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I SÉRIE — NÚMERO 91

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Saudando todos os profissionais na área da educação, da saúde, da prestação de cuidados que ajudam

crianças, jovens e adultos com autismo;

Manifestando o compromisso sério e sentido com todas estas crianças, jovens e adultos de que, enquanto

legisladores, enquanto representantes de todo o povo português, teremos sempre particular atenção à

salvaguarda dos seus interesses, do seu bem-estar e da promoção do seu desenvolvimento;

Deixando muito claro que destes cidadãos esperamos muito, que temos a noção clara que nas suas

dificuldades de comunicação encerram enorme sensibilidade, perspicácia, um modo único e especial de ver e

viver a vida que, muitas vezes, nos remete para os valores essenciais, que este nosso gesto é também um

gesto de agradecimento a tudo, e que é tanto, que nos dão.

Por fim, fazemos votos que, ao sinalizar o Dia Internacional para a Consciencialização do Autismo,

contribuamos para a permanência desta causa em todos os dias da vida de cada um de nós.

A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar este voto.

Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.

De seguida, vai ser lido o voto n.º 56/XII (1.ª) — De pesar pelo falecimento do escritor António Tabucchi

(PSD, PS, CDS-PP, PCP, BE e Os Verdes).

O Sr. Secretário (Nuno Sá): — Sr.ª Presidente e Srs. Deputados, o voto n.º 56/XII (1.ª) é o seguinte:

António Tabucchi nasceu em Pisa em 1943. Nos anos 60 vai para Paris e é aí que descobre Fernando

Pessoa, que começa por ler em francês. O seu entusiasmo pelo poeta vai influenciar definitivamente a sua

vida.

Para além de aprender a língua portuguesa, Tabucchi viaja até Lisboa, onde conhece alguns dos grandes

nomes da nossa cultura, como Alexandre O'Neil e José Cardozo Pires, de quem se torna amigo. É também

em Portugal que conhece a mulher que partilhará a sua vida, Maria José Lancastre, e juntos traduzem grande

parte da obra de Pessoa para italiano, tornando-se um dos seus grandes divulgadores tanto em Itália como em

França.

A profunda ligação que teceu com a nossa cultura, que alimenta o seu imaginário, a sua melancolia

pontuada pela ironia dos lúcidos, concretiza-se em 2004 quando adquire a nacionalidade portuguesa.

De 1987 a 1999, António Tabucchi dirige o Instituto Cultural Italiano em Lisboa, mas continua a partilhar a

sua vida entre Lisboa, Pisa, Florença e Paris sem nunca deixar de ensinar Literatura Portuguesa na

universidade de Siena.

Escreve crónicas para o Corriere della Sera, em Itália, e para o El País, em Espanha.

Se Fernando Pessoa é omnipresente na sua obra, Tabucchi não se deixa por isso dominar pelo seu estilo.

Os seus romances, histórias breves, caracterizam-se por um certo onirismo sensual que tinham como

personagens centrais seres sem chama que veem a sua existência transformada por uma viagem ou um

encontro.

Mas António Tabucchi foi também um homem de causas, acérrimo defensor da liberdade de expressão,

fundador do parlamento internacional dos escritores, e frontal opositor a Sílvio Berlusconi. É de salientar

também a sua defesa dos direitos da comunidade cigana. Considerava que o racismo e a xenofobia «não são

monstros saídos do nosso imaginário» mas que devem a sua força à sua banalidade, «A banalidade do mal»

de que falava Hannah Arendt.

António Tabucchi recebeu vários prémios literários: o Prémio Medicis para a melhor obra estrangeira em

França, em 1987, por Nocturno Indiano, o Prémio Viareggio e Campelo, assim como o Prémio Europeu Jean

Monnet, em 1994, com Afirma Pereira, uma das crónicas mais impiedosas do cinzento quotidiano salazarista.

Recebeu ainda o Prémio Nossack, da Academia Leibniz em 1999, o Prémio France Culture, em 2002, entre

muitos outros.

Em 2007, recebeu um doutoramento honoris causa pela Universidade de Liège.

Os seus livros estão traduzidos em dezoito línguas.