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Sessão de 11 de Janeiro de 1916 11

com o maior cuidado. Deu-se um desastre que não se pôde evitar. Não sei se há algum culpado, não posso lançar acusações baseadas em simples suposições, era simples boatos (Apoiados). As investigações a que se referiu o Sr. Ministro do interior e aquelas a que mandei proceder, por um homem que todo o exército conhece, hão-de restabelecer a verdade dos factos. É certo que de há muito o Govêrno estava avisado de que se preparava qualquer cousa ás nossas fábricas de material de guerra. Rara era a semana em que não tinha informações de que o caso se daria. As providencias estão tomadas e a Câmara dispensa-me de dizer de que natureza elas são.

Em vista dêsse desastre, foram dadas ordens para se exercer uma vigilância mais rigorosa. É preciso não só defendermos os bens nacionais, mas a nossa honra (Apoiados). Defende-los hei com toda a energia de que sou capaz.

Associo-me, com o maior pesar, ao voto de sentimento proposto por S. Exa. e associo-me tambêm ao voto de louvor que foi proposto aos bombeiros municipais e voluntários. Vi êsses homens trabalhar com tal denudo e desprêzo pela vida que mais uma vez se firmou em mim a admiração que tenho pelo povo português. Admiro a sua coragem, a sua abnegação e o seu patriotismo nos lances mais difíceis.

Devo ainda dizer que, juntamente com êsses homens, andavam populares, marinheiros e soldados que trabalharam com um vigor extraordinário, e andava tambêm um grupo de escoteiros carregando fardos de algodão, procurando servir com uma abnegação extraordinária.

A todos êles, Sr. Presidente, se estende o meu louvor (Apoiados).

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem.

O orador não reviu.

O Sr. Eduardo de Sousa: - Sr. Presidente: já o Partido Evolucionista se manifestou quanto ao voto de pezar pelas vítimas do incêndio de ontem e quanto ao voto de louvor aos bombeiros municipais e voluntários. Em meu nome pessoal associo-me inteiramente a êsses dois votos.

Tratou-se na Câmara de se apurar as responsabilidades que caibam a quem quer que as tenha no incêndio de ontem. Falou-se nas responsabilidades que caibam à Companhia das Aguas; falou-se nas responsabilidades que, porventura, caibam a qualquer mal intencionado que provocasse êsse espantoso desastre.

Declara o Govêrno que vai ordenar um rigoroso inquérito para averiguar a verdade sôbre o assunto.

Está muito bem.

Os prejuízos são grandes, disse o Sr. Ministro do Interior, e perfilhou as suas palavras o Sr. Ministro da Guerra.

Vai o Govêrno apurar as responsabilidades da Companhia das Aguas e averiguar se o incêndio foi ou não casual.

Está tambêm muito bem.

Mas há ainda outras responsabilidades do Govêrno a que eu me vou referir preguntando ao Sr. Ministro da Guerra se nessas providências que diz haver tomado se inclui tambêm o facto de segurar em quaisquer companhias os diversos materiais existentes e quaisquer outros valores.

Uma voz: - O Estado não segura.

O Orador: - Tanto o Estado segura que eu sei que no Ministério da Justiça existem seguros.

Interrupções.

O Orador: - Sendo assim, eu pregunto ao Sr. Ministro da Guerra o que há a êsse

respeito.

O orador não reviu.

O Sr. Ministro da Guerra (Norton de Matos): - Sr. Presidente: respondendo á pregunta do Sr. Deputado Eduardo de Sousa tenho a dizer que nenhum estabelecimento do Ministério da Guerra está no seguro e pela mesma razão o material existente nesses edifícios, quer mobiliário quer qualquer outro material, não está no seguro.

Esta é a noção que existe no Ministério da Guerra, é a que lá encontrei e não vejo possibilidade de fazer o contrário.

Porém eu, sôbre êsse assunto, tenho uma idea diferente.

Acho que se deviam segurar o mais possível os bens do Estado.

Isso não se pode fazer agora porque não há verba orçamental e é assunto que merece maior atenção e não se pode discutir agora.