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4 Diário da Câmara dos Deputados

uma resistência digna dêle e prestigiante para o país a que pertença: são o material, os soldados e os quadros.

Isto, Sr. Presidente, por ordem de importância, e a importância do primeiro dêstes factos, o material, desde que os princípios scientíficos e industriais se aplicaram à arte da guerra, é capital, é assombrosa.

Sr. Presidente sabe V. Exa. que quem melhor armamento tiver e quem melhor e maior municiamento possuir, é, em igualdade de circunstâncias, em condições idênticas de número e de instrução, que tem mais probabilidade de ver coroados de êxito os seus esforços.

Sabe V. Exa. que hoje na guerra, que um distinto crítico estrangeiro já classificou de luta de material e munições, estas são tudo e não quero eu falar nas munições necessárias para infantaria e metralhadoras, cujo dispêndio excede tudo quanto a imaginação mais fantasista possa conceber, mas quero referir-me somente ás munições para a artilharia. Um critico francês, comparando o rendimento da artilharia na conflagração actual com os das guerras anteriores, especialmente com a de 1870-1871 e a de 1900, chega a conclusões fulminantes. É o termo.

Imagine V. Exa. e a Câmara que, na primeira destas guerras, cada peça, nos combates mais violentos, despendeu duzentos tiros e na segunda destas campanhas o dobro: quatrocentos tiros por peça; pois, na guerra actual, e para uma frente de oito quilómetros, num combate renhido sim, mas não muito demorado, um dos beligerantes atirou sôbre o adversário nada menos de cem mil granadas.

Feito o cálculo comparativo, chega-se à conclusão de que a artilharia moderna gasta seis vezes mais do que gastou a artilharia alemã, que era superior á francesa, na guerra de 1870, e três vezes mais do que a artilharia japonesa na guerra da Mandchuria.

E os cálculos oficiais vem em reforço desta conclusão:

É o caso que, nos combates travados ao norte de Arras, num recontro violento, mas que não excedeu a vinte e quatro horas, a artilharia francesa gastou nada menos de trezentas mil granadas: quer dizer, dispendeu quási tanto como toda a artilharia alemã na guerra de 1870-1871!

Ora, Sr. Presidente, se nós não temos o armamento preciso para os homens que já hoje podemos mobilizar, quanto a munições estamos inquestionavelmente numas condições muito críticas, muito difíceis, muitíssimo inferiores. Se tivermos de entrar em luta, nós não temos munições para alimentar as nossas espingardas, as nossas metralhadoras, os nossos canhões nos primeiros dias de combate, de modo que, veja V. Exa., sôbre a falta de armamento, vem a falta de munições. Pois, sôbre estas faltas, há ainda outras a sobrecarregar sôbre elas; faltam-nos, por exemplo, uma esquadra aérea e as batarias próprias para combater as esquadras aéreas inimigas; faltam-nos os parques de artilharia; não ternos, como já disse nesta Câmara, material moderno de metralhadoras.

Mas, Sr. Presidente, meus senhores: eu estou subindo muito, já fui ás nuvens, com as esquadras aéreas; vamos a descer, vamos a rastejar, e ai o quadro nem é menos triste, nem é menos ensombrado!

Nós não temos o fardamento, o equipamento, o calçado, o material sanitário, os carros de munições, os carros de bateria, de companhia e de esquadrão; os telefones de campanha, já não digo um por cada companhia, nem mesmo um por cada batalhão, mas um por cada regimento; nós não temos a ferramenta portátil de infantaria, tam necessária hoje no campo de batalha; nós não temos telémetros, não temos os estojos precisos para limpeza de armamento; emfim, não temos o necessário nem o suficiente para podermos mobilizar um exército de cem mil homens !

O Sr. Ramos da Costa: - Tire-lhe uma cifra!

O Orador:-Pois, Sr. Presidente e meus colegas, ao passo que nós não possuímos o necessário para um tal número de homens, a Suécia - e escolho a Suécia, porque é um povo com que simpatizo extraordinariamente - com o seu orçamento da guerra de 55 milhões de homens, ou sejam 10:000 contos da nossa moeda, dos quais 5 milhões para despesas extraordinárias - pode mobilizar, em primeira e segunda linhas, um exército superior a 300:000 homens!

A Suécia possui um exército a que não falta nada, absolutamente nada.