4 DE JULHO DE 2026
43
vestes contra a burocracia, mas não reconheceriam uma simplificação se nela tropeçassem. Fazem grandes
discursos inflamados contra o socialismo, mas estão ao lado da extrema-esquerda europeia — e dos sindicatos
controlados por estes partidos — em tudo que seja mais Estado na economia e na vida das pessoas.
O Sr. Mário Amorim Lopes (IL): — Muito bem!
O Sr. Miguel Rangel (IL): — Seguem exatamente o mesmo modelo de socialismo e usam o Estado para os
seus objetivos eleitorais, e não ao serviço do crescimento e do desenvolvimento do País.
Aplausos da IL.
Srs. Deputados, Portugal tem hoje um rácio de quase dois idosos por cada jovem, o mais alto de sempre.
Para quem tem hoje 35 anos, espera-o uma reforma de 40 % do seu último salário.
E o que é que o Chega propõe? Carregar ainda mais a base desta pirâmide demográfica e condená-la a
pagar, durante toda a sua vida, uma fatura pesada de medidas eleitoralistas e sem qualquer adesão à realidade.
Portugal tem um desemprego jovem de quase 20 % e 73 % dos jovens entre os 8 e os 24 anos dizem
equacionar emigrar.
E o que é que o Chega faz? Junta-se aos sindicatos para manter o País amarrado a um dos modelos laborais
mais rígidos da Europa.
O Sr. Mário Amorim Lopes (IL): — Muito bem!
O Sr. Miguel Rangel (IL): — A proposta do Chega é irresponsável e promete levar os portugueses para um
conflito intergeracional e para uma inevitável fuga de mais quadros qualificados, que estão fartos de pagar a
irresponsabilidade dos políticos, os populismos e os jogos partidários.
Aplausos da IL.
O Sr. Rui Tavares (L): — Tem poucos! Muito poucos!
O Sr. Miguel Rangel (IL): — Mas temos de ser justos, para quem está mais atento, nada disto é novidade.
Nas suas promessas eleitorais, o Chega já tinha prometido equiparar a reforma mínima ao salário mínimo.
Era um buraco de 9 a 11 mil milhões de euros, 30 % de aumento direto da despesa do País com pensões.
Seria o fim do sistema de pensões tal como o conhecemos e um convite direto a mais um resgate financeiro.
A receita do Chega é receita socialista — indignação pelas injustiças e promessas falsas de que tudo se
resolve com uma riqueza que não existe e que nada fazem para inverter, restando apenas a solução do Estado:
confiscar os mesmos de sempre, a classe média e os jovens, que são cada vez menos e que têm cada vez
menos poder político para influenciar a política portuguesa.
Srs. Deputados, o Chega não tem um discurso para as empresas; o Chega não tem um discurso para os
jovens; o Chega não tem, certamente, um discurso para a classe média. O discurso do Chega vai para onde o
voto vulnerável estiver mais disponível, e esse discurso altera-se no primeiro momento que lhe for conveniente.
Podemos, no entanto, ter duas certezas. A primeira é que, das políticas do Chega, vem sempre um brutal
aumento de despesa, A segunda é que ninguém engana toda a gente durante muito tempo.
Aplausos da IL.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra, para uma intervenção, o Sr. Deputado André Ventura.
O Sr. André Ventura (CH): — Sr. Presidente: Chegados a esta fase do debate, era importante darmos
algumas notas sobre o que aqui foi dito.
Vou começar pela Deputada Isabel Moreira, que já não está aqui. Em qualquer caso, terá a oportunidade de
ouvir depois, quando voltar. Disse a Sr.ª Deputada Isabel Moreira que era uma arenga contra a democracia, e