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Sessão de 27 de Março de 1916 5

Fui chefe do gabinete do seu Ministério, e sei que foi repetidas vezes instado para colocar fora da guarnição de Lisboa oficiais que eram conhecidos como republicanos, mas posso afirmar que nunca satisfez a essas instâncias, antes, pelo contrário, transferiu para a guarnição de Lisboa oficiais republicanos que estavam fora dela.

Foi um militar distintíssimo e conhecedor profundo de todos os ramos do exército.

Quando, em comissão de serviço, foi à casa Krupp, a fim de se fazer a compra de armamento, por tal forma revelou os seus altos conhecimentos, que o seu proprietário disse: "É o oficial mais competente que tem entrado na minha casa".

Posso tambêm citar à Câmara um facto que revela a sua honestidade.

A casa Krupp, a título de bónus, quis entregar-lhe 5 contos, que êle nobremente recusou, mas, como essa verba já estava escriturada, empregou-a na compra de granadas.

Como comandante de regimento posso afirmar a V. Exa. que todos nós o tínhamos como mestre da sciência militar.

Por isso eu me associo, com profunda mágoa, ao voto de sentimento proposto por V. Exa.

O orador não reviu.

O Sr. Brito Guimarães: - Em nome dos Deputados da União Republicana, associo-me o voto de sentimento proposto por V. Exa.

A União Republicana reconheceu em Matias Nunes um dos oficiais mais ilustrados da arma de artilharia. Não me vou referir às suas qualidades de militar, porque essas já foram enaltecidas pelos seus camaradas que nesta casa tem assento, mas apenas fazer justiça a um homem que sempre foi um espírito íntegro e um monárquico que honestamente se conservou dentro do seu credo político. Matias Nunes foi sempre um homem honesto, e, por isso, a Câmara faz bem em lançar na sua acta um voto de pesar que a União Republicana vota com sentimento.

O orador não reviu.

O Sr. Gosta Júnior: - Em nome da minoria socialista, associa-se com pesar ao voto de sentimento proposto por V. Exa.

O Sr. Presidente: - Em vista da manifestação da Câmara, considero aprovado por unanimidade o voto de sentimento (Apoiados gerais),

O Sr. José Barbosa: - Lamento que não esteja presente o Sr. Ministro das Colónias, cuja atenção eu queria chamar. Trata-se de um caso de grande importância.

"Como V. Exas. sabem há nove meses que se procedeu à eleição dos Deputados na metrópole, e, a é agora, não está marcada a eleição de Deputados e Senadores pelo círculo de S. Tomé.

Não se compreende que, mandando a lei eleitoral que o governador marque a eleição, S. Exa. se tenha esquecido da representação do círculo de S. Tomé nesta Casa e no Senado.

Eu desejava que V. Exa. fizesse transmitir ao Sr. Ministro das Colónias as reclamações que acabei de formular, porque o círculo de S. Tomé não tem outra forma de o fazer.

A portaria de 13 de Outubro de 1914, assinada pelo Sr. Bôto Machado, e que estabelece a cédula de residência, diz no seu artigo 8.° o seguinte:

Leu.

Não há nada mais extraordinário do que a doutrina desta portaria. O Sr. Bôto Machado revogou o que estava estatuído no que diz respeito ao período em que se devia fazer o recenseamento, pois muitos eleitores deixaram de se recensear, porque estavam excluídos por não terem a cédula de residência.

Eu queria reclamar do Sr. Presidente do Ministério e Ministro das Colónias providências a êste respeito, mas apesar de S. Exa. não estar presente, e devido à urgência dêste assunto, entendi que não devia deixar de fazer esta minha reclamação, e a Mesa desta Câmara deveria tambêm fazer sentir ao Govêrno que falta a representação da colónia de S. Tomé e Príncipe no Parlamento.

Entra na sala o Sr. Ministro da Justiça.

Eu não queria repetir a reclamação que acabo de fazer, mas como está presente o Sr. Ministro da Justiça, resumirei as considerações que há pouco fiz, para que S. Exa. se digne transmiti-las ao Sr. Ministro da' Colónias.