26 DE ABRIL DE 2022
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como servir melhor as comunidades no estrangeiro. Mas compreender que estas comunidades são parte
indispensável da nação que formamos, um recurso essencial para a nossa influência no mundo e um exemplo
vivo de que identidade e integração, multiculturalidade e coesão são polos que se complementem e não opostos
que se digladiem, compreendê-lo é a melhor maneira de enfrentar os problemas: os problemas dos portugueses,
de novo às voltas com as consequências económicas da guerra, e os problemas do mundo, carente de mais
pessoas como nós, amigas da paz.
Foi o 25 de Abril que investiu os portugueses residentes no estrangeiro como cidadãos portugueses de corpo
inteiro. Merecem, pois, ser finalmente tema principal do discurso de um presidente do Parlamento, na sessão
solene comemorativa da nossa libertação.
Aplausos do PS.
A revolução que encheu de cravos os canos das espingardas fez dos portugueses residentes no estrangeiro
e dos seus descendentes membros plenos da comunidade cívica que é a nossa Pátria. E, assim, Portugal
alargou horizontes e fortaleceu-se no seu papel mais frutífero no concerto das nações: como berço e casa de
gente a seu modo cosmopolita, pacífica, humanista, solidária, aberta aos outros, calcorreando pelo mundo e em
todo o lado derrubando muros e erguendo pontes.
Também por isso, Capitães de Abril, por terdes iniciado o movimento que permitiu a Portugal construir uma
democracia onde cabem todos os portugueses, independentemente do lugar onde nasçam ou residam, Capitães
de Abril, muito obrigado! Do fundo do coração, muito, muito obrigado!
Aplausos do PS, do PCP, do BE, do L e de Deputados do PSD, de pé, e do PSD, do PAN e do Deputado do
IL Rodrigo Saraiva.
O Sr. Presidente da República vai agora dirigir uma mensagem ao Parlamento.
Faça favor, Sr. Presidente da República.
O Sr. Presidente da República (Marcelo Rebelo de Sousa): — Sr. Presidente da Assembleia da República,
Sr. Primeiro-Ministro, Sr.ª e Srs. Presidentes dos Tribunais Supremos, Sr. Presidente António Ramalho Eanes,
Srs. Presidentes João Bosco Mota Amaral e Eduardo Ferro Rodrigues, Sr. Núncio Apostólico, em representação
do Corpo Diplomático, Srs. Membros do Governo, Digníssimos Convidados, em particular representantes e
Capitães de Abril, Sr.as e Srs. Deputados, Portugueses: Saúdo com elevada consideração pessoal e
solidariedade institucional V. Ex.ª, Sr. Presidente, e, na pessoa de V. Ex.ª, as Sr.as Deputadas e os Srs.
Deputados, na primeira vez em que uso da palavra perante a Assembleia da República depois da eleição de
janeiro último.
Formulo calorosos votos dos maiores sucessos, a bem de Portugal, que o mesmo é dizer de todos os
portugueses.
E permitam-me que aqui evoque, também, com muita saudade, quem nos acompanhou 25 de Abril após 25
de Abril com a constante militância cívica que pautou a sua vida por Portugal, o Presidente Jorge Sampaio.
Aplausos do PS, do PSD, do PCP, do BE, do PAN e do L.
Sr.as e Srs. Deputados, Portugueses: Há um ano falei-vos do Portugal na sua caminhada do império até ao
25 de Abril, à descolonização e à democracia. E nunca é demais evocar e agradecer o gesto refundador dos
Capitães de Abril. Pense-se o que se pensar sobre o que foram antes e depois desse gesto, ele foi único,
singular e decisivo. Sem ele não haveria hoje uma Assembleia da República livre, com vozes livres. Não há
como esquecê-lo na escrita ou na reescrita da História.
Hoje, falo do que vem de muito antes de Abril, vem do começo de Portugal. Mesmo se só têm 700 anos no
mar, 400 anos dos quais como corpo permanente e organizado, muitos séculos em terra e um século no ar, são
as nossas Forças Armadas garantes da independência, da soberania, da integridade e da unidade da nossa
Pátria. E, nestes tempos em que a guerra na Europa reentra nas nossas casas, toca as nossas vidas, muda o