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Sessão de 16 de Agosto de 1922 5

zer essa atoarda, como êle correu apressada e aflitosamente à sua cadeira de Presidente de Ministério e Ministro do Interior, para vir dizer à Câmara Alta, eu seja o Senado, que nada disso é verdade, que não existia entre o Govêrno e entre os partidos constitucionais da República, a menor combinação, o mais leve tratado para que o Govêrno continuasse nas cadeiras do poder à custa de duas ou três promoções a generais do exército.

Eu estranho que S. Exa. tivesse feito tam apressadamente tais declarações sem que alguns dos Srs. Senadores lhe tivesse experimentado a sua sensibilidade. E eu tenho razões para o estranhar, Sr. Presidente, porque, quando faço a comparação entre o procedimento que ontem teve o Sr. Presidente do Ministério e Ministro do Interior com outros factos que por dever e obrigação o deveriam fazer correr à Câmara do Senado a dar explicações cabais e concretas por que à boa razão muito mais impressionaram a opinião pública e muito mais sacudiram a própria opinião republicana, S. Exa. mimoseou-nos com a costumada ausência. Refiro-me neste momento, Sr. Presidente, ao caso Rugeroni, ao caso do Século, em que um jornal vespertino, A Capital, acusa às claras e peremptoriamente um estrangeiro que é um dos directores ou co-proprietário de um dos jornais de maior circulação de Lisboa, de espião e traidor à Pátria e à República. Não obstante as palavras que me pareceram garantir que seriam inexoravelmente castigados os seus autores se não fôssem verdadeiras, isto é, se se reconhecesse que o que dizia o jornal A Capital era falso, o Sr. Presidente do Ministério ainda não se apressou em vir dizer à Câmara, que é o mesmo que dizer ao País, quais as razões porque se não concluiu ainda o inquérito judicial e porque chantage jornalística era o Sr. Rugeroni acusado de espião à Pátria e à República. O Sr. Presidente do Ministério e Ministro do Interior, que assume a responsabilidade política do Govêrno que chefia, porque nos baixos bastidores da política republicana e intriga malfazeja do nosso País se levantou a desconfiança de que o Govêrno tinha transaccionado a continuação no poder, tinha transaccionado a própria viagem do Chefe do Estado, do preclaro Chefe do Estado, do honrado Presidente da República, ao Brasil, com a promoção de três oficiais ao generalato, tendo sôbre os seus ombros de republicano tantas outras questões bem mais interessantes e muito mais sérias e graves do que esta, porque, Sr. Presidente, nós sabemos que dadas as qualidades dos coronéis que o Sr. Ministro da Guerra resolveu promover a generais, não pode haver a menor suspeita, e são todos unânimes em endereçar as suas homenagens a êsses oficiais, e reconhecer como um acto e justiça a promoção que o Sr. Ministro da Guerra pretendeu levar a efeito na proposta que apresentou, e que a outra Câmara muito bem aprovou, e que com certeza receberá também a aprovação unânime do Senado, veio pressuroso fazer êsse desmentido, oficial, que se dispensava, mas não procede assim quando outros assuntos exigem pela mesma via o seu autorizado desmentido ou confirmação.

Eu gostaria também de ver o Sr. Presidente do Ministério solícito, como ontem foi, explicar ao Senado as razões por que o inquérito que se está fazendo aos Transportes Marítimos do Estado ainda se não concluiu, e porque é que continuam em liberdade todos aqueles que cometeram os latrocínios, os roubos, e que levaram a administração dêsses Transportes Marítimos ao descrédito e à vergonha nacional. Eu gostaria também de ver o Sr. Presidente do Ministério, um dos chefes do Partido a que eu tenho a honra de pertencer, dizer as razões porque não veio ao Senado dar explicações cabais e completas dos últimos acontecimentos que se desenrolaram em Lisboa.

Eu tenho o direito, como Senador, de preguntar qual a atitude do Govêrno, o que êle pensa, e o que tenciona fazer para acudir à situação miserável em que se encontra a nossa situação económica que atrofia não só o proletariado, como o funcionalismo público e ainda aquelas famílias que sentem a fome cada vez mais próxima e que muitas vezes, não digo amaldiçoem as instituições, mas que já não olham para elas com aquele carinho e com aquele amor, que eu apesar de tudo ainda sinto pela República.

Bem mais importante seria que o Sr. Presidente do Ministério viesse ao Senado e dissesse aos Senadores que a greve teve ou não carácter político, que nasceu ou