1947 | I Série - Número 043 | 07 de Setembro de 2005
Comecemos pelas omissões.
O Sr. Deputado fez um enunciado da progressão do número de imigrantes em Portugal até 2002. Esqueceu-se, contudo, de indicar os números relativos ao período de 2002 a 2005, nomeadamente os resultantes da legalização dos brasileiros, dos cabo-verdianos, etc.
O Sr. José Junqueiro (PS): - Bem lembrado!
O Orador: - Também era importante recordar estes números, Sr. Deputado, porque eles foram do tempo do seu governo e do seu secretário de Estado, o agora Deputado Nuno Magalhães, que lhos está a dizer, pois o Sr. Deputado não os sabia!
Risos do PS.
Passamos às inverdades.
No que toca às quotas da imigração, o Sr. Deputado deveria saber que o PS, em 2001, quando aceitou o princípio da existência de quotas indicativas - repito, quotas indicativas, não vinculativas -, aceitou-o sob pressão do CDS-PP, para obter uma maioria absoluta para a sua lei. O PS nunca gostou da ideia das quotas e muito menos de como agora estão na lei, que são quotas vinculativas.
Portanto, lamento que o Sr. Deputado tenha tido a necessidade de ler a entrevista de um director-geral para conhecer essa posição do Partido Socialista, que já é muita antiga, que já vem de há muitos anos e de que o Sr. Deputado Nuno Magalhães certamente se recorda por conversas havidas nesta Assembleia há pouco tempo.
Protestos do CDS-PP.
O Sr. Deputado recordar-se-á, certamente, que, aquando da votação na especialidade da lei de autorização legislativa que permitiu alterar o diploma sobre a entrada e permanência de cidadãos estrangeiros, o Partido Socialista, no que respeita às quotas, se absteve, porque sempre entendeu que as quotas não devem ser vinculativas e que, a existirem números indicativos, estes deveriam apenas servir de guia em relação à possibilidade de entrada de cidadãos estrangeiros.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): - Então, por que é que não votou contra?! Poderia ter votado contra!
O Orador: - Para além disto, o Partido Socialista sempre falou numa coisa que os senhores não resolveram mas que agora vai ser resolvida. É que a existência de números indicativos da entrada de cidadãos estrangeiros só é favorável à regulação do mercado se houver mecanismos burocráticos adequados. Ora, os senhores criaram as quotas, mas não criaram os mecanismos adequados a que essas quotas pudessem ser cumpridas, razão pela qual temos a desregulação que existe, com muitos milhares de imigrantes em situação de ilegalidade.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Nuno Teixeira de Melo.
O Sr. Nuno Teixeira de Melo (CDS-PP): - Sr. Presidente, começo por dizer ao Dr. Vitalino Canas que estive de facto de férias, muito poucas, e que fiquei por Portugal, não andei por África, teria gostado muito,…
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): - Bem lembrado!
A Sr.ª Manuela Melo (PS): - Se calhar, percebia melhor a imigração!
O Orador: - … mas achei que as circunstâncias do País não o permitiam. De todo o modo, agradeço-lhe os desejos de boas férias que me endereçou e que, naturalmente, retribuo, pois espero que também as tenha tido.
Devo dizer-lhe, Sr. Deputado Vitalino Canas, que de uma pessoa como V. Ex.ª, que é Deputado e que vem exercendo funções na 1.ª Comissão e que nestas áreas da imigração tem tratado de diversas questões - recordo, aliás, que já há anos que vimos falando disto -, a falta de rigor técnico não é admissível. Ora, quando V. Ex.ª, a propósito dos cidadãos brasileiros, fala de um processo de regularização extraordinária,…