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1198 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 51

Não foi exactamente este o caminho seguido com Angola?
O lento trabalho de sapa veio-se operando desde longe, precisamente por intermédio dos comunistas portugueses.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Com efeito, o Movimento de Unidade Nacional Antifascista, inteiramente dominado pelos comunistas, ainda sustentava «a unidade nacional com as suas colónias» à roda de 1946. Mas já a IV Reunião Ampliada do Comité Central prescrevia pouco depois, no mesmo ano:
É dever do partido para com os povos coloniais oprimidos pelo capitalismo português ajudar a fortalecer as organizações comunistas e as organizações democráticas nas colónias, a fortalecer o seu trabalho e a criar condições de vida própria e independente.

Não tardou que o capítulo do «Projecto do Programa do Partido Comunista Português», em 1954, sancionasse o «direito de autodeterminação para os povos coloniais, inclusivamente o de se separarem do País».
Quem saiba um pouco as raízes do terrorismo angolano e como os focos de perturbação coincidiram exactamente com a localização de células activíssimas em Luanda, Malanje, Cateto e outras povoações do Norte da província anda também perfeitamente a par de que o triunfo momentâneo das hordas empurradas do outro lado da fronteira se deveu principalmente ao apoio interno dessas verdadeiras quintas colunas.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Se o Sul de Moçambique parece poder confiar nas suas fronteiras, mercê da garantia que a vizinhança com a União Sul-Africana e as Rodésias nos traz, já a larguíssima zona que se estende ao norte do Zambeze precisa de vigilância constante.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Por um lado, a recente independência do Tanganhica patenteou-nos o que já todos esperávamos - que teríamos ali um adversário que não desarmaria. Ainda confiavam alguns, ingenuamente, que Nyerére encontrasse no seu catolicismo convicto umas luzes de bom senso que lhe rasgassem caminho à compreensão. Mas não só ele foi apeado, como todos os brancos do seu Ministério corridos, ficando o novo Estado inteiramente nas mãos de governantes africanos.
Como a U. P. A. e os outros partidos comunistas que se batem contra nós em Angola têm as sedes e pontos de apoio em Casa Branca, Acra, Brazzaville e Léopoldville, da mesma forma os chefes e os movimentos de «libertação» moçambicana encontram em Dar Es-Salam, capital do Tanganhica, o seu principal campo de treino.
Na Niassalândia, o famigerado Dr. Banda sistematicamente afirma a intenção de anexar, pelo menos, toda a região do Zambeze para cima. E se chegar a constituir-se a sua projectada «Federação do Tanganhica com a Niassalândia», tenhamos a certeza de que os traidores que manobram do lado de lá das nossas fronteiras não hesitarão em lançar-se numa luta terrorista idêntica à do Norte de Angola.
A Rússia e os afro-asiáticos dar-lhes-ão todo o apoio moral e material para os conduzirem ao triunfo final.
O embaixador soviético, ao instalar-se há pouco em Dar Es-Salam, expressamente declarou que era preciso «libertar» Moçambique quanto antes, podendo os guerrilheiros lançados na fogueira contar com toda a ajuda da União Soviética. Eis aí o futuro pesado que aguarda Moçambique, Srs. Deputados.
Sei bem que o Governo está atento e que os dispositivos de defesa se encontram já montados para as piores emergências.
E a Nação pode também confiar na intransigente fidelidade da gente de Moçambique, dos colonos que lá trabalham e arrotearam aquela terra generosa, em largos anos de fadiga, com o suor do seu esforço e com os bons portugueses de cor, que sentem, como nós, na sua pureza de alma, o orgulho de pertencerem à mesma Pátria-Mãe.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: -Só receio a pequena, mas viva, quinta coluna do interior. Demasiado temos crido na aparente passividade da sua acção. Quando renunciaremos a acreditar em ultrapassados democratismos de cabeleiras empoadas, a que nenhuma astúcia consegue disfarçar o matiz vermelho que as filia e explicar

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Eça mofou já da «balbúrdia sangrenta das palavras que nada dizem». E ainda haverá, nesta hora trágica e decisiva para o nosso destino colectivo, quem acredite que palavrismo, cujas sinistras intenções só não vêem os rematadamente cegos, não passe de inofensivos rodriguinhos de impenitentes nefelibatas, perdidos na manhã de névoa que nunca o futuro lhes traz P Não, Srs. Deputados.
Se alguma vez precisámos de mostrar-nos realistas e dar às palavras toda a sua exacta dimensão, se nalgum momento devemos erguer a voz sobre o clamor de todas as vagas, levantando a cara ao perigo e opondo, intrepidamente, o peito à enxurrada, é precisamente quando se jogam os destinos últimos da Pátria.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - E não sei se em Moçambique não estaremos prestes a chegar a uma dessas encruzilhadas heróicas. Nunca propendi u farejar comunistas em todos que topo no meu caminho. Sempre acamaradei, fraternalmente, com amigos dos mais variados credos políticos e religiosos, por mais longe que andassem da estruturação católica e tradicionalista do meu espírito. Com uma condição apenas: que sempre colocassem a soberania e a integridade da grei muito acima de quaisquer discordâncias pessoais.
Quero até prestar o mais sincero testemunho da minha total admiração a tantos moçambicanos de alma direita que, apesar da sua anterior oposição ao Regime, depuseram as armas e se prestaram a colaborar connosco ante a onda invasora do exterior (de que o terrorismo angolano foi trágico sinal que, desgraçadamente, alguns ainda teimam em não compreender), lembrando-se que uma coisa importa, antes de tudo: salvar a Pátria ameaçada, na intransigente unidade de todos em torno- dos chefes que nos governam.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Aqui deixo a VV. Exas., Srs. Deputados, este brado firme de uma. consciência portuguesa de