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DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 5 144

São essas distintas qualidades perfeita garantia da elevação com que esta Assembleia vai ser dirigida dando-nos a certeza de que será um grato prazer trabalhar sob a presidência de. V. Ex.ª, assumida -permita-se-me destacar -, e tal como V. Ex.ª declarou perante expressa renúncia ao cargo antes desempenhado pelo Deputado Sr. Conselheiro Albino dos Reis, que o ocupou em sucessivas legislaturas com inesquecíveis méritos e distinção.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Queira V. Ex.ª aceitar os meus cumprimentos, aliados aos votos das maiores felicidade no desempenho do mais um novo cargo, que, sabemos, servirá mais uma vez à reafirmação das virtudes que o impuseram à nossa consideração.
A todos os meus colegas, reeleitos ou que pela primeira vez fazem parte da Representação Nacional, os meus cumprimentos e o meu sincero agrado por trabalhar em tão honrosa companhia.
Seja-me permitida ainda uma palavra de saudação paru a imprensa e paru a sua nobre tarefa, que tanto a tem nobilitado, de defender os interesses nacionais.
Sr. Presidente: não posso deixar de relembrar, agora que pela primeira vez me apresento nesta legislatura, afirmações feitas há quatro anos, quando em plena campanha eleitoral, de que resultou o primeiro mandato que Angola me conferiu como seu Deputado.
Disse na altura que não era um político na verdadeira acepção da palavra, e a afirmação pode ainda ser integralmente mantida, considerando que, como então, não posso hoje, nem devo, deixar de aceitar que a representação por Angola me impõe a aceitação de certa, política, que no caso tem de ser entendida como livremente a aceito - a defesa dos interesses da Pátria sobrepondo-se a todos os outros, mas estes, sempre que legítimos, a merecerem todo o meu interesse, toda a minha dedicação, todo o esforço que possa produzir e possa ser útil, numa cruzada em que os sacrifícios não contem, a, não ser como estímulo para maiores cometimentos de mais bem servir.
Na sua singeleza, sem qualquer pretensão, é não uni programa próprio, mas sim um firme propósito resultante da tradição em que fui educado e que hei-de seguir custe o que custar.
Seguindo esta ordem de ideias, quero pedir a atenção desta Assembleia para a situação de Angola, que sempre estimei de forma clara, quer antes, quer depois dos acontecimentos de Marco, aliás por mini descritos nesta Casa, com a preocupação de não exceder a verdade, evitando diminuir a gravidade do que aconteceria, e aconteceu infelizmente, mas sem dar aos acontecimentos dramaticidades perniciosas, que não poderiam ser bem compreendidas e portanto, interpretadas devidamente.
Estamos hoje, verificadamente, em situação destacadamente melhor no campo militar e no social. No económico temos mais problemas a resolver - não duvidando, embora, da sua solução. A recordação imperecível dos males sofridos não nos impede, talvez até nos incite, a fazer algo mais em prol de Angola, o que será afirmar em favor de todo o Portugal.
O sossego de que; tanto se necessitava para a continuidade da obra de progresso a que Angola só tinha votado de há uns anos a esta parte foi conseguido não só da cooperação admirável de civis indómitos, que tudo deram pela sua Pátria, como das medidas militares, que completaram tal tarefa, tornando sólida, firme, intangível e definitiva, enquanto o queiramos, e havemos de querer, a paz em Angola.
Porém, que estas certezas não sejam tomadas com excessivos optimismos que levem a abrandar o espírito de vigilância, que sempre deveria ter presidido a todos os actos de governantes e governados, numa terra que, como Angola, se vê rodeada de todas as cobiças, de tantas invejas, de tantos e tão mal contidos desejos de rapina, tomem eles a forma que tomarem.
E preciso, é necessário - sem mesmo um mal necessário -, mas teremos, então como agora, de continuar «com uma mão no arado e outra na espada»...
São tanto maiores as obrigações quanto nos impõem os sacrifícios dos que tudo deram pela obra comum, pela integridade da Pátria, pela sobrevivência de Portugal uno. Foram os mártires do Norte do Angola, foram todos os que aí sacrificaram n sua vida pela sua terra e têm sido todos os nossos irmãos, cujo sacrifício não se esquece, como os malogrados e distintos oficiais tragicamente perecidos no recente; desastre do Chitato.
É do lembrar, a propósito, as palavras do ilustre Ministro do Ultramar proferidas antes da sua partida, de Luanda aquando da sua mais recente visita àquela nossa província.
Nelas se consubstancia todo um programa de trabalho, todo um propósito firme, toda uma actuação avisada a clarividente que se resume no conselho de que se continue vigilante, «não afrouxando nenhum esforço, não descurando nenhuma tarefa, não permitindo a menor surpresa ...». como clima essencial a prosseguimento da obra de reconstrução e desenvolvimento de Angola, que se impõe levar por diante cada vez mais firmemente, cada vez com mais determinação, na certeza de que só ela acabará com todas as manobras dos nossos inimigos e dará a todos aquilo que merecem de bem-estar, de progresso, de felicidade - ambição legítima no homem, que não pode ser subestimada pelos seus governantes, sob pena de completa falência de todos os sistemas.
Estão decretadas muitas das medidas que facilitarão o alcançar desse almejado progresso; planos estão gizados, planos de governarão completos onde todas as faces do problema foram analisadas criteriosamente, num firme proposto de as encarar de forma mais séria, procurando as soluções adequadas a cada problema. A publicação recente desse programa foi tão completa até que, na aparência, visto com ligeireza, pode ser interpretado como significando que tudo o previsto está por realizar, quando afinal se pretendeu demonstrar a atenção a todos os sectores da vida, programando directrizes a seguir, embora em muitos campos se tenha andado já bastante nesse mesmo sentido desejado.
É um programa de estrutura e pormenor a atingir toda a vida de Angola, que em execução encontrará escolhos, encontrará dificuldades de toda a natureza, que é preciso vencer, que é forçoso ultrapassar. Mas para tanto, e na base do êxito, estará a medida em quo a colaboração de todos seja prestada com o elevado espírito de bem servir a causa única, para o que. em súmula, se exigirá acima de tudo trabalho, trabalho e mais trabalho, como também honestidade, honestidade total, do quem serve e de quem dirige, para quo os esforços de uns e outros tenham pleno aproveitamento e não sofram desunimos inerentes ao homem, mormente quando não sintam que os seus esforços es-