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Sessão de 16 de Agosto de 1915 5

Mas acresce ainda mais a circunstância de que os seus soldados são melhor instruídos do que os nossos, já porque tem mais tempo de recruta, visto que, para as armas apeadas, tem 150 dias e para as armas montadas 281 dias, já porque os seus exercícios de repetição são de 30 dias para as primeiras, no segundo e terceiro anos, e para as segundas de 42 dias, no terceiro e quarto anos.

Alêm disso, sabem V. Exas. que a Suécia é um país que tem uma instrução geral de primeira ordem, não havendo lá positivamente 90 por cento de analfabetos, como no nosso país!

E tem uma instrução militar preparatória admiravelmente organizada, consistindo na sua bela gimnástica, no treinamento de marchas, serviço de escoteiros e educação cívica.

Lá não se brinca aos soldados!

Essa instrução militar preparatória integra-se naquela fórmula de Chouzy, um grande patriota, um grande espírito, um grande general:

- Façam homens, que nós, a dentro dos quartéis e nos acampamentos, faremos soldados.

Mas, voltando à questão do material, eu tenho a dizer a V. Exa. e á Câmara que, em quanto não tivermos o material preciso e suficiente para mobilizar 100:000 homens, tudo o mais que se faca são artifícios, são artimanhas, são mistificações que custam muito dinheiro ao país.

E, Sr. Ministro da Guerra, há-de adquirir-se êsse material porque é uma necessidade nacional, mas que êle se adquira por forma a não prejudicar as condições económicas e financeiras do nosso país, e, sobretudo, que êsse material seja adquirido em condições de boa fiscalização, para que fiquemos absolutamente garantidos da sua perfeição, não nos sucedendo o que sucedeu à pobre Bélgica, a quem a Alemanha impingia toda a sucata que possuía.

Bom é, pois que êsse material não seja adquiri-lo em qualquer país que possa ganhar pelo facto de êle não prestar para nada.

A tal respeito, confio plenamente no patriotismo do Sr. Ministro da Guerra.

Faço lhe essa justiça.

Vamos agora a tratar dos soldados, um dos outros factores. Nào sigo aquela celebérrima teoria de Vou der Goltz que, na sua fórmula o "Novo Alexandre", sustenta que êste, á frente dum exército pequeno, mas bem armado, bem instruído e bem disciplinado, venceria massas enormes, imponentes.

É que julgo ainda o número um elemento importante na guerra, especialmente no ponto decisivo das batalhas.

Nessa parte opto pelo critério de Moltke.

No emtanto, reconheço que, para um exército cumprir digna e honestamente a sua missão, carece de ser devidamente instruído e disciplinado.

Como diz Collin, o ilustre técnico francês e não menos ilustre historiador militar, o relaxamento do esforço militar produzido por uma nação, corre parelhas com o relaxamento da sua instrução militar, sendo incontestável e indubitalíssimo que em regra, do lado do vencedor, estão a disciplina, a educação e a instrução militares.

Ora, pela forma que a guerra moderna reveste, não tem grande importância os movimentos de arma e as manobras em ordena unida, como tinham noutros tempos, mas; em compensação, carece o soldado, para efectivar o papel que lhe distribui a guerra, dum grande treino, de boa disciplina, de saber aproveitar devidamente o terreno e de ter muita iniciativa, a iniciativa suficiente para, recorrendo LOS seus instintos primitivos, se dirigir só por si no decorrer da luta.

Quanto mais êle tiver de aproveitar com inteligência o terreno, mais êle se escapa à acção dos chefes, diz ainda Colin; portanto mais temos de lhe exigir essa confiança em si próprio, nos que o acompanham e nos que o dirigem.

Ora essa confiança só a pode dar a instrução militar, sendo agora ocasião de preguntar se os nossos soldados a possuem.

Não possuem, e portanto, se hoje tivessem de entrar em combate, faltava lhes a confiança nos chefes e nos camaradas, a fôrça de coesão, a disciplina, etc.; em fim falta lhes o espírito militar, hoje tam decaído entre nós, e sem o qual não há espírito guerreiro.

E êsse espírito militar só poderá reaparecer pelo desenvolvimento da instrução e da educação militares.

Por isso mesmo, no meu fraco entender, torna-se necessário aumentar o tempo de serviço nas fileiras, estando eu convencido de que, com êsse aumento, podere