26 DE JUNHO DE 2026
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É aumentar os impostos como os senhores aumentaram? É maltratar as famílias como os senhores
maltrataram em 2012, 2013 e 2014?
Aplausos do PS.
É que essa é a única coisa que me lembro que o CDS fez, quando o senhor era secretário de Estado.
Mas há mais, Sr. Deputado Paulo Núncio: o Sr. Deputado tentou explicar ao Deputado Miguel Costa Matos
que aquela sua medida, que, entretanto, largou e adotou a medida do PS…
O Sr. Miguel Matos (PS): — Ah, pois!
Protestos da Deputada do PSD Ana Isabel Ferreira.
O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — Não sou eu, é a AD!
O Sr. Carlos Pereira (PS): — Nós percebemos, tentou disfarçar! Largou e adotou a medida do PS, mas há
uma questão, há um paradoxo que ninguém percebeu ainda nesta Casa. Já reparei que o Sr. Deputado tem
muito tempo, por isso, acho que tem tempo para explicar calmamente o que é que se passou.
O Sr. Deputado trouxe um quadro para explicar que a sua medida de coeficiente familiar foi muito boa, foi
excelente, cumpriu todos os objetivos de política pública. Ó Sr. Deputado, se foi tão boa, foi tão excelente,
porque é que a abandonou? Porque é que adotou a medida do PS?
Aplausos do PS.
O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — Foi o PS que a revogou!
O Sr. Carlos Pereira (PS): — Porque é que resistia à tentação de adotar a medida do PS? Não se consegue
compreender, Sr. Deputado, mas, como eu disse, tem muito tempo e espero que possa explicar.
Queria passar a um tema que, acho, é importante e que esta discussão nos traz, que é a circunstância de
todos compreendermos, nesta Casa — e esta medida traz-nos essa lembrança, perante os episódios recentes
—, que quando damos margem, quando deixamos que a AD faça o que quer ou como quer, dá asneira. Dá
asneira!
Vamos lá ver: o Sr. Deputado trouxe esta matéria da dedução fiscal e tentou ultrapassar ou esconder a
questão do coeficiente familiar. Ora, sabemos bem, o Sr. Deputado também sabe e nós sabemos que o Sr.
Deputado sabe, que esta questão do coeficiente familiar foi um erro, foi um erro de política pública, porque é
regressiva e porque é injusta. Ou seja, o apoio familiar para a natalidade não quer dizer que tenhamos de ser
injustos na forma como fazemos as políticas públicas, e esta é injusta.
Portanto, teve de ser, naturalmente, o PS, em 2016, a dizer: isto não está bem, vamos apresentar a dedução
fiscal. Ora, o Sr. Deputado adotou esta medida, fez muito bem e está no caminho certo.
Mas este não foi o único caso: reparámos recentemente que a AD pegou numa recomendação da OCDE,
que dizia que era preciso simplificar as prestações sociais numa prestação única, e transformou uma
recomendação — que tinha uma boa ideia e era muito importante fazer, que era, de alguma maneira, simplificar
as prestações sociais, a forma como se entrega as prestações sociais e alargar a cobertura — numa suspeição
de que havia prestações sociais que eram mal utilizadas. Aliás, até a Sr.ª Ministra trouxe um número de 156
milhões ou 159 milhões de euros que eram mal utilizados.
Ou seja, os senhores, quando pegam no assunto, a única coisa que fazem é transformá-lo em suspeição e
não na ajuda às famílias que mais precisam.
Este foi um exemplo, mas houve outro, o exemplo da lei do trabalho, onde os senhores fizeram a mesma
coisa: agarraram no discurso da modernidade, da produtividade, lembraram-se até de uma lista da OCDE que
dizia que Portugal tinha uma produtividade baixa, e a única coisa que fizeram foi um ataque aos trabalhadores
e um ataque às famílias portuguesas.
Portanto, isto é muito importante que a AD saiba e possa explicar nesta Casa.