O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

766 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 34

O Orador: - Os Açores têm direito a romper, sem demora, com a mediocridade que estrangula a sua vida presente e limita as perspectivas da sua vida futura.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Particularmente S. Miguel, onde labutam, dificilmente, mais de 170 000 portugueses de boa lei e onde Deus espalhou, às mãos cheias, incomparáveis tesouros de beleza paisagística, tem de ser olhada de forma mais vasta e mais real do que aquela que os seus escassos 747 km2 deixam perceber nos mapas rio instrução primária ...

O Sr. António Santos da Cunha: - Muito bem!

O Orador: - É indispensável dimensionai- os seus problemas noutra escala que não seja aquela que aconselhou os engenheiros de há 25 anos a construírem na majestosa doca de Ponta Delgada uns míseros e obsoletos caisinhos em T, que agora se estão a entulhar por milhares de contos, e que levou ns engenheiros de hoje a erguerem no mesmo porto, em vez de uma ampla doca seca onde pudessem limpar o casco e reparar avarias de fundo todos os navios nacionais ou estrangeiros que dela carecessem, um pobre plano inclinado para barcos até 10001, que não serve sequer para varar a maioria das pequenas unidades da frota açoriana ...

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - É preciso que se não desperdicem quantias elevadas, como se pretende fazer agora, na simples aquisição de um pequeno rebocador de atracação ou de manobra portuária, quando se necessita, nos Açores, de um grande e potente salvádego, capaz de enfrentar as bravezas do oceano numa zona de anti-ciclones, tão sujeita a trágicos sinistros marítimos.
Sirvo-me deste facto apenas para tornar mais evidente a pequenez da medida em que se tem projectado ou executado, nos últimos tempos, os problemas da vida açoriana e não me atrevo a tocar agora na exiguidade de propósitos que informam outros campos da actividade insular, como, por exemplo, o do turismo, porque estes requerem ser tratados com maior desenvolvimento noutra intervenção. E se os trago à pluralidade do conhecimento desta Assembleia, no momento em que tão-sòmente me proponho tratar das comunicações aéreas, é porque me seria penoso verificar que, logo após a efectivação de qualquer solução menos ponderada ou discutida, ou aparentemente mais fácil e económica, neste sector, se houvesse caído nos mesmos erros padronais ou funcionais que tanto têm eucurtecido os nossos horizontes e tanto dinheiro nos têm feito gastar leviana ou inutilmente.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - No estudo do problema das ligações aéreas dos Açores dois aspectos têm de sei- considerados ao mesmo tempo: o dos voos propriamente ditos e o dos aeródromos de que a realização desses voos depende.
1) O dos voos pode ser resolvido ou pelas dez companhias estrangeiras que ainda hoje tocam, irregularmente, em Santa Maria, ou por unia carreira nacional que fizesse, regularmente, a linha da América do Norte com- escala pelas ilhas adjacentes, ou por uma carreira também nacional que se limitasse ao trajecto
Lisboa-Funchal-Sintra Maria, deixando o percurso da Venezuela, dos Estados Unidos e do Canadá para as companhias dos outros países. Em qualquer dos casos a ligação das ilhas entre si seria feita pela Sociedade Açoriana de Transportes Aéreos, que tão longa experiência tem dessas cartas viagens, ou por outra qualquer empresa semelhante.
A primeira solução teria a enormíssima vantagem de pôr não só os açorianos em comunicação com a metrópole e com os vários pontos da Europa e da América, mas também os estrangeiros destes dois grandes continentes em contacto com os Açores.
O turismo, essa fonte inesgotável de receita e de divisas, encontraria assim, na rota normal das suas caprichosas preferências, quase sem querer, a realidade viva das ilhas atlânticas em toda a sua pujante beleza.

O Sr. Armando Cândido: - Muito bem!

O Orador: - Soubéssemos nós arranjar devidamente a casa e facilitar com presteza o acesso aos seus jardins que nem sequer a propaganda desses encantadores atractivos correria de nossa conta ...
Além dessa primordial vantagem, que, para os Acures, repito, é enormíssima e da qual, posso já acrescentar, depende em grande parte a melhoria do seu futuro, outras surgem também e de capital importância: a de ficarem os habitantes das ilhas servidos, desde já, por grandes e numerosos aviões a jacto, que lhe reduziriam o tempo de Santa Maria a Lisboa a escassa hora e meia e o custo das viagens de ida e volta a simples escudo e meio por milha, ou seja 50 por cento do preço normal das passagens.

O Sr. Sousa Meneses: - Muito bem!

O Orador: - Tudo vai era que a Pan America, a Canadian Pacific, a Air France, a K. L. M., a Swissair, a T. W. A., a Avianca, a Ibéria, a Viasa, a Guest e outras companhias, como a Alitalia, e te., depois de verificarem que os voos intercontinentais directos e o aumento de lotação dos aparelhos não lhes deram o acréscimo de tráfego que supunham no início da concorrência, se queiram sujeitar contratualmente à obrigação de paragens semanais e certas em Santa Maria, em troca não só dos pequenos mas não desprezíveis interesses comerciais para uma escala intermédia, como sejam os do transporte de mala, passageiros, turistas e emigrantes, mas ainda da concessão de maiores facilidades e menores encargos, que iriam desde a abolição dos incompreensíveis vistos consulares dos passaportes, que se não exigem na metrópole, u redução imediata de 50- por cento das taxas de utilização, de forma a torná-las iguais às de Lisboa, e, finalmente, ao estabelecimento decisivo de um grande aeroporto franco.

O Sr. Armando Cândido: - Muito bem!

O Orador: - Era, realmente, convertendo Santa Maria em grande aeroporto franco que se conseguiria rapidamente aumentar ou, melhor, iniciar o caudal de visitantes de que as ilhas tanto carecem e merecem e com ele o interesse das companhias estrangeiras pela escala dos Açores.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - E não se pense nem se diga que a promulgação dessas medidas implicaria na baixa de rendimento do aeroporto ou levantaria sérias dificuldades