O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

1324 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 55

Essa massa, nessas dificílimas» condições de apoio e ambiente, está a ser deslocada, centímetro a centímetro, cerca de dezena e meia de metros. O que isto representa de estudo, coragem, decisão, confiança, é uma honra para a engenharia portuguesa, é uma honra para a Administração que soube tornar possíveis as condições desse estudo, dessa coragem, dessa decisão, dessa confiança.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Lembro-me, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que nos meus tempos de liceu desejava seguir o curso de engenharia civil, para o qual sempre senti vocação natural, e um amigo da família dizia-me que o não tirasse, porque os engenheiros não tinham que fazer em Portugal e não podiam ganhar a vida. A trinta e tal anos de distância os engenheiros ganham a sua vida e dão exemplos ao Afundo.

Não :se trata só de ser o maior arco de betão armado do Mundo, pois o facto de o ser, ou estar poucos, metros aquém ou além do máximo congénere, não é em si mesmo, relevante; não importa a relatividade, importa a realidade da grandeza da construção.

Trata-se de uma obra certamente grandiosa; trata-se de um caso em que se pode dizer que u fé está a mover uma montanha, a fé na segurança dos cálculos lucidamente estabelecidos sobre a observação rigorosa dos factos. Trata-se da deslocação de uma mole imensa em condições naturais difíceis e tudo parece que está a correr conforme as previsões.

É uma honra para a inteligência e para o espírito, em qualquer parte, que o homem, com as suas débeis forças, só por saber encaminhar as da Natureza, consiga realizar deslocações materiais desta magnitude e ainda maiores. É uma honra que neste caso tem de ser creditada à engenharia portuguesa e a quem tornou possível o seu desenvolvimento.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Está de parabéns o Prof. Edgar Cardoso, que tem um nome dos primeiros entre os hábeis na arte da construção de grandes pontes.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Está também de parabéns o empreiteiro.

Penso que se meteu nesta obra procurando uma actividade lucrativa, mas dá-nos o mais belo exemplo da iniciativa privada, em busca do lucro, sem dúvida, mas correndo um risco tomado na confiança dos recursos e capacidades que se podem desenvolver livremente.

Está de parabéns também o Sr. Ministro das Obras Públicas, que confiou, que acompanhou o que possibilitou esta obra.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

Orador: - Está de parabéns todo o País. Está de parabéns ainda a cidade do Porto, porque, se não é só para ela, a obra vai com certeza interessar-lhe- grandemente.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - E, para acabar, Sr. Presidente e Srs. Deputados, queria pedir-lhes que tivessem um pouco mais de paciência e me permitissem tirar deste exemplo um corolário para a minha fala de ontem.

Aludi ontem a deficiências técnicas, mas afirmei também a minha convicção de que os técnicos portugueses saberiam ser profícuos e brilhantes, assim lhes dessem as condições e incentivos necessários.

Pois vejam VV. Ex.ªs como, noutro campo, técnicos portugueses conseguem realizações do mais alto nível profissional e científico. Tiremos daí um exemplo para que em todos os campos possamos continuar a confiar nos técnicos portugueses. A questão é criar-lhes as condições necessárias.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Cardoso de Matos: -Sr. Presidente: neste último dia da 1.ª Sessão da VIII Legislatura, como Deputado de Angola e consciente da urgência que a resolução dos seus problemas requer, certo de interpretar os legítimos e mais que justificados anseios dos portugueses da nossa maior província e convencido embora de toda a atenção que estão merecendo, quero deixar um apelo, uma chamada de atenção que ajude à compenetração da gravidade do momento que atravessamos c do quanto o tempo militar contra nós, não permitindo delongas nem hesitações, sob pena de se avolumarem os males que nos afligem.

Gostaria bem de não ter de repetir, como acontece, o que já aqui tenho dito sobre as soluções que o problema económico de Angola aguarda lhe sejam dadas, não obstante o que se tem feito, pois infelizmente um dos seus sectores de maior influência no conjunto - a questão cambial -, em vez de registar progressos no campo da sua resolução definitiva, está mais complicado e causa sérias apreensões, não já à província em si própria, mas também à própria metrópole, à beira de se encontrar perante a impossibilidade de continuar o seu comércio normal. Objecto de criteriosas exposições após aturados estudos de entidades económicas competentes, o preocupante problema continua na ordem do dia, aguardando a solução que é forçoso dar-lhe - pese embora os sacrifícios que hajam de fazer-se -, pois não se concebe seja o que for que se pretenda levar a efeito em Angola sem que se normalize a questão cambial.

Direi mais: apesar da influência que tem na situação política de Angola, que não é de mais destacar, as incidências deste problema no conjunto económico da província dão-lhe uma prioridade que sobreleva a todos os outros, pois nada de estável se poderá fazer sem que antes se encontre a solução definitiva para ele.

A evolução constante que se processa em todo o Mundo, com tão notáveis progressos que parecem antecipar-se à própria marcha do tempo, não se compadece com delongas nem aceita compassos de espera.

Há que fazer-se recurso a todas as energias, reunir todas as boas vontades; há que criar umas e outras onde até não existam, num supremo esforço nacional que nos dê a garantia de um futuro melhor - um futuro que tem de ser forjado por nós, mesmo sem ajudas, pois que só contrariedades enfrentamos.

Desde que se entendeu que o povoamento requeria infra-estruturas indispensáveis a um processamento normal, tem-se verificado que a anormalidade da situação aconselha, por vezes, medidas de excepção com algo de improviso. Sem pretendermos preconizar a aplicação da teoria de que «o óptimo é inimigo do bom», na medida em que possa significar imprevidên-