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2124 I SÉRIE - NÚMERO 53

condições de vida do povo. Da nossa parte, apresentámos um projecto de lei de revogação destas medidas da AD e brevemente tomaremos as iniciativas necessárias a suscitar o debate sobre esse projecto de lei, no sentido de levar à necessária revogação das medidas governamentais.
Perante esta política AD em todos os seus ângulos, perante as tentativas de imposição de um tecto salarial, ameaçados pelas propostas de alteração classista e reaccionária das leis dos despedimentos, dos contratos a prazo, das férias, feriados e faltas e da greve, constatando o aumento do desemprego que se abate sobre a juventude e as mulheres e a violação - senão mesmo a destruição nalguns casos - das liberdades sindicais e democráticas, as classes laboriosas têm vindo a desenvolver um poderoso movimento de luta com base na defesa dos seus interesses e direitos concretos sem abdicar das conquistas e das transformações sócio-económicas em que se empenharam a partir do 25 de Abril.

Uma voz do PCP: - Muito bem!

O Orador: - E se é verdade que, pontualmente, importantes vitórias tinham já sido adquiridas pelo reforço, pela tenacidade e unidade dos trabalhadores, nomeadamente fazendo ruir fragorosamente o tecto salarial que a AD queria impor, a realidade nacional levava a que cada vez mais portugueses e portuguesas sentissem que, com este Governo, com esta AD, não haveria nada a fazer a não ser a sua demissão.

Uma voz do PCP: - Muito bem!

O Orador: - É que, para além dos seus interesses económicos os trabalhadores, e com eles os que sempre se debateram pela democracia, são os que mais amam a sua pátria de Abril e o regime democrático consagrado na Constituição.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Foram estes os fios condutores e catalisadores que levaram à realização da mais poderosa greve até hoje levada a cabo no nosso país, a Greve Geral do dia 12 de Fevereiro.
Centenas de milhar de trabalhadores ...

Uma voz do CDS: - Milhões! ...

O Orador: - ... correspondendo ao apelo de 258 organizações sindicais, 73 das quais não filiadas na CGTP-Intersindical deram uma prova exaltante de unidade e organização ...

O Sr. Leonel Santa Rita (PSD): - Deixem-me rir!

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Ao almoço!

O Orador: - Os Srs. Deputados podem fazer mais barulho que, com certeza, terão mais aplausos nas suas intervenções. O que não conseguirão é calar a voz da razão que nos assiste nesta intervenção.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

Continuem a olhar para o vosso umbigo, Srs. D
eputados! ...

Mas, como dizia, os trabalhadores deram uma prova exaltante de unidade e organização e mostraram de forma pacífica, firme, determinada, e perfeitamente enquadrada no regime democrático-constitucional, que é possível fazer frente à reacção e aos seus aliados, defender os seus interesses vitais, as transformações democráticas de Abril e as liberdades.
Mas os trabalhadores no dia 12 de Fevereiro não deram só uma lição de unidade. Aprenderam melhor qual o significado real dos perigos que este Governo e esta AD representam para a democracia portuguesa.
Nos dias que precederam a greve geral, e enquanto os trabalhadores discutiam por todo o país e em cerca de 3500 plenários, de forma franca, aberta e democrática, os objectivos centrais da acção do dia 12, o Governo e os órgãos da comunicação social que lhe são afectos montaram uma gigantesca operação de censura, manipulação e repressão que faria inveja ao Moreira Baptista e ao SNI. A AD e os seus comparsas tinham razão para ter medo. Sabiam que nesses 3500 plenários tinha sido feita a radiografia da sua desastrosa política, que o mal tinha sido detectado e que era possível encontrar a terapêutica para fazer regressar Portugal aos caminhos de Abril. Porque sabia que a greve do dia 12, sendo inteiramente pacífica, legal e constitucional, era contra o seu Governo e a sua política e nunca contra o regime democrático, a AD entrou na histeria anticomunista e antioperária, com o seu Governo e os seus ministros pondo de rastos a dignidade do Estado e abandonando qualquer réstia de fachada pluralista.
Valeu tudo! Desde a criação de cenários intimidatórios à censura e total silenciamento de entrevistas e comunicados da CGTP, ao cortejo monolugante de ministros e figuras da AD ou outros que lhe faziam o frete na Rádio e na Televisão, o Governo mostrou a sua face totalitária e o seu ódio aos trabalhadores.
Durante as 24 horas de greve geral, os trabalhadores de cada empresa, se tivessem ouvido um aparelho de rádio, pensariam que estavam a fazer greve sozinhos. As percentagens da paralisação eram escandalosamente manipuladas e exclusivamente veiculadas pelo Governo, pelo patronato e seus serventuários. No seio das forças militarizadas, o Governo criou propositadamente uma tensão impressionante e que acabou por ter maior expressão na carga policial sobre cidadãos no Rossio.
Mas a AD precisava de mais, e para tanto, descobriu como que por milagre uma inventona insurreccional.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: - É neste quadro, de uma despudorada tentativa de manipulação da opinião pública, que se insere a nota oficiosa emitida pelo Conselho de Ministros. Reivindicando o papel e os louros de vencedor de uma intentona por si inventada, o Governo dá bem a imagem da forma como encara as acções legítimas, pacíficas e constitucionais do movimento dos trabalhadores.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

Atropelando os factos, bolsando insinuações, o Ministro Ângelo Correia proferiu perante milhões de portugueses uma delirante diatribe acusatória. Espantoso espectáculo este, em que um rinoceronte político com mioleira de passarinho copiou a linguagem da PIDE para verter acusações, que horas depois