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Sessão de 28 de Junho de 1915 5

taramos as suas palavras de desespêro e de dôr, que presentiamos as suas inquietações e os seus receios, melhor do que os demais, talvez possamos constatar a autenticidade destas afirmações: é que todos os bons republicanos, sem distinção de partidos, todos aqueles que, acima dos interêsses facciosos dum partidarismo estreito, colocavam os interêsses da Pátria, sentiam confranger-se-lhe dolorosamente a alma todas as vezes que as paixões políticas exacerbadas e os ódios pessoais atiravam os melhores homens da República para uma luta de extermínio, inexorável e tremenda.

Com êsse povo admirável, generoso e bom, onde mais frementemente palpita a alma da República, sofremos nós tambêm; foi com êle, com a sua dedicação entranhada á República, com a sua fé ardente e viva nos destinos desta Pátria nova, que nós conseguimos vencer o desânimo profundo que por vezes nos prostrava quando assistíamos, apavorados, ao vivo faulhar das paixões, ao enredar coleante das intrigas, ao desencadear tremendo de tantos ódios.

É por isso, Sr. Presidente, que a nossa voz ao levantar-se pela primeira vez no Parlamento, tem a comoção dolorida duma suplica, traduz um apelo veemente ao republicanismo de todos, e interpreta seguramente, com rigorosa fidelidade, o sentimento daqueles que nos mandaram aqui.

Sr. Presidente: é preciso mudar de rumo, é absolutamente necessário iniciar uma era nova, em que todos nós, soldados da mesma fé, defensores acérrimos e ferverosos da mesma causa, perante os interêsses da Pátria, neste momento histórico da nossa nacionalidade, tomemos o compromisso formal e solene, perante as próprias consciências, de recalcarmos bem no fundo das nossas almas as paixões ruins que nos dividem e de colocarmos ao serviço da República todo o nosso esforço, toda a nossa fé republicana, todo o nosso patriotismo ardente (Apoiados).

Compreendo bem, compreende toda a gente, que não é possível juntar todos os homens para a defesa das mesmas doutrinas, conseguir que êles se entendam com aquela fé e consciência, com aquela lialdade que arreda todas as suspeições. Divergências doutrinárias e incompatibilidades pessoais houve-as sempre, mas que elas nunca sejam de molde a enfraquecer a unidade republicana, a dar lugar a disputas lamentáveis entre grupos adversos que a mesma fé juntou.

A mesma aspiração, magnifica e alevantada, deve estreitar-nos a todos, e nos lances mais audaciosos da luta renhida que vai travar-se, uma nobre e única emulação a todos domine, a de sermos os primeiros, os mais intrépidos, os mais úteis; a ambição grandiosa de que a República triunfe para que a Pátria viva, enrijando todos os braços, aquecendo as saudações em todos os lábios, esguendo para a visão deslumbradora da mesma conquista todos os corações (Apoiados).

A divisa admirável que a República escolheu para lema que seja a divisa do seu segundo Parlamento: Ordem e Trabalho. Respeito mútuo que não exclui a fiscalização rigorosa e persistente, a crítica severa e justa; vontade dicidida de trabalhar e de produzir, trazendo cada um para o bem comum da Pátria uma parte do seu esforço e uma parcela da sua inteligência, para que se realize e efective o que é preciso a êste país; basta, para isso, seguir com precisão a esteira do primeiro Parlamento. Porque, de facto, Sr. Presidente, dizer-se que o primeiro Parlamento foi demasiadamente estéril, é afirmar uma banalidade que tem tanto de caluniosa como de petulante.

Dos primeiros parlamentares da República, pode bem dizer-se que foram os seus fundadores, que construiram denodadamente os seus alicerces, sôbre os quais vamos nós agora, novos obreiros, levantar, construir o edifício grandioso e esplendido dessa pátria nova, ao sol criador e vivificante duma República modelar.

Vozes: - Muito bem.

O Orador: - Para se conseguir isto e para desempenhar nobremente o mandato que a Nação nos confiou, eu creio que duas tarefas se nos impõem: a mais importante é a que diz respeito á situação internacional. O Govêrno já disse o bastante e a preciso para que todos tenhamos a certeza de que o país, ansioso e espectante, vai saber, sem rodeios, sem subtilezas, qual a nossa situação já perante a Alemanha, nossa inimiga, que já nos fez suportar, e bem duramente, o despotismo brutal da