O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

26 DE NOVEMBRO DE 1958 21

dutos de importação, seria legítimo prever uma acentuação da tendência altista dos preços internos. Todavia, o agravamento dos preços foi em 1957 muito mais atenuado, como que a denotar uma estabilização ao nível de preços atingido. Tal facto pode encontrar explicação na sensível melhoria do produto originário da agricultura c na política de preços.

Consumo e preços

52. Tem-se assistido nos últimos anos a uma expansão pronunciada do nível do consumo, como reflexo do alargamento deste último no sector privado.
Neste aspecto, como se observou anteriormente, ainda o ano de 1957 apresentou comportamento ascensional, exercendo o mais largo consumo, bem como o maior esforço de formação de capital fixo por parte das empresas, uma influência decisiva na procura interna sobre os recursos disponíveis.
Na previsão elaborada pelo Instituto Nacional de Estatística para o ano em curso admite-se, todavia, um afrouxamento no ritmo de expansão do consumo, o qual, a preços de 1954, se estabeleceria em 51 170 000 contos (correspondendo a uma taxa de acréscimo de 3 por cento). Supondo-se ainda na citada previsão um decréscimo do investimento bruto global - originado por um elevado desinvestimento líquido em stocks, como se verá no capítulo seguinte -, observar-se-ia uma taxa de acréscimo na procura interna de 1,1 por cento, inferior às que se têm registado nos últimos anos.
Prevê-se igualmente uma quebra na taxa de crescimento do produto nacional bruto a preços de mercado, que se situaria em 1958 em 56 330 000 contos (a preços constantes de 1954). A referida taxa -cujo valor previsto é 2,2 por cento - seria, no entanto, superior à que corresponderia à procura interna, o que originaria, deste modo uma inversão na tendência, que se vem verificando desde 1955, de expansão mais pronunciada na procura do que nos recursos internos.
O comportamento previsto destes agregados, a verificar-se, constituiria assim um factor de oposição às pressões inflacionistas que se registaram nos últimos anos, embora menos acentuadamente em 1957. Acresce ainda que no ano em curso os preços dos bens importados são inferiores aos que correspondem aos períodos homólogos do ano antecedente, induzindo naturais reflexos igualmente contrários à alta dos preços internos.
Assinale-se, no entanto, que o comportamento dos preços não corresponde ao panorama acima esboçado. Os índices de preços de que se dispõe para os primeiros meses do corrente ano dão indicações de um agravamento mais pronunciado do que em 1957.

53. O índice geral de preços por grosso em Lisboa apresentou nos primeiros meses de 1957 uma perfeita estabilidade, seguida de uma ligeira quebra no 2.º quadrimestre. A evolução deste índice no corrente ano denota um comportamento muito diverso, caracterizado por um agravamento relativamente rápido e posterior estabilização ao nível atingido.
Os elementos que constituem o dispositivo complementar revelam que a subida do índice geral é devida à elevação de preços dos produtos da metrópole e, embora em escala muito mais modesta, à dos produtos provenientes do ultramar. Inversamente, tem descido o índice de preços dos produtos importados do estrangeiro, reflectindo a baixa nas cotações internacionais das matérias-primas - já anteriormente assinalada na parte relativa à conjuntura internacional. A contracção deste índice, dada a habitual incidência dos preços de importação sobre os internos e a intensidade das importações no corrente ano, deve constituir um elemento favorável na actual conjuntura dos preços nacionais.

54. No comportamento dos preços no consumidor os índices acusam as habituais oscilações de carácter sazonal. No entanto, excluída a diferença dos respectivos níveis, já se poderia apontar a existência de uma extrema analogia entre o andamento de todas as curvas no ano corrente e em 1956.

55. Após se ter registado no decorrer de 1957 um agravamento atenuado dos preços, a denunciar uma propensão para atingir a estabilidade ao nível alcançado, a forma como têm evoluído os índices de preços no ano em curso denota de novo uma tendência altista, que se impõe sustar.

Investimento

56. Segundo a estimativa do Instituto Nacional da Estatística, 15,5 por cento do produto nacional bruto de 1957 foram destinados à formação bruta de capital fixo, com participação dominante do das empresas, tal como antecedentemente. Verificou-se, pois, um acréscimo da referida proporção, que, como ficou apontado em relatório anterior, tem andado à volta de 14 por cento.
Para 1958 prevê-se que a formação bruta de capital fixo total atinja os 9 080 000 contos, o que corresponderia a um ligeiro abaixamento no seu ritmo de expansão, embora aumentasse a respectiva proporção relativamente ao último ano.
De acordo com a citada previsão, a taxa de acréscimo da formação de capital fixo nas empresas e no Estado seria, respectivamente, 4,3 e 11,9 por cento, correspondendo esta última a um dos mais altos valores registados desde o início do I Plano de Fomento. Todavia, em face da participação relativamente menor do sector Estado na formação de capital, a sua influência favorável sobre o ritmo de expansão do capital fixo global não conseguiria impedir uma menor taxa de crescimento.

57. O investimento líquido em stocks tem apresentado nos últimos anos valores fortemente positivos. Com exclusão de 1955, os restantes anos de execução do Plano de Fomento registam variações nas existências, que, a preços constantes de 1954, são superiores a 700 000 contos.
Em oposição a esta tendência, prevê-se para 1958 um desinvestimento líquido em stocks da ordem dos 500 000 contos, o que significa uma diferença para menos superior a l 200 000 contos em relação ao ano anterior.

58. Tomando em consideração os valores previstos para o ano em curso, quer da formação bruta de capital fixo total, quer da variação de existências, chega-se a um montante de investimento bruto global da ordem dos 8 500 000 contos (a preços de 1954). Embora inferior ao correspondente valor de 1957 (9 396 000 contos), ainda esta previsão ultrapassa todas as estimativas referentes aos restantes anos do período do Plano.

59. Os financiamentos realizados ao cabo dos cinco primeiros anos de execução fio Plano de Fomento ultrapassaram os 8,2 milhões de contos, tendo ficado a curta distância das previsões de despesa revistas pelo Conselho Económico em Fevereiro do corrente ano. De facto, o financiado até fins de 1957 representa mais de 96 por cento da previsão revista para este período (cerca de 8,5. milhões de contos).