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28 DE MAIO DE 1981 2757

aqui destruídas, tal o fulgor que vi na bancada comunista, no dia em que acabei de fazer a minha intervenção.
Afinal, nada do que eu afirmei foi desmentido; tudo aquilo que eu disse se mantém.

O Sr. César Oliveira (UEDS): -É preciso ter lata.

O Orador: - É evidente, que tive outra surpresa além desta. É que, de facto, eu sempre tenho trabalhado no Alentejo, sempre no sector rural, habituado nestes últimos anos a ver chegar os tractores, a ver chegar as camionetas de cargas transportando trabalhadores como se fossem animais, a repetir slogans que lhes são infligidos sob pena de, se não os repetirem, não receberem os salários e não terem direito ao emprego, e julgava que esses eram, coitados, a arraia-miúda, como se costuma dizer; mas afinal não. Afinal, verifico que chego aqui aos privilegiados da classe política, a começar pelo primeiro deputado do meu distrito, e repetem exactamente os mesmos slogans, os mesmos chavões, as mesmas coisas.

Aplausos do CDS.

Quero dizer, meus senhores, que não é ainda aqui nesta classe, que está a central da intoxicação. Ela está ainda noutro sector. Está longe, talvez no estrangeiro, de certeza no estrangeiro.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador. - Sobre a ausência de democracia no Alentejo, esse é um facto testemunhado em todos os sectores. Não há liberdade no trabalho nos sectores dominados pelo Partido Comunista, isto é, naquelas zonas em que o Partido Comunista instigou e acompanhou os trabalhadores a fazerem ocupações -algumas dessas ocupações feitas inclusivamente com deputados aí sentados nessa bancada, tanto que não há dúvida nenhuma de que as ocupações foram feitas com o comando e participação directa -, do Partido Comunista, não há liberdade para o trabalho. O trabalhador ou aceita as condições que lhe impõem ou não tem quaisquer direitos e, se têm dúvidas, consultem as, comissões de conciliação e julgamento, vejam os casos de queixas de trabalhadores que lá há, vejam os casos em que os trabalhadores põem essas comissões de conciliação e julgamento em causa, porque não aceitam que o representante seja o representante do sindicato, porque eles sabem tão bem, porque os conhecem de vista, que esses representantes do sindicato são elementos do Partido Comunista, são elementos dos UCPs, o que também não é dúvida nenhuma, porque, olhando para essa bancada, vemos pessoas que trabalharam ou trabalham simultaneamente no Partido Comunista, nos sindicatos, nos secretariados das unidades colectivas; estão perfeitamente identificados uns com os outros, basta olhar para essa bancada.

Protestos do PCP.

O Sr. Jerónimo de Sousa (PCP): - Essa era a linguagem da PIDE.

Uma voz do CDS: - Vocês lá sabem!

O Sr. Presidente:-Srs. Deputados, pedia a máxima atenção e compostura.

O Orador: - É evidente que também não há democracia, quando, por exemplo, não se paga à Previdência. Os senhores sabem quanto devem à Previdência as UCPs do distrito de Portalegre, para só falar nessas?

Protestos do PCP.

Pois no dia 31 de Março de 1981 o total de dívidas à Previdência das UCPs do distrito de Portalegre era de 301 770 contos.

Uma voz do PCP: - E os latifundiários quanto é que devem?

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, pode dispensar-se desse tipo de apartes? Queira continuar. Sr. Deputado.

O Orador. - É claro que gostaria de responder a todos os Srs. Deputados individualmente, mas de facto, olhando para os apontamentos que tirei, não encontro nada, encontro chavões.

Protestos do PCP.

Diz o povo, e com razão, que a uma senhora não se bate nem com uma flor, mas é evidente que nós os Alentejanos, teremos que atirar à Sr.ª Deputada Zita Seabra com as pétalas putrefactas queimadas pela geada vermelha que caiu no Alentejo que queimou todos os cravos que fizeram ter uma esperança no 25 de Abril.

Aplausos do CDS do PPM e alguns deputados do PSD.
Protestos do PCP.

É evidente que não lhe vou agora aqui, dar números, minha senhora; não lhe vou dar números, porque a Sr.ª Deputada não é analfabeta e, portanto, basta que consulte os registos próprios e encontra a veracidade da minha afirmação, que também não desmentiu. Agora, o que é verdade é que os senhores estão a transformar a Câmara de Évora numa espécie de capital comunista, estão a transformar isso numa espécie de Kremlin, e por isso é que a máquina é ião pesada e tem tantos trabalhadores.
Mas não é só nessa Câmara que isso se passa. Também em Ponte de Sor e noutras Câmaras essa desproporção é enorme, ou melhor, essa densidade de trabalhadores é enorme,...

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Quantos?

O Orador: - ...é pesadíssima e cria problema locais, porque, por esse processo, é um dos processos - e os senhores também têm outros de que já falarei adiante - que os senhores usam para impedir que a iniciativa privada possa ter trabalhadores ao seu alcance, porque, como sabem...

Risos do PCP e do MDP/CDE.

Não se riam, porque são capazes de não gostar.
Os Srs. Deputados sabem perfeitamente, se é que vão ao Alentejo, se é que se informam e se é que