na Marinha do Comérdo continuará a ser dado apoio l renovaçlo da frota nacional, através de comparticipaçlo financeira nos respectivos investimentos;
• prosseguiria as altera<;Oes do quadro legal regulador dos transportes marftlmos tendo em vista a desregulamentaçlo e a criaçlo de condi<;Oes Idênticas as que vigoram para as frotas comunitárias.
Para tanto importa, nlo apenas, assegurar o prosseguimento dos esforços de investimento nas Infraestruturas de transportes rodo·fluvio~ ferroviárias, cuja ampliaç1o, reforço e modemi.zaça:o condicionam o desenvolvimento regional integrado pr~onizado, mas, também, um esforço redobrado no domínio da modernização e racionalizac;lo da funçlo de transportes, pela acçlo de um programa de incentivos a uma oferta dlverslflcada e de qwilidade tecnológica dos próprios vefculos e dos serviços prestados, a par de uma indispensável modemiz.açlo e efldda da gestlo empresarial, numa óptica concorrendal em que o cliente seja o prindpal benefidário, a segurança o escopo visado, e a livre escolha o objectivo a atingir.
As Infraestruturas de suporte dos meios de transporte e a renovaçlo da frota continuaria a ser planeadas e executadas numa perspectiva integrada, de forma a conduzir, para certos custos equivalentes, ao maJor benefldo social para a comunidade.
O resultado desse planeamento cuidado e da sua execuçlo em ritmo satisfatório, conduzirA ao estabelecimento de um sistema coordenado que
n.lo a6 reduza as assimetrias regionais e as penalizações da interioridade e da periferia_ como garanta transportes eficientes, cómodos e económicos, permita reduzir os custos em equipamentos e em consumo de energia, e diminua o tempo dispendido em desloca<;Oes de pessoas e bens.
A reallzaçlo plena do Mercado Interno impOe, por outro lado, uma alteraçlo qualitativa, no sentido de se garantir, com a efldda desejada, a
acessibilidade e a mobilidade de viaturas, pessoas e bens, nlo a6 na rede urb..na e interurbana nacional, mas fundamentalmente_, no que concerne lllgaçlo de Portugal aos restantes palses comunitários.
Para este desiderato concorrerá um Programa de Desenvolvimento das Empresas de Transportes, integrado e sustentado a montante e a juz.ante, que assegure um adequado desenvolvimento e modemiz.açlo do sistema e organizaçlo do transporte na vertente de maleabilidade, equipamento e organizaçlo
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No lmbllo do sistema rodovltrio, a modemlzaçlo da rede nacional de estradas, Incluindo os lliner6rlos de llgaçlo ao resto da Europa, ser6 alcançada atrav& da conaetlzaçlo dos seguintes objectivos:
• acelerar o esforço de construçlo da Rede Fundamental (IPs) - de
forma a alinglr perto de 80% da nede- e da Rede Complementar (ICs) -cerca de 70% -,bem como variantes a aglomerados urbanos;
• conlinuar o esforço de c:onstruçlo da Rede de autoestradas, (200 km) mormente na llgaçlo Braga-Sel11bal;
• proosegulr a reabllltaçlo e c:onservaçlo periódica da nede nacional;
• melhorar a segurança rodovltrla;
• delinlr a nova nede rodovl6rla municipal.
Para c:onaetizaçlo destes objectivos pnossegulr-se-l a lmplementaçlo do Plano Rodovlúio Nacional, actuando prioritariamente nos llinertrios Principais que melhorem as ligaçOea l Europa, particularmente o IPS (Aveiro-Vilar Formoso), [P4 (Porto-Bragança), IPl (Valença-Vila Real de
Santo António) e nas principais vias longitudinais do pais, o IP2 (Bragança-Ourique) e IP3 (Chave5-Figuelra da Foz).
Em paralelo, prooeder-se-l prioritariamente l construçlo dos llinertrios Complementares transversais como o ICS (Póvoa do Varzim-Murça), IC8 (Figueira da Foz-Segura), IC4 (Sine5-Faro) e ainda no ICl longitudlnal (Llaboa-Porto).
Para reabilltaçlo e ronservaçlo perl6dlca da rede nadonal e a melhoria da segurança rodovl6rla conlinuarlo em execuçlo as intervençOea previstas
no Programa de Conservaçlo Periócilca.
Quanto l deflniçlo da nova rede rodoviirla municipal, ser~ Implementada a regulamentaçlo do processo de transferência para as autarquias da gestlo das estradas nacionais a descluslfic:ar.
Tendo em conta os estrangulamentos que afectam o aistema de transportes e respectivas infraestruturas nas Áreas Metropolitanas de Usboa e Porto, e no intuito de garanlir a Ouldez de tr.ifego, melhorar substandalmente o nlvel de serviço prestado e contribuir para a poupança
de energia, enumeram-se os seguintes objectivos:
• coordenar e articular os meios de transporte urbano e suburbano, numa perspectiva multimodal, nomeadamente no que se prende com
a estruturaçlo e locailzaçlo de interfaces;
• acelerar a construçlo das infraestruturas rodo e ferroviárias de aa!SSO às cidades de Usboa e Porto;
•desenvolver a capacidade de oferta das diferentes redes urbanas de
transporte.
Estes objectivos, na Área Metropolitana de Usboa, serlo desenvolvidos atrav& da ampliaçlo da rede de metropolitano, da Implementação do Plano do Nó Ferroviúio de Usboa, da construçlo das Circulares Regionais e respectivas Radiais, e do estudo e lançamento do projecto de renovaçlo da rede de eléctricos. Na Área Metropolitana do Porto, prosseguirlo as intervençOea no Nó Ferrovltrio do Porto e a construção das Circulares Regionais. Em ambas as Áreas Metropolitanas os programas referidos serlo convenientemente coordenados, estabelecendo-se as necesstrlas llgaçOes intermodais (intrefaces), que
garantam um eficiente funcionamento do sistema.
No lmblto da Rede Ferrovltria, e de acordo com o Plano de Modemlzaçlo e Reconversão dos Caminhos de Ferro, os objectivos a alcançar slo:
• melhorar aa condiçOea de segurança, circulaçlo e velocidade, nomeadamente no eixo Norte-Sul e nos eixos de iipçlo l Europa. por Vilar Formoso-Irun (Unha da Beira Alta) e por Elvu-Madrid-
Baroelona, atrav&:
- da baixa dos tempos de percurso;
- do aumento da segurança com a introduçlo do controlo automttlco de velocidade;
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- do aumento da qualidade do oervlço de reserva electr6nlca ;
- do aumento da fiabilidade e regularidade;
- do aumento do escoamento do trAfego internacional.
• racionalizar a exploraçlo da nede:
- privilegiando os lliner.irloa das cinculaçOea que permitam nlvels de trAfego (real e potendal) jualiftcatlvos do transporte ferrovlirlo;
- mantendo em funcionamento, mediante retrlbulçlo do Eatado, ao linhu consideradas de utilidade póbiica e nlo financeiramente vfjveis;
- concedendo exploraçlo ls Autarquias, ou outras enlidades locais, das linhu sem interesse nacional, mas de eventual interesse regional ou local, subalituindo nas restantes linhas o transporte ferrovltrio por transportes alternativos.
Reconverter as actuais actividades do caminho de ferro, concentrando-u nomeadamente:
- no transporte de passageiros suburbanos e de longo curso entre aglomerados urbanos principais, nacionais e internacionais;
- no transporle de mercadorias em vaglos completos, grupos de vaglos completos e combóios completos, inddlndo sobre certos
tr6fegos.
Apeaar de algumu inauflc:IADdas nu infraeatruturu e nos equlpamentoa, os problemas que afectam os por11» de c:om&do prendem-te, aobletudo, com a orpnlzaçlo do trabalho portu.ir1o e c:om a 8Wl gestlo.
• promover a compelllivldade internacional dos portos, aumentando a aua produtividade, atravél da:
- alteraçlo da leglslaçlo do trabalho portutrio;
- neduçlo de cuatoa operacionais;
- aquislçlo e modernlzaçlo de equipamento
• estimular a vocaçlo de cada porto, intensificando a utillzaçlo das infraestruturas e>càtentes e nalguns casos a sua própria expanslo.
No lmblto dos aeroportoa a garantia, a médio prazo, da satisfaçlo da procura de trAfego aéreo e a melhoria da acessibilidade aérea das zonas Interiores mais carenciadas ser' alcançada através dos seguintes objectivos:
• ampliar, modernizar e aproveitar ao miximo as infraestruturas aeroportu6rlaa principais e de navegaçlo aérea;
• a>nclulr os estudos referentes t concepçlo geral, localizaçlo e data de
entrada em serviço do novo aeroporto de Usboa;
• desenvolver uma rede de aeródromos secundtrios.
Estea objectivos ser lo alcançados atrav& das seguintes linhas de actuaçlo:
• prosseguimento da modemlzaçlo do Aeroporto de Usboa (Portela);
• desenvolvimento do Sistema do Controlo Ocelnlco;
• recuperaçlo da infraestrutura e aumento da capacidade operacional do sistema no aeródromo de Cascais;
• benefidaçlo dos aeróclrollla. de Braga, Bragança, Coimbra, Covllhl, Portlmlo, Vila Real, Viseu e ~vora.
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113. O desenvolvimento das telecomuniuçõos, por forma a permitir uma aproximaç:lo aos padrões europeus e a beneficiar as regiões mais desfavorecidas e mais isoladas, serâ atingido através da concretização dos objectivos que se seguem:
• alteraç:io do enquadramento legislativo do sector com vista à sua dinamizaç:lo pela introdução de concorrência nos serviços complementares e de valor aaescentado;
• reestruturação do sector empresarial com destaqJJe para a separação
da actividade de correios e atribuição ao Estado das funções regulamentadoras e fiscalizadoras;
• normalização da utilização do espectro radioeléctrico;
• Renovação, expanslo e modernizaçllo dos serviços tradicionais através de:
- modernizaçJo dos sistemas de comutaçl!o;
- acompanhamento da elevada procura telefónica e de telex previstas;
- implementação de um Programa de Telefonia Rural;
• Lançamento e desenvolvimento de serviços avançados de telecomunicações, através da implementaçao do Programa Comunitário STAlt
114. Em matéria de ordenamento do território, a realidade díferenóada das várias regiões do Pais aconselha a que a definiçfto das grandes linhas de orientação a prazo seja precedida do estabelecimento de esquemas de coordenação entre as diversas politicas sectoriais, adaptando--as às necessidades regionais. É o caso da pol!tica de transportes e comunicações, em primeiro lugar, mas também das restantes politicas com componentes importantes de implantação de infTaestruturas básicas e de apoio à actividade económica, e designadamente, das politicas
urbanistica e de aproveitamento de recursos naturais.
Esta constatação impõe a articulação do ordenamento do território com a polftica de desenvolvimento regional como factor essencial para a introdução de parâmetros de racionalidade na gestão do •recurso espaço".
Importa.ndo garantir a cada região o necessário suporte ao seu desenvolvimento e definir para os centros urbanos os seus eixos de ligaçao e hierarquia de funções, quer de apoio à actividade económica quer de concentraçlo de equipamentos colectivos. a politica de ordenamento do território para os próximos anos enquadrar-se-à numa con~o ampla de desenvolvimento económioo e social de modo a que, obedecendo à nea!SSidade de respeitar o padrão de urbanização do Pais, aponte também para a introdução de elementos correctores de base voluntarista nas tendências de evolução na ocupaçfto do espaço.
Neste sentido, identificam-se os seguintes grandes objectivos:
• reestruturaçAo do sistema urbano;
• melhoria da qualidade do espaço urbano;
• aproveitamento dos recursos naturais;
• melhoria dos processos administrativos de planeamento territorial e de gestão do espaço.
Em relação ao primeiro objectivo as principais linhas de actuação são o apoio à instalação de equipamentos sociai.s e de equipamentos dinamizadores da actividade económica nos centros de média dimensão,
a melhoria das condições de acessibilidade, a melhoria da funcionalidade das áreas portuárias e fronteiriças e o desenvolvimento das telecomunicações, promovendo a sua penetraçlo no interior.
Para o segundo objectivo importa promover a melhoria dos nfveis de atendimento e de qualidade de prestação de serviços de saneamento básico, a melhoria da circulação urbana, o reordenamento das áreas
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urbanas degradadas, a criação e conservaçlo de espaços verdes# a integração harmónica das novas oonstruções no tecido urbano existente, o controle e prevenção de acções de agressl!o e intrusão visual e a redução dos nlveis de poluição sonora e atrnosfárica.
Quanto ao terceiro objectivo há que implementar e gerir a Reserva Ecológica Nacional, reformular o processo de gestão dos solos de alta qualidade (Reserva Agrfcola Nacional), valorizar as Áreas Protegidas,
melhorar o aproveitamento dos recursos hfdricos de superf!de para abastecimento urbano e agrfcola, despoluir as linhas de água e zonas húmidas em situação aitica e garantir a gestlio integrada das principais bacias hidrográficas.
Relativamente ao quarto objectivo as principais medidas respeitam à elaboração de Planos Regionais de Ordenamento do Território CPROn, à cobertura dos munidpios com Planos Directores Municipais (PDM), divulgando a legislação, procedimentos e regras de planeamento e simplificando o seu processo de elaboraçlo, à formaçlo autárquica no domínio do ordenamento, à melhoria dos sistemas de informação estatística e cartográfica, à melhoria dos circuitos de informação entre os diferentes nlveis administrativos, à artiéulaçio Clas politicas e planos
sectoriais através da institucionalização de um orglo coordenador para o ordenamento do território e à promoção de acções intermunicipais nos
dom!nios do planeamento das infraestruturas e equipamento.
115. Uma outra área de actuaçlo no domfnio da promoção e "Rlorização dos recursos naturais é a dos reausos hídricos, tendo em vjsta um aproveitamento eficiente das disponibilidades hfdricas, tomando em consideração que a água é um recurso natural renovável indispensável à manutenção das actividades humanas, constituindo factor de desenvolvimento quando está disponlvel em quantidade e qualidade.
Assim, desenvolver-se-lo acções nas seguintes áreas:
• satisfação das necessidades de água dos sectores utilizadores;
• drenagem e tratamento de águas residuais;
• protecção e conservação do domfnio h!drico;
• combate aos inconvenientes de cheias e secas.
No l!mbito destes objectivos definem-se as seguintes linhas de actuação:
• consolidaçlo do novo sistema institucional de gest:lo de recursos hídricos;
• realização de estudos de planeamento integrado dos recursos h!dricos;
• realiz.aç:l:o e reabilitação de inhaestruturas hidráulicas e de saneamento básico;
• controle das descargas de poluentes quimicos tóxicos e de metais pesados, pelas indústrias;
• implementação de esquemas de controlo do uso de Uocidas e fertilizantes químicos pela agricultura, métodos de drenagem e destino final das escorrências e detecçlo das respectivas zonas atingidas ou em risco de degradação da qualldade das águas superficiais e subterrâneas;
• desenvolvimento de novas fontes de abastecimento de água doce, a par de uma gestão mais equilibrada das já existentes e redução da poluição dos recursos hidricos disponlveis,
• gestl.o estratégica da procura de água, incentivos económicos e campanhas educativas, visando a racionalização dos cursos de ãgt1a;
• controle da expansão de áreas impermeabilizadas e dos sistemas de drenagem forçada, em zonas urbanas e ao longo dos grandes eixos de c:omunicaça.o;
• inclusão de normas e medidas de protec:ç:lo e conservaç:lo dos recursos h!dricos nos planos de urbanização.
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116. A dependência enugftica do nosso pais face ao exterior constitui uma Hm.itaçSo significativa ao lançamento de um processo
sustentado de desenvolvimento quer pela sua influência nos equilíbrios macro-económicos, quer porque o aescimento da economia aumentará. as pressões sobre a oferta de energia. em quantidade e qualidade.
Considera-se, no entanto, que seri possfvel no horizonte de 1992 atingir resultados signifiativos na alteraçlo desta situaçao, tomando por consideraçAo Msica que a poUtica energética envolve e interliga todos os sectores e ireas de actividade • tendo assim um carácter transversal na actividade económica ·, caracterlstica que exige a respectiva abordagem de
modo completo e integrado, envolvendo actuaçOes na oferta e na procura e, portanto, passando da tradicional intervenção junto de um número
reduzldo de interlocutores para o tratamento de necessidades comuns a milhões de consumidores.
Por outro lado, as estreitas inter-relações entre o sector energético e toda a actividade produtiva tornam particularmente significativo o respectivo impacte regional - entendendo-se que a disponibilização quantitativa e qualitativa de energia deve, em lugar de assumir uma estratégia própria de ocupação do território, acompanhar as tendênàas de evolução espaàal da actividade econónúca.
Neste contexto, os objectivos gerais e espedficos da poUtica energética sAo
os seguintes:
• melhorar a eflciênàa energéticr em geral, assim como os consumos espedficos de produçl!o e de funcionamento, através de:
- melhoria das técnicas dos meios e da conjugação das três
componentes da utillzaçlo racional de energia - gestão, conservaelo e dlversillcaçlo das fontes a utilizar;
- melhoria da qualidade dos equipamentos energéticos, dos materiais e das carac:terlsticas dos combustlveis;
- conhecimento mais completo das potenàalidades da utiliza(ão racional de energia em todos os sectores de consumo;
• introduc;lo da utiliz.açlo racional de energia nas novas unidades consumidoras, desde as fases de concepção e projecto até A aquisição dos sl!temas, equipamentos e materiais;
• explorar todos os recursos naturais próprios, nomeadamente as energias renov6.veis, o que envolve:
- o incremento prlorlt,rio da exploração local dos recursos hldrlcos e da biomassa sólida para produção de energia eléctrico;
• o incentivo l instalaçlo de unidades de co-geraçlo e de
aproveitamento de efluentes térmicos para produção de energia eléctrico;
- a manutenc;lo da poUtica de apoio técnico e financeiro à. utill.zaçlo das restantes energias renováveis - designadamente
solar, térmica, fotovoltaico, eólica e geotérmico;
- o aperfeiçoamento do conhecimento e gesUo das potencialidades nacionais em energias novas e renoviveis e das temologias assoàadas.
• diminuir a dependênda energética do petróleo e do exterior, através
da:
- continuaçlo da prospecça.o em território nacional de combustfvels nlo renováveis;
• continuaça.o da exploraçlo e da concentraçao do minério de urlnio das minas em funcionamento;
- promoçlo da diversificaça.o das fontes e das origens das energias ronvenàonal!, designadamente glls natural e carvilo;
• assegurar o aprovisionamento de energia e a sua qualidade, assim cmno d.isponibiliú-la a custos mlnimos.
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A prossecuç.lo destes objectivos implica:
- a alteraçJo do sistema de preços da energi;>, implementando, no que respeita à electriàdade, um novo tarifário mais flexível e ajusUivel progressivamente à oferta e l procura e, no que se refere aos produtos petroUferos, à adopçAo de uma nova fórmula em que o preço de venda ao público traduza as ~dos preços de custo dos produtos;
- a radonalizaçJo ao nlvel dos agentes da oferta, tendo em conta a necessária abertura interna dos sectores a outros operadores, a integraçao num mercado aJargado (em termos de origem dos fomeàmentos e da diversificaçlo das formas de energia) e a alteração de atitudes que conduza a privilegiar a raàonalizaç.lo dos consumos em detrimento do seu aumento incol\.S(! • o desenvolvimento de processos, tecnologias~ equipamentos e produtos energéticos, em especial os mais adaptados aos recursos e potenàalidades naàonais. 117. Considerando o novo quadro de referência em que progressivamente se vem inserindo a economia e a sociedade portuguesas, a moderniza(lo do sist=• financeiro português tem que ser equacionada no contexto da progressiva liberalizaça.o e desregulamentaçlo do espaço fmanceiro europeu, tendo em linha de conta três prlndpios fundamentais: livre prestaçlo de serviÇOS1 reconhecimento mútuo das regulamentações nacionais e liberalizaçlo completa dos movimentos de capitais. Nunu. situa~o em que a esfera real da economia surge cada vez mais interligada e dependente da esfera monetária~ o sistema financeiro assume um importante papel ao nível das estratégias de desenvolvimento e modemizaçl!o. Com efeito, ocupa um lugar central no processo de criaçJo, acwnulaçJo e aplicaçllo de excedentes e, a este nlvel, deve ter-se em consideraçJo que num futuro próximo seri posslvel aos agentes económicos nacionais canalizar recursos gerados internamente para aplicaçlo no exterior, passando as expectactivas de rentabilidade a ser feitas rom base nos aithios supranacionais. Oeste modo, o nosso slstema financeiro vai enfrentar alterações quaJUatlvas e quantitativas significativamente importantes, passando a inserir-se num espaço alargado, onde será vis[vel um maior grau de concorrência e uma rápida mutação tecnológica, pelo que a sua modemi.zaçlo se toma um imperativo, por forma a promover uma afectação mais efiàente dos recursos financeiros gerados internamente. Por outro lado, a progftSSiva aproximação ao Sistema Monetário Europeu e o processo de liberalizaçAo dos movimentos de capttais exigem também uma reorganizaçlo e redimensionamento do sistema fin anceiro português, por forma a que se consigam assegurar ronmçOes para suportar e faur face a varia(lles ao nlvel dos fluxos de pagamentos correntes e de capitais, em resposta a modifica(Oes de expectativas de variação das t&xa5 de c:lmbio e de diferenàais de taxas de juro. Em primeiro lugar, essa modernização passa pela implementaç3o progressiva de medidas que desregulamentem e mnamlzem os mercados financeiros, potenciando o desenvolvimento de novos p rodut·os e serviços e o aparecimento de novas instituições como resultado do proce-sso de desintermediaçlo financeira em curso, favorecendo a respectiva competitividade e Inserção nos mercados. Esta maior desregulamentaç.to dos mercados deve ser acompanhada pela adopçlo, por parte das diferentes instituiçOes financeiras, de medidas de adaptaçJo e modernizaçlo, que lhes permitam fazer face à concorrência acrescida com que se debaterlo ao nlvel europeu~ o que~ em alguns casos~ poder! ser conseguido através de um reforço de solidez e de um aaéscimo de dimensão e, noutros, assegurando con Em termos mac:roeconómicos1 a reorganizaç.Jo do sistema financeiro slgnlllcarl, ao nlvel da poUtica monetária-cambial, a necessidade de
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adoptar mftodoa lndlrectoo de oontrole monet6rlo e cambial, através de uma politica de "open· market" cujoa objectivos principais serlo a taxa de juro e a taxa de cAmbio.
118. A realluç1o do pressuposto fundamental da vida oolectlva no campo da apUcaç1o da lei tributiria, traduzido na afirmaçlo dos valores
gerais de justiça, oomeça pela criaçlo de um obtema flocal que no plano normativo uaegure uma dlstribuiçlo justa da carga tributiria por todos os cidadlos ou aujeltoa puolvoa. Mas nJo K&ba ai: é neoessúio que a justiça Influencie a apUcaç1o das leio tribut.VIas em sede de interpretaçlo, na certeza da qual!flcaçlo dos factos nela previstos e, finalmente, na lnsuaceptibiUdade da msttnda de desvios entre a leitura doa factos e dos normativos legais, em homenagem l aegurança da reaU:zaçlo da justiça
fiscal.
Assumindo o Governo este pressuposto oomo valor perene da sociedade portuguesa Importa dar-lhe corpo de forma justa e sistem6tlea, mas tambêm segura e sem perder de visto a urgência da sua ooncretlzaç1o.
A reforma da trlbutaçlo indirecta através do Imposto sobre o Valor Acrescentado foi um passo Importante, estando em curso os trabalhos que irlo conduzir ao conhecimento dos fluxos de bens e serviços entre os
agentes económicos A concretizaçlo desta etapa oonstitui a verdadeira chave do rigor e justa aplicaç1o, sem desvios de oportunidades, da tributaç1o indlrectL
A reforma da tributaç1o dos rendimentos, a parte mais nobre de qualquer sistema fiscal, vai arrancar em janeiro de 1989. visando--se com ela uma justa tributaç1o da riqueza. A moderada progressividade das taxas tem em vista nlo bloquear a lnidatlva e a criatividade, premiando assim o trabalho e a poupança. valores fundamentais de eficiência económica que só podem ser alcançados oom elevados nlveis de investimento.
Mas, nlo basta a ooerência e a qualidade téaúea das normas. ~ preciso que o aparelho do Estado que as apUea esteja em condições de nlo frustrar as expectativas criadas. Por isso, o Governo vem promovendo profundas reformas na Admlnhtraçlo Fiscal, socorrend~se das modernas tea>ologlas de informaç1o, a par de uma permanente formaçlo dos seus quadroe.
~ a verdade fiscal que se pretende alcançar e para reforçar essa ideia força da Reforma FISCal slo dadas garantias adicionais e claras aos contribuintes.
Esta flexlbiU:zaçlo do sistema lmpOe maior rigor na penalizaçlo da fraude fiscal e por Isso se instituir' a figuro dos crimes fiscais para as faltas mais graves, enquanto as actuais transgressões serlo tratadas no quadro jurldico das contro-ordenaçOes.
No horizonte temporal do plano sert posto em prttica um novo e moderno slsleiN fiscal e serao dados pa$505 importantes numa outêntica reforma d.u mentalidades, traduzida numa maior compreens~ do dever dvloo de pagar irnpostoa.
119. Um outro factor que podert contribuir de forma significativo para a modemlzaçlo da economia portuguesa é o lnvutlmento eetruselro, nomeadamente enquanto forma de introduçlo de novu tea>ologlas e de conhecimentos dentfflcos desenvolvidos no exterior, de quallflcaçlo de mio-de-obra e de aumento do nlltnero de postos de trabalho a alar. Deste modo, tendo em oonta as acrescidas condições de competitividade que serlo mgldas ls unidades económicas portuguesas com a reallzaç1o do grande Mercado Interno, é previsível que se acentue a tendência actual para movimentos de cooperaçlo (nlo lesivos da conc:onênda) entre empresas. Esau Iniciativas, que vlo desde acordos de pesquisa e desenvolvimento l constituiçlo de "joint-ventures", deverlo pob, usumir-te oomo factores Importantes de dlnamizaçlo da actividade económica. No domínio produtivo, embora a evoluçlo recente do Investimento Internacional aponte para uma menor mobilidade ao nivel
Industrial, dever' promover-se o Investimento estrangeiro de forma a
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que contribua para a dlversificaçlo produtiva das regUles menos desenvolvidas do pais e para a respectiva inserç1o na malha de relaçOes lnterlndustriais. Por outro lado, e aoompanhando as tendêndu recentes, deverA apontar-se para uma lmport1ncia crescente que lrt assumir o sector dos serviços, particularmente ao nível do sector banctrlo e financeiro, facto que certamente se acentuarA oom a reallzaç1o do espaço financeiro europeu.
120. O Governo, apostando no reforço primordial da iniciativa privada. da concorrência e dos mecanismos do mercado, fart Incidir atenç1o especial no programa de prlvatizaçõea de empresas Integradas no
sector empresarial do Estado, cobrindo os vúlos sectores da actividade económica, por forma a que o ano de 1989 seja de ooncretlzaç1o dos prlndpioa legais definidos, em 1988, nas Leis n .. 71/88 e 84/88. Caminhar-se-A, assim, no sentido de, a um tempo, se atingirem os seguintes objectivos:
• aUvlo do Orçamento do Estado, quer pela via da diminulçlo de despesas, quer pela do aumento de receita, disponibilizando, do mesmo passo, fundos que podem ser aplicados em outras unidades do sector público (seja como reforço de capital, seja no apetrechamento técnico, tea>oiógico e de gestlo), na amortlzaçlo antecipada da divida pública e na cobertura do serviço de dívida emergente das nacionalizações;
• fort&ledmento das empresas, objecto e processo, atraW. do reforço de capitais, lnovaç1o tea>ol6glca. melhoria de qualidade de gestlo, com naturais reflexos positivos nas suas produtividade e competitividade;
• reforço do esplrlto e da capacidade empreaarlal nacionais, permitindo reforçar a carteira de participaçlles de empresas e empreatrlos e robustecendo os grupos empresariais com vista, nomeadamente, ao embate com a conoorrfnda exterN, sobretudo a partir de 1993;
• aumento da oferta no mercado de tftulos, lntroduz.lndo nele empresu boas e sólidas, de dlmenslo adequada, dispersando o respectivo capital por numerosos aforradores, Incluindo trabalhadores das empresas (o que, por sua vez, acarretart lntenslfieaç1o do esptrito de corpo das empresas, através do acesso doo trabalhadores l oondiçlo de accionistas e da sua intervençlo, em tal qualidade, na vida das empresas).
121. Também as orsanizaç6e• cooperativas devem assumir um lugar de relevo na construçlo do futuro do nosso Pais, devendo o seu papel ser igualmente equacionado no lmbito do grande espaço europeu.
Deste modo, deve reconhecer·se que iilS cooperativas se mostram como agentes particularmente adequados para intervir de forma activa no desenvolvimento das regioes com uma base económica mais débil. As cooperatlvu representam um elevado potencial Inovador podendo, enquanto pequenu e m~ias empresas, proporcionar aumentos de produtividade e desempenhar um papel Importante ao nlvel da criaçlo de empregos e do desenvolvimento de actividades inovadoras.
Contudo, f dese)'vel promover a organizaçlo cooperativa nos sectores em que os pressupostos da cooperaçlo entre pares se verifiquem na
pr'tiea. sendo lndls~vel que se exija a todos os que nela intervêm os mais altoa padroes de rigor na constituiçlo das cooperativas e na sua geatlo, a qual u deve conduzir a assumirem no mercado uma atitude empresarial, dinlmica e coerente.
Com vista l dinarnlzaçlo do sector, promover-se-lo acções de informaçlo e de senJibiUzaçlo, desd.nadas a dirigentes e membros das cooperativu e ao póblico em geral e Implementar-se-lo processos de formaçlo cooperativa.
Dever' Igualmente promover-se uma adequada assistência técnica com vista a facilitar a sua adaptaç1o a novos processos de gestlo e a novas tea>ologtas.
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Pollticu de otpn!zaçlo do &lHo
122. As principais orientações que serlo prossegu.idas pelas institult;Ot$ pllblkas, no horizonte de 1992, no lmbito das politicas sócio-económicas, nlo Ignoram que as actuat;Ot$ que se enquadram no lmbito da própria organiuçlo do Estado slo estruturantes da sociedade e condlçlo de coerência nacional das pollticu mais especificamente dirigidas ao desenvolvimento.
123. Salientam-se, em primeiro lugar, as linhas orientadoras das rtlaç&es externu, onde se assinala que a crescente complexidade do sistema de Interdependências I escala mundial Implica responsabilidades acrescidas paro o natureza dos reladonamentos que se estabelecem e para o sentido das prioridades que se seleccionam.
Por maior que seja a lmporttnda que lhes é atrlbulda, nem a vertente económica do reladonamento externo deve ser a Wúa consideraçlo a ter em c:onta, nem o nosso posicionamento nas Comunidades Europeiu a preocupaçlo exclusiva do actuaçlo exterior do Estado.
Importa assim, por um lodo, privilegiando o respectivo Impacte octual ou potendal sobre a nossa economia, ultrapassar as limitações desse referendai e adequar a natureza e a Intensidade das n!lações que se estabelecem com os demais palses e organiuç6es lnternacionaá b especificidades que apresentam; e, por outro, partindo da consideraçlo da nossa pleno inserçlo no espoço económico e geo-atratégico europeu, utilizar as potend&lidades que doi decorrem, bem como aquelas que nos ~especUlas para valorizar o nosso lugar no mundo.
Dentro deste quadro fObrnsaem lreas de interesse e empenho portugueses, algumas tradidonals, outras recentes.
Partidpamos na construçlo europeia com entusiasmo pois os seus objectivos de Mercado Interno e Coeslo Social coniTibuirlo decisivamente para maior prosperidade e equ.illbrio da sociedade portuguesa. Tal nlo representa, nem Implica, enfraqueàmento da nossa soberania ou da nossa Identidade, bem marcadas através de mais de oito séculos de história.
Portugal é protagonista octivo da AUança Atllntica. Pertenoe ao seu pilar europeu e esti convicto de que a partidpaçlo plena do pilar americano é fundamental para a preservaçlo e defesa dos valores e das instituit;Ot$ que caracterizam o mundo livre.
As nossas relat;Ot$ com os palses africanos de expresslo portuguesa s1o privUegiadu. A oooperaçlo é Intensa e cobre mu.itos campos: educaçlo, sallde, adminlstraçlo, agriculturo, lndllstria, defesa, etc .. HA beneficias mlltuos nessa oooperaçlo, quer económicos quer poiitieot. As posit;Ot$ europeias de Portugal ajudam os nossos parceiros africanos; nós, por outrO lado, temos uma palavra autorizada a dizer em questOes que afectem a África ao Sul do Sart.
Com o Oriente os portugueses têm uma longa história de interdmbio e ol ronqu.istaram há muito tempo posiçlo de prestigio. Nem sempre esse potencial tem sido activado. Faz* agora um esforço de aproveitameRto do capital histórico de boa vontade que existe: na Clúno, na lndia, no )aplo, na Talllndia e em quase todos os outros membros da ASEAN, na Coreia do Sul. As ofinldades e complementaridades existentes entre Portugal e esses patses sugerem um desenvolvimento futuro Interessante, dentro do quadro da evoluçlo económica mundial.
O Brasil é a expresslo dara da riqueza das trocas comerciais e culturais originadas pela expanslo portuguesa. Com ele • e também com o resto da América Latina • mantemos relações próximas animadas por fluxos de emigraçlo. Essa cmignc;Jo • bem como a que se fez para os outros continentes • é um factor capital na avaUaçlo do nosso papel no mundo e
na dellnlçlo da nosaa polftica externa.
Portugal est.l empenhado no reforço do direito Internacional e na defesa dos direitos humanoo nos quadroo das Nat;Ot$ Unidas, do Conselho da Europa e de outras organlzaç6et lntemadonais. Por esaa razio e por
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retponsabiUdade histórica, tudo far' como potência admlniltrante de Timor-Leste, para que a populaçlo daquele território goze de plenos direitos dvlt e polfticos, Incluindo o direito l auto-detennlnaçlo.
124. Verdadeiramente específica no contexto comunlt,rio e auwnlda expressamente pelo Governo como uma prioridade da o~lo
exten\1 do Estado, devem assinalar* u potendalidades e os recunoo mobilizados pela polftlca de cooperaçlo, que se tem afumado como factor de reforço da Imagem do Portugal democrático e um Importante contributo para a exprettlo Internacional dos nossos agentes económicos e IOdais.
A prossec:uçlo desta politica, que hoje é possível desenvolver de modo autónomo e Independente, afirmativo e isento de complexos, que faça tranaparec:er sem ambiguidades as finalidades e os legítimos Interesses que lhe estio subjacenlet, exercer-se-i nas seguintes vertentes:
• no plano polftlco-dipiomático, a cooperaçlo para o desenvolvimento • que tem por principais (embora nlo llnicos destinatirios) os palses africanos de expresslo oficial portuguesa • permite consagrar Portugal como pais industrializado, responsivel e 10lidúio com o combate b situações de crescimento desigual, com um espaço de afirmaçlo bílateral próprio e com uma presença progressivamente activa nas lnstituit;Ot$ multilaterais de ajuda. Permite, além disso, estabeleoer Portugal como um eixo Indispensável no ditlogo Nort.-Sul, potenciando os factores histórico-culturais que singularizam o nosso pois no quadro lnternadonal e conferem uma maior credibilidade I sua lntervençlo na oena diplomitica, quer no plano bilateral, quer no processo de construçlo de uma identidade própria no aeio das organizaçOes ou dos processos de acçlo
lnlil!madonal em que partidpe.
A dlmenllo de Portugal no espaço europeu onde ionnalmente est.l a consagrar a aua lntegraçlo resultar6 qualitativamente marcada pelo exerddo desse potendal diplomitico especifico, multo em espedal no quadro das relaçOet com Afrlca. O nosso pais, sem necessitar de recriar espaços arillldais de Influência ou de se apresentar como nova potência em busca de uma zona de alinnaçlo, pode serenamente vir a constituir-, perante 01 palses em viu de desenvolvimento, como um paroelro sem tentat;Ot$ hegemónlcas e disposto a mant.,., numa base equitativa e equ.iUbrada, uma colaboraçlo frutuosa.
• no plano cultur1l, • coopertçlo revela-se um instrumento lndlspensivel l formulaçlo de uma estratégia de promoçlo e defesa da cultura portuguesa no mundo • directriz essencial orientadora da actividade externa • na pertpectiva basilar do reforço da herança cultural e como elemento intermedJ,rio para uma attesdda lntervençlo intemadonal dos agentes económi(()S e sociais
portugueses.
A Ungua Portuguesa, que hoje é patrlmónlo comum de milhões de pessoas espalhadas por todos os continentes mas em cuja defesa cabem a Portugal naturais responsabilidades, representa para todos os seus utilizadores um factor de Identidade a preservar e um elemento de autonomlzaçlo perante forças geogrUico-culturais em processo ooelerado de mundiallzaçlo dos respectivos modelos. Alêm disso, o portugués representa, para alguns palses, a matriz de unldade que pode permitir Integrar em moldes nacionais padrões culturais diversificados e tendencialmente centrifugas, nomeadamente pela atra(.'('lo de sistemas exteriores com maior agressividade e dinamismo. Tem, por isso, o Governo intenc;Jo de privilegiar programas de oooperaçlo cultural centrados na Ungua Portuguesa e que devem servir de eixo a diversas acçOt$ em úeas sodo-culturais adjaoentes e complementares.
• no plano económico, a oooperaçlo pernüte definir o quadro polltico-institudonal em que se reflecte a acc;Jo dos agentes empresariais, pllbUcos e privados, reforçando a lnternac:ionalluçlo da economia portugUesa e a dlnamlzaçlo de um potendal tecnol6glco e de ~ vocacionado para actuar junto dos palses em vias de
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desenvolvimento, muito em especial os que têm o português como Ungua oficial.
O processo de reconversão e modernizaçlo económica em curso em Portugal, nomeadamente pela sua inserçao nas Comunidades Europeias, pode permitir libertar meios de produçlo agora
tecnologicamente mais adequados aos processos de crescimento de países em vias de desenvolvimento. Essa complementariedade tecnológica, a que acrescem eventuais factores de identidade lingufstica e de proximidade de modelos sócio-culturais com incidências positivas nos processos de fo.rmaçlo de quadros, contribuem para apontar Portugal como parceiro privilegiado para formas de associação empresarial nesses mesmos palses.
O empresariado português é ainda o sujeito mais vocacionado para a reruperaçlo das infraestruturas e parques industriais imobilizados
após a independência dos antigos territórios ultramarinos, dentro dos actuais planos de desenvolvimento soberanamente defmidos pelos palses emergentes da descolonização. O Governo tem a intenç.\o de, no quadro das disponibilidades que fOr viável afectar para tal fim, promover os necessários estfmulos finanreiros e a execuça.o de esquemas de garantia que permitam uma acçlo externa nesse sentido. Aliás, a promoção da iniciativa privada no estrangeiro e a instituição
de fórmulas legais de protecçlo ao investimento que muitos pa.ises
em vias de desenvolvimento · entre os quais se incluem pafses de expresslo oficial portuguesa - têm levado a cabo parece prefigurar a possibilidade de, a prazo, se criar um quadro favorável a uma progressiva abertura das economias desses mesmos Estados, em termos susceptfveis de garantir uma responsabili.z.açlo internacional efectiva.
A entrada de Portugal para as Comunidades Europeias trouxe já, como muito positivo sinal, o êxito claro das nossas empresas nos concursos promovidos pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento, permitindo--lhes uma actuaçl.o, quer em mercados tradicionais, quer noutros países de idêntico n(vel de desenvolvimento, baseada em sólidas garantias e com expectativas de progresso bastante promissoras. A rede diplomática portuguesa tem como directriz facultar o apoio permanente e activo à acção desses agentes económicos e começam a tomar-se evidentes os efeitos desse trabalho. A reconverslo em curso no aparelho de cooperaçlo portuguesa irá seguramente permitir uma aescente racionalizaçlo da actuaç-ao do Estado neste domlnio, optimizando a utiliza.çlo dos meios disponíveis e garantindo a sua gestlo profissionalizada.
A articulação dos três planos antes desenvolvidos confere à cooperação o car.i:cter de um instrumento de desenvolvimento num duplo sentido. Portugal, ao mesmo tempo que colabora em acções de reconversao económica e reforço de estruturas sócio-culturais de pa.ises com os quais mantem uma relaç-.lo privilegiada, projecta a nível internacional a sua imagem e a dos seus agentes económico-sociais, criando condições para um mais intenso interclmbio económico-financeiro que tenha as empresas nacionais por centro.
A politica de cooperaçl.o que o Governo se propOe levar a cabo é uma estratégia integrada de acç!o internacional que apela para uma ampla participaç!o das populaçOes e deve ser entendida como um factor mobili>ador das potencialidades económicas e sociais do pais para a respectiva integraçlo num sistema de colaboração inter-Estados marcada por um processo de vantagens reciprocas e mútuo desenvolvimento.
125. A vertente do relacionamento internacional é também um dos traços essenciais no lmbito da defesa, cujO objectivo último é o de garantir a soberania e independência nacional, integrando as suas linhas de intervenç:lio numa componente militar a par de componentes n3.o militares.
No horizonte temporal que se estende até 1992 constituem objectivos nlo estrit-ente militares da politica de Defesa Nacional: a promoção da consciência nacional e da vontade colectiva de defesa da Naçlo; a
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radonalizaç,:lio e modernização da indústria nadonaJ de defesa, intensificando o respectivo impacte no apetrechamento das Forças Armadas; a consolidaçlo da estrutura de suporte do planeamento civil de
emergência, tendo em vista a preparaçlo de soluçOes adequadas para situaçOes de crise ou emergênáa grave; o incremento da acç.\o externa da defesa, no campo da oooperaçlo militar, designadamente com os pa.ises de expresslo portuguesa, e da participaçlo naáonal nas actividades da OTAN.
A componente militar deverá perseguir dois objectivos prinápais nos próximos anos: a intensificação do esforço de reestruturação e redimensionamento das Forças Armadas e o reequipamento e modernização do aparelho militar. continuando o desenvolvimento da capacidade dissuasora autónoma e credlvel.
126. A estas considerac;Oes se associa1 entretanto, a política de segurança interna, reequacionada no contexto da livre drculaçao de pessoas, bens e mercadorias que irá marcar a Europa de 1992. A
internacionalização da criminalidade impóe aos Estados renovadas fórmulas de cooperação capazes de travarem um conjunto de factores negativos resultantes da acrescida mobilidade à escala comunitária. Assim, as próprias funcionalidade e eficácia do Sistema Nacional de
Segurança Interna slo aferidas nlo só em termos exclusivamente intemoo mas, também, no lmbito da acçlo concertada de todos os governos da Europa Comunitária.
Os sistemas de cooperaçlo, de carácter institucional e convencional, envolveria em breve acçOes significativas de troca de informaçOes e experiências téaúcas, no sentido da maior efidda na prevenção e investigação de factos criminosos, com particular destaque para o combate
à criminalidade económica, ao tráfico de estupefaáentes e ao terrorismo, de que decorrem três áreas de intervenção preferencial: o reforço da fiscalizaçlo das fronteiras externas (onde, a par da crlaçlo de
infraestruturas nea!SSÚias, se preparará o quadro legal mais adequado a
essa função); o reforço da manutençlo da ordem democrática atravês do combate à criminalidade como factor de confiança e progresso (promovendo a cooperaçlo entre as entidades responsáveis e dotando-as dos recursos adequados); e a operacionalização do sistema nacional de protecçlo civil (reforçando os meios indispenslveis à eficaz protecçlo dos cidadlos e seus patrimónios, em particular dos corpos de bombeinos, e limitando, através de ac:çôes coordenadas, os efeitos decorrentes de sinistros, cat.lsttofes ou calamidades).
127. Fmalmente, no lmbito da justiça, será prosseguido o reexame já iniáado dalegislaçlo produzida a partir de 1974, no sentido de aperfeiçoar a respectiva sistematizaçlo, coerência global e correcçAo formal Incluem-se aqui: a revi.slo do Código do Processo Civil (no sentido de promover a simplificaçlo e celeridade que permitam um efectivo e equitativo acesso ao direito e aos tribunais) e do Código Penal (desenvolvend;, as grandes
Unhas da polltica criminal, eliminando assimetrias na penalizaçlo, corrigindo penas desproporcionadas e optimizando vias de reinserçlo social com amplo recurso a medidas nllo detentivas); a revisa.o da legislaçlo no domlnlo do direito penal económico e do direito falimentar, nos aspectos substantivo, processual e de organização de instlncias de intervenção~ incluindo uma regulamentaçlo mais expedita dos meios preventivos da falência; a reforma do direito comercial (no sentido de acompanhar a evoluçlo do sistema económico e a integração no espaço comunitúio) bem como a revislo das leis sobre o processo administrativo e de trabalho (simplificando o funcionamento dos respectivos tribunais).
A modemizaçlo dos tribunais permitirá acentuar a aproxlmaçlo da administraçlo da justiça aos ádadlos; a essa tendência se acrescentará o desenvolvimento de mecanismos alternativos da '"justiça judicial·~ designadamente através de centros de arbitragem, bem como a desburocratizaçlo dos serviços de notariado e de registo, sendo dada particular atençlo ao atendimento do público.
Esta modernização passa ainda pela simplificaçlo dos procedimentoo judiciais e pela introdução de maior celeridade no tratamento da
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informação judiáirla contida nos: processos, de molde a faáUtar o acesso
dos cidadãos ao Direito e aos Tribunais , através da informatizaçlo dos
mecanismos processuais e dos procedimentos utilizados pela administraç!o judidllria, processo já em curso.
A ampliaç!o e renovaçlo do parque judid,rio IUidonal, a par do melhor apetrechamento dos serviços públicos competentes, permitirlo uDta melhor ""'posta l prevenç!o e represslo da crunirWidade, actuaçOos que serlo complement•das pela reforma do sistema prisional e pela implementaçao de uma polllica de reinserçlo e gradual absorçao pela sociedade dos delinquentes recuperáveis e dos menores desadaptados.
CAPtruLOV
PROGRAMA DE INVESTIMENTO 1989-92
Programa de Investimentos 1989--92.
Polflic• d~ lnwstimtntos
128. A3 Grandes Opções do Plano definidas para o periodo de 1989 -1992, em particular as duas últimas - Valorizar os recursos humanos e
fortalecer o tecido social e Reconverter e modernizar a economia -, e naturalmente a necessidade de concentraça.o de esforços na maximizaçJ.o dos fluxos financeiros provenientes dos fundos estruturais comunitários, colocam a polftia de investimmtos numa posição de especial destaque.
Em termos globais, 1mp6em-se três grandes linhas de intervençlo neste domlnio:
• apoio acrescido As acções de investimento directo com vista li modernizac;lo dos vários sectores da economia~ em particular na agricultura, na indústria e no turismo;
• estabelecimento das condições indispensáveis à criaç.1o de um
espírito de modernizaçlo e de uma nova dinlmica de
comportamentos por parte dos agentes económicos, nomeadamente através da construçlo de infraestruturas potenciadoras do
desenvolvimento, sendo de realçar as relativas a acessibilidades e ao sector energético;
• intensificação das acções de investimento no capital humano, elegendo como prioridade os domfnios da educaçlo, formaçlo profissional e invutiga.çlo cientffia e desenvolvimento tec:no16gico.
129. Como ~evidente este esforço de Investimento, designadamente nos sectores produtivos, terá que obedecer a prindpios orientadores que apontem para a oblençllo da au.lor oflciblda poulvd do a pl!al lnvHI.Ido, pelo que se imp6e ""'peitar duas condidOIUinles de base:
• nlo aumentar a intensidade capit&llstka do sector produtivo, evitando privilegiar projectos capital-Intensivos e finandar outros de fraca rentabilidade;
• evitar que as necessidades de finandamento do esforço adicional de investimento levem a um aumento de custos dos bens transacdonávels com o exterior, para os quais é essenóal assegurar uma boa competitividade.
Com base em dlculos aproximados pode concluir-se que o c:rescimento previsto para o investimento no sector produtivo e infraestruturas apenas fez aumentar muito ligeiramente o coeficiente capital/produto médio (de 1,84 para 1,90).
Uma vez que existe um esforço adidonat em infraestrutura.s este aumento é perfeiLlmente admisslvel e gannte a possibilidade de eficiência nos investimentos a realizar no sector produtivo.
Por outro lado~ tamWm a presslo sobre os custos, resultante da necessidade de financiar este aumento de investimento~ nlo se faz sentir,
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uma vez que os apoios fomeddos pela CEE permitem compensar pardalmente o acréscimo de despesas, admilindc>-se ainda, como se disse atrás~ um maior recurso ~ poupança externa através de um aumento do défice da balança de tran.sacçOes correntes.
130. Na óptica da altruçio do nosso podrio dr upecioJizoçio inda1trlal, a consideraçlo de sectores com boas perspectivas de aescimento nlo pode s.r feita exclusivamente pela an6Hse das suas cond i('6et quanto aos mercados, vantagens em te:rmos de recursos naturais, mio-de-obra ou nfvel tecnológiro~ grau de vulnerabilidade face ao exterior ou outros critérios estritamente sectoriais.
Na actual passagem de um sistema protettionista pan uma situaç.lo de dpida Uberaliz.açlo das trocas comerciais e dos movimentos de capitais, deverlo colocar·se alguns problemas de competitividade a empresas relativamente estiveis na fase anterior, ao mesmo tempo que surgirlo uutia oportunidades, seja em novos segmentos de actividade, em formas diferentes de cooperaç!o empresarial ou outras.
Em slnlleoe, para além da determinaçlo de sectores com potendalidades de desenvolvimento, a vitalidade e o dinamismo essendals ao progresso induatrial português passaria muito espedalmente pelA apaódade que venha a ser revelada na introduçJo de melhorias nos padrões tecnológicos, de inovaç!o e adaptaçlo u permanentes mutaçileo do
progresso lécniro, de pesquisa de novas possibilidades de mercado.
131. Em matéria de investimento público, para os próximos anos, o esforço signlflalivo do seu volume impOe também a oonsideroçJo de uma orientaçac> espec:!fia, guiada por critérios selectivoo que eu:ontrarJo a sua expresalo básica na estratégia de absorção de lundoo comunilirios, a explicitar no capitulo VI.
Também neste contexto, se poderia pretender ignorar que a prossecuçlo de sucesooo imediatos junto dos agentes económioos e dos ddadaos pode ler efeitos perniciosos • médio prozo, com consequfnda.• estruturais muito negativas para a mmunidade nacional
O acompanhamento permanente da evolução maao--económiea globaJ1 a preservaçlo dos equilíbrios essendais e a libertação de recursos para o investimento p rivado constituem assim condiçlo n~sária para assegurar a eficiência da utilizac;lo das potencialidades que o
enquadramento comunitário propida.
Neste sentido. o esforço de investimento público a desenvolver no periodo imediato corresponderi ao adequado paro ganntú: a absorção dos finandamentoe comunit.bioa e a manutençlio de niveia apropriados de prooM
Euoluçl<> por gr01tdts s« 132. Estimo-se que no periodo de 1989-92 o investimento global e as despesas de desenvolvimento atinjam cerca de 9 349 milhões de contos. No conjunto desse investimento global, perto de 60~ destina-se l modft!lluçlo e aumento da apaddade produllva e l criaçilo de inhaetruturu de apoio (agriruttur._, indústria~ turismo, transportes, comunicaçllos e energia), bem como l valori.zaçlo do potenóal humano (eduaçlo, formaçlo profissional e investigaçlo e desenvolvimento tecnológico). Pan este esforço de investimento contribuir.\ de forma decisiva o volume de recursos financeiros comunitários colocados à disposiç!o do nosso pais atnvk dos fundos comunitários • 850 milhões de contos de tranferêndas, correspondentes a uma estimativa de compromissos da ordem dos 1 tOO milhOes de contos para o perfodo 1989-92. A afectaç!o dessa. verbais será efectuada prioritúia.mente para as á..reas atrás referidas que assim absorvem quase totalmente esse montante.
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133. A evoluçlo projectada para o Investimento por sectores para o per!odo 1915-92 é • teguinte:
EVOLUÇÃO DO INVESTIMENTO POR SEC10R1
Ull an ..... 19M 1!1119-92 ~c-~:.. .. ~
1. s.c:tor. produtivot 1191 5663 6 3/4
Agkulluno"-t 75 350 1
lnd~ :1515 11112 1114
Tlorillno 26 115 5
Hobi-·Con- 414 2213 6 1/4 Ou-- 221 1103 13/4
JnfrMttruturat 366 1974 12 1/4
TnntpOrW • Coawnbçe. te» 124 21 1/Z ~ til) 450 4 1/Z &d-· ~ poofmlonal 34 2AO 24 Âpl• NNIG*\to 6 33 15 S.ódo 9 45 !O Ou- 109(') 482 4
lnfr•ntrvtwros
134. A evoluçlo prevista para este grande oector (12 1/4" ao ano em termos r..ts) permite um aadmmto JD..UO npldo daa bl~tu.ra. ~onalderadaa prlorltúlao (a~lbUidadeo, educaçlo , energia, recursos lúdricoo e saneamento búlco) beneficiando de uma parcela significativa dos fundos comunltlrloo de que o nooao Pais podert dispOr.
No que reopeita l Admlnlstraçlo Central, que registarA um crescimento de 16,5" ao ano u prioridades slo assim traduzidas em termos quantitativos:
F1ICF ADMINISTRAÇÃO CENTRAL
PIDDAC (O.E. +Outras Fontes)
19M 1!15Jn au cM-anual
.-.... T- 40 240 li.S Ed-. ,.,.,_ pn>l\-..1 34 2AO 2A.D Ap. • ~aMUN~~to 6 33 15.0
Soódo 9 45 10.0
""'"'" 23 107 6.0 11 665 16.5
Note-te que se trata apenas aqui de formaçlo bruta de capital fixo, pelo que as restantes despesas de desenvolvimento da Admlnlstraçlo Central que nlo sejam formaçlo de capital fixo do sector po1blico nlo slo
contabiJJzadas neste quadro, sendo coMideradas mais adiante no capitulo do fblandamento.
Realçam-se, pela sua dlmenslo e ritmo de crescimento as prioridades atrlbuldas aos sectores dos transportes e da educaçlo, que representam
1 -= EaiH ·- -IYoo ttm oomo - u intenç6es ele Investimento r.-- nos ..t- doo grupos ele nbalho IICICH1afl. - no lmbfto CIO Programa ele DeMnvolvlmento E<:onómlco o Sodal Regionalmente Oiferondado. e forem .... -. tencto om conta os objoctiYDI moaoeconómicos. deolgnadamenlo o cr.-nento CIO lnvn""*'ID (~. III).
II StRIE-A- NÚMERO I
perto de 75" da formaçlo bruta de capital fixo a cargo da Admlnistraç3o Central.
Os Investimentos no sector da educaçlo permitem a construçlo e apetrechamento das infuestruturu necessúias para assegurar o cumprimento da escolaridade obrigatória de 9 anoo, j6 em 1992, apetrechar oalas para o ensino profissional e cerca de 1/4 dos alunos do ensino MCUndtrio, aumentar para 18 a 20" a taxa de es<:olariuoçlo no ensino superior, modernizar u lnfrestruturas educativujt existentes e melhorar a qualidade da educaçlo.
No que respeita b lnfraoatruharu de traruporttO slo de oallentar os Investimentos relativos a estradas, estlmande>-se que seja construido alf 1992 , 80~ de extenslo de rede fundamental, 200 l 1\gricu/tur~ t índústrío 135. O objedlvo de modernizaçlo exige também um esforço grande de Investimento nestes sectores. Conforme se verifica do quadro I, embora menor do que o ritmo previsto para as infraestruturas (dada a p~paçlo rom a efidênda do capital investido) i, mesmo assim, multo slgnlflcatlvo (7" para a agricultura e pesca, 71/ 4" para o sector indústria). No que respeito l apiculhua serlo oo investlmentoo visando a melhoria de efldfnda das exploraçOes agricolas, a transformaçlo e comerdallzaçlo doa produtoo agrirolas e a acçlo florestal que ter1o maior relevlnda. Quanto l lndútrla, a par da reestruturaç&o e modernizaçlo das Indústrias tradldonals, o blvestlmento destlnar-....4 ao desenvolvimento do sector com elevado potendal de crescimento, em particular novas produçOes com mais ronteo1do tecno16g!co e bens de equipamento. DnptSIJS dt Dtstnvolvímtnto 136. Ati aqui tem-se referido fundamentalmente os aspectos relativos l formac;J.o bruta de capital fixo. No entanto, existem muitos outros tipos de apllcaçOes que serlo verdadeiramente despesas de investimento pelo seu Impacte na actividade económica, embora nlo sejam clasaiflcadas como tal . Dentro destas destacam-se u despesas relativas l educaçlo, formaçlo proflaalonal, l lnveotlpçlo cientlfl~a e l promoçlo turlatlca. Os valores programados para estas despesas s1o os teguintes em milhOes de contos de 1988: DESPESAS DE DESENVOLVIMENTO Taxa de 1988 19~92 crescimento voh.amt "' Educo<;Ao (I) 233 1115 7.5 Forrnaçlo Profissional 67 345 10.2 lnvntigaçlo Cientifica 23 196 33.0 Promoçlo Turlstlca 1 lO 40.0 otal 324 1666 10.5 (I) Nlo Inclui o lmpooto prollsslonol Este esforço ac:resddo nas despesas de desenvolvimento permltiri que estas aumentem o seu peso no PIB de 5,4" para 6,9'lló, representando cerca de 22" da Formac:lo Bruta de Capital Fixo.
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19 DE OUTUBRO DE 1988
137. No quadro IV apresenta·oe uma estimativa ainda que
nec:euúlamente Incompleta e preliminar das fontes de financiamento da fonnaçlo bruta de capital fixo e du despesas de desenvolvimento. Embora a estimativa nlo contemple, por exemplo, a desaii"'S"çlo du despesas em FBCF da Adminlstraçlo Local ou as despesas em formaçlo profwionai das empresu, é pooslvelapunr que cen:a de 9!C. do esforço flunailo loul -' ouportado peloe fundoe comunltúloe, cabendo 65~ aos particulares e empresu (incluindo as empresas públicas) e oe restantes 26~ ao Sector Público Administrativo.
FBCF E DESPESAS DE DBSENVOLVIMENlO
19119/92
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CAPfTuLOVJ
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PKINOPAJS ORIENTAç0ES DO PLANO DE DESENVOL VlMENTO RECJONALl~
l'wldoe atnatunlo comwútúloe
138. O Acto Unico Europeu desencadeou um processo de reforma ·dos wtrumentos finanalros comunitários marcado pela prossec:uçao de doif principais objectivos: a ac:eleraçlo do crescimento económico através da ronstruçlo do Mercado Interno Europeu e a convergência l escala oomunltúla mediante o neforço da Coeslo Económica e Social.
Na oequência da respectiva adopçao foi desenvolvido um conjunto de Jnldatlvas que envolvem todos os órglos das Comunidades, cujos resultados mais significativos decorreram das decisões tomadas nos Conselhos Europeus de Copenhaga e de Bruxelas (no Inverno de 1987 e na Primavera de 1988, respectivamente).
Eaw decisOes, que viriam a ser consagradas no Regulamento Qwldro das lntervençOes Estruturais Comunltárias1 • Regulamento (CEE) n• 2052/88 do Conselho, publicado em IS de Julho de 1988 • e desenvolvidas nos nesuJamentos de apllcaçlo (de coordenaçlo e verticais para cada fundo estrutural, que deverlo entrar em vigor no inído de 1989) definiram as seguintes grandes orientações da re(orma dos fundos estruturais comunlt!rios: nclonall.&açlo das suas llnallcladu, flexibill.&açla dos
I Regulomento relatiVo ta rnlu6es dos tunôos estruturais comuni1árlos. l sua ol.,.cla
aslim oomo • COOfdenaçao das suas lntervonç6os. antro si o com as do Banco Eurcpou do
lrwesllmento e dos outros instrumentos finanoahoa existentes.
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domlnlos de lntervmçlo, contratuallzaçlo das intervenções estruturais
comwútúlaa e, com repercussOes financeiras ma15 Imediatas, duplicaçJo dai dot~ç6t1 orçamentala, concentraçlo e elevaçlo das taxas de partlclpaçlo.
139. As prlndpals nepemwOes em Portugal destas decisões foram, por um lado, marcadu pela aprovaçlo do apoio oomunitjrio ao Progn.ma
de Desenvolvimento d• Jndúatrl• Portuguesa • PEDJP2 (a concretizar entre 1988 e 1992 e que, para além dos financiamentos através do FEDER e do PSI! quantificados em, respectivamente, 80 e 20 mllhOes de ECUs anuais o da ronceoslo de empréstlmoo pelo BEl e !1.1C no montante anual de 200 milhi!H de ECUa, utiliza uma linha orçamental espedfica equivalente a 100 mllhOes de ECUa por ano); decorMm, por outro lado, das oportunidades aladas pela reforma dos três fundos estruturais romunitúloe • FEDER, FSE o FEOCA·Secçla Orlonlaçlo • que, sem prejulzo da conduslo das negodaçOes em curso sobre os respectivos regulamentos de aplicaçlo, correspondem:
• l integraçlo da totalidade do território nacional nas regiões europeias onde se aplica o primeiro objectivo dos fundos estruturais • promaçlo da desenvolvimento o do ajuoto.monlo estrutural das ft816a com atruo do desenvolvimento .
A prossec:uçao deste objectivo Implica uma significativa concontraçilo do recuraos financeiros das Comu.nldades nas regiOes abrangidas (em particular nas mais carendadu que, de novo, integram o nosso pals) e a adopçao de mecanismos adequados a suporu u dificuldades de assegurar as rontrapartldu nadonals.
A roncentraçlo de recursos corresponde, por um lado, l afoctaçlo prlor!Uria das disponibilidades orçamentais ls reglOes abrangidas e ao oeu crescimento mais rápido do que nas restantes regiões da Europa; e, por outro, l cona.agraçla da FEDER como instrumento privilegiado de actuaçlo • salientando-se que 80~ du respectivas dout;Oes financeiras deverao ser utillzadu nestas regiões~
A superaçlo das re5trições orç.mentais nacionais que poderiam inviabilizar a utilizaçlo das disponibilidades romunitárias t! fundamentalmente assegurada pela diferendaçao das taxas de compartldpaçlo dos fundos estruturais que, na sltuaçlo portuguesa, poderio asander a 75~ (como foi já possivel asoegurar no que respeita ao Programa Especifico de Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa • PEDAP) e se admite venham a corresponder a uma perc-on~J~Sem médl.a do c~flJw>cl.amento da ordem doe 65.,.
• l aplicaçlo a todo o território nacional das medidas horizontais apoiadas pelo Fundo Social Europeu, designadamente no que respeita ao rombatt ao dnempreao de lonp duração e a bdlita.r a inserção proflsalonal doa jovens, e pelo FEOGA-Orientaçlo, em especial no que se refere l aceleraçJo da adapuçJo das estruturas agrkolu.
Sallenta·se, no entanto, que as intervenções destes dois fundos estruturais em Portugal se nlo restringem l apllcaçlo de medidas horizontais, comuns a toda a Comunidade. A elas se acrescentaria intervmçõn adequadu ls nossas especificidades no contexto ewopeu (e, portanto, integradas na prossecuc;So do referido ob)ectivo n• 1), quer respeitando exclusivamente a finalidades próprias desses dois fundos quer, sobretudo, aplicadu em ronjugaçlo com as intervençOes do FEDER • como acontecerA em complementaridade com, por exemplo, programas de iniciativa sectorial ou operaçOes integradas de desenvolvimento regional.
• l programaçao plurlanual das intervençOcs estruturais c:omunitirlas.. de que decorrem fundamentalmente três consequências: em primeiro lugar .. a necessidade de pr~pauçlo imediata d~ um Plano d~ Desenvolvimento Regional de médio prazo ..
2 RegulaiMflto (CEE) n• 2053188 do Conselho, do 2~ do Junho do 1888. piA>Iicado •
15 do Julho do 1988.
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onde Portugal apresentará a estratégia (justificada e objectivada
através de instrumentos caracterizados e quantificados para a sua concretização) a prosseguir no lmbito da redução dos desequilfbrios de desenvolvimento face às Comunidades Europeias, que envolverão intervenções dos três fundos e demais instrumentos financeiros estruturais, bem como dos Planos relativos às intervenções
horizontais do FSE e do FEOGA-ürientação; em seguida, a negodaçiio do Quadro ComWlitário de Apoio, mediante o qual a Comissão Europeia, em resposta ao Plano de Desenvolvimento Regional (e aos
planos relativos ao FSE e ao FEOGA-ürientação), identificará de forma concreta, quantificada e plurianual as intervenções estruturais que vai
~financiar; finalmente, a aprovaçllo de Programas Operacionais que, inclufdos no Plano de Dese.nvolvimento Regional e no Quadro Comunitário de Apoio, constituirão a forma predominante, embora não exclusiva, das in tervenções estruturais apoiadas pelas Comunidades Europeias • onde naturalmente se salientam o PEDAP e o PEDIP.
140. São naturalmente muito relevantes as consequências financPiras das reformas dos fundos estruturais.
Em termos globais, pa ra o conjunto dos Estados membros das Comunidades Europeias, a duplicaçlo dos recursos afectos aos fundos
estruturais - até 1992 nas regiões abrangidas pelo objectivo n• 1 - implica que o montante de 7 ;1 mil milhões de ECUs aprovado em 1987 cresce.rá
para 12,9 em 1992 e para 14,1 mil milhões de ECUs em 1993.
Em Portugal, e sem prejuízo da conclusAo da negociaçJo comunitária em curso (bem como, de forma permanente, da que respeita à aprovaçlo dos orçamentos anuais), prevê--se que o montante global dos fundos estruturais comunitários a disponibi.lizar entre 1989 e 1992 (incluindo o PEDAP e o PEDIP) estará situado entre 1 000 e 1 200 milhões de contos -admitindo-se como hipótese de trab~o o viilor de 1 100 milhões de contos.
A repartiça:o deste montante por cada um dos fundos estruturais decornr~ dos planos de financiamento das intervenções apoiadas pelas
Comunidades e será, portanto, objecto de ponderação, designadamente, no Plano de Desenvolvimento Regional, e de negociaç:Io no estabelecimento do Quadro Comunitário de Apoio.
Tomando por base a taxa de participação média comunitária de 65% da despesa píiblica correspondente, o montante total dos investimentos e despesas de desenvolvimento originadas pelos fundos estruturais
comunitários ascenderá a cera. de 1 700 milhões de contos.
Considera-se como razoavelmente seguro que, a partir de 1m,
• a participação dos fundos estruturais no orçamento comunitário estabilize, acompanhando portanto a respectiva taxa de aescimento
anual da despesa;
• o nfvel de acesso de Portugal aos fundos estruturais comunitários estabilize também, crescendo portanto ao mesmo ritmo das
respectivas dota<;iles globais.
Estratfgia de utilização doo fundoo eatrutunis em Portugal
141. Os traços fundamentais que caracterizam o nosso pa1s no contexto comunitário, associados às orientações da reforma dos fundos estruturais referidas nos parágrafos anteriores, conduzem à consideraçlo de que o fundo Europeu de Desenvolvimento Regional - FEDER
constitui o instrumento privilegiado de apoio l prossecução dos objectivoe do desenvolvimento económico e social objecto das Grandes Opções do Plano para 1989-92.
Embora directamente associado à prossecuçlo das grandes opções defmidas e das orienta<;iles fundamentais de actuaçlo que as integram, o FEDER deverá articular e complementar as respectivas intervenções tanto
11 SÉRIE-A- NÚMERO
com os restantes instrumentos financeiros das Comunidades, como com os instrumentos financeiros nacionais, quer pela óbvia insuliciência de recursos face às prioridades e necessidades que se apresentam, quer pelos
atributos que o caracterizam como o principal meio de conaetizaçlo • nos
planos nacional e comunitário • da politica de desenvolvimento regional.
Os objectivos da políti.ca de dese.nvolvime.nto regional em Portugal, no
perfodo 1989-92, slo os seguintes:
• promoç.lo de um processo de desenvolvime:nto económico e social cujos efeitos de progresso e bem~tar se repercutam, de forma gradual
e equilibrada, no maior número poss(vel de zonas do território nacional;
• co~o das disparidades regionais e intra-regionais de condi<;i!es
de vida no conjunto do território;
• melhoria dos n(veis de acessibilidade inter e intra-regional, proporcionando uma maior fluidez de circulaç.Io e contribuindo para aumentar o grau de integração entre todas as parcelas do território nacional;
• ptomoçlo do ordenamento do tenit6rio e da conservação do ambiente, entendidos como formas privilegiadas dei respeitando o padr:lo de urbanização do pafs e reconhecendo a inércia tendencial da rede urbana estabelecida, enquadrar a correcção das deficiências na dotaçlo em serviços, infraestruturas e equipamentos, proteger a qualidade ambiental e racionalizar as ligações funcionais ent:re os centros.
Nest·e contexto, os eixos fundamentais de actuaç~o da polftic,a de dese.nvolvimento regional correspondera.o a:
• abibuiçJo de importância primordial 1s ,acções de transformação da base produtiva, no sentido de que só o crescimento de uma estrutura
produtiva sólida poderá fazer desencadear ou apoiar um processo de desenvolvimento sócio-económico sustentado (designadamente na
perspectiva regional) e de que a existência de um sistema produtivo inter·regional equilibrado é peça fundamental para o arranque e manutenção do processo de desenvolvimento global do país.
• adopç~o de selectividade espacial rt~.s intetvenções implicando, em
consonlnda com as tendências de especialização territorial que se vêm registando • desde que estas não apontem para situaçOes de dependência sectorial excessiva e se manifestem em sectores interessantes do ponto de vista das nossas vantagens comparativas •; a determinação de zonas de actuação diferenciada (com definição de perspectivas espedficas de desenvolvimento a prazo, pertodos de intervenção distintos e estabelecimento de prioridades diversificadas), a modulaç.lo espacial da aplicaç.lo dos instrumentos de poUtica e a roncentraçlo de acções específicas de desenvolvimento reg·ional integrado em zonas prioritárias.
• promoção da colabor.oçilo institucional que, articulada de forma clara com a poUtica de reforço e consolidação do poder local e; paralelamente; com o aprofundamento da cooperação entre os diferentes n(veis de actuação administrativa na prossecução das intervenções dirigidas ao desenvolvimento social e económico, a estratégia a implementar preconiza ainda uma renovaçJo total do reladon~ento entte os organismos da administTaçlo, universidades; instituições de cad.cter social e sector privado, tanto na formulaç:io dos objectivos e medidas de poUtica, como na colaboração na realização de ·~ concretas de llesenvolvimento a rúvel regional.
Nest.as d rcunstlncias, a utilização do FEDER em Portugal será fundamentalmente dirigida:
• à criaç.lo de infraestrutura.s públicas • em montantes equivalente a 80% das respectivas disponibilidades ~ da responsabilidade da administraça:o central, das regiões autónomas# das autarquias locais e das empresas públicas e equiparadas (em especial nos sectores das acessibilidades - incluindo telecomunicações ~, da educação e
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formação, da saúde, da enexgia. dos recursos hidráulicos, bem como
noo de apoio l actividade produtiva);
• l conoess&o de in~nthroo ii actividade produtiva com finalidade resional, onde relevam a indíistria e o turismo, bem como as actividades económicos de apoio a esses sectores - que poderio COm!Sponder até 20110 das disponibilidades financeiras deste fundo estrutural.
142. A P"rtlcipaçlo do Fundo Soda! Eu.ropeu nos objectivos de
desenvolvimento deverá processar-se através de alterações qualitativas muito significativas no enquadramento e definição das condições de acesso das aoçOes apoiáveis, privilegiando as que:
• apresentem uma maior eficiê.ncia económica;
• atenuem o respectivo impacte sobre o consumo;
• se articulem com os objectivos estruturais do desenvolvimento económico e social.
N- candlçl)a -' promovida uma selectividade acresdda das ~ a>-flnandadas pelo FSI!, que deverlo por um lado nospeitar l aplicaçlo em Portupl das medidas horizontais para o conjunto das Comunidades Europeias (promover o combate ao desemprego de longa duraçlo e fadlltar a inserçlo profissional de joveruo) e, por outro, artic:ulaMe com oo ratantea fundoa estruturais na prossecuçlo do objectivo de promoçlo do daelvolvimento e do ajuotamento estrutural das regiOes comunitárias menoa desenvolvidas.
No que respeita a esta vertente (objectivo n• I das intervenções estruturais mmunitúlas), o FSE apoiart:
• acç6H pua o ajustamento e1trutural da economia portugueaa, envolvendo:
- requallflcaçlo e reconveralo profiaaional doo trabalhadorea afectados pela reorganizaçlo da actividade produtiva, designadamente através de programas de despistagem e
orientaçlo profissional, de formaçlo para a requalificaç.lo, reciclagem e aperfeiçoamento, de acompanhamento, reorientaçlo e Inserção profissional, bem como de estudos sobre viabilidade de criaçlo de pequenas empftSOS, de prestação de
consultoria técnica. de formaçlo em gestlo, de concessão de subsldioa I""" instalaçlo e de apoio no perlodo de arranque de unidades produtivas de pequena dimensão;
- pnxnoçlo regular de acçl)a de formaçio contínua em sectorea priorilúios no que respeita l formaçlo inicial e em alternAncia I""" os trabalhadores mais jovens, à formaçlo em gestlo para os que P"ftidpem na direoçlo de empresu, bem como cursos de higiene e segurança e de controlo de qualidade;
- realizaçlo de acç&-s de formaçlo pua associações industriais, comuda.is ou outras, bem como para centrais slndfc.ús no que respeita l formaçlo de formadores, à formaçlo de técnicos de apoio ls empresas e l formaçlo dos respectivos quadros;
- apoio l fon~Uçlo de formadorea e outroo tfcnlcoo noo depa.rtamenloa do Eatado directamente ligados ls aoçOes de reconveralo e modemizaçlo produtivaa;
- aperfeiçoamento da eficicia doo agentea de d-nvolvimento, no que respeita ao apoio l modernlzaçlo das actividades produtlvaa, designadamente nas regiões menos desenvolvidas;
- incentivo a ao.u fonau de empreso, nomu.d&Jnente no domldlio e em tempo pardal.
• acç6ea de modern.i:uçJo das pequenas e mfdias empresat, envolvendo:
- formaçlo de trabalhadores de empresas fornecedoras de serviçoa;
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- apoio às PME mais dinâmicas de cada sector ou regilo, designadamente no que respeita à !ormaç.Jo altamente especializada e ao incentivo a interc1mbios técnicos entre
empresas e destas com centros de investigação nacionais e comunjUrios;
- apoio ls PME no que respeita à realizaçlo de estágios e visitas formativas, à promoçlo de perfodos de consulta de quadros té - inoentivo à contrataçlo lernporária ou l aquisiçlo de serviços especializados onde seja essencial assegurar tr~nsferêndas tecnológicas; - apoio permanente ao ajustamento temoiógico das pequenas e ~empresas. • acções visando os trabalhador~& ameaçados de desemprego e os deoempregadoo, atribuindo prioridade aos sectores em que o contrato a pruo ou a economia paraJela tenha um peso maior, bem como aos trabalhadores nessas situ.lçOes, desenvolvendo actividades da seguinte natureza: - apoio ~ transformaçlo dos contratos permanentes; - apoio ao desenvolvimento de actividades independentes de trabalhadores; - isençlo lernportria do pagamento à Segurança Social; - elaboraçlo de estudos que visem simplificar e desburocratizar a inscriçlo dos trabalhadores na Segurança Social 143. A aplkaçlo do FEOGA - Secçlo Orient•çlo, decorrendo do reconhecimento comunitário da especificidade da agricultura portuguesa, visar' satisfazer a necessidade de promover o investimento na agricultura, de intensificar os sistemas culturais e de assegurv o aumento da produçlo do sector primtrio. Assentando a lógica da poHtica nacional de financiamento d o sector primbio na exploraçJo agrfcola, como elemento dinamizador do respectivo processo de desenvolvimento, detem três grandes vectores de actuaçlo: • a montante das explorações, tendo em vista a criaç.lo de infraestruturas de apoio e de condições potenciadoras do desenvolvimento agrlcola; • ao nlvel das unidades produtivas, uma vez que a lógica de desenvolvimento assenta na articulaç~o harmonjosa entre as necessidades dos consumidores, por um lado. e a sua satisfação no mercado interno, por outro; • a Juzante da expioraçlo agricola com o objectivo de, assegurando o escoamento e a valorizaçlo dos produtos, contribuir para a melhoria. do rendimento dos agricultores e o reforço efectivo da intcgraçlo do p~ produtivo. Neste contexto, as intervenções apoiadas pelo FEOGA-<>rtentaç!o em Poctugal serAo oonoentradas nos seguintes domlnios fundamentais: • ExploraçOes Agrícolas; • Infraestruturas de Apoio l Agricultura; • lnvestigaçlo e Desenvolvimento; • Novas Culturas; • Porma~io; j
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• Organizaçlo Institucional;
• Transformaçlo e Comercialização.
A prossecuçlo desses objectivos dentro dos vectores de actuaçlo referidos resulta da execuçlo do PEDAP e doo demais regulamentos agrlcolas (onde relevam o 797/85 • ajudas ao investimento nas explorações agrícolas e ajudas complementares ao nlvel dos agricultores e das exploraçoes agrfcolas e o 355/17 • ajudas aos investidores no domínio da tnnsformaçlo e comerdalizaçlo dos produtos agrlcolas e das pescas), que deverá sempre que possível e aconselhá.vel, ser articulada com intervençOe:s prosseguidas por outros fundos estruturais e, bem assim, complementada peJa negociaçlo permanente de situações de especificidade e excepcionalidade nos regulamentos comunitários agrlcolas.
Para além das acçl)es financiadas pelo FEOGA-Orlentaçlo na agricultura, salientam·se tambem os apoios deste fundo estrutural ao desenvolvimento da pesca.
Os programas e acçOe:s que, neste âmbito, se encontram previstos para o perlodo 198~92 slo os seguintes:
• frota, envolvendo designadamente a construç~o, a modernização, a pesca experimental, a adaptaçlo de capacidades e a assistência temporária a empresas;
• controlo e vigillnda da actividade de pesca;
• monitorizac;ao contínua das actividades da pesca;
• informatização do sector;
• aquacu.ltura;
• transformaçlo e comerdalizac;a.o, incluindo a comercializaçlo do pescado fresco e o equipamento portuário, a indústria conserveira. o frio e a secagem, salga e fumagern;
• infraestruturas portuárias;
• formaçlo profissional.
O Plano de Desenvolvimento Regional
144. Nas circunst!ncias apontadas, o Plano de Desenvolvimento
Regional é um documento de natureza estratégica no qual serão enquadradas e defmidas as grandes orientaçOes e os eixos de actuaçlo prioritários que optimizarlo as vantagens decorrentes do principio da
Coeslo Económica e Social
Elaborado após a aprovaçlo das Grandes Opções do Plano para 1989-92 e apresentado à Comisslo Europeia nos termos dos normativos comunit.irios aplicáveis, incluirá designadamente:
• a desaiç.to dos principais eixos escolhidos para o desenvolvimento regional e acçOes conexas;
• indicações sobre a utilização das contribuiçltes dos fundos estruturais, do BEl e dos outros intrumentos financeiros que contribuem para a respectiva execuçao.
A necessAria articulaçlo entre as GOPs e o PD~ concretizar-se-i especialmente na selecçlo dos programas e acçl)es de investimento que serlo levadas a cabo. Decorrerá assim, por um lado, da definlçlo das prioridades nacionais relativas ao apoio financeiro comunitário aos investimentos realizados pela administração central e empresas públicas • que serao concentrados rua real.iuçlo de infrHatruturaa de tranaportes e comuniações, de educo1çJio e formaçlo profiuional, de saúde e cergiticas, bem como na concesslo de tncenUvos finan~iros aoa ledores produtivos da agricultun e pescas, da lndúatria e do turismo; integrará, por outro lado. o ftnanàamento de infraestruturas de iniciativa das Regiões Autónomas e dos munidpios, onde seriQ particularmente
11 SÉRIE-A- NÚMERO I
significativos os domJnios dos tnnsportea e comunicações, da .tgua e saneammto bj,sico e da educ11çlo.
A proposta de POR, que incluirá em capltulos espedficos as malérias próprias às RegiOes Autónomas da Madeira e doo Açores, estari conclulda até ao final de 1988, por forma a permitir encetar negodações com a Comlsslo Europeia no Inicio de 1989.
lntervmçiiea do Plano de Desenvolvimento Regional
145. Nos termos dos normativos comunitários e, em particular. do Regulamento Quadro dos Fundos Estruturais, as respectivas lntervençOes financeiras ser.to • sem prejuizo dos resultados finais da negociação em curso sobre os regulamentos de aplicaçlo - concretizadas numa das seguintes formas:
• Programaa Opaaclonala
Os progrunas operacionais, que constituirlo a forma privilegiada da intervençlo estrutural apoiada pelas Comunidades Europeias, visarão a concentração de recursos e de capacidades de gestão nos domlnios e áreas onde se verificam os mais graves problemas estruturais de desenvolvimento, as maiores necessidades de reorganização do tecido produtivo ou a existência de recursos e potendaJidades de
desenvolvimento mais significativas.
De iniciativa comunitária ou nacional, com horizonte plurianual, envolvem a programaçlo material global das medidas e investimentos públicos e privados, a programaçlo financeira através
de cAlendários de utilização coordenada dos recursos financeiros e a definiçlo de órglos próprios responsáveis, por um lado, pela respectiva gestio e, por outro, pelo seu acompanhamento (que assegura a articulaçllo com a Comisslo Europeia e propicia as condiçOes necessir!as à gestlo global das intervençOes fmancelras das Comunidades em Portugal).
Cada programa operacional integrará~ as acçOes financiadas. as medidas financeiras nacionais. regionais e municipais, a participaçao dos instrumentos e medidas comunitárias, as condjçOes de
finandame.nto, a organlzaçlo institucional e os mecanismos de controlo e de adaptaçlo.
• Jtesimeo de lncattiYoo Nac!on.ala
Os regimes de incentivos nadonals constituem o meio para assegurar o apoio financeiro directo ao desenvolvimento, modernizaçlo e reconvenlo da actividade produtiva.
Naturalmente condicionados pelas disposições comunitárias
apllciveis, tanto no que respeita à politica de concorrência como b regras de co-finandamento através dos fundos estruturais, poderio revestir a forma de programas operacionais (a qu.e se aplicam as orienta('Oes apresentadas) ou de concesslo de incentivos casuístícos.
Nesta última situaçlo o co-finandamento comunitário será feito mediante reembolso de despesas nacionais realizadas.
• Subvmç6to Globais
As subvençOes globais passarlo a ser a forma mais adequada para assegurar o cc-financiamento comunitário de projectos de investimento de dimenslo reduzida.
Geridas por um organismo intermediário, designado pelo Estado membro com o acordo da Comissão Europeia. que portanto recebe desta poderes delegados para gestlo de uma dotaç.to financeira de
acordo com objectivos, regras e procedimentos prevlamente acordados, esse organismo será responsável pela respectiva repartiçao em fmanàamentos individuais concedidos aos beneficiários fmais.
• Projtdos dt Investimento
Os projectos de investimento, que têm até agora ronstiturdo a forma mais frequente de intervenç.lo dos fundos estruturais comunitários,
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manter-se-lo nu condições vigentes, plvaguardadas as novas regras
de elegibilidade e, sobretudo, a lmposiçlo de restrições
significativamente mais grovosas do que os actuais, no que respeita l suo dlmenslo mlnima.
Esta 111tlma alteraçlo ter6 consequêndu algnlficativu ...,. p10<8105 de selecçlo de lnvestimentoo Individuais que apenas pusarlo a
respeitar, tanto no que se refere a lnfr~e~truturu como a Incentivos l ac:tlvldade produtiva, a projectos Individuais de grande dlmensao flnancelra.
• Aalalfnda Tkn.la e Eatudoo Pftparat6rloo du Acçlla
Embora exiltisse I' a pooalbUidade de apoio financeiro comuniiArlo l assistência tkn.lca e aos estudoo preparatórloo das acçôes, a reforma dos fundos estruturais comunlt6rlos propicia condições mais favor6vels para a sua concrellzaçlo.
DeverA sallentar-se que a prioridade de utlllzaçlo destas possibilldades respeita l preparaçlo de programas operacionais.
146. No que respeita aos programas operacionais a indulr no Plano de Desenvolvimento Regional, apresentam·se em seguida as caracterlsticas fundamentais daqueles que se encontram em curso de execuçlo, bem como Indicações preliminares relevantes sobre os que, encontrando-se em preparoçlo, se podem I' Identificar.
Deve salientar-se, contudo, que estes programos serlo complementados por outras iniciativas, em particular, a relativa ao apoio ao desenvolvimento do sector terclúlo e l organlzaçlo do comércio.
Programa Espocfflco do Dou•volvlm.,to da Agricu/fljra Pornguua -PEDAP
O Programa Especifico de Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa (PBDAP), concebid.o para fazer face à.s particularidades estruturais da nossa agricultura, orienta-se basicamente para o melhoramento das condições de produçlo, transformaçlo e comerdallzaçao e para a melhoria global da sltuaçlo estrutural do sector agricola.
Os domlnlos de apllcaçlo através dos quais se estA a implementar o programa slo:
• Vulgarlzaçlo, formaçlo profissional e lnvestigaçlo agrloola;
• Melhoria das estruturu de produçlo, Incluindo a defesa aanlttria;
• Melhoria das estruturos fundi6rlas e incentivos t cessaçlo da actividade .grlcola;
• Melhorias f!slcu das condições naturais e das inlraestruturas dlrec:tarnente Ugadu l agricultura;
• Melhoramentos fundl6rlos e apoio l orlentaçlo da produçJo;
• Valorizaçlo dos produtos agricolu;
• Desenvolvimento florestal;
O financiamento do PEDAP, por fundos comunit6rlos, corresponderA a uma soma de 700 mUh6es de ECUs ao longo de dez anos (1986-1995).
Programa E5pec!flco de Dtunooloim~"to dR lndliJtria Portupu.G • PfDIP
O Programa Especifico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa (PEDIP) visa modemiur e diversificar a estrutura industrial do Pais, preparando o sector para o desafio do Mercado Interno Europeu através de uma maior competitividade. Neste quadro aparecem como objectivos
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do programa revitalizar a base industrial, criar e desenvolver novas Indústrias e eliminar e alterar um conjunto de desvantagens comparativas atrutura.Js resultUltes, no essenóal, da insuficiência ou lneflc6cia de Infraestruturas indispens6veis 1 actividade Industrial.
Os quatro grandes eixos de lntervençlo do PEDIP s1o:
• reforço du Infraestruturas de apoio e suporte 1 indllstria;
• formaçlo profissional;
• flnandamft\to do Investimento produtivo;
• mlss6es de produtividade.
As acções a desenvolver até 1992 no lmbilo destes v6rlos eixos estio agregadas em sete programas de actuaçlo os quais ser lo fmanciados pelos fundos estruturais comuniiArlos, pela Unha orçamental especifica relativo ao PEDIP e por recursos nacionais, do seguinte modo:
FI!DBR • 400 milhões de ECUs
FSE • 100 milhões de ECUs
Unha Orçamental llspedfico - 500 milhões de ECUs
Contribulçlo Nadonal • 350 milhões de ECUs
Ao total de 1350 milh6es de ECUs haver' ainda que juntar a possib!Udade de mobiUzaçlo de 1000 MECUs de empréstimos do Banco Europeu de Investimentos e do Novo Instrumento Comunlt6rlo para acçôes deste
programa.
Programa N11dorud ü lJttnase Comt,cit4rio de l~tUJ~.tivo À: Actioidtadl
ProliMtiu • PNICIAP
O Programa Nadonal de Interesse ComuniiArlo de Incentivo l Actividade Produtiva Integra três sistemas de Incentivos (de base regional· SIBR, ao Investimento turlotico • SJFJT e ao potendal endógeno· SIPE), visa contribuir para a modlflcaçlo da estrutura produtiva nacional (nomeadamente esbatendo o tradicional padrlo de locailzaçlo centrado sobre o Utoral) através da modemizaçlo da indllstrla e do turismo e da dlnamizaçlo da actividade económica nas regiões mais desfavorecidas do
Pais.
Com esae objectivo, o território nacionAl foi dividido em zonas de modulaçlo regional por forma a que a Intensidade dos incentivos a conceder teja, em qualquer dos sistemas que integra, inversamente proporcional ao nlvel de desenvolvimento da zona em que se situem os
investimentos; para além disso, Coram disponibilizados cerca de 50 agentes de dinarnlzaçlo econórruca com funções de prospecçao, promoçao e apoio dos Investidores, em particular nas zonas mais deprimidas.
Trata-se de um programa com uma duraçlo de 4 anos (1988 • 1991) que envolve um montante de apoio ao investimento de 62 milhOes de contos, dos quais 41 a finandar pelo FEDER.
OfHraçlo l•l•gradll lh Do ... volvime"to do Norlo Ale.t•ja•o - OlDINA
A Operaçlo Integrada de Desenvolvimento do Norte Alentejano visa criar condlçOes para resolver os principais estrangulamentos ao desenvolvimento socio-económico da regilo e para aproveitar os recursos endógenos por forma a potenciar esse desenvolvimento e fixar a populaçlo.
Estes objectivos slo prosseguidos através de v6rios sub-programas envolvendo acções de:
• valorizaçlo e aproveitamento do potencial turistico;
• desenvolvimento industrial;
• apoio ao potencial humano e às infraestrutura.s para o desenvolvimento;
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• desenvolvimento agrícola;
• desenvolvimento florestal;
• fonruoçlo profissional de apoio A valorizaçlo dos recursos humanos;
• prote<çao do ambiente e aproveitamento dos recursos naturais.
O custo total é de 24 m..ilhOes de contos dunnte os cinco anos da sua dunçlo (1988-1992). A Comunidade Europeia conbibuiri com cea de 14,4 milhões de oontos, sendo cerca de 7,5 miihOes de contos relativos ao FEDER. 1,7 milhões de contos relativos ao FSE e 5,2 miJhOes de contos relativos ao PEDAP e FEOGA.
Programa STAR
O Programa ST AR destina-se a desenvolver as regiões desfavorecidas da Comunidade, possibilitando-lhes um melhor acesso aos serviços avançados de telecomunicações. Permite apoiar a implementaçlo dos equipamentos de base necessirios l criaçlo de serviços avançados de telecomunicações e concede incentivos l oferta e l procura desses serviços pt!las PM& - cu)l aplicaçlo em Portugal decorre do Sistema de Incentivos aos Serviços Avançados de Telecomunicações (SlSATI.
O custo total do programa é de cerca de 32 milhOes de contos para o periodo de ruliuçlo de1987a 1991, sendo a conbibuiçao do FEDER de 19 milh6es de contos.
Programa VALOREN
O Programa VALOREN destina-se a desenvolver as regiões desfavorecidas da Comunidade através da valoriz.a.c;lo do potencial energético endógeno. Apoia a realizaçlo de infraestruturas dirigidas quer ao aproveitamento dos recur50$ energfticos locais (em especial no que se refere ao solar, eólico, biomassa, biog,s, mini~hidrfco e potendal geotérmico) quer & utillzaçlo racional de energia (poupança de energia e
substitulçlo do petróleo), bem como assegura o <:<>-financiamento de projectos apoiados pelo Sistema de Incentivos 1 Utilizaçlo Racional de
Energia (SIURE).
O custo total é de cerca de 32 milhões de oontos, para o periodo de realiuçlo de 1987 a 1991, sendo a conbibuiçlo do FEDER de cerca de 10
milhões de contos.
ProfiTRmR .U Aprowila,...,o du Pot .. cúdiJ..uln T•rlsticu dos Aço,... -PAPTA
DeveR ser aprovado pela Comisslo Europeia até final de 1988 o Programa de Aproveitamento das Potenclali Estes objec ·vos s.lo prosseguidos através da imp1ementaçlo dos seguintes sub-programas: • melhoria e aiaçJo de infraestruturas físicas em sectores ou áreas envolventes ao sec:tor do turismo; • melhoria e aiaÇ'Io de estruturas ffsicas no sector do turismo; • ordenamento turístico e apoio organizacional às unidades turísticas; • apoio ao investimento privado. O custo total deste programa, que poderi vir a ser integrado na Operaçlo Integrada de Descnvolvtmento dos Açores, é de 18 milhões de contos para o periodo de 1988 a 1990, e conta com uma conbibuiçlo do FEDER de 12 milhoes de contos. 11 StRJE-A- NÚMERO I Opnaflo lot•gr•.t• ü Dueo,ol"i""'•to .ta P'"lru•l• tle Sd•bal -OlDfPS A Operaçlo Integrada de Desenvolvimento da Penlnsula de Setubal foi jl objecto de apoio comunitlrio através do financiamento do respeo:tlvo estudo preparatório. Os resultados deste estudo foram aprovados pela Comisslo Europeia, dewnvolvendo·se actualmente as negociações relativu ao correspondente programa operacional
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• serviços de apoio às empresas (consultadoria, serviços comuns~ promoção da inovação, capitais de risco e estudos sectoriais);
• ajudas ao investimento.
O programa, articulado estreitamente com a Operação Integrada de Desenvolvimento da Península de Setubal, deverá ser apresentado à Comisslio Europeia no inicio de 1989 e contará com uma contribuição do FEDER de cerca de 14 milhões de ECUs, podendo o orçamento do programa ainda ser alargado caso se venham eventualmente a verificar perdas suplementares de empregos.
Outras Operações Integradas de Desenvolvimento- 010
Encontram-se e·m curso de preparação, embora com graduaçlo diferenciada, várias Operações Integradas de Desenvolvimento que, de forma naturalmente adaptada à especificidade das :ronas ou regiões a que respeitam, visam genericamente:
• o aproveitamento racional e eficaz dos recursos e potencialidades endógenas;
• a protecçlio da paisagem e do património natural e construido;
• a melhoria das infraestruturas de acessibilidade, de saneamento básico e dos equipamentos colectivos - com relevo para os Centros de Saúde;
• a potenciação da utilização e desenvolvimento das tecnologias tradicionais, em particular no que respeita ao artesanato;
• a modernização, reconversão e desenvolvimento do tecido produtivo;
• a diversificaçlo da actividade económica e o desenvolvimento do sector terd.ário;
• a correcção dos desequillbrios demográficos e a diminuição do desemprego e subemprego;
• a preservação do ambiente e o combate à degradação ambiental.
Nos programas operacionais englobados nesta categoria distinguem-se:
• aqueles onde se encontram em cu.rso estudos preparatórios financiados pelas Comunidades: Vale do Ave e Sotavento Algarvio;
• aqueles cujo financiamento dos estudos preparatórios se encontra pendente de decisão comunitária de orfinandamento: Alto Minho, Pinhal Interior, Raia Central, Oeste, Vale do Tejo e Litoral Alentejano;
• aqueles relativamente aos quais se encontra em preparação proposta de financiamento comunitário para os respectivos estudos preparatórios: Área Metropolitana do Porto, Tds-os-Montes e Alto Douro e Região Autónoma da Made.ita.
Progralftll O Programa de Desenvolvimento da Educação em Portugal visa superar os desequilíbrios educativos que nos caracterizam no contexto comunitário e, assim1 criar condições adequadas para assegwar a continuidade do processo de desenvolvimento económico e social a capacidade para benefidar das potencialidades propiciadas pela construção do Mercado Interno Europeu. A sua concretização envolverá os seguintes sub-programas: • generalização do acesso à educação; • modernização das infraestruturas educativas; • melhoria da qualidade da educação. 2-(413) Encontra-se tambem prevista a respectiva aplicação, de acordo com os eixos referidos, nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Programa de D O Programa de Desenvolvimento das AcessibiUdades contribuirá de forma muito significativa para reduzir as insuficiências nacionais nesta matéria, cuja gravidade as permite considerar como uma das principais condicionantes estruturais do processo de desenvolvimento económico e social. Visa, assim, contribuir para a redução das desigualdades no plano comunitúio e no plano nacional (de âmbito inter e intra-regionais) no que respeita ao acessq, aos bens e serviços, através de intervenções conjugadas e articuladas nas redes fundamentais rodoviária, ferroviária e portuária, indispensáveis ao pleno desenvolvimento das potendalidades produtivas nacionais e à melhoria das condições de vida da populaç!o. O programa, diferenciado entre as áreas metropolitanas de Usboa e do Porto e o restante território nacional, envolverá um conjunto muito importante de investimentos públicos nas seguintes áreas: • auto--estradas, itinerários principais, itinerários complementares e obras de arte; • rede principal, secundária e complementar de caminhos de ferro; • portos comerciais e infraestruturas de acesso; • infraestruturas viárias e ferroviárias urbanas; • melhoria da rede viária desclassificada; • aeroportos e aeródromos secundários. Progr'"'"' O Programa de Telefonia Rural tem por objectivo melhorar significativamente a cobertura telefónica das regiões mais desfavorecidas do pals, complementando o Programa de Desenvolvimento das Acessibilidades e o Programa ST AR, uma vez que se considera que a indisponibilidade de boas infraestruturas de telecomunicações constitui uma das mais significativas restrições à locatizaçlo de unidades produtivas nessas regiões. O objectivo concreto é atingir um índice de 10 postos telefónicos principais para cada 100 habitantes nas regiões onde a penetração do serviço telefónico é muito baixa (cerca de 8 postos p/100 habitantes). Para atingir essa finalidade ser3o reali.z.ados importantes investimentos em infraestruturas por parte dos CIT (estimados em cerca de 24 milhões de contos num perlodo de quatro anos) a que provavelmente se associará, como instrumento dinamizador da respectiva utilização, uma diferenciação tarifVia temporária. Programa Estrut~~ral O Programa Estrutural de Desenvolvimento da Investigação Cientifica e Tecnológica, a realizar até 1992, destina-se a ampliar substancialmente a capacidade cientffica e tecnológica nadonal nas ciências básicas e aplicadas e nas ciências sociais e humanas, corrigindo simultâneamente as grandes assimetrias regionais que actualmente se verificam no domínio da Ciênda e Tecnologia. Este programa contemplará quatro tipos prindpais de acções: • as infraestruturas para actividades de 1&0 públicas e privadas (exigindo, neste caso, a elaboração de um sistema de incentivos próprio);
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• as acções de formaçlo avançada de recursos humanos, nomeadamente em Universidades estrangeiras;
• a lntenslficaçlo do lnterclmblo dent!fico e tecnológico, pela contrataçlo de cientistas estrangeiros para funçOes de docência ou I&D;
• a formaçlo de pessoal tknico de apoio às actividades de I&D, nomeadamente em áreas especialmente carenciadas.
Pua execuçlo deste programa contribuem vários vectores, salientando-se no &mblto do FEDER o financiamento de Infraestruturas e estudos, que pode abranger projectos pll.blicos e privados e, no lmbito do FSE, o financiamento da formaçlo e o apoio ao ensino superior.
ProgrlmUJ d• C...h"os di Emprogo • PROCEMP
O Programa de CeniTos de Emprego tem por objectivo melhorar e completar a rede actual de centros de emprego gerida pelo Instituto de Emprego e Formaçlo Profissional contribuindo, através da adequaçlo da procura l oferta, para um melhor funcionamento do mercado de trabalho e, portanto, para diminuir estrangulamentos ao processo de desenvolvimento e para aproveitar de forma mais eficaz recursos disponlveis.
As medidas a incluir neste programa dizem respeito à construçlo de novos centros de emprego, à adaptaçlo dos existentes, à informatizaçlo dos serviços e à implementaçlo de ninhos de empresas.
O custo total deste programa poderA ser estimado em cerca de cinco
milhOes de contos.
ProgriJmiJ di InfrMstn.turu di Apoio ao Turinro • PRODIA T
O Programa de Inhaestruturas de Apolo ao Turismo tem por objectivo criar as condlçOes infraestruturais necessúlas ao desenvolvimento da actividade turlstlca nas regiOes onde existem grandes potencialidades de lnstalaçlo e atracçlo de investimento neste domlnio e naquelas em que se verifiquem situaçOes de desequil!brio que dificultem ou ponham em causa o seu correcto desenvolvimento turístico.
O programa apoiará as infraestruturas pC!blicas (essencialmente da iniciativa dos municípios) que constituam um complemento indispensável aos empreendimentos turlsticos privados instalados ou a instalar na regilo ou que fomentem o aproveitamento dos respectivos recursos para fins de animação turística e valorlzaçlo do património. As zonas a abranger por este programa serlo os eixos de desenvolvimento turlstlco e regioes especificas de aproveitamento turístico, zonas qui slo também consideradas prioritárias para efeitos de apoio ao sector privado no lmblto do Sistema de Incentivos Financeiros ao Investimento Turístico (SIFI1j, bem como as áreas de interesse turístico a criar nos termos do Decreto Lei n• 328/86 de 30 de Setembro.
Assim, as acçOes a desenvolver • cuja aplicaçlo deverá ser condi.cionada e articulada com o ordenamento turlstlco e urbano do território • serão dos seguintes tipos:
• Inhaestruturas de base para o desenvolvimento das actividades turísticas (acessibilidade, saneamento básico e energia);
• Inhaestruturas de animação turlstica;
• Inhaestruturas de recuperaçlo e preservaçlo do património;
• Espaços de lazer.
A duraçlo prevista para o programa será de três anos (1989·91) e poderá envolver um investimento total de cerca de 25 milhões de contos.
Programa di Proteq;ão dt RlcllrSOS Húlrlcos • PROREHI
Com a concretizaçlo do Programa de Protecçlo de Recursos Hídricos visa· se,fundamentalmente, contribuir para o ordenamento das bacias
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hldrogrAflcas, a regularizaçlo fluvial, a diminulçlo dos caudais torrendala através do aumento dos tempos de conc:entraçlo das bacias, a diminulçlo da eroslo nas encostas declivosas e a defesa contra as cheias e d lmlnulçlo dos seus efeitos gravosos.
Tratar--', provavelmente, de um programa a quatro anos de construçlo de infraestruturas de protecçlo e conservaçlo dos recun;os hldricos e que envolverA previsivelmente um montante de cerca de 6 mllhOes de contos.
Progra""' di Tr~tNSporle t Diltrlbllição di E....p. Ellclrlca - PROnDEE
A par da prossecuçlo de investimentos d irigidos • produçlo de energia que, pela sua dimenslo financeira, deverlo ser tratados como projectoa individualmente co-financlados pelas Comunidades Europeias, considera-se Importante suprir as deficiências actuais das redes de transpor«. e distribulçlo de energia eléctrica, bem como alugar a respectiva cobertura territorial, objectivos a satisfazer mediante a preparaçlo de um programa operacional especifico.
SIGLAS UllUZADAS NO QUADRO· S!NnSE DOS PROGRAMAS OPERAOONAIS
LOE Unha Orçamental Especifica EP Empresas Pll.bllcas e entidades similares PI!DAP Programa Especifico de Desenvolvimento da Agricultura
Portuguesa PEDIP Programa l!specifico de Desenvolvimento da lndll.stria
Portuguesa OID/NA Operaçlo Integrada de Desenvolvimento do Norte Alentejano ST AR Programa Comunit,rio de Desenvolvimento das
TelecomunicaçOes Avançadas VAWRBNPrograma Comunit,rio de Valorizaçlo dos Recursos
Energéticos Endógenos PAPTA Programa de Aproveitamento das Potencialidades Turlstlcas
dos Açores OID/PS Operaçlo Integrada de Desenvolvimento da Peninsula de
Setubal RESIDER Programa Comunitário Regional Siderll.rglco RENAVALPrograma Comunittrio Regional Naval OJDs Outras OperaçOes Integradas de Desenvolvimento no
Continente OIDIM Operaçlo Integrada de Desenvolvimento da Madeira PRODEP Programa de Desenvolvimento da Educaçlo em Portugal PRODAC Programa de Desenvolvimento das Acessibilidades PROTER Programa de Telefonia Rural PEDICT Programa Estrutural de Desenvolvimento da lnvestigaçJ.o
Cientifica e Tecnológica PROCEMP Programa de Centros de Emprego PROCIA T Programa de Infraestruturas de Apoio ao Turismo PROREHI Programa de Protecçlo de Recur$05 Hldricos PROTEDEEPrograma de Transporte e Dlstribulçlo de Energia Eléctrica
Introduçlo
CAPÍTULOVU
ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO
147. O acompanhamento e a avaliaçlo slo uma componente essen.cial do processo de planeamento, sem a qual nlo é posslvel obter uma melhor eficácia e radonallzaçlo na aplicaçAo dos recursos públicos destinados ao desenvolvimento.
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Com efeito, a implementaçlo de processos de acompanhAmento e anllaçlo • monitorlzaçlo ·de programu/projectos de Investimento pllbllco revela-se como factor indlopenaAvel para o aumento da tranoparfnda na apllcaçlo de recurao• deotinando-se a garantir uma maior eficiência das acçOel desenvolvidas com vista a atingir os objectivos de desenvolvimento previamente fixados.
Através do acompanlumento dos programu/projectos dispor-se-,, em permanência, da lnformaçlo actualizada sobre a execuçlo f!slca e financeira de cada um deleo, podendo avaliar-se o rigor com que as previsões estio a ser cumpridu, conhecer-se a expllcaçlo para eventuais deovlos e encontrarem-se as formas mais adequadas para reduzir os lnconvenienteo por eles causados.
O acompanhamento regular dos resultados e a avallaçlo dos respectivos Impactei, disponibilizando lnformaçlo sobre os diferentes programu/projectos, facilitar' a tomada de decisões relativamente a eventuala readaptaçOel du acçl!el, tomadu indlspensivels em funçlo das necessidades.
De aallentar tamWm que essa dlsponlblllzaçlo da lnformaçlo sobre a execuçlo dos programu/projectos contribui para avaliar, a ~ualquer
momento, a lua importlndl relativa no contexto 1ec10rlal, regional ou global, fadlltando a dedtlo IObre a respectiva afectaçlo de rec:uraoo, a qual exige lflectlvidade, deflnlçlo de prloridadel, coerência e cuja programaçlo plurianual assume uma forma concorrendll, óptica cada vez mala defendida pelas lnstlndas comunltúias.
Bm resumo, o acompanhamento apresenta três resultados dbtintos, ou Nja;
• o aumento de transparência no processo de Investimento e de homogenlzaçlo de lnformaçiles;
• 1 reciclagem de experlêndu colhidas ao longo do acompanhamento, para o planeamento e prograrnaçlo de novos projectos, nos serviços executores e em geral;
• 1 detecçlo de desvios entre 1 programac;lo doslnveotlrnentos e o seu ritmo de reallzaçlo, com relevlncia para a eventual reprograrnac;lo do próprio Investimento, com a possibilidade de avaliar em termos absolutos e relativos u c;ondlçOes de execuçlo do projecto.
Slatema Nacional de Acompanhamento
148. Como respotta aoe aspectos atrú referidos, est' a ser lançado, de forma progressiva, o Slatema Nacional de Acompanlumento (Siatema PMS), que complementa os esquemas l' existentes ao n!vel do planeamento global, sectorial e regional, uaumlndo, portanto, um car'cter lflectlvo e qualitativo. Deste modo, a monltorizaçlo que se esll a efectuar visa acompanhar apenu aqueles projectos que têm significado espedflco, quer devido l sua natureza, quer devido l sua dimenslo, quer ainda devido ao grau de problemu que evidenciam.
Resulta assim que a monltorlzaçlo desenvolvida no lmbito do sistema nacional pretende uniformizar e integrar os diversos processos de acompanhamento e avallaçlo desenvolvidos nos diferentes n!vels do planeamento e da execuçlo. Para além desta homogenizaçlo metodológica, trata-se tamWm de uma agregaçlo ao nfvel hier!rqulco (projectos, programas Integrados, programaçlo sectorial, programaçlo regional, programaçlo global), que permite a vArlos n!veis intermédios e finalmente ao n!vel da agregaçlo nacional, retratar na totalidade a principal parte do investimento púbüco.
149. Em 1988, o Governo atribuiu prioridade l montagem de esquemas de acompanhamento dos novoa oistemas de ln 2-(415) um grupo seleccionado projectos, contidos no 1° Relatório de Acompanhamento, que possui um car'cter de protótipo. No final deste ano, aquele sistema abrangerA um total de 50 projectos bem como a Operaçlo Integrada de Desenvolvimento (010) do Norte Alentejano e lnldar·se-' a conoepçlo do esquema de acompanhamento do Programa Nacional de Interesse Comunlttrlo de Apolo l A Em termos de prioridades do alstema, no ano em curso visou-se eobretudo o aumento da transparência e a reciclagem de experlêndas do acompanhamento, na medida em que a sua utlll•açlo enquanto Instrumento de anAlise de desvios • que 10 pode considerar o fulcro do sistema de acompanhamento • só atlnglri plena maturidade quando todos os projectos acompanhado• lndulrem, desde logo na fase de planeamento, as lnformaç!les e prevl16es que permitirlo a postenor anAlise comparativa e objectiva dos desvios. 150. Ettlma·te que na fase final do sistema, a atingir em 1992, o acompanlumento abranja 200 a 300 projectos, pretendendo-se atingir pelo menos 50" do volume anual de Investimento Inscrito no PIDDAC. Nesta fase o fluxo de lnformaçOes regulares processar-se-i automati As perspectivas para o futuro desenvolvimento do sistema pressupOem, nomeadamente, as segulnteo acçl!es: • desenvolvimento de metodologias para o acompanhamento intra-programa, como Instrumento de gestlo ao n!vel de cada Investimento acima de determinada dlmenalo; • elaboraçlo e soflslicaçlo de ratios, Indicadores da lmplementaçlo e da mediçlo de efeitos (durante a exploraçlo) dos prln • lnteracçlo rom outros s.lstemas internacionais e nomeadamente comunlttrlos, com o objectivo de harmonlzac;lo de metodologias e da comparaçlo da execuçlo e efeito ao nlvel europeu. J'rosramM Operadonala e POR 151. Um outro vector do sistema de acompanhamento e avaliaçlo est' directamente relacionado com a absorçlo dos recursos financeiros comunlttrlos po1tos l dlspollçlo de Portugal, em resultado da reforma dos fundos estruturais, que exige a adaptaçlo dos programas e projectoa nadonala e a criac;lo de novos mecanismos de artlculaçlo entre os serviços nacionala e comunlttrlos, nomeadamente no dom!nlo do acompanhamento. Neste lmblto, o aistema de acompanhamento deve abranger a totalidade das lntervençilel co-flnancladu pelos fundos comunlttrlos o que • em funçlo du exlgêndu mala soflsticadu de acompanhamento e avallaçlo deBnldu not novos regulamentos • torna necesstrio o desenvolvimento de uma metodologt. própria e novo "software". Esse sistema que deverA permitir, a qualquer momento, ter lnformaçlo sobre a apllcaçlo e condiçiles de absorçlo dos diversos fundos, deverá Igualmente dispOr de mecanismos de apresentaçlo transparente, homogénea e analltlca, que possam responder u novas exigências de controlo que a Comunidade teri que criar com a implementaçlo da fl1osofla de gesllo dos fundos por objectivos. Conforme dlspae o regulamento quadro horizontal da reforma de fundos estruturais, os serviços de acompanhamento da Cornlsslo slo orientados para Juntamente com os seus homólogos nos palses membros, e num regime de oolsboraçlo (partenarlal), assegurarem um sistema efectivo de acompanhamento, que permita a avaUaçlo nos referidos nfveis,
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recorrendo a procedimentos conjuntamente acordados, inspecçOes por
amostragem e estabelecimento de comités de acompanhamento.
A MCessidad~ d~ apraenw J>fliodicam~nk aos serviços c:omuniúrios, indicadora fisic..- ~financeiros, oobre a atilizaçJo dos fundos, implica que
estes indicadores devam ser previamente negociados e estabelecidos no quadro geral de apoio da Comunidade e para cada acção. Esta exigência imptic.t ainda que se disponha de um conjunto de indicadores compatlveis com a metodologia comunitária. TrAta-se especificamente de indicadores sóci intermédio e de ratios de implementaçllo flsica na base dos quais se definiria ajustamentos necessjrios no volume e n..s condiçOes da llSSistência prestada e bem llSSim no ritmo dos pagammtos. ~ previslvel que as futuras dotatões dos fundos comunitirios, num espírito de uma orçAmentação concorrencial, dependam em larga medida da capacidade da administraçllo portuguesa satisfazer os requisitos do acompanhamento comunitário aos níveis central, sectorial e regional de progr..mas e de projectos. CAPtruLovm OANODE1989 Crancles Opç6os do Plano de 1989 152. As Grandes Opçlieo do Plano pua 1989 enquadram-se plenamente nas Gr..ndes OpQOes definidas pAra o médio prazo: • Valorizar os NCNI'SOs '"'""'"DI e. fortahcn o tecido sociAl; )ustificand<>-se, do ponto de vista conceptual, a subordinação das Grandes Opçoes anuals às de médio prazo, a diferenciaçllo entre ambas far-se-á, por um lado, a níveJ das diferentes medidas e acções que., anualmente, corporizaria essas Optões e, por outro lado, nos crescentes graus de rea.lizaçllo das intervençOes plurianuals. Evoluçlo Económlca 153. O comportamento das principais varitveis macroeconómicas durante o ano de 1989 deveri contribuir pAra a concretizaçllo progressiva dos grandes objectivos definidos nas Grandes Opçoes para 1989/92. Nesse sentido, acentuar·s.• o esforço de modernizaçlo da economia, através do refor(O do investimento público em infraestruturas e do apoio acrescido ao investimento privado, visando a adaptaçlo do tecido produtivo face A concorrência crescente e ao Mercado Único em 1992. Nesta evolução do investimento assumiria papel de relevo os fundos comunit.irios que possibilitarão um esforço adicional de crescimento, o qual se processarA sem pOr em risco os grandes equilfbrios mAcroeconómicos ao nlvei da inllaçAo, das contas externas e das contas do sector público. 154. Assim, os objectivos da politica económica para 1989, sAo os seguintes: • continuaçJo do processo de crescim~nto e.:onómico eqWJibrado, salvagu..nbndo o equillbrio das contas externas; 11 SÉRIE- A - NÚMERO I • continuaçlo do esfor(O global de investimento, púbüco e privado, nomeadamente, nos sectores apoiados pelos fundos estruturais comunitirios; • desenvolvimento favorável do mercado de trabalho; • continuaçlo do processo desinflacionista visando a progressivo aproximaçlo aos nlveis de inflaçlo europeus; • c:ontinuaçlo do esfor(O de reduçlo do peso do défice do sector público no PIB. Durante o ano de 1989 a economia portuguesa continuará a evoluir de forma favorável, atingindo um crescimento de 4'JI. e prosseguindo a consolidaçlo do processo de desenvolvimento e modemizaçao. Esta evoluçlo nao deixará de ter repercusslies favoráveis no mercado de trabalho, admitinde>-se um crescimento do emprego de cerca de l'JI., pelo que a tua de d-.mp~o continuari a ser uma das mm baixas da Europa, ao aituaMe em caca de 6'JI.. Prosseguiria os esforços da desaceleraçlo da inflação, que se aproximari, no final do ano, de nfv~is enm 5 e 6'JI., para o que se perspectiva uma envolvente externa nao desfavorivel e uma evoluc;.lo dos rendimentos que, tradu.zi.ndo acréscimos reais, seja consistente oom o objectivo desinflacionista. O abrandamento da procura, e o esperado declinio da sua elasticidade face t procura global implicar' uma desaceleração no crescimento d11s importaçlla, para cerca de 7 3/4'JI. , aliviAndo de algum modo a pressAo do défice comercial sobre as contas externas, que nao obstante uma ligeira degradaçlo, oe m..nterio a nív~is niio preocupantes ( BTC cerca de - SOO milhliH de dól..-es;- 1,2'JI. do PIB), nomeadamente devido~ entrada dos fundos comunitários. 155. O 4• ano de progresso consecutivo e a preservaçao dos principais equillbrios macroeconómicos requererAo. uma desaceleração do r crescimento da procura interna para cerca de 4. 3/4%, sendo necessário que, num quadro de modemizaçao da economia, tal se fique a dever a um crescimento mais moderado do consumo da ordem de 3%. O investimento continuarA a apresentar um elevado dinamismo (9,5'JI.), sendo de salientar o impulso do crescimento do investimento público (cerca de 15'JI.) nas áreu das infraestruturas físicas (transportes e c.•oanan.kaç6es, ftlergia, u.neamento básico, etc) e humanas (eduaçlo, lonnaçlo prollssional e investigaçlo áentlfica). Um importAnte esfor(O de investimento nestas áreas é absolutamente indispensável num processo de modftnizaçlo consistente e duradouro como o que Portugal necessita de empreender, visando • conv~a real em relaç:lo aos seus parceiros europeus. As exportaçOes continuaria a evoluir de forma favorAvel, dadas u boas perspectivas em termos de procura externa potencial No que se refere ~~ contas do sector público procurar·se-.i continuar a reduzir progressivamente o peso do seu défice no PIB, através duma eficiência acrescida ao nível da captação de receitas e duma maior racionalidade, do lado das despesas, nomeadamente as correntes. Para alcançar as metas preconizadas para as principais va.riiveis macroeconómlcas, em 1989, serão utilizadas as politicas orçamental, fiSCal, monetária. cambial e de rendimentos, cujas linhas gerais se abordam nos pontos seguintes . A expl..naçlo destas politicas bem como a explicitaçlo dos vArios instrumentos a utiliur constam do Relatório Geral do Orçam.,nto d6 1 Estado para 1989.
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PRINCIPAIS INDICADORES MACROECONÓMICOS 1989
,.. ....... em volume Clooooumo Tm.l 3 Fonnaçlo.,..,. de n.pka) ,._ 0112 -·-- 43/. ~de~·~ • .............. • lm~·.,_,.·~ 7 3/4 ........ 4
I
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DIYido.._ (""do PIB) 38.4 - . ..
Preça.l~IIOCon..ftOPrtYIIio • ..._ ... ....,.._ • ..._ ...... _ 71!4 T.-.o~Mtf!CIO -1.2 - 1.1 Odlvo --- 6 - ow -m ~dlsf-,fwl 8.7 ..... ......., 9.3
- 2<.7 " ._ -·-- .... SPA 3.2 156. A politica orçamental para 1989 manteri um car.icter de rigor, lendo orientada simultaneamente para o aumento das receitas fiscais e a CXIIIh!nçlo da despes&.
No que se refe:e ls receitas, o ano de 19891lcar' marcado pelo arranque da reforma fiscal da trlbutaçAo de rendimentos, com o lançamento do
Imposto !l.nico sobre o rendimento, que permitirt o alargamento da base de lllcidênàa trlbuUiria. Em matéria de politica fiscal merecem ainda
.-...Ice as alteraç6es a introdwór no imposto sobre as sucessões e doaç6es, a reestruturaçlo da Administração FIScal, tomando mais eficaz o combate l fraude e evaslo fiscal, a aia~J.o do Estatuto dos Benefícios FISCais e os reojWtamentos no !VA, no quadro do Tratado de Adesllo l Comunidade Económica Europeia.
O romportamento da despesa continuar' a ser inlluenàado pelo carácter rigldo das suas prinà~ls componentes. O esf~ de contenção inàdiri sobretudo ao n.t'vel das despesas conentes, por forma a adequar o crescimento do investimento público que maximize o aproveitamento doo fundos estruturais comunit.irios.
Relativamente l forma de finanàamento do déllée do SPA, continuará a promover~se um maior recu.rso l componente de mercado, o que contribuir;\ para o desenvolvimento do mercado de capitais e eliminar.i de forma progressiva as restriç6es actualmente impostas a utilização dos inatrumentos de politica mon~, faàlitando a transição para formas ~ de controlo monet.irio.
157. A politica cambial continuar4 e:n 1989 a ser conduzida de forma a nlo comprometer os objectivos em matéria de infiaçlo e de competitividade externa da economia. Deste modo, a gestlo da taxa de clmbio atender4 fundamentalmente l necessidade de assegurar a manutençlo de níveis adequados dos preços relativos dos bens
comerdaliz.iveis e a nlo deterioraçlo das respectivas margens de exponaçlo, pelo que sed programada de molde a compensar os
cllfeftl\ciais de inflaçAo e:n relaçAo aos principais parceirce comerdals.
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Por outro lado, o car.lcter da polftica cambial a prossegwr exige que as poUticas que mais directamente influenciam a procura · monetária, orçamental e de rendimentos · sejam definidas de forma compatível limitando o cresàmento da pnocura interna, condiçlo indispensável para se atingirem oa objectivos relativos l inllaçlo e ls contas externas.
158. Asawnindo a politica mondtria um papel determinante ao nlvel da gestlo da procura, através do controlo do a-esàmento da liquidez da e<."Onomia, as suas linhas de orientaçlo serlo fixadas de forma consistente com os objectivos de inllaçlo e de cresàmento económico.
Assim, a politica monet.iria teri em consideraçlo a evolução recente do
sistemll llnanceiro português, nomeadamente a desregulamentação das taxu de juro e as inovações surgidas nos mercados financeiros, que possibilitam às e:npresas fontes alternativas ao llnanàamento bancário "' aos ~culares, formas alternativas de aplicação da poupança. Por outro lado, o andamento favor.ivel da adividade económica,conjugado com uma maior efiàênàa em termos de gestlo,permitirá ls empresas uma maior ca~ddade de autollnaàamento. Deste modo, serl posslvel em 1989 fi.U'J' face a um aesdmento mais moderado do crédito, sem comprometer os objectivos em matéria de investimento.
Ao rúvel das taxas de juro consolidar-se-' o esforço de desregulamentaçlo
que conduziu l sua liberallzaçlo, esforço esse acompanhado pela progreulv• Jmplem.entaçlo de mecanismos indirectos de controlo monetirio.
Fmalmente, promover-se-i o reforço do rúvel de poup~nça das famllias, o que serl conseguido, nome~damente, através da ofer~ de condiç6es favodveis, em termos de remuneração e liquidez, nas emi~ de títulos representativos da divida pública. Desta forma, o llnanàarnento do Estado far-ae-tjunto do mercado e às taxas de juro por este determinadas, através
da captaçlo dinecta de recursos junto dos agentes com ca~àdade de linatlclamento. Este serl um passo deàsivo com vista ao progressivo abandono doa limites de crédito, enquanto prinàpal instrumento da
politica monetúia1 indispendvel a um melhor funcionamento dos mercados financeiros.
159. A politica d~ ftndim~ntoo a prosseguir em 1989 continuará a assumir um papel importante ao nlvel da conciliaçlo do objectivo de aproximaçJ.o progressiva da lnflaçlo aos nivei.s médios comunitários~ a par com um r:ltmo de crescimento económico significativo e um aumento do emprego.
Oeste modo os salários nominais deverlo aescer a um ritmo consistente com a tau de inflaçlo esperada,acrescida de uma partidpaç.1o nos ganhos de produtividade,cuja ~rtilha dever.i ter em conta a capaàdade e solidez fmanceira da.s empresas ou sectores e o próprio esforço de investimento~ indispensivel l modemizaçlo do economia e ao cresàmento do emprego.
Acresce ainda a necessidade de as empresas utilizarem com moderação o poder de que dispOem ao rúvel da actualizaçao de preços,fixando-os de modo comp•tfvel com os objectivos do Governo em matéria de inflaçlo.
PIDDAC.-
Sfntese
160. O PIDDAC/89 atinge um montante global de 192 994 milhares de CXIIItoa a preços correntes, sendo fonanàados pelo O.E. 171 276 dos qu8lS 141 770 milhares de contos ( 82,8~) refenentes ao "PIDDAC Tradicional" e 29 506 milhares de CXIIItos (17 ,2~) sAo relativos ao "PIDDAC- Apoios ao SedoJ' Produtivo•. (1)
(I) R ... tlvamente ao "PIDDAC Tradiclonar os projectos a finanoar pelo EslaOO a 01e$1T10 ~que sao cotinanciados pelo FEDER, sao Inscritos pala sua globalidade No que respeita ao •PIDDAC - Apoios ao Sector P'odutfvo• apenas se' insaovo a ~Interna da desposa- ao sectcrprodullvo.
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Relativamente ao ano anterior o PIDDAC/OE regista um acréscimo de
16,4% em ~ nominais ou seja """'a de 9,8% em termos ruis.
Este slplflatlvo aumento traduz a preocupaçlo do Governo de garantir
a abeorçlo total dos fundos romunltArios dentro do contexto de reduzir o
défice do oector público.
161. M dedsOes relativas aos Fundos Estruturais determinam que 1989 seja o ano chave para o lançamento de um conjunto de acçoes
estruturais no domlnlo do Investimento • a levar a cabo directamente pelo Estado ou de estimulo ao sector privado • cujos resultados, ao nlvel do apetrechamento do pais em Infraestruturas e do reforço de competitividade, rontrlbulrlo de forma dec!Jiva para a c:onstruçlo de um novo padrlo de sociedade e economia portuguesas compat!veis com a nova Europa em 1992.
162. A distrlb~o du verbas por Mlnlothloe (Quadro I) reflecte e acentua u prioridades Governamental• no domlnlo da politica de desenvolvimento, COUipatlvell com os objeàivoo du politicas eotruturalo comuniUriu, que podem resumiMe do seguinte modo:
• apoio ao sector produtivo no sentido de acelerar a sua modernlz&çao, rentablliz&ndo 01 dlversoe apoios romuniWioo;
o grande reforço nos secton>S da Educaçao e Transportes, a par das lntervençOes especificas de desenvolvimento regional;
PIDDAC Tradíclmul Sector~/
163. Para o ano de 1989 o montante do PIDDAC Tradicional financiado pelo O.E. atinge o valor de 141 770 milhares de contos, traduzindo-se num acrésdmo em termos nominais da ordem dos 24.1% em rell<;ao a 1988.
Sectorlalmente é de realçar o peso significativo assumido pelos Transportes e Comunlcaçoes (34,4%), l!duaçlo (22,5%), Sallde (5,2%), Habltaçlo (7 ,2%), lnvesllgaçlo Oentlftca (5,2%) e Agricultura (3,4%) os
qua!J, em conjunto, absorvem 77,9% daquele montante.
Acrescentando-se as "Outraa Fontes•, que com 21 018 milhares de a>ntes a>ntrlbuem para os sectores da Segurança Social, Formaçlo Profissional, Transportes e Comunicaçoes e Habltaçlo e Urbanismo, o PIDDAC Tradicional em 1989 ascende a 162 788 mllhareo de oontes.
164. O oector da Educaçlo, com uma programaçlo da ordem dos 29,4 mllhoes de contos, isto é, 20,8% superior l dotaçlo de 1988, prevê a execuçlo de um vasto oonjunto de acçOes em vários domlnlos das quais destacamos as seguintes:
Na área da Educaçlo PrHscolar, os apoios aos lnveotlmentoa em tnstalaçOea rondam os 600 000 contoa.
Para o i.nslno Btsioo e Secundúlo eatlo previatoa oerca de 16,3 mllhOes de oontoa. Grande parte desta verba • 12,6 mllhOes de contes • destina-se a lnveotlmentos em instalaçOes diversas e deoportivas escolares.
O apetrechamento das lnstalaçOes absorve quase 1,4 mllhoes de contes e a conservaçlo e remodelaçlo do parque escolar perto de 2,3 milhoes de contos, llallentando-se um esforço financeiro algnilicativo nesta llltlma acçlo.
Os apoios aos Investimentos para a Eduaçlo Especial, destinada a menores deficientes, cresceram significativamente, cifrando-se em perto de 400 000 a>ntos.
No Ensino Superior Universitirio os Investimentos totalizam mais de 6,8 milhoes de contos, destinando-se mais de 4 mllhoes de contos para o
Ensino Superior Nlo Unlversltúlo, oom especial destaque para o Ensino PoiJ~oo oom perto de 3,8 mllhOes de oontes.
Os investimentos destinados b Escolas de "Enfermagem sltuam·se perto dos 400 000 contes.
Para a Acçlo Social Escolar eotlo previstes oerca de 700 000 contos, dos quais SOO 000 para a do Ensino Superior.
Aos meios informáticos esoolares e h novas técnologlas de lnformaçlo destinam-se mais de SOO 000 contos.
165. O sector dos Tranaporteo, Comunicações e Meteorologia dispOe de uma dotaçlo da ordem dos 45,0 milhões de contos destinados l concretlzaçlo da polft!ca Integrada dos transportes através da sua modernlz&çlo e maJor flexlbllldade.
O acréscimo das verbu consagradu a estes objectivos, em termos nominais e em ralaçlo a 1988, ronda os 35,9%.
De acordo oom esta poUtla pretende-se cobrir Portugal com uma rede integrada de estradu, CAminhos de feno, portos e aeroporto&, oom Ugaçlo u redes lnternadonalo.
Os investimentos nu Infraestruturas rodoviárias deoenvolvem-se segundo os principais objectivos estipulados no Plano RodoviArlo N &clonai, prevendo-se dia pender na modemlzaçlo da rede viária cerca de 35,7 ml1hoes de contos.
O dispêndio nu lnfraeatruturas fenovlúlas e marltimas atingem cerca de 5,5 e 2,2 mllhoes de contos, respectivamente, tendo por objectivo
primordial o desenvolvimento adequado de um sistema lntermodal de transportes.
As dotaçOes afectas b lnlraestruturas aéreas cifram-se em cera de 1 milhlo de contos e visam o Incremento da rede de aeroportos Internacionais (Usboa, Santa Catarina e Porto Santo) e de aeródromos secundários.
A Meteorologia prevê dlspender 151 mil contos, estando o seu desenvolvimento a atravessar uma fase crucial para se superarem os atrasos existentes relativamente l Europa.
166. O sector da Justiça dlspOe de uma dotaçlo de 2,9 mllhoes de
contos, reflectindo um acréscimo de 19,4% relativamente ao montante atrlbuldo em 1988.
Entre as acçOes previstas merecem destaque a construçlo e remodelaçlo de estabelecimentos prisionais (707 mil contos) e de Tribunais (7()() mil contos) e ainda a lnstalaçlo de serviços e aquislçlo de equipamento de teleromuniaçoes para a Policia Judld6ria (747 mil contos).
167. O sector Saúde, com uma dotaçlo de 6,8 mllhOes de contos, estabeleceu como grandes vectores, a construçlo de Hospitais Distritais (1,6 milhOes de a>ntos), ampllaçlo de Hospitais Centrais (1,1 mllhoes de contos), construçlo de Centros de Sa1lde (2,2 milhl!es de contos) e aquJslçlo de equipamento associado.
Continua assim, a verilicar·se u.m incremento dos planos jA e.m execuçlo
para solucionar os problemas de desarllculaçlo entre os diversos nfveis de unidades de prestaçlo de cuidados de ... llde (prlmirios e diferenciados), através do lançamento de novos Hospitais Distritais e da oonstruçlo de
uma boa rede de Centros de Saúde que contribuam para o descongestionamento das urgências dos Hospitais Centrais das grandes áreas metropotitanas.
Dos programas especllicos de cuidados de Saúde, destaca-se o reforço da protecçlo a alguns grupos vulner!vels nas áreas da Sallde Materno
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Infantil (2SO mil contos), Saúde Mental (224 mil contos), Recuperaçlo e Protecçlo da Toxlcodependênda, Alcoolismo e Tabagismo.
De referir, ainda, o prosseguimento da execuçlo do Plano Nadonal de Luta Contra o Canao cujas ac:çOes ascendem a 685 mil contos.
168. O sector da Cultura tem dlsponlvel, para o ano de 1989, uma verba da ordem dos 3,9 mflMes de contos, representando um crescimento de 25,7'11> em Yalores nominais.
Do total desta dotaçlo cerca de 77'11> ficam afectos à Secretaria de Estado da Cultura.
Para além da prossecuçlo das actividades de recuperaçlo, prevenção e defesa do Património Cultural destacam-se as seguintes acçOes:
• Edlficaçlo do Conjunto Monumental de Belém, da responsabilidade do LP .P.C. (1 mllhlo de contos);
• Apolo à crlaçlo de uma rede de bibliotecas de leitura pública da responsabilidade do Instituto Português do Livro e da Leitura em cola.boraçao com autarquias locais e comissões de coordenação regional (786 mil contos);
• Novas lnstalaçOes para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, da responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifldos e Monumentos Nacionais (700 mil contos).
169. O sector Habltaçlo e Urbanismo dispõe de cerca de 9,4 milhões de contos o que, em valores nominais, corresponde a um aesdmento de 45,7'11> em relaçlo ao ano anterior. Desta verba, 6,5 milhões de contos slo da responsabUidade do Instituto de Gestao e Allenaçlo do Património Habitacional do Estado OGAPHE) e visam a construçlo e reparaçlo de fogos, a comparticipaçlo na recuperaçlo de imóveis degradados (no lmbito do programa RECRIAl e a promoçlo da construçlo de alojamentos para venda a custos controlados.
Os programas Integrados MPAT envolvem a concesalo de compartfdpaçOes para a execuçlo de obras em equipamentos urbanos (Quartéio de Bombeiros e Igrejas) e ainda realizaçlo de obras de saneamento básico, entre as quais assume espedal relevlnda a da Costa do Estoril com uma dotaçlo de 541 000 contos.
170. O sector da Formaçlo Proflalonal com investimentos da ordem de 2,1 milhões de rontos visa, essendalmente, a construçlo ou recons!Tuçlo de centros de forrnaçlo profissional espalhados pelo Pais com o objectivo de proporcionar aos formandos cursos de acordo com as nea!ssidades existentes nas regiões, destacando-se de entre estes, três escolas de hotelaria e turismo, com as quais se adequarA o sector do Turismo às novu exigências de quallficaçlo profissional.
171. No sector da Segurança SocW os investimentos ascendem a cerca de 1,5 mllhOes de contos e desUnam-se l ampllaçlo e/ou construçlo de edifldos com o objectivo de acolher idosos ou crianças e jovens privados do meio familiar normal ou de apoiar defidentes a fim de lhes proporcionar uma adequada lntegraçlo soda!.
172. O sector Deaporto e Ocupaçlo dos Tempos Llvrea dispõe de uma verba de cerca de 2,1 milhões de contos, repartida por quatro Ministérios.
Da programação deste sector destacam-se as comparticipaçOes conoedidas a Instituições particulares, designadamente centros de actividades de tempos livres para crianças e jovens (MESS), associaçOes desportivas e recreativas 2-(419) (MOPTC e PCM), parques de campbmo, inhaestruturas das aosodaçOes juvenla e pousadas da juventude (PCM), e ainda acçOes no lmblto do recreio e desporto ntutlco (MOPTC). 173. O sector Tudamo, tomado .. strlctu sensu", denotando uma continuidade relativamente a anos passados, apresenta uma programaçlo de Investimento para 1989 centrada em acçOes de promoçlo aueguradu pelo recémofltabeleddo Instituto de Promoçlo Turlstica e corporizadas em dois programas. Envolvendo uma verba de cerca de 1,2 milhões de contos, valor que reflecte um incremento de 2,2'11> face a 1988 (a preços correntes), o esforço de investimento ~ preferendalmente encaminhado para a promoçlo no mercado externo, componente que absorve 86'!& do total. Com a acçlo promocional programada pretende-se, para além de assegurar internamente a divulgaçlo da imagem turística nacional, manter u campanhas de atracçlo levadas a cabo pelos actuais Centros de Turismo de Portugal no estrangeiro e promover a lnstalaçlo de um novo Centro no Japlo, Identificando este Pais como um importante mercado turlst!co emissor, na direcçlo da Europa. 174. O sector ABricultura, SUvlcultura e Pecuiria apresenta a sua programaçlo, da ordem dos 4.4 milhões de contos, repartida entre o MAPA (2.7 mllhOes de contos) e o MPAT (1,7 milhões de contos). As verbas do Ministério do Planeamento e da Admin.istraç!o do Território destinam·se essenàalmente a programas que visam o aproveitamento de bacias hidrogrtficas. Na progra.maçlo do Ministério da Agricultura, Pescas e Al.imentaçlo evidencia-se a componente do PEDAP relativa a Investimentos públicos, o qual absorve 68% das verbas a dispender por este Ministério no lmbito deste sector. Destacam-se como objectivos gerais da programaçao do sector a benefidaçlo, criaçlo ou expanslo de Infraestruturas hidráulicas, rede de caminhos rurals e melhoramentos fundiários, a melhoria da eficiência técnica e económica dos factores de produç3o e das estruturas produtivas, o desenvolvimento radonaJ da agricultura portuguesa e a melhoria dos resultados ao nlvel das exploraçOes dos agricultores associados. 175. O sector Peacu totaliza cerca de 2,6 milhões de contos, incluindo 550 000 contoo de autofinanciamento dos portos. Os incentivos estritamente nacionais ao Investimento privado, complementares dos apoios enquadrados nos Regulamentos Comunittrios rondam os 500 000 contos. Deste montante, cerca de 400 000 contos destinam-se a apoiar financeiramente a frota de pesca, incluindo construções, modernizaçOes (transformações e/ou apetrechamento) e abates de embarcações, com espedal lnddência nas que têm menos de 9 metros de comprimento interperpendiculares, e a incentivar a pesquisa de novos recursos e o uso de novos métodos de captura e exploraçlo. Os restantes 100 000 contos destinam-se a comparticipar nos investimentos de transforrnaçlo e comerdalizaçlo do pescado. Os investill\entos em infraestruturas portuárias, nomeadamente, em construções maritimas e terrestres, equipamentos, dragagens de ma.nutençlo e estudos diversos, ascendem a perto de 2,1 milhões de contos. 176. O sector lnd611ria cüsp6e de uma programaçlo ligeiramente inferior aos 1,7 mllhOes de contos.
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Os programas são, essencialmente, complementares aos apoios enquadrados no PEDIP, sendo de realçar as ao;iles especificas destinadas às
PMEs que totalizam mais de 750 000 contos.
É de destacar, igualmente, a participaçllo do Estado com cerca de 500 000 contos nos Centros Tecnológicos destinados a promover a modernização tecnológica e a inova~o em variados sub--sectores industriais como o textil, a metaJomeclnica, a cerâmica e o vidro, a madeira e o mobiliário, a
corti9' e o cal91do, para além do fomento da instalação de novos centros de apoio aos sub-sectores da óptica, dos curtumes, dos moldes e dos
plásticos.
177. . O sector da Energia, com uma dobJ.çlo de 380 000 contos tem a sua programação orientada para a realização de estudos, inventariação e prospecção de recursos e informação, divulgação e sensibilização dos
diversos consumidores de energia, nomeadamente da população, do sector empresarial e de outTos sectores de actividade, sobre a problemática
do sector, incluindo o Plano Energético Nacional.
No lmbito do Planeamento Civil de Emergência, vão ser estabelecidos planos que possibilitam ao Governo a gestão "optimizada.. das disponibilidades de combustfveis em situação de escassez.
Prevê-se a criação de infraestTuturas tecnológicas para apoiar a utilização da Biomassa Sólida nos sectores indusbiais envolvidos e analisar as características dos combustlveis sólidos, Uquidos e gasosos.
178. O sector da Investigação Cientifica e Desenvolvimento
Tecnológico detem uma programaçllo da ordem dos 6.8 milhóes de contos
À JNlCT cabe 46,2'.11> daquela verba, a dispender fundamentalmente atTavés do Programa Mobilizador da C & T, or91do em 3,.2 milhões de
contos. Este programa constitui um dos mais importantes instrumentos dinamizadores da actividade de I & O nas empresas e outras instituições particulares.
representando um crescimento, em termos nominais, de aproximadamente 30'.11> em relação a 1988.
De real91r ainda os projectos de investigação a cargo do LNE11 (1,4
milhóes de contos) e LNEC (0.65 milhóes de contos).
1?9. o sector da Jnformaçio Cientifica e ncruca. com um montante de 1,4 milhões de contos visa essencialmente a implementação de Banco de Dados de vários Ministérios, com especial relevo para os do Planeamento e Administração do Território e da Defesa Nacional.
As acções mais vultosas, em termos financeiros, prendem-se com o lançamento de um novo programa da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatlstica.
180. Ao sector Abastecimento e Defesa do Consumidor, está afecta uma verba de 54 000 contos a qual visa a formaçlo e protecç.J.o do consumidor e o incremento do movimento associativo nesta área, acções estas a implementar pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INOC).
181. O sector da Defesa e Protecçio do Ambiente dispõe de uma verba de 2,4 milhões de contos.
No lmbito da actividade desenvolvida neste sector destacam-se as acções no domfnio dos Recursos Hfdricos (1 milhão de contos), e a implementaç3o de contratos programa na área do ambiente (320 000 contos), a cargo da Direcção-Geral dos Recursos Naturais.
11 StRIE-A- NÚMERO I
Dos Investimentos a realizar cabe ainda destacar as ao;oes em úeas protegidas, da responsabilidade do Serviço Nacional de Parques, Reserv .. e Conservação da Natureza, envolvendo verbas da ordem dos 700 000
contos.
182. O sector Modemlzaçio da AdiJlinbtraçio Pública, com uma dotação global de oerca de 5,1 mi.lhóes de contos distribuldos por vúloo Ministérios, contempla acções visando a construçlo, aquisiçlo, remodelação e ampliação dos edificios pllblicos e a implementação e aquisiçllo de equipamento inform.ttico de modo a melhor corresponder l eficiência do aparelho administTatlvo.
183. O sector Segurança e Ordem Pública dispõe de cerca de 1;7 milhOes de contos, repartidos pelos Ministérios do Planeamento e da
AdministTação do Território, da AdministTaçlo Interna e das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, consistindo a sua programação em acções visando fundamentalmente a execução de obras e aquisição de equipamento para as forças de Segurança PIDDAC TRADICIONAL· lnl.,.nçlles l«gio7Uiis 184. Em 1989, com uma verba global da ordem de 7 milhOes de contos, prossegu.irlo os Programas Integrados de Dn.envolvlm~llto Regional (PIORa) - Trás-os-Montes, Baixo Mondego, Cova da Beira, Entre Mira e Guadiana, Nordeste Algarvio e Ria Formosa e as acções preparatóriaS dos PIDRs do Alto Minho e de Trás- Os investimentos previstos para 1989 correspondem, no essencial, continuação de projectos em curso. Projecto de Deoenvolvimmto Runllntogrodo de Tns-oo-M PIOR da Cova da Bêra PIOR do Babo Mondego PIOR de En"" Mlnt e G_,lano PIOR do Nonl TOTAL 185. Assegurando--se uma utilizaçlo concertada dos meios financeiros comunittrios e nacionais surgem as Operações lntegradu .W Desenvolvimento Regional (OJDs) do Norte Alentejano e da Penfnsula de Setúbal e prosseguirão os estudos preparatórios e de viabilidade de novas OIDs ou outros programas regionais, nomeadamente Vale do Ave, Sotavento Algarvio, Alto Minho, Área MetTopolitana do Porto, Pinhal Interior, Raia Central, Vale do Tejo, Oeste e Regi:lo Autónoma dil Madeira. As OIDs envolvem uma dotação O.E., em 1989, de 4 milhões de contos (800 mil contos em 1988) dos quais cerca de 3 milhões para a OID de Setúbal e de 1 milhão para a do Norte Alentejano. Em relação à OID do Nl>rte Alentejano dever....,.á acrescer cerca de 550 000 contos inscritos no lmbito do PEOAP (PIDDAC sectorial) e 275 000 contos em acções de formação profissional no lmbito do Instituto de Emprego e Formação Profissional (JEFP), referentes à comparticipação nacional da AdministTação Central. .. • •
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19 DE OUTUBRO DE 1988
l.N:CCMOS
OIO's • Esi!Jdos 135 ooc OIO's da Penfnsula de Selúbal 2 906 050 OID's do None Alenlejano 937 134
TOTAL 3 878 18-4
Progr11mas Integrados de Desenooloimtnto Rtgion•l
186. No Projecto de Desenvolvimento Rur.tl lntegr~do de Trú-os-Montes (PDRITM) assume particular importância a "componente agrlcola" absorvendo cerca de 75% da dotaçJo atribulda, a que nJo é alheio
o facto de se tratar de uma zona fortemente deprimida onde predomina a agricultura de subsistência e são quase inexistentes as alternativas de emprego fora do sector agrlcola.
187, Quanto ao PIOR da Cova da Beira prosseguir!o os importantes investimentos de 1mbito hidroagrlcola, nomeadamente redes de rega,
enxugo e vi!ria e será lançada uma das ·~ determinantes do projecto -a barragem do Coa-Sabugal~ envolvendo, conjuntamente com a "investigaç!o agrlcola" e as ·a~ de experimentação em regaruo", cerca de 92% da dotaç!o do PIOR, em 1989.
188. Em relaç!o ao PIOR do Baixo Mondeso releva a prossecuç!o das obras de hidráulica em todo o Vale do Mondego. O melhoramenro do
porto da Figueira da Foz é outro dos projectos que prosseguirA em 1989 com a dotaçJo de 200 000 contos. No entanto, sJo as componentes relacionadas com o aproveitamento hidroagrícola que absorvem cerca de 87% da dotaç!o do PIOR. em 1989.
189. No PIOR de Entre Mira e Guadiana para além da continuaçlo
das acçoes iniciadas em anos anteriores assume maior relevo o lançamento das escolas preparatórias de Mourao e de S. Teotónio e ainda da secundária de Mértola, representando a dotação na área da Educaçlo
cerca de 54% da dotaç!o global.
190. O PIOR do Nordeste Algarvio reparte a sua dotaç!o por a~ nos domlnios da Agricultura, HidrAulica, Educaç~o. Saúde, 5 191. No PIOR da Ria Formosa prosseguirão as acções em curso com base em oito sectores fundamentais - ordenamento do espaço, gestJo dos recursos hídricos, saneamento básico, produçao alimentar, gestlo dos recursos naturais, defesa do património, saúde e segurança social e estudos e. investigação - assumindo particular relevo os investimentos relacionados com a produç1o aUmentar, nomeadamente, ao nível da agricultura, aquacultura e pesca oc:e1nica. 192. Em relaçlo às ~ preparatórias do PIOR de T-Montea e Alto Douro, em 1989, continuarão as acções de identificaçlo dos constrangimentos e avaliação dos recursos disponfveis no Ambito da ~ctividade industrial, particularmente nos donú.nios dos minerais, madeira e florestais, agro-industriais e aquacultura. 193. No lmbito das a~ preparatórias do PIOR do Alto Minho continuarlo as ~ nos domfnios da agricultura, florestas, rerursoo hídricos e minerais, turismo, educaçlo e com particular incidência na irea da saúde que representa cerca de 4'1% da dotaç!o global 2-(421) Operaç/1<$ l•tegrodu de Dese•uoloim .. lo ~I 194. Abrangendo ruversas áreas- turismo, indústria. Wraestruturas, formaçlo profissional, agricultura, silvicultura e ambiente e recursos naturais- desenvolver-se-lo m11ltlplas ~no 1mbito da OID do Nort~ Alontejano visando a maxlmlzaç!o do aproveitamento da diversidade dos seus recursos •ndógenos, a melhoria das condições de vida das populaçi!es e a promoçlo de ""'prego. Assumem especial relevo u medidas que visam o desenvolvimento agrlcou e silvfcola. com um significativo peso de projectos novos, assim como o lançamento de novas mecüdas nos domlnios da educaçlo e fonnaç!o profissionaL Continuando a~ j.i iniciadas em anos anteriores no âmbito das a~ preparatórias do PIOR do Norte Alentejano inserem-se as medidas que visam o desenvolvimento industrial (cerca de 69 mil contos), o aproveitamento do potencial turlstico envolvendo uma verba da ordem de ISO mil contos, a melhoria da acessibilidade (300 mil contos para a supressao de três passagens de nfvel) e a melhoria das condiçOes de sallde, com uma - de a!I'Ca de 200 mil contos, em que sobressai o lAnçamento do Hospital Distrital de Elvas (100 mil contos). 195. Quanto à 010 da Península de Setúbal, procura assentar a sua estratfgia num desenvolvimento mais autónomo da irea, tendo em conta os problemas de decllnio que afectaram/afectam as actividades Industriais (construçlo naval, siderurgia e metalomednica) vitais numa zona com uma estrutura produtiva pouco ruversificada. A fixaç!o, em termos de emprego, dos residentes com orupaçlo terciiria implicando a necessidade de ruversilicaç!o e aumento de serviços, quer de apoio l actividade produtiva quer de educaç!o e sallde sert um dos vec:tores principais de lntervençio. Em 1989, entre outras medidas, no lmbito da OID avançv-se-l com a c:onstruç!o do Hospital Distrital de Almada, cuja dotaç!o é da ordem dos 1,4 mllhOes de contos. Promover-se-lo melhorias na rede viária (1.6 milhões de contos) que se reflectiria numa melhor acessibilidade, salientando-se o alargamento da ponte sobre o Tejo ( I milhão de contos com base em autofinandamento); avançar-se--' com acçoes de melhoramentos nos portos de Sesimbra e Setúbal (725 mil contos dos quais 525 mil contos financiados pelo O.E.); ampliar-se-lo duas escolas secundárias (Laranjeira e Seixal) envolvendo 155 mil contos e interv~r-sei rom diversas acções nas *ireu protegidas* da zona com um montante da ordem de 165 mil contos. PIDDAC Apoios 196. Os programas afectos l comparticipaçlo do Estado no apoio ao inv~timento produtivo · o PJODAC Apoios · registam em 1989 um montante global de investimento de 29 506 milhares de contos a suportar pelo O.E., mantendo uma estrutura de repartiç!o semelhante l verificada em 1988. Este valor traduz uma ligeira reduçJo do esforço financeiro do Estado no domínio dos incentivos • activid~e produtiva, devido ao aumento das dotaçlles comunitárias e das respectivas compartidpaçlles, que conduzem a wu diminuiçJo das contr~~rtidu nacionais. Em termos de repartiç!o sectorial, serA de salientar o peso da Asricultura que, com 15 535 milhares de contos orçamentados, absorve 53"- da dotação slobal, destacando-se na sua carteira de Programas a "Modernizaç!o das Explorações Agrlrolas" - Regulamento (CEE) 797/85 - ao qual é afecta uma verba de 9 400 milhares de contos, representando cerca de 32% da totalidade do PIDDAC- Apoios. No sector da Indústria, com uma dotaçlo de 7 2.50 núlhares de contos, asoegura-se a contrapartida nacional l exec:uç!o do PEDIP, otravés de um programa denominado • Apoios F'manc:eiros ao Investimento Produtivo"
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ao qu.al é úec:ta uma verba de 6 000 milhares de contos que, NVertert para o novo sistema de inceniivos A actividade industrial, onde dominará o
vector da modemlza<;lo.
Com efeitos igualmente signiJlatlvos sobre o sector industrial, prolongar-..,., para 1989 o PNICIAP • Propama Nacional de lnlftftoe Comunllúlo da Immtlvo i Actividade l'loduUva ·ao qual se afecta uma verba de 3 105 milhares de contos, dirigida nlo só &o fomento do investimento industriai, através do SIBR, maa ainda l promoçlo das acçOes de investimento no sector do Turismo (SIFIT) e ao desenvolvimento do potencial endógeno com a aplicaçlo do SIPE.
Os Programu Comunitúlos STAR e V ALOREN slo igualmente dotados das verbas correspondentes l assump<;lo pelo Estado Português da sua execuçlo em território nacional, assegurando no seu conjunto 1 395 milhares de contos, com os quais se intenta financiar a apileaçlo dos sistemas de estimules que deles nacionalmente derivam.
Antevendo-se o bom termo das negodaçOes já encetadas com as Comunidades Europeias é ainda orçamentada uma verba de 300 mil contos, destinada limplantaçlo, em 1989, de um aisttmo de estimulo• i
actividade comerciaL
Financi4mt nto
197. As verbas do O.E. financiam 88,8% do PIDDAC (QUADRO W) representando as Receitas Gerais 91,5% e o CN A parte restante do PIDDAC é financiada por OUTRAS FONTES que incluem Autofinanciamento, Fundos de Pré-Adeslo e Outras. Pela anAlise do quadro IV facilmente se conclui ser o BEl com cerca de 9 mUMes de contos a entidade financiadora com maJor percentagem de crédJto concedido (66,5%), seguido do BIRD com mais de 3 milhoes de contos (23,9%). QUADRO I PIDDAC por Mlnlotérlos, PIDR's, OID's e apoios ao sector produtivo CapO 50 do OE Milha,... de conto. conwnt• PIDDAC '''tncUdonat- 1 ... ) 1- S.tn&tura " PCM :; 4010 ~ MDN ... 'V 3465 ~~ MP i O. 200 Ml'AT 12~ IS~ lO. MAl ~ o MNll 4: o MAPA 4164 2. Mil! ... 4900 3 MB 2378 ~~ 20 MOPI"C 4~~ 40 MS .... 6 MESS 3~: 4050 2. MCI" ~;. 1545 1 .1 PIDil"• i 6974 4. onr. 71 (2) 461 o TOTAL "trad.ldonal" 11U4C 1U71'0 100. •tr\trura PIODAC"apolo. ao Mdor produtivo" .. -".pia.ltun•P..cu ~~ 11056 57 .. Aptn~ltur• 15535 52 ·- 182 I 521 5 lnd\htrl_. • Turl1tno !0345 !0355 35.! I'WrP 6000 20• PNlClAP ~~1 3105 10 Ou .... 12SO 4 En•rF• '612 J 424 •. VALORBN 1~ 1024 3A Outn>o 400 1 T•l•cosn'Ulle.aç6M (STAJU 355 J7! !.3 Com4rdo o lOO '"' TOTAL "41polo. ao M('tor produUvo"" .... 29506 100 TOTAL 147\ZJ 171276 (1 J Corrigidos pela d<>toçlo concon K'd0ria1 resp-ittntcs a ~ no lmblto elas 01o·s 11 SÉRIE-A- NÚMERO I QUADROU 1liii!Kl> 1989 1118'}/88 (%) PIDDAC "fradidonal" 11424( 1417'll 24.1 PIDDAC • Apoios ao Sector Produtivo• 3288< 29506 -10.3 TOTAL 14712.: 171 271 16.4 (1) Corrigidos pela dota<;lo concorrencial QUAOROm PIDDAC total por fontes de flnandamento Milhii Dapeaaa 1988 1989 PIDDAC tradicional 140869 1627~ Financiadas pelo OE 128738 141 77C Das quais: Receitas Gerais (1) 117539 12721: CN Financiadaa por outras fontes 12131 21 ou Fundos Pré-adeslo 1715 675 Autoflnanciamento 9092 1846:: Outras 1324 188( PIDDAC apoios 34745 3020E :Ch Financiados pelo OE Receitas Gerais 34745 2950E FlnancladM por outras fontes Outras 700 - TOTAL 175614 192 994 (1) Estima-se que em 1989 os reembolsos do FEDER que constituiria receita do O. E. se venham a situar entre 26 e 30 milhO.. de contos. QUADRO IV OODno EXTHRNO DO OE SEGUNDO MINISIÉRlOS E SECTORES POR ENTIDADES FINANCIADORAS U> MINISmUOS stcroRES BIKD •• 1 ICPW Fila TOI"Al MPAT ...._H.,_ ...... 2401D MAPA """"''""' 1SID 5600 7400 ""' --· 30000 """ ...... """"" """""""'' 115000 1151D tn.....,.-~!Oowo> 21<015 153103 !:!: ,........,__, 720710 fOoC Fot'D\IÇio Prolltlfoni.IONA) '""" 1·- '""" "" ;::::doflNICl :~ :: SUBTOTAL 2967"' 8!3610 115000 30100 12380131 P!DO."o 13215 565200 ..... om·. """' 104111 1501XD """" TOTAL 320601 .... 1. 910200 30100 1343&19!
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~-·-· PCII
SIICTOIIU
CULTUIIA ... -·
3CIDODI:
WUCAç.\0 :llODI:
FORMAç.\0 PROFIS6JONAL UIJODI:
SAUDE
5I!CUIIANÇA SOCIAL
IIABifAçAo B UQANISMO
DePBSA B PIOTBCÇÃO DO AMBIENTE -
[lusnÇA
oe5POitTO I OOJPAç.\0 005 TI!NI'OS UVllES 410CIII
ACRICIJL~ SILVICIJLTIJRA a PI!CllAIIA
PI!SCAS
INOUSfRIA
I!NI!RCIA
nJIUSMO
TRANSPOIITESB ~
AI1A5fBCIMI!NIO a oeFBS.\ DO CONSUMDXlR
INFORMAÇ.\0 CIENI1I'ICA B TEOIIICA 2SCIII
hiOOBRNIZAç.\0 DA ADMINISTRAç.\0 P'U8I.ICA 2SICIII
SI!CURANÇA BORDEM I'UBIJCA
DESP1!5A5 08 APOIO
PIDDAC SECTORIAL JlllJ-
INTERVBNÇOf.S REGIONAIS 3310:
PIDDAC TaADIClDNAL U 66 IIJII
PIDOACJNV15t1GAÇÃ0 ttiJOII
PIDDAC APOIOS
TOTAl 4141UI
IIDN "'' 4CID lSODI:
40CIII
147111
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UG0 21C ~-.... 23111!!1!11 7611- J474'* --
MAPA IIII ... MO PTC 115 IIUS IICT TOTAL 740CIII , ...
Z7,.40[ lllOCIII 376CIII 95l!ISO BJnSM -1l5CID 965111 14fOID :.>001 u•• :
SlDCIII 62&537.! ·-~
1 4SP91! ·-Ul 6 CIICIII fGUB
2_, am7!11
!D)IIJ: 760!1 am.,
2742CIII UDill
4!10111: 1521111: 2111-
10111: 1 65421C lMU"'
3111(1)( --1 1íOCIII tiM-
44 123116! 4fft1410 ... 65CIII 119751: ISCIII 2118: 453N 1QUlf
l523ll li!ODI s:DCID 40211Xl 1!1121J[ 53011 JU6-
!l!l)(l)(l ·--ZIUI2 195111 ..,...,
,..,. J4Q20G am• .. ,.:116! ....... , ..... uu• Ulf77D< 20818 22342:1 6363ll 114010C 2012381 147!11) .Oll 11M2., 611f7&.a 3 6116611 .,.7%! 5721U6! ..... 41"'"' . .., .. utlllf:m us• 14212411 ..... .... ! UCl t .oN "'""
17-- .... 2f• ooa D- U t 071117 2f4Df7%! !lll!llucio .... .., Uf7D UIDIZI 171Z15~
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2-(424) 11 SÉRIE-A- NÚMERO I
QUADRO V!
ln
OCM Tolo.! (PIDR'S) (a) 232500
Recdao gen.la (a) 232500 c.fdllo extemo (b) o
Projoclo de Dooalvolvlmmtoam.l lntegadodeT_M_ o 92750
Recdtugeralo o 78750 c.fdllo extemo o 14001
PIOR da Covo da 8dn 1246 582001 Recdtugeralo 1132 500000 Crfdito externo 114 82000
PIOR do lillb
PJDR de Enlft Mini e Cuadl.an& 771 8500 44000
PIOR do Nordeste Algarvio 110001 144001
AJ'. do PIOR de Trt...,.Montes o AkoDo.aro 37250
AJ'. do PIOR do Alto Minho o 122000
PIOR da Rb< Formooa 134000 377000 (a) Incluiu AP. do PIOR do Norte Alentejano. ()>)Em !989, B!RD (83215 0001too); XFW (565200).
ToW (OIO"s) 800000 3978184 99350 430000 Receltu genla 800000 3569134 99350 430001 Crfdtto externo o 409050 o o
OlD'a-Estudos 800000 135000 o 135001
0!0 do Setúbal 2906050 o 215450 Receitas goralo 2497000 o 215450 Cridlto e> 010 do Norte Alontt;ano ()>) S78Q5S 937134 99350 79550 (a) XFW 050 001 o:>ntoo); B!RD (155 050 C 331 8SO 3 S7S 000 331850 2995800 o 579200 CONSELHO NAaONAL DO PLANO Parecer sobre as Grandes Opções do Plano para 1989·1992 e Grandes Opções do Plano para 1989 (Enviado ao Governo em 11 de Outubro de 1988) O Conselho Nacional do Plano tem como atribui-ção, no.>s termos da alínea b) do n. 0 1 do artigo 17.0 da Lei n. 0 31/77, pronunciar-se sobre as Grandes Op-ções do Plano antes da sua aprovação pelo Governo e da sua apreciação pela Assembleia da República. No cumprimento desta atribuição, analisou o pro-jecto de Grandes Opções a médio prazo para o período de 1989-1992 e as Grandes Opções do Plano para 1989, que lhe foram submetidas para apreciação pelo Go-verno. O Conselho Nacional do Plano salienta que voltou a ter de analisar os referidos projectos de Grandes Op-ções num lapso de tempo extremamente reduzido, facto que não possibilitou um correcto e adequado exercício das atribuições que lhe são conferidas pela lei. -PIDDAC89 MAPA 2005550 !936335 69215 o 300000 o 230785 o 69215 9000 610000 9000 610000 o o o 590001 o 590001 o o o 90000 o 137001 o o 69001 o 209550 o 82900 o 82900 o o o o o o o o o o o 82900 9 000 2 088 450 9001 2019235 o 69215 1989 MIE 148001 148001 o o o o o o o o o o SOO! o o 143001 75427 75427 o o 15500 15500 o 59927 223427 223427 o ME MOP'IC MS 405323 450001 383200 405323 450001 383200 o o o o o o o o o o o o 20000 o 35001 20000 o 35001 o o o 4001 220001 o 4001 220000 o o o o 285500 45000 77001 391110 !SOO! 20001 o o 4000 o za; 000 52643 170001 46200 231000 1390100 1629187 231000 981050 1629187 o 409050 o o o o 155001 I 090100 1430001 155001 681 050 1430001 o 409050 o 76001 300001 199187 636323 1840100 2012387 636323 1431050 2012387 o 409050 o Un: COI'TfQS MESS 147500 147500 o o o o o o o o o o 55001 o o 92500 o o o o o o . o o 147500 147500 o 47 47 7 30 lO 4022C 4022C c c ~ o 4022C 88 88 O Conselho reitera o seu entendimento de que, sob pena de se continuar a esvaziar de sentido o correcto exercício de funções de natureza consultiva como as que lhe são atribuídas, se deverá colmatar, no futuro, a au-sência de calendarização legalmente fixada para a emis-são de pareceres obrigatórios pelos órgãos competen-tes, como vem acontecendo com o Conselho Nacional do Plano. · Tendo presente as dificuldades referidas, o Conse-lho Nacional do Plano emite o seguinte parecer: 1 - O Conselho Nacional do Plano salienta o facto de, em consonância com anteriores recomendações deste Conselho, as Grandes Opções para 1989 serem acompanhadas e enquadradas por um~ estratégia de médio prazo, delineada nas Grandes Opções para 1989-1992. Na realidade, face aos desafios que se avi-zinham para a economia e a sociedade portuguesas nos próximos anos, só uma perspectiva plurianual de ac-tuação da politica económica e social poderá permitir avaliar da justeza das prioridades definidas em cada ano. • 2 - O Conselho Nacional do Plano considera que o projecto de Grandes Opções do Plano para 1989 e
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para 1989-1992, subordinado ao tema «Portugal 1992», apresenta aperfeiçoamentos significativos ao nivel da clarificação dos objectivos e da selectividade das op-ções a prossegujr nos próximos anos. Trata-se de um documento coerente em que não só se define uma es-tratégia de actuação com vista à preparação da econo-mia portuguesa para o desafio que representa o esta-belecimento do grande mercado europeu em 1992, mas igualmente se identificam e quantificam as fontes de financiamento necessárias para esse fim.
3 - O Conselho Nacional do Plano considera, no entanto, dever assinalar o facto de o relatório - que inclui a fundamentação das Grandes Opções do Plano e que é objecto de análise do presente parecer - não ser acompanhado pelo projecto de proposta de lei do Plano a apresentar à Assembleia da República.
Assim, o Conselho Nacional do Plano mais uma vez chama a atenção para a necessidade de elaboração de forma articulada da proposta de lei do Plano, visto que será esta proposta de lei - e não o Relatório - que será objecto de aprovação parlamentar, em conformi-dade com o disposto no n. o 1 do artigo 94.0 da Cons-tituição.
Por outro lado, o documento em análise não inclui, por razões que têm a ver com o recente processo elei-toral nas regiões autónomas, as «Linhas de orientação e intervenção dos planos das regiões autónomas».
O Conselho Nacional do Plano salienta que o Plano nacional, a elaborar ao abrigo destas Grandes Opções, deverá conter em anexo os planos regionais e inserir as verbas a atribuir para completar o respectivo finan-ciamento.
4 - O Conselho regista a importância dada no re-latório ao enquadramento comunitário, visto a nossa participação cada vez mais fecunda no esforço de cons-trução europeia constituir, sem dúvida, o elemento de referência fundamental de toda a estratégia a desenvol-ver no médio e longo prazos. Só conhecendo com ri-gor o fosso que nos separa da média europeia em ter-mos de níveis e condições de vida e as consequências prováveis que advirão das grandes modificações que te-rão lugar no espaço comunitário, é possível definir as orientações essenciais da política a prosseguir.
5 - A realização do mercado interno europeu, pe-las implicações que terá em matéria de livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais, pelas potenciali-dades e desafios que representa, assume certamente um papel fulcral no desenvolvimento da economia nacio-nal e nas condições da sua inserção plena no grande mercado comunitário. O Conselho Nacional do Plano chama a atenção para o facto de o Mercado Interno, mais do que reforçar o carácter aberto da economia portuguesa, potenciar uma dinâmica de novos compor-tamentos à qual nenhum agente económico - produtor ou consumidor - poderá ficar indiferente. É nesse sen-tido que se torna imprescindível a mobilização de to-dos, com vista a acentuar as vantagens e a minorar os inconvenientes desta nova aposta.
6 - O Conselho Nacional do Plano considera apro-priada a estratégia expressa nas Grandes Opções a mé-dio prazo de privilegiar fortemente o investimento, mo-derando o crescimento do consumo. A aceleração do crescimento e a aproximação aos níveis europeus só po-dem ser consegujdos mediante um esforço sustentado de investimento que não ponha em risco os grandes equilíbrios rnacroeconómicos. Toma-se assim imperioso aproveitar integralmente os recursos adicionais que se-
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rão postos à disposição de Portugal no âmbito da coe-são económica e social, pelas oportunidades que repre-sentam de aceleração do crescimento e de impacte positivo na balança de transacções correntes.
7 - O processo de desenvolvimento a empreender nos próximos anos deve inscrever-se numa perspectiva de ajustamento estrutural que vise não só a moderni-zação da economia portuguesa - e a adopção de no-vos padrões de especialização - mas igualmente a ate-nuação das suas principais debilidades e factores de dependência - alimentar, energética e tecnológica. As-sim, o Conselho regista a prioridade dada pelo Governo à reconversão e modernização da economia nacional, através da mobilização de vultosos recursos para apoio directo às empresas para a criação das condições im-prescindíveis ao estabelecimento de um clima propicia-dor da modernização, em que assume papel saliente a construção de infra-estruturas.
8 - O Conselho releva a importância atribuída nas Grandes Opções à valorização do potencial humano, em particular à educação e à formação profiSsional, en-quanto condições indispensáveis de um qualquer pro-cesso de desenvolvimento duradouro. O investimento em capital físico tem de facto de ser acompanhado de um esforço paralelo e continuo em matéria de forma-ção humana, a fim de que seja possível uma mais in-tensa utilização das novas tecnologias e o desenvolvi-mento da inovação por forma que a economia portuguesa possa competir com as suas congéneres eu-ropeias e atingir níveis crescentes de produtividade e de bem estar social.
9 - O desenvolvimento do sistema de formação pro-fissional constitui um objectivo adequado à opção de valorização dos recursos humanos. Contudo, im põe-se que esse desenvolvimento seja efectuado no pleno co-nhecimento da situação preexistente e das necessidades futuras em termos de mercado de trabalho, tendo no-meadamente presente a experiência recente das inter-venções do Fundo Social Europeu.
Por outro lado, sendo correcto o diagnóstico de que a formação de base da força de trabalho nacional não é ajustada quer à situação actual quer às necessidades previsíveis no futuro, é indispensável que o desenvol-vimento do sistema de formação profissional assuma a correcção desta insuficiência como objectivo rele-vante. Além' da participação na definição das linhas de orientação deste sistema, o Conselho Nacional do Plano entende que os parceiros sociais e económicos deverão também participar na sua gestão.
lO - O Conselho Nacional do Plano regista o objec-tivo de crescimento do emprego que as Grandes Op-ções contemplam e considera que haverá também que desenvolver os necessários esforços no sentido da di-minuição do peso do emprego precário e da elimina-ção do trabalho clandestino.
II -A necessidade de proporcionar meios adequa-dos à subsistência e de procurar elevar o nível de vida dos trabalhadores de mais baixos rendimentos é preo-cupação que deverá estar presente na fixação dos salá-rios mínimos nacionais. Em consequência, o Conselho Nacional do Plano entende que estes deverão crescer nos próximos anos a ritmos pelo menos iguais ao do crescimento médio da massa salarial. Entende ainda este Conselho que, constituindo os salários mínimos na-cionais um elemento importante da politica de rendi-mentos, devem, por isso, ser objecto de negociação pe-los parceiros sociais.
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12 - A habitação constitui uma necessidade básica cuja satisfação não é ainda plena quer em termos quan-titativos quer qualitativos. Assim, a necessidade de pro-mover a oferta de habitação a preços compatíveis com os níveis de rendimentos da população deverá assumir preocupação dominante neste campo, nomeadamente no que respeita à satisfação da necessidade de habita-ção para as camadas de mais baixos rendimentos. Neste sentido, o Conselho Nacional do Plano considera que, não obstante a orientação expressa nas Grandes Op-ções do Plano no sentido de promover a construção de habitação a custos controlados, haverá que desen-volver esforços para que a médio prazo se possa resol-ver uma questão de carácter estrutural como é a do parque habitacional, tendo em conta as diversas com-ponentes relevantes nesta matéria como sejam o finan-ciamento do investimento em habitação, o crédito à compra da habitação, o regime de rendas e o regime fiscal.
13 - A melhoria dos serviços públicos, designada-mente os referentes à satisfação das necessidades so-ciais como os serviços de saúde, devem constituir um objectivo nacional relevante, tanto mais que o nível ac-tual de prestação não é satisfatório. Assim sendo, a li-mitação do consumo público perspectivado para o pró-ximo ano não deverá pôr em causa a melhoria das condições da prestação destes serviços e da sua efi-ciência.
14- O Conselho releva o significativo acréscimo de meios previstos para a área da ciência e tecnologia. Com efeito, atendendo ao atraso tecnológico de que sofre a economia portuguesa e ao esquecimento a que até há poucos anos foi votado o sistema científico na-cional, impõe-se, no quadro do esforço de aproxima-ção aos padrões comunitários e de incremento da ino-vação, eficiência e produtividade globais, que uma atenção especial seja dada a este sector com vista à ate-nuação de um dos nossos factores estruturais de de-pendência e à criação de uma capacidade autónoma de desenvolvimento tecnológico.
15 - O Conselho regista a inclusão no relatório das linhas orientadoras do futuro plano de desenvolvimento regional a apresentar à Comunidade Europeia no pró-ximo ano. Dado o peso que necessariamente terão os fundos estruturais no fmanciamento da estratégia de de-senvolvimento preconizada, afigura-se com efeito po-sitiva a apresentação, em conjunto com as Grandes Op-ções, das orientações que presidirão à absorção dos recursos comunitários até 1992, bem como dos princi-pais programas sectoriais e regionais que serão objecto de apoio. Atendendo aos graves desequilíbrios em ma-téria de fruição de bens e de níveis de vida que se ve-rificam entre as várias parcelas do território nacional, o Co11selho releva a preocupação de correcção das as-simetrias regionais que está subjacente à elaboração da-quele plano.
16 - Consciente das fortes disparidades regionais ainda existentes, o Conselho Nacional do Plano, como repetidas vezes tem salientado, considera indispensável a implementação de acções conjugadas numa perspec-tiva do todo nacional que habilitem as regiões menos desenvolvidas a concretizarem a necessária recuperação. O Conselho Nacional do Plano considera assim posi-tivo o propósito expresso nas Grandes Opções de mé-dio prazo e nas Grandes Opções para 1989 de dar con-tinuidade às intervenções regionais em curso e em preparação e de incrementar os contratos-programa en-
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tre a administração central e a administração local. O Conselho Nacional do Plano salienta, todavia, que a indefinição que continua a manter-se quanto à institu-cionalização das regiões administrativas não permite perspectivar um tratamento adequado para as assime-trias existentes.
17 - Reconhece o Conselho Nacional do Plano que as Grandes Opções a mMio prazo e também as Op-ções para 1989 apontam claramente para uma estraté-gia que tem subjacente o integral aproveitamento dos fundos comunitários. Reconhece mais uma vez o Con-selho Nacional do Plano que as autarquias locais são agentes privilegiados na canalização desses fundos para a resolução de problemas que muito directamente con-dicionam o bem-estar das populações. Continuando a ser manifestamente escassos os meios fmanceiros de que as autarquias locais dispõem para a absorção desejá-vel dos fundos comunitários, o Conselho Nacional do Plano verifica, com apreensão, que a ausência de qual-quer propósito de incremento desses recursos financei-ros limita drasticamente a capacidade de as autarquias locais participarem plenamente na referida estratégia de aproveitamento, que se pretende nacional.
Declarações de voto
(Esta declaração de voto foi subscrota pelos representantes da CGTP·Interslndlcal Nacional, pala Federaçlo dos Sindicatos da Metalurgia, Metalomecânica e Minas de Portugal e pela Fede· ração Portuguesa dos Sindicatos do Comércio e Serviços.)
As GOP em apreciação neste Conselho apresentam deficiências notórias.
Em primeiro lugar, apesar de se pretenderem assu-mir como GOP de médio prazo, é evidente a ausência de uma política social que permita inverter o agrava-mento das desigualdades sociais que se vêm registando na sociedade portuguesa. O crescimento económico, so-bretudo se se pretender que assuma como referência, de facto, o reforço da coesão social, terá de obedecer a uma estratégia de melhoria das condições de vida daS populações, designadamente no que se refere à satis-fação das necessidades básicas dos grupos sociais mais desprotegidos e de menores rendimentos. De outra forma a sua finalidade social perde-se. Assim sendo, o planeamento desse crescimento não deverá restringir as despesas públicas nem os serviços sociais do Estado, designadamente a saúde e a Segurança Social. Contudo, é precisamente o contrário o que está subjacente ao ce-nário de médio prazo apresentado, em que a limitação dos gastos do Estado é uma das preocupações domi-nantes. Isto é tanto mais condenável do nosso ponto de vista quanto o desenvolvimento dos serviços sociais do Estado implica necessariamente a tal aposta na va-lorização de recursos humanos que se considera como grande opção.
Em segundo lugar, os valores idealistas para a in-flação tanto no cenário apresentado para 1988 como aquele que é perspectivado para 1989, colocam, logo à partida, a inviabilidade de tais cenários virem a ser compatíveis com a realidade. Em particular, os 60Jo de inflação admitidos nas GOP para 1989, se por um lado testemunham o enorme fracasso da gestão da política económica pelo Governo em 1988, são, por outro lado, excessivamente optimistas, perante a trajectória que a inflação vem assumindo, e são incompreensíveis, se,
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conjugadamente com este dado, se considerem válidas as apreciações que as próprias GOP incorporam rela-tivas ao enquadramento internacional.
O exagero do Governo no que se refere ao estabele-cimento dos objectivos da inflação tem, aliás, tido efei-tos perversos evidentes no combate à inflação. Tal exa-gero parece, antes de mais, estar subordinado a uma lógica de redistrjbuição do rendimento, favorecendo os lucros em prejuízo dos salários, sendo este mais um fac-tor de alargamento do fosso que, em matéria de ren-dimentos do trabalho, nos separa dos restantes países da CEE.
Aliás, o próprio Ministro das Finanças reconheceu publicamente que um dos principais factores de desvio da inflação real em relação ao objectivo resultou do comportamento inflaciorusta elas margens do lucro. Por sua vez, no que toca aos salários, designadamente aos salários mfrumos e da função pública, ao apertar-se com a perspectiva de valores exageradamente baixos para a inflação, visa-se impedir uma actualização ade-quada destes rendimentos.
Em terceiro lugar, merece o nosso total desacordo o que é referido sobre reprivatizações nas GOP.
O sector empresarial do Estado tem potencialidades para se constituir como um instrumento de desenvol-vimento económico e social do País. Mesmo numa es-tratégia de pleno aproveitamento, e aproveitamento útil do ponto de vista dos inter,esses e necessidades colecti-vas de desenvolvimento, a sua contribuição é insubsti-tuível.
Assim sendo, o fortalecimento das empresas do sec-tor empresarial do Estado, através, nomeadamente, do reforço de capitais, da inovação tecnológica e da me-lhoria da qualidade de gestão, sendo necessário, é in-compatível com o processo de privatizações.
Também não é aceitável que se repita o estafado ar-gumento de que o sector empresarial do Estado é um «fardo» para o Orçamento do Estado. Não só isso não corresponde à verdade como pretende fazer esquecer as grandes dificuldades que a política de preços e a po-lítica de crédito colocou às empresas do sector. Por ou-tro lado, o seu contributo para a economia e para a sociedade, designadamente aqueles que, por força do seu serviço social, operam em condições não económi-cas, não pode ser avaliado meramente em função dos fluxos orçamentais.
Finalmente, a este respeito merece comentário a no-tória contradição que resulta do facto de simultanea-mente as GOP pretenderem que as privatizações con-tribuam para o fortalecimento de grupos económicos e, por outro lado, advogarem a dispersão do capital privatizado por numerosos aforradores.
Em função desta apreciação negativa das GOP, não nos sentimos suficientemente reconhecidos no parecer da Comissão por forma a podermos subscrevê-lo.
Aliás, tal parecer embrenha-se em elogios às GOP manifestamente irrazoáveis face ao conteúdo efectivo do documento.
Declaraçio de voto do sector cooperativo
(Esta declaração de voto foi subscrita pela Federação Nacional das Cooperativas de Consumo e pela Federação Nacional das Adegas Cooperativas.)
Além de ter participado na elaboração da proposta de parecer da Comissão Especializada do Plano e da Política Económica Global deste Conselho sobre o pro-
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jecto das Grandes Opções a Médio Prazo para 1989-1992 e as Grandes Opções do Plano para 1989, entendeu o sector cooperativo votar favoravelmente o referido parecer.
Esta nossa posição não justifica, contudo, que dei-xemos em claro certos aspectos da proposta governa-mental relativos às organizações cooperativas. Assim, não deverá deixar de referir-se que:
1 - Embora seja reconhecido, em capitulo próprio, que «as organizações cooperativas devem assumjr um lugar de relevo na construção do futuro do País», a verdade é que, pouco mais à frente, o Governo vem afirmar que «é necessário reservar a orgaruzação coo-perativa aos sectores em que os pressupostos da coo-peração entre partes se verifiquem na prática», posi-ção que, no mfrumo, aparenta significar uma inaceitável e injustificável discriminação do Executivo relativa-mente ao sector cooperativo.
Este posicionamento governamental - vindo, aliás, na sequência de afirmações que sucessivamente, em an-teriores GOP, vinham sendo feitas sobre o sector que representamos - parece mesmo denotar o propósito de deixar inalterada a legislação que no presente impede às cooperativas o acesso a diversas actividades econó-micas, como sejam agências de viagens e turismo, se-guros, transportes de mercadorias, aluguer de veiculas sem condutor e instituições de crédito em toda a sua dimensão, enquanto tal acesso é, bem pelo contrário, plenamente facultado ao sector privado, sobre o qual continua o Governo a assegurar, de forma inequívoca, o papel de principal agente de desenvolvimento. 2- Por outro lado, as medidas de «adequada as-
sistência técnica» previstas no projecto de GOP, assim como a promoção de acções no âmbito da informa-ção, da sensibilização e da formação igualmente anun-ciada, dificilmente se coadunam com impedimentos do tipo que recentemente foi aplicado ao sector coopera-tivo - confederações, federações e uniões - em ma-téria de acesso ao Fundo Social Europeu.
Esta medida, corporizada através do Despacho Nor-mativo n. o 40/88, para além de não possuir qualquer justificação - já que as acções de formação que o sec-tor vinha desenvolvendo com o apoio financeiro do Fundo, eram no geral de boa qualidade e com resulta-dos positivos -, corresponde a mais uma inaceitável e injustificável discriminação do Governo para com o sector cooperativo, atitude que não tem paralelo em qualquer outro pais membro da Comurudade.
3 - Todos estes aspectos, bem como a entrada em vigor da reforma fiscal - que, consagrando uma filo-sofia completamente diversa da subjacente ao Decreto--Lei n. 0 456/80, irá pôr em causa o actual enquadra-mento fiscal das coopertivas -, dão corpo a um conjunto de situações que, a não serem alteradas cla-ramente, subverterão, no que se refere ao sector coo-perativo, o espírito e a letra da Constituição da Repú-blica.
Em boa verdade, a especificidade inerente à razão de ser das cooperativas, bem como o seu impacte económico-social, justifica plenamente situações impli-catórias de um tratamento fiscal igualmente específico, já que o tratamento formalmente idêntico implicaria uma desigualdade de facto. É, pois, no reconhecimento da sua função social- ou seja, tendo em conta a me-lhoria das condições em que os membros exercem a ac-tividade económica, as actividades de natureza social ou cultural, o carácter personalista das cooperativas,
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etc. - que devem assentar os incentivos fiscais, que, respeitando a especificidade, concorrem para incremen-tar os efeitos benéficos da actividade cooperativa.
Não devem, pois, existir hoje dúvidas acerca dos im-pactes favoráveis das cooperativas na melhoria das con-dições de exercício das actividades económicas e sociais dos seus membros, qualquer que seja o ramo de acti-vidade em que intervenham, isto é, da agricultura ao comércio retalhista e ao consumo da produção indus-trial e habitação, ao ensino e à cultura, dos serviços à entreajuda social, qualquer que seja o local onde exercem a sua actividade, nas grandes cidades, como nas pequenas aldeias do interior. 4- A ausência de informação e esclarecimento, bem
como algumas pouco significativas e pontuais situações de utilização desviada da forma jurídica cooperativa, não podem, nem devem, esconder a floresta que é a realidade cooperativa e o valor humano da sua activi-dade, assim como pretender justificar situações de in-ferioridade face aos restantes sectores de actividade.
Declaraçio de voto dos representantes das regiões administrativas
(Subscri ta pelas Assembleias lntermunlclpais de Évora. Aveiro, Coimbra, Setúbal, Faro, Viseu, Viana do castelo, Beja, Lisboa, Braga e Santarém.)
A nossa votação em relação ao parecer sobre as GOP 1989-1992 e as GOP para 1989 não pode deixar de ter em conta os seguintes aspectos:
1 - O registo positivo da intenção de correcção de assimetrias regionais não é compatível com a definição do processo de instituição das regiões administrativas como um processo de longo prazo.
Não haverá correcção de assimetrias regionais sem regiões administrativas que a promovam, tal como não haverá um correcto planeamento regional sem regiões administrativas.
É, pois, encarada com grande preocupação e reserva a elaboração de um plano de desenvolvimento regio-nal sem regiões, apesar de a intenção da sua realiza-ção ser positiva em si mesma.
2 - A previsão de uma média anual de 4 OJo no qua-driénio para o crescimento das transferências para in-vestimento das autarquias é perfeitamente insuficiente e impedirá, ou mesmo agravará, o desenvolvimento normal e desejável do trabalho autárquico, devendo ser objecto de imprescindível correcção.
O reforço das verbas para as autarquias locais, no respeito pela sua autonomia, deverá ser feito preferen-cialmente pelo acréscimo do Fundo de Equilíbrio Fi-nanceiro, e não pelo recurso sistemático a contratos--programa, pontualmente aceitável.
3 - Encara-se com preocupação que muitas das me-didas previstas nos objectivos para a educação o este-
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jam como «formas de estimulO>> às autarquias, sem que a respectiva transferência de responsabilidades esteja as-segurada e negociada, sendo tratada como facto con-sumado.
4 - Perante os grandes obstáculos a ultrapassar para a transferência de estradas nacionais para os municí-pios, regista-se com preocupação a implementação de tal medida de forma não quantificada, dado envolver o mínimo de 60 milhões de contos.
Declaraçlo de voto dos representantes do Governo
(Esta declaraçao de voto foi subscrita pelo representante do Governo)
1 - A preparação da economia portuguesa para o desafio que constitui o mercado interno europeu exige, para ser bem sucedida, a participação empenhada de todos os portugueses no esforço de aproximação aos níveis e condições de vida conhecidos nos outros Esta-dos membros da Comunidade. O Governo, pelo seu lado, definiu uma estratégia a médio prazo enquadra-dera da modernização e reconheceu que o que está em causa é um projecto nacional ao eleger como uma das grandes opções «Informar e mobilizar a sociedade». O conteúdo do presente parecer sobre as Grandes Opções do Plano, bem como o sentido e a amplitude da vota-ção a que acabámos de proceder, indica claramente que as opções do Governo são correctas e animam-no a prosseguir na via traçada.
2 - O processo de convergência real como as res-tantes economias europeias até à implementação do mercado interno implica uma gestão rigorosa da eco-nomia portuguesa e dos dinheiros públicos, a qual tem de ser compatibilizada com a correcta e cabal absor-ção dos fundos comunitários e com a manutenção dos grandes equiUbrios macroeconórnicos. O facto de o Go-verno ter privilegiado para os próximos anos a actua-ção em alguns sectores considerados estratégias para a consecução dos objectivos visados não significa de modo algum o esquecimento do papel que o Estado terá necessariamente de ter numa economia modema, designadamente no que respeita aos sectores sociais. O Governo quer, pois, deixar aqui bem clara a preocupa-ção que continua a ter de se atingir uma sociedade mais justa, com menos assimetrias regionais e sociais, e em que as necessidades básicas das populações encontrem progressivamente uma resposta adequada. Neste sen-tido, as observações referidas no parecer no ponto re-lativo às autarquias locais não parecem justificar-se, dado que face ao papel crescente que as autarquias vêm assumindo como agentes do desenvolvimento e de sa-tisfação das necessidades colectivas, o Governo, ao pre-tender uma administração local forte, não deixará de encontrar os meios adequados para permitir a prosse-cução daquela acção, no quadro estrito da lei e de uma rigorosa gestão orçamental.
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