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36 | II Série A - Número: 016S2 | 15 de Outubro de 2014

nomias avançadas, a revisão do PIB em baixa para 2015 decorreu sobretudo da alteração de perspetivas para o Japão e para a área do euro (especialmente em França e Itália). As trocas comerciais mundiais foram igualmente revistas em baixa para 2015. Relativamente à área do euro, assistiu-se no período mais recente a uma perda de dinamismo económico, refletindo-se num crescimento menos forte do investimento privado. Os riscos geopolíticos acrescidos em torno da crise da Rússia (com a imposição de sanções por parte da UE e do embargo desse país à importação de determinados produtos alimentares) e do Médio Oriente podem prejudicar a confiança das empresas e dos consumidores. Nesta perspetiva, um desempenho menos positivo do que o previsto para a área do euro, especialmente dos principais parceiros comerciais de Portugal, na medida em que consubstanciaria um desenvolvimento menos favorável da procura externa, teria assim consequências para o crescimento económico nacional.
Atualmente, um dos principais fatores que poderão levar a um crescimento económico mundial abaixo do previsto prende-se sobretudo com a evolução das economias emergentes, em parte, associada aos efeitos de uma orientação da política monetária dos EUA mais restritiva (eventual subida das taxas de juro dos fundos federais e fim dos estímulos monetários pela Reserva Federal) com reflexo nas alterações cambiais e possível impacto no aumento da incerteza e volatilidade nos mercados financeiros internacionais, o qual poderá refletir-se em fuga de capitais dos países emergentes, tal como sucedeu em meados de 2013 e no início de 2014. De acordo com o último Relatório do BIS5, o montante de dívida emitida por empresas em alguns mercados emergentes e colocada em investidores internacionais, já é superior ao PIB destas economias, deixando os credores mais vulneráveis a potenciais choques nas taxas de juro ou de câmbio, existindo, por isso, riscos no mercado dessas obrigações empresariais e possíveis “bolhas financeiras”.
Adicionalmente, existe um risco associado ao facto de as taxas de inflação na área do euro permanecerem demasiado baixas durante um período demasiado prolongado, podendo implicar a aplicação de medidas orçamentais mais restritivas para se atingir o saldo das AP.
A intensificação das tensões geopolíticas nos principais produtores de petróleo (Iraque, Ucrânia, Líbia e a Rússia) não provocou, por enquanto, quaisquer perturbações em termos de oferta do petróleo nem alterações no sentido da subida do seu preço. No entanto, a evolução política nesses países poderá afetar a expansão da capacidade de oferta de petróleo e criar pressões mais fortes sobre o aumento dos preços do petróleo no mais longo prazo.
No caso da área do euro, embora se tenha assistido a uma diminuição dos riscos financeiros associados às dívidas soberanas nos últimos anos, devido à persistência de uma política monetária marcadamente acomodatícia por parte do BCE e aos progressos alcançados em torno da construção da União Bancária Europeia e da consolidação orçamental em vários países, continuam a persistir alguns riscos relacionados com a estabilidade do sector bancário.
Com efeito, os resultados dos testes de esforço bancário (enquadrados no Mecanismo Único de Supervisão) só serão conhecidos no final de outubro 2014, constituindo, por isso, um fator de elevada incerteza quanto à avaliação da solidez do sistema bancário.
No quadro nacional, relevam os riscos associados à capacidade de financiamento da economia, dada uma ainda incompleta desalavancagem do sector privado, tanto ao nível das famílias como das empresas, que poderão constituir um travão à procura interna, sobretudo ao investimento. 5 Bank for International Settlements, Relatório trimestral, setembro 2014. http://www.bis.org/publ/bcbs260.htm.