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14 DE DEZEMBRO DE 2013

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Após uma infância vivida em Chaves, Nadir Afonso estudou Arquitetura na Escola de Belas-Artes no Porto

e prosseguiu os seus estudos na École des Beaux-Arts de Paris, em França.

Em Paris, Nadir Afonso trabalhou com Le Corbusier, ao mesmo tempo que pintava no ateliê de Fernand

Léger, tendo como colegas e amigos Max Ernst, Iannis Xenákis, Victor Vasarely e André Bloc, entre outros.

De 1952 a 1954, trabalhou, no Brasil, com o arquiteto Óscar Niemeyer, tendo inclusive dirigido o seu ateliê,

em São Paulo.

Nesse ano, regressou a Paris, retomando contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, e

desenvolveu estudos de estética e pintura que denominou ‘Espacillimité’, expondo este seu conceito, animado

de movimento, no Salon des Réalités Nouvelles, em 1958.

Mas o seu passado vivido ‘detrás dos montes’, a sua ‘educação simples contrária ao jogo social das

conveniências, das considerações forçadas e dos seus interesses subjacentes’, nas suas próprias palavras,

cedo o conduzem ao refúgio no isolamento e à dedicação exclusiva à arte, tendo abandonado definitivamente,

em 1965, a arquitetura.

Paralelamente à pintura, Nadir Afonso pensou profundamente a sua obra, deixando um notável conjunto de

textos, onde inscreve uma vigorosa reflexão teórica sobre os pressupostos da criação artística, atividade ímpar

no contexto dos artistas portugueses da sua geração.

Para Nadir Afonso, autor de uma teoria estética, a arte é puramente objetiva e regida por leis de natureza

matemática, que tratam a arte não como um ato de imaginação mas de observação, perceção e manipulação

da forma.

Em 1970, a Fundação Calouste Gulbenkian, dedica-lhe uma retrospetiva, apresentada no Centre Culturel

Portugais, em Paris, e posteriormente em Lisboa.

Tendo alcançando um elevado reconhecimento internacional, Nadir Afonso foi distinguido, em 1967, com o

Prémio Nacional de Pintura e, em 1969, com o Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso. Foi condecorado com o

grau de Oficial (1984) e de Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada (2010). Recebeu ainda o

título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusíada de Lisboa (2010) e pela Universidade do Porto

(2012).

Em 2010, quando fez 90 anos, o Museu do Chiado, em parceria com o Museu Soares do Reis, dedicou a

Nadir Afonso uma extensa exposição intitulada ‘Nadir Afonso. Sem Limites’. Nela se reuniram cerca de 150

obras, especialmente da primeira metade do percurso do artista, entre 1930 e 1960.

Depois desta, que foi a maior exposição dedicada à sua obra, Nadir Afonso morreu sem ver, contudo,

inaugurada a sede da Fundação com o seu nome, em Chaves, um projeto do arquiteto Siza Vieira.

Nadir Afonso, como sublinha o pintor Júlio Pomar, é um verdadeiro ‘mito’, um ‘homem-espetáculo’, cuja

particularidade marcou não só a sua geração mas gerações de artistas vindouras.

O homem que afirmou ‘Se tiver um metro quadrado de espaço para trabalhar, sou tão feliz como numa

grande cidade’, fica, assim, na história da arte portuguesa e a sua obra continuará a ser um exemplo de

vanguardismo e perfeição. Como o próprio confessou, ‘não procurava nem a celebridade nem a fortuna’,

sendo toda a sua obra uma incessante procura ‘da essência da Arte’.

Preservou sempre a ligação a Chaves, sua terra natal, onde sempre voltava, e onde, hoje, regressará.

A Assembleia da República, ciente do trabalho prestado por Nadir Afonso Rodrigues ao longo de toda a

sua vida, presta um merecido tributo à sua memória e endereça à sua família um voto de sentido pesar.

Assembleia da República, 12 de dezembro de 2013.

A Presidente da Assembleia da República, Maria da Assunção A. Esteves — Os Deputados, Luís

Montenegro (PSD) — António José Seguro (PS) — José Ribeiro e Castro (CDS-PP) — Miguel Tiago

(PCP) — João Pinho de Almeida (CDS-PP) — Catarina Martins (BE) —Amadeu Soares Albergaria (PSD)

— Maria Manuela Tender (PSD) — Maria Conceição Jardim (PSD) — Isilda Aguincha (PSD) — Nilza de

Sena (PSD) — Rosa Arezes (PSD) — Miguel Santos (PSD) — Graça Mota (PSD) — João Semedo (BE)

— Inês de Medeiros (PS) — Jorge Lacão (PS) — Ferro Rodrigues (PS), — Paula Santos (PCP) — Maria

de Belém Roseira (PS) — Alberto Martins — Hortense Martins (PS) — Agostinho Santa (PS) —

Francisco de Assis (PS) e mais três assinaturas ilegíveis.

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