O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

0990 | I Série - Número 024 | 27 de Maio de 2005

 

para a elaboração de um plano que permitisse responder ao problema das finanças públicas, englobado numa estratégia mais vasta para o crescimento económico, foi o de dizer ao País a verdade sobre as contas públicas. O Sr. Deputado veio agora dizer que o Governo andou, apesar de tudo, lento de mais, porque a Comissão esteve, durante dois meses, a trabalhar para revelar esta verdade. Mas teria sido muito simples: se o PSD tivesse aprovado a proposta que inúmeras vezes o Partido Socialista apresentou para que esta Comissão já tivesse feito a auditoria, que agora fez, teríamos começado a trabalhar muito mais cedo!

Aplausos do PS.

O Sr. Deputado não quer falar do passado. Que diferença de há três anos! Compreendo muito bem que não queira falar do passado, mas, Sr. Deputado, não considera que já é um bocadinho ridículo vir dizer, numa altura destas, que a culpa do défice de 6,83% é da responsabilidade do ex-Primeiro-Ministro António Guterres?!

Aplausos do PS.

Não considera que isso carece de um mínimo de seriedade?! Sr. Deputado, os portugueses sabem muito bem o que aconteceu.

Vozes do PSD: - Sabem, sabem!

O Orador: - Quando os senhores chegaram ao governo o défice era de 4,2 %. Os senhores saíram do governo e o défice é de 6,83%!
Sr. Deputado, quero referir-lhe, porque talvez o Sr. Deputado não tenha ouvido bem, a diferença estratégica entre a proposta do Governo e aquilo que foi feito há uns anos.
Em primeiro lugar, não vim aqui fazer um ajuste de contas com o passado, nem vim aqui fazer o "discurso da tanga", dizendo que o País estava "assim ou assado". Vim propor as soluções, de acordo com aquela que é a responsabilidade do Governo. Temos, portanto, em consideração que a confiança é absolutamente fundamental para podermos vencer as dificuldades.
Também não vim aqui propor um plano de fingimento, fingindo que resolvíamos o défice à custa de receitas extraordinárias. O Sr. Deputado não se referiu a isso. Ou acha que, quanto ao passado, não tem nada a dizer aos portugueses? Acha que esse procedimento do passado foi correcto?
Não vim também aqui propor cortes cegos no investimento. Não! Ao contrário, o nosso plano prevê que o investimento público de origem nacional se mantenha nos próximos quatro anos, porque isso é absolutamente fundamental.

Aplausos do PS.

Não vim aqui dizer que o investimento público é um desperdício. Não! Nós acreditamos no investimento público para o crescimento da nossa economia.
Também não vim aqui com medidas paliativas. Vim aqui com medidas que não se destinam apenas a resolver esta crise conjuntural mas a actuar naquilo que é estrutural, por forma a que estas crises não se repitam.
É esta a diferença relativamente ao passado.
Mas o que é absolutamente espantoso é que o Sr. Deputado tenha uma intervenção neste debate dando sugestões e dizendo qual é a receita para o problema! Sr. Deputado, todos os portugueses têm certamente na cabeça esta pergunta: mas se o Sr. Deputado sabia qual a receita, por que é que, afinal de contas, não a aplicou quando estava no governo?

Aplausos do PS.

Sr. Deputado, entendamo-nos, porque só como caricatura ou como exercício de banda desenhada é que o Sr. Deputado pretende vender ao País a ideia de que tudo isto derrapou apenas nos últimos seis meses! Não, Sr. Deputado! Estes 6,83% são uma consequência das políticas dos últimos três anos.
O Sr. Deputado bem pode andar a dizer que só nestes últimos seis meses é que as coisas correram mal e que até estava contra essa política, mas quero recordar-lhe, Sr. Deputado Luís Marques Mendes, que, no início de 2004, o Sr. Deputado anunciou ao País que a recessão já lá ia, que agora era altura de retoma. Disse o Sr. Deputado: "Acabou a recessão, iniciou-se a retoma. Iniciou-se a recuperação!". No início de 2004 a única retoma que aconteceu foi a retoma do défice, Sr. Deputado!

Aplausos do PS.