O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE -NÚMERO 33 1112

milhares de portugueses. Mas importa acentuar que não só não explicam tudo, como não justificam uma grande parte dos prejuízos ocorridos.
Ano após ano as mesmas populações nas mesmas zonas suportam os efeitos de cheias tidas como certas e imparáveis. Tão certas e tão regulares que tornam indiscutivelmente necessárias (e rentáveis) obras fundamentais para protecção das populações, obras de regularização dos caudais dos rios e desassoreamento dos leitos.
Nenhuma justificação pode existir para que a burocracia e a inércia impeçam a tomada de medidas necessárias para a médio ou longo prazo evitar a repetição de tragédias como a que o País acabou de assistir e viver.
É certo que para que isso suceda impõe-se que uma situação como esta, com características de catástrofe nacional, repercuta completamente na consciência nacional.
Só que, em vez de contribuir para a mobilização popular que se impunha, certas autoridades políticas e o próprio Governo, afastados do sentir profundo das camadas atingidas, persistiram em utilizar a tragédia dos portugueses para tentativas de manipulação da opinião pública, como a que escandalosamente foi feita com os trabalhadores dos TLP, a quem se procurou assacar culpas e responsabilidades, escamoteando a realidade crua dos factos c a incapacidade própria de resolver os problemas e atender às instantes exigências da situação.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Em vez de informarem com verdade o País, poderosos meios de comunicação social, estatizados, como a RTP e a RDP, persistiram em conduzir verdadeiras campanhas de desinformação, intoxicando a opinião pública com os comunicados e notas oficiosas de um Governo e de uma administração da empresa empenhados em fazer vergar os trabalhadores dos TLP, ao mesmo tempo que, por mais incrível que pareça, era sonegada a informação sobre a real dimensão e gravidade da tragédia que se abatia sobre o País!
Em vez de resolver as situações, atendendo a instantes reclamações dos agricultores, particularmente atingidos pêlos efeitos desastrosos das cheias, uma equipa como a do MAP, ao mesmo tempo que prossegue e intensifica a ofensiva contra a Reforma Agrária, nada faz para implementar o seguro nacional agro-pecuário. reivindicação há muito expressa pelas organizações de camponeses, fundamental para a sua segurança em situações como a presente.
Os incalculáveis prejuízos causados à população de Lisboa pela falta de abastecimento de água a ausência de medidas por parte do Governo tornou-se no seu figurino, deu imagem de corpo inteiro da sua incapacidade, desmontou completamente a campanha obsessiva contra um sector de trabalhadores em luta.
Em deslocações a bairros atingidos pelas intempéries, em visitas a hospitais, vários Deputados do PCP tiveram oportunidade de constatar a gravidade da situação e as suas dramáticas consequências.
Em bairros como a Quinta da Amendoeira, a Curraleira, a Vila Ferro, a Quinta do Pinheiro, a Quinta dos Peixinhos, o Olival Saloio, o Bairro do Padre Cruz e muitos outros, várias famílias viram as suas casas completamente destruídas, os seus haveres perdidos e perguntam dramaticamente o que lhes irá acontecer. Também nos hospitais a situação colhida foi dramática, não parecendo que tivessem sido tomadas as necessárias medidas, nomeadamente no que se refere a abastecimento de água. Nos Hospitais Civis, na sua maior parte desadaptados e já bastante velhos, vários doentes foram mandados para casa com o argumento de que devido à falta de água não podiam ali continuar.
Como sempre, Sr. Presidente c Srs. Deputados, foram os que menos têm os mais atingidos e os que mais duramente sentem a perda dos seus já parcos haveres.
Os habitantes das zonas ribeirinhas do Douro, os trabalhadores das fábricas paralisadas em várias regiões, os camponeses que nas baixas do Mondego, cio Tejo, do Sorraia, perdem alfaias, gados, culturas, as famílias pobres que viram mobílias, electro-domésticos e mesmo casas destruídas, os pescadores que perderam barcos e instrumentos de trabalho, os habitantes dos bairros e zonas degradadas da região de Lisboa que mais uma vez conheceram os efeitos destruidores das chuvas, todos eles olham com angústia e desolação os prejuízos sofridos, todos eles se interrogam sobre o seu futuro.
Nos campos do Ribatejo são milhares os desalojados, centenas e centenas as cabeças de gado perdidas, maquinaria e alfaias agrícolas sofreram prejuízos quantas vezes irreparáveis, culturas foram inteiramente perdidas, muitas empresas estão paralisadas.
Integrado numa delegação do meu partido, tive oportunidade na semana passada de visitar algumas das zonas atingidas e de constatar o alcance da tragédia que se abateu sobre essas populações.
O lançamento imediato de uma grande campanha de solidariedade e apoio era, a todos os títulos, uma exigência objectiva da situação, o cumprimento de um dever cívico e patriótico e o reflexo directo da consciência democrática e nacional.
Da parte do PCP, para alem da nota-apelo que logo no dia 10 foi subscrita pelo Secretariado do Comité Central, as organizações locais, como a direcção regional e as comissões concelhias do distrito de Santarém, de Lisboa, do Norte, da Madeira e de outras regiões, desenvolveram múltiplas iniciativas de apoio, desde a recolha de fundos, roupas e alimentos, até à colaboração em tarefas de salvamento, protecção e reconstrução. Centenas e centenas de militantes e simpatizantes do PCP têm desenvolvido e continuarão a desenvolver esforços no sentido de minorar os efeitos catastróficos das cheias, de colaborar nas tarefas de reconstrução que se desenvolvem, de apoiar material e moralmente os que foram atingidos.
Registamos com agrado as acções de apoio que. em vários locais, foram desenvolvidas pelas forças armadas, bombeiros, Cruz Vermelha, PSP, autarquias locais, comissões de moradores, comissões de trabalhadores, organizações sindicais, colectividades, entidades diversas, empresas ou simples populares, que não regatearam esforças .numa mobilização de solidariedade aos que foram vitimados pela catástrofe.
Mas não podemos deixar de acentuar que da parte do Governo e de algumas forças políticas a inicia-