I SÉRIE — NÚMERO 102
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Mas, mais uma vez, o seu ministério falha na forma de fazer, porque uma coisa é reformar, outra coisa é pedir ao Parlamento um completo cheque em branco, e é isso que esta proposta faz.
O Sr. Hugo Soares (PSD): — Poça! A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — O Governo pede autorização para extinguir e agregar prestações sociais
que são muito diferentes, com regras muito diferentes, e isso não é uma mera e pequena simplificação administrativa:…
O Sr. Hugo Soares (PSD): — É muito mais do que isso! A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — … é uma reforma grande do sistema de apoios sociais. O Sr. Hugo Soares (PSD): — Muito bem! A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — Só que, na realidade, o Governo remete para regulamentação posterior
praticamente tudo o que define esse sistema. Ou seja, o Parlamento é chamado a autorizar uma prestação social única, mas, os detalhes, ninguém os
conhece. Portanto, na realidade, esta autorização legislativa dá para tudo. Só que, Sr.ª Ministra, neste caso, e como se costuma dizer, o diabo está mesmo nos detalhes. O Governo justifica a urgência com o PRR, mas o PRR exige uma reforma, não exige que o Parlamento vote essa reforma completamente às escuras.
Por fim, há uma questão política que não pode ser ignorada. Esta proposta chega ao Parlamento sem os tais detalhes, para, depois, o seu conteúdo vir a ser negociado entre o PSD e o Chega, fora da especialidade, fora do escrutínio parlamentar, longe da transparência que uma reforma desta dimensão exigia.
Protestos do CH e do Deputado do CDS-PP João Pinho de Almeida. A Iniciativa Liberal não pode aceitar que uma reforma dos apoios sociais seja escrita apenas a duas mãos,
entre o PSD e o Chega, em privado, em segredo, por regulamentos e portarias, depois de o Parlamento passar esse tal cheque em branco.
Portanto, sinceramente, Sr.ª Ministra, como é que o Parlamento deve poder aceitar isto? Como é que pode aceitar uma reforma desta dimensão sem conhecer aquilo que é essencial?
Desde logo, deixo-lhe um conjunto de perguntas. Qual é, afinal, o valor da PSU? Quanto vai receber cada pessoa? Quanto vai receber cada agregado? Com as novas regras, e isto é que importa, quantas pessoas que precisam destes apoios sociais vão ficar sem apoio?
Aplausos da IL. O Sr. Presidente: — Para o segundo pedido de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Deputado André
Ventura. O Sr. André Ventura (CH): — Sr. Presidente, Sr.ª Ministra, é preciso, de facto, combater a armadilha da
pobreza, mas temos de combater a armadilha da pobreza garantindo que não estão uns a pagar para os outros e que metade do País não continua a sustentar a outra metade.
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Ora bem! O Sr. André Ventura (CH): — É preciso garantirmos que aqueles que todos os dias contribuem para o
País não andam a sustentar um leque de pessoas que não quer fazer nada, que há anos se recusa a trabalhar e a participar, que há anos se recusa a contribuir.
Aplausos do CH.