I SÉRIE — NÚMERO 102
26
Sr.as e Srs. Deputados, há mais de 1,6 milhão de pessoas, nossas concidadãs, em risco de pobreza. A prestação social única que o Governo apresenta não é a alternativa. Há outras, inclusive a do Livre, que está aqui em cima da mesa. Peço-vos que aprovem esta.
Aplausos do L. O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Vocês vão acabar! O Sr. Paulo Muacho (L): — Vai trabalhar! O Sr. Pedro Pinto (CH): — Vai tu trabalhar, que não fazes nada! O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado João Almeida, do CDS-PP. Pausa. Continuação de protestos do CH e contraprotestos do L. Srs. Deputados, temos de dar condições para o Sr. Deputado João Almeida… Pausa. O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Estejam à vontade! O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado. O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A forma como a
esquerda se pronuncia neste debate é, de facto, paradigmática. A esquerda adora o discurso do coitadinho e vem aqui apresentar, como sempre, o discurso do coitadinho, não para que o coitadinho deixe de o ser, mas para que o continue a ser toda a vida, para eternizar as pessoas na dependência, para eternizar as pessoas numa situação de inferioridade. Isso é inaceitável.
Aplausos do PSD. O Sr. Eurico Brilhante Dias (PS): — Coitadinho de mim, que tenho de ouvir isto! O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — É inaceitável a forma como a esquerda olha para as
prestações sociais. As prestações sociais não são nem transitórias, nem para emancipar as pessoas, as prestações sociais são para ter pena das pessoas e para as manter toda a vida nessa situação.
Pois, não é assim que nós ajudamos as pessoas. Nós ajudamos as pessoas a fazer o contrário do que os senhores aqui vêm defender, nós ajudamos as pessoas, dando-lhes transitoriamente apoio, mas a libertá-las o mais depressa possível desse apoio e do paizinho Estado que os senhores adoram ser. Adoram que as pessoas lhes venham a agradecer, adoram que as pessoas dependam de vós.
Protestos do Deputado do PS Miguel Cabrita. Mas não é assim que se ajuda ninguém — não é assim que se ajuda ninguém. Uma prestação social única
que agrega todas as prestações tem, desde logo, uma vantagem, que é centrar-nos no óbvio: é que quando a pessoa não está em condições de sozinha conseguir ter o rendimento suficiente deve receber uma prestação — independentemente da causa, porque a razão é exatamente a necessidade, não é a causa concreta. E aí deve ser apoiada de maneira a poder ter duas coisas: uma é o rendimento e a outra é a dignidade. A dignidade das pessoas é importantíssima neste debate e a esquerda ignora-a em absoluto.