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13 DE JANEIRO DE 1982 1407

E aí estão os aumentos dos combustíveis, dos transportes, dos medicamentos e dos serviços essenciais de saúde ,pública, da electricidade, de; leite, do arroz, do açúcar e de tantos outros produtos essenciais numa autêntica espiral tomando evidente que o objectivo apontado pelo Governo de 17 % .para o aumento do índice de preços no consumidor não serve senão como um tecto salarial, para tentar reduzir os salários reais e aumentar os lucros do patronato.

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - O Grupo Parlamentar do PCP acaba de depositar na Mesa da Assembleia da República um voto de protesto contra as medidas governamentais. Em torno desse votei será possível aprofundar o debate que esta Assembleia deve travar sobre o seu grave significado.

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - Num país como Portugal, em que aos trabalhadores cabe apenas cerca de metade do rendimento nacional e o desemprego de mulheres e jovens cresce a um ritmo frenético, as tentativas governamentais de diminuição dos salários reais, de aumento dos preços de bens e serviços de primeira necessidade, não podiam ter outra resposta que não fosse a luta dos que tão duramente são atingidos por tão gravosas medidas.

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - Se os salários dos trabalhadores do Metro, da Carris e da. CP estão' em vigor há 15 meses, período durante o qual o índice de preços no consumidor aumentou cerca de 30%, e as propostas de aumento da massa salarial global apresentadas pelos representantes do Governo naquelas empresas é inferior a 15 %, por que mente o Ministro Viana Baptista, acusando a luta dos trabalhadores de greves políticas? Por que põe em prática Rodo um artificioso e dispendioso processo de restrições ilegais ao direito à greve, enquanto a AD espera pelo melhor momento para fazer passar o pacote laboral de liberalização dos despedimentos, então acrescido de alterações restritivas ao direito à greve? O que o Ministro pretende é fazer esquecer à população, aos utentes dos transportes públicos, que no espaço de um ano os governos AD/Balsemão aumentaram 3 vezes os preços dos transportes entre 56 % e 100 %, apesar de os salários dos trabalhadores dessas empresas não terem tido qualquer aumento.
Quando os chefes de fila do grande patronato, nas suas arengas televisivas, escamoteiam e falseiam a justeza das reivindicações dos trabalhadores, usando e abusando do estafado anticomunismo primário, esquecem-se de que nas empresas os aumentos dos ritmeis e cargas de trabalho , a perseguição e despedimento legal dos activistas sindicais, como na empresa de plásticos Manuel Gonçalves, em Guimarães, na Fábrica de Louça de Sacavém, nos têxteis nortenhos e tantas outras, a .proliferação dos contratos a .prazo, a constante ameaça de despedimento e a diminuição do poder de compra dos salários tornam claros para os trabalhadores os interesses de classe deste governo.

É assim que, se 1982 começou com os aumentos dos .preços dos combustíveis, transportes, serviços de saúde, bens alimentares de primeira necessidade, factores de produção para a agricultura, com restrições e encarecimento do crédito para os pequenos e médios empresários, com o agravamento de impostos para quem tem .menores rendimentos, com bloqueamento sistemático à contratação colectiva ,também não se fez esperar a resposta firme dos trabalhadores das empresas dos transportes, da Tabaqueira, da função pública ,da SETENAVE, do vidro, dos pescadores do arrasto e de tantas outras empresas e sectores.
Basta estar atento ao que se passa nos campos, nas fábricas, nos transportes, .nos mercados, para verificar a crescente onda de descontentamento popular e a oposição frontal à .política da AD.
Os moradores de zonas .degradadas do Porto, os desalojados da Sé e de Miragaia, os moradores dos bairros de lata de Lisboa, os jovens casais à procura de uma habitação que não podem pagar, questionam justamente as tão propagandeadas promessas da AD ,de uma casa para .todos.

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - As mulheres das empresas têxteis e do vestuário, da electrónica, das conservas, da Reforma Agrária, que foram atiradas para o desemprego ou que vivem a angústia diária da ameaça do desemprego, da carência de creches e infantários, da doença do; filhos, agora duplamente penalizada, perguntam o que é feito das promessas de apoio à família.
Os jovens que em vão procuram um primeiro emprego ou que são sujeitos às arbitrariedades do Ministro da Educação, mais interessado em pôr em prática os reparos de um deputado da AD que compara professores com terroristas internacionais do que em ouvir as justas reclamações dos que lutam por um ensino democrático, descrêem de .uma AD que da cartola só tirou "uma .mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma".

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Carlos Robalo (CDS): - Está cheia de espírito!...

A Oradora: - Nos campos, os agricultores e rendeiros reclamam e decidem formas de luta, porque, enquanto subiram os preços dos adubos, dos pesticidas, do gasóleo, das rações e das máquinas, as sucessivas ,promessas governamentais não foram cumpridas, as indemnizações não foram pagas, os apoios não existem e as dificuldades de quem trabalha a terra são cada vez maiores.
E apesar de o País estar a importar mais de 70 dos bens alimentares, apesar do elevadíssimo défice da balança de transacções correntes, o Governo prossegue o seu ataque à Reforma Agrária, enquanto continua a proclamar que considera a agricultura uma das suas prioridades.
Quando o Ministro João Salgueiro afirma que há dinheiro que chegue para projectos válidos não está a pensar nos grandes ,projectos do sector empresarial do Estado, no Alqueva, nas centrais hidroeléctricas e térmicas, no plano siderúrgico, nas pirites alentejanas, na beterraba sacarina, mas tão-só nas sociedades de