O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

6 Diário da Câmara dos Deputados

O Sr. Jorge Nunes: - Em nome da União Republicana, que tenho a honra de representar neste momento, declaro que acompanhamos com mágoa profunda o sentimento da Câmara pelo desaparecimento daqueles que em vida tam denodadamente souberam cumprir os seus deveres.

A União Republicana, sem acusar quem quer que seja e sem sequer averiguar a causa que tenha produzido semelhante desastre, porque não dispõe de elementos para o fazer, na ignorância de que tenha sido um descuido, um acaso ou um crime, declara, no emtanto, que desde que o Govêrno se lance aberta e francamente num inquérito rigoroso, destinado a averiguar as causas do sucedido, a União Republicana se coloca incondicionalmente ao lado do Govêrno para que justiça seja feita e para que sejam severamente punidos os culpados, se culpados houver.

O orador não reviu.

O Sr. Simões Raposo: - A minoria evolucionista associa-se ao voto proposto por V. Exa. pelo lamentável desastre ontem sucedido, o qual encheu de consternarão todos os bons portugueses.

O incêndio do Depósito Central de Fardamentos veio mais uma vez por em destaque a dedicação e a coragem dos bombeiros municipais e voluntários de Lisboa. Essas duas corporações fizeram, como sempre, toda a diligência para que o desastre não assumisse as graves proporções duma catástrofe e se todos os seus esforços caíram por terra, não foi por culpa sua, mas infelizmente porque a água, um dos grandes males desta cidade, faltou como sempre nestas ocasiões. E digo, Sr. Presidente, um dos grandes males desta cidade e não o grande mal, porque nós temos ainda o da Companhia do gaz, para o qual eu chamei a atenção do Govêrno transacto e volto a chamar a do actual. Nós em Lisboa estamos sempre na iminência de dois perigos: os sinistros produzidos pela dificiência do fabrico do gás e a falta de água.

Eu novamente peço ao Govêrno que envide todos os seus esforços, através mesmo de sacrifícios, para que êstes dois inconvenientes sejam removidos de vez. É preciso que se obriguem essas duas companhias a cumprir os seus deveres (Apoiados).

Sôbre êste ponto parece-me que estamos todos de acôrdo (Apoiados).

Há ainda outro ponto a que desejo referir-me e vem a ser às causas que originaram o sucedido. É necessário que o Govêrno proceda a um rigoroso inquérito.

É preciso determinar quais as causas do incêndio e punir, rigorosamente, os criminosos, se os houver.

Se houve negligencia, ela que seja punida tambêm e que se tomem as providências necessárias, para que se não tornem a dar desastres dessa natureza.

Se houve crime, é necessário apurar quem foi o criminoso, ou criminosos, e, seja quem fôr. (Apoiados) castigados severamente.

Era isto, Sr. Presidente, o que eu tinha a dizer, como Deputado pela cidade do Lisboa.

E, em nome da minoria evolucionista, associo-me ao voto de sentimento proposto por V. Exa. e ao voto de louvor para com os beneméritos bombeiros municipais e voluntários.

Não são só heréis aqueles que, no campo de batalha, arriscam a sua vida, são no tambêm os que a arriscam como êsses bombeiros, que a perderam (Apoiados).

O orador não reviu.

O Sr. Costa Júnior: - Sr. Presidente: Pedi a palavra para me associar aos votos de sentimento propostos por V. Exa. pela morte dêsses dois infelizes bombeiros, e de louvor pelos actos de altruísmo e coragem praticados pelas corporações dos bombeiros municipais e voluntários.

Ao mesmo tempo, peço tambêm ao Govêrno que tome enérgicas providências, a fim de se averiguar se houve criminosos. e nisto o Partido Socialista coloca-se, inteiramente, ao lado do Govêrno.

Se se praticou êsse crime é preciso que quem o praticou seja castigado com todo o rigor (Apoiados).

Mas, a par dessas providências, bom será tambêm que o Govêrno envide todos os seus esforços, a ver se, dalgum modo, pode dar remédio a tam lamentável acontecimento, para que os pobres operários que daquele estabelecimento do Estado auferiam os meios de subsistência se não vejam privados dêles por muito tempo.

O orador não reviu.