O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

45 | I Série - Número: 035 | 7 de Janeiro de 2011

O fenómeno, infelizmente, não é isolado, é cada vez mais gerador de tensão, é cada vez menos controlado e assume um carácter: o de uma perseguição a cristãos.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Cada um tem o direito a viver a sua dimensão espiritual e a sua fé, seja ela qual for, e isso, como é evidente, não deve ser factor de divisão.
Estes actos bárbaros e a crescente intolerância religiosa verificada merecem, de todos, uma posição clara de condenação, e é um imperativo moral de todos os Estados civilizados e de todos humanistas, sejam eles laicos ou cristãos.
O voto de condenação que apresentamos, Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, pretende ser o mais consensual possível e visa a condenação clara do ataque, o envio de condolências às famílias das vítimas e, obviamente, faz um apelo para que esta e outras vagas de intolerância religiosa tenham o seu termo.

Aplausos do CDS-PP.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado José Manuel Pureza.

O Sr. José Manuel Pureza (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Digo aquilo que é banal e o que é banal é que toda a violência religiosa é hedionda! Por isso mesmo, associamo-nos ao sentido deste voto: porque a violência exercida sobre cristãos coptas em Alexandria é, em tudo idêntica, à violência religiosa exercida por todas as inquisições na Europa em vários momentos da sua História; porque essa violência religiosa é idêntica àquela que é exercida pelos fundamentalismos religiosos nas Américas; porque essa violência religiosa é idêntica a todas as demais violências religiosas! Por isso mesmo, estamos, convicta e firmemente, ao lado da condenação da violência religiosa porque esta é a negação da igual dignidade de todas as pessoas, das que são crentes em qualquer religião ou das que não crêem em nenhuma religião.

Aplausos do BE e do Deputado do PS João Galamba.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Mendes Bota.

O Sr. Mendes Bota (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O PSD revê-se neste voto de condenação e solidariza-se com todas as vítimas da intolerância religiosa no mundo. Mas gostaria de deixar três notas que procuram não ser «banais».
A primeira é a de que a perseguição aos cristãos emana de grupos fanáticos alimentados pelo ódio, mas há Estados onde actuam que fecham os olhos, por eles pressionados ou mesmo por certos regimes islâmicos do Médio Oriente. Na Arábia Saudita ou no Irão, ser-se cristão não é sequer uma opção legalmente admitida.
Em segundo lugar, gostaria de dizer que não está em causa apenas o fundamentalismo islâmico: na Índia, aldeias cristãs foram massacradas por impulso do partido fundamentalista hindu. Na Colômbia, são os guerrilheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) quem assassina cristãos e há Estados comunistas como Cuba, a China ou a Coreia do Norte, onde ser cristão significa perseguição, retaliação e discriminação.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — O Papa foi lá e não lhe aconteceu nada!

O Sr. Mendes Bota (PSD): — Em terceiro lugar, a perseguição aos cristãos é mais visível sob o estrondo das bombas assassinas, sejam em Bagdade, sejam em Alexandria, mas é muito mais tensa em termos de discriminação e de segregação sociais, limitando o acesso dos cristãos à função pública, ao ensino, às prestações sociais, à justiça, à elegibilidade, à liberdade de construção de novos lugares de culto e, perante esta perseguição, reina o silêncio e a indiferença.
Não basta ouvir as reacções emocionais dos governos ocidentais. Há que impor-lhes que exijam reciprocidade na igualdade de tratamento dos cristãos. Mais de três quartos das comunidades minoritárias perseguidas no mundo são cristãs.

Páginas Relacionadas
Página 0042:
42 | I Série - Número: 035 | 7 de Janeiro de 2011 Paulo Marques era um conservador da «terr
Pág.Página 42