22 DE JUNHO DE 2011
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União Europeia — emergem, com o esbatimento das fronteiras e da agonia da diferença entre cidadão e
estrangeiro, com o trabalho político em rede, os poderes soberanos a esbaterem-se, para serem participantes
no projecto moral de uma acção partilhada. Mesmo contra «os velhos do Restelo», o mundo caminha para a
frente e a política é cada vez mais global e antropocêntrica. O sentido da função parlamentar ganha novas
dimensões neste ambiente político e social.
Na União Europeia, devemos ser co-autores de corpo inteiro e não membros passivos, devemos lutar pela
coerência da União, para que tenha um centro, pois só com um centro pode ser actor na ordem mundial, e
para que se descentralize, pois só descentralizando pode ser democracia. Devemos, enfim, lutar para que a
Europa se tome a sério como pátria de direitos em que, afinal, se reconhecem todas as pátrias.
O Tratado de Lisboa abriu-nos, a nós, Parlamento, a um protagonismo de larga escala que não podemos
desperdiçar. Para mais, cabe em primeira mão aos parlamentos interpretar e solucionar os problemas de
legitimação do espaço alargado da democracia moderna e europeia. Aí, onde o pluralismo cultural e social se
intensifica, o consenso não é possível apenas a partir das instituições e da representação. A insuficiência do
sufrágio dita que os cidadãos se associem às instituições, chama pelo seu estatuto de participantes no
processo político e chama por novos actores — empresas, associações, ONG.
A ideia de política virtuosa, inaugurada na Grécia Antiga, candidata-se também às soluções da nova
modernidade. Chegou o tempo da perda do monopólio político do Estado. O Parlamento, que é, como disse
Mirabeau, o mapa do povo, deverá legislar, fiscalizar, representar, mas também, pela mão de cada um dos
seus Deputados, fazer a sociedade, ela mesma, gerar o político.
Vivemos um tempo de efemeridade, em que, à partida, nada está garantido, para lembrar recentes
palavras do meu amigo Eduardo Lourenço. Mas é um tempo fascinante, que nos faz reconhecer numa
humanidade transversal, que chama pela virtude da política, que alarga a nossa cidade para o mundo, um
tempo de uma proximidade dinâmica, porque hoje tudo interage e se aproxima. Porventura, nunca o sentido
do outro esteve tão presente nas formas de vida dos indivíduos e dos grupos.
O mundo vive uma revolução tecnológica, demográfica, política, que traz consigo, verdadeiramente, os
genes de uma revolução moral. Os problemas globais, paradoxo das coisas, mostram que o interesse egoísta
de cada um apenas se resolve na partilha, no exercício da vontade moral de uma justiça para todos.
Que orgulho o nosso, Srs. Deputados e Sr.as
Deputadas, de sermos protagonistas activos deste tempo!
Dedico este meu momento de alegria a todas as mulheres. Às mulheres políticas que trazem para o espaço
público o valor da entrega e a matriz do amor, mas, sobretudo, às mulheres anónimas e oprimidas. Farei de
cada dia um esforço para a redenção histórica da sua circunstância.
A função em que sou investida é, por natureza, não partidária e assumi-la-ei em cada acto como tal. Mas
quero agradecer ao PSD, em cujas fileiras percorri os caminhos da política e onde tive espaço para ligar a
minha lealdade à minha liberdade, a honra de me haver indicado.
Muito obrigada.
Dou um abraço a todos os Deputados, no prazer de em muitos reencontrar um abraço especial dos meus
amigos de todas as bancadas.
Amanhã vamos ao trabalho!
Aplausos gerais, de pé.
Sr.ª Deputada Maria de Belém Roseira, minha cara amiga, tenho muito prazer em inaugurar estes meus
actos de trabalho normal da Assembleia dando-lhe a palavra.
A Sr.ª Maria de Belém Roseira (PS): — Sr.ª Presidente, Sr. Ministro Adjunto e dos Assuntos
Parlamentares, Sr.as
Deputadas e Srs. Deputados: Pedi a palavra, em nome da bancada parlamentar do
Partido Socialista, para a saudar por esta expressiva eleição e para referir que, para nós, a Sr.ª Presidente foi
uma primeira escolha.
Foi, para nós, a nossa primeira escolha.
Aplausos do PS.