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I SÉRIE — NÚMERO 47

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Ora, é disto que precisamos, em vez de termos um serviço postal universal e público? Os CTT foram a

porta do Estado em todo o País, a instituição em quem os pensionistas confiam para ir levantar a pensão, para

pagar as contas e que hoje impingem créditos ao consumo com juros completamente abusivos por esse País

fora. É para isso que precisamos dos CTT? Para termos mais um banco privado, mais serviços financeiros,

mais abusos das pessoas, nos sítios mais recônditos deste País, que não têm capacidade para perceber

aquilo que lhes está a ser vendido?

Quanto aos lucros que os CTT têm tido, distribuiu 60 milhões de euros em 2014, face ao ano de 2013.

Tudo muito certo, exceto uma realidade: é que, em 2013, os CTT eram públicos. Privatizou-se a empresa em

novembro e os privados ficaram com os lucros do ano inteiro, que são 60 milhões, quando tinham a empresa

há um mês. Foi esta a privatização dos CTT.

Em 2015, distribuem-se os lucros de 2014 — 66.25 milhões. O que é que isto quer dizer? Em 10, 15 anos,

quem comprou os CTT vai recuperar todo o dinheiro que investiu em dividendos. Para o Estado português fica

nada, não terá os CTT, não terá dinheiro de lado nenhum, acabou, o investimento acabou.

Última pergunta: a quem é que os CTT pagaram estes dividendos? Onde é que está esse dinheiro? Está

em Portugal? Está em empresários portugueses? Onde é que está?

Para terminar, Sr.ª Presidente, vou ler os nomes de quem ficou com os dividendos dos CTT: Standard Life

Investments, Artemis Investment Management, Kames Capital, UBS, JP Morgan, Allianz. São estas as reais

instituições que ganharam com a privatização dos CTT.

Agora, hoje, aqui, a olhar para aquilo que aconteceu com os CTT, podemos ver a essência das

privatizações, quem ganha e quem, de facto, perde com esta política do Governo.

Aplausos do BE.

A Sr.ª Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Vera Rodrigues.

A Sr.ª Vera Rodrigues (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Começo por cumprimentar o

Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações pela petição que fez chegar à

Assembleia da República.

De facto, o processo de privatização foi concluído com sucesso e entendemos nós que a melhor garantia

que os trabalhadores podem ter relativamente ao seu futuro é, de facto, terem os CTT como uma empresa

sólida, viável, com capacidade de crescer, com capacidade de se financiar e de assegurar o serviço público

universal, que, ao contrário daquilo que a oposição aqui tende a insinuar, não está de maneira alguma posto

em causa.

Disse-nos o Sr. Deputado Paulo Campos que a troica não dizia para privatizar os CTT.

O Sr. Paulo Campos (PS): — Dizia a 100%!.

A Sr.ª Vera Rodrigues (CDS-PP): — Não é verdade. Mas se a troica não dizia, dizia o Partido Socialista,

em março de 2011, no PEC.

Aplausos do CDS-PP.

Portanto, o Partido Socialista até se antecipou àquilo que, de facto, assinou e combinou com a troica.

O Sr. Paulo Campos (PS): — Leia o que lá está escrito!

A Sr.ª Vera Rodrigues (CDS-PP): — Leia o Sr. Deputado. Sabe porquê? Porque coerência também é

sinónimo de credibilidade, o que é muito importante.

Gostaria ainda de dizer que, hoje, é possível fazermos um balanço e questionarmo-nos sobre se, de facto,

houve os despedimentos que a oposição e o PCP aqui tanto referiram. Não, não houve despedimentos, e os

trabalhadores estão satisfeitos e em paz social.

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