O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

9 DE DEZEMBRO DE 1977 559

insultou-se este próprio partido quando se proeurou desvirtuar as suas intervenções, canalizando as controvérsias para determinadas pessoas ou para determinados factos.
Era, para repor a verdade sobre os comportamentos que eu pedi a palavra, deixando efectivamente que o Partido Socialista se possa continuar a vangloriar de ser um partido de esquerda quando ele próprio, pela boca do seu secretário-geral, declarou aqui que não se aliava nem com os partidos à sua direita nem com os partidos à sua esquerda, para não fazer maiorias de esquerda ou de direita, o que significa que o Partido Socialista continua na posição de uma entidade amorfa que toma a cor dos larios para onde possa pender.

Vozes do PSD: - Muito bem!

Risos e protestos do PS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Carlos Lage (PSD): - Sr. Presidente e Srs. Deputados, é para um rápido contraprotesto, porque nós não queremos desviar o sentido deste debate...

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Tem-se visto! Que lata!

O Orador - ... sendo necessário repô-lo no devido caminho.

Risos do PSD.

O Sr. Deputado Cunha Leal diz que foram proferidos insultos contra o seu partido. Eu não fiz qualquer insulto ao PPD/PSD, e não o fiz porque o não pretendo, embora às vezes possa ser mais débil ou errado na análise - cada qual tem de admitir as suas debilidades - e possa muitas vezes não fazer as análises criticas, mas adequadas ou aquelas que agradariam ao PPD/PSD.
Ora é bom, não confundir debate de ideias com insultos. Também é preciso dizer que, quando um homem público é truculento, quando um homem público se expõe às criticas porque faz criticas constantes e contraditoras, esse homem público não pode querer ficar imune ou furtar-se ás criticas. Quem anda à chuva, diz o povo, molha-se. É isso que tem acontecido com o presidente do PPD/PSD, de que fala o Sr. Deputado Cunha Leal, e nós, os socialistas, estamos a pensar na mesma pessoa em que o Sr. Deputado Cunha Leal está a pensar, embora ele não seja, pelos vistos, o presidente efectivo do PPD/PSD.
Quanto ao vangloriarmo-nos de ser um parado de esquerda, não é vanglória nenhuma, Sr. Deputado Cunha Leal é uma constatação, é uma realidade e é também um empenho e um compromisso. Que o Sr. Deputado Cunha Leal, possa ter possivelmente algum ressentimento quanto a isso, o problema não é nosso. Nós sempre nos manifestamos e apresentámos como partido de esquerda e das classes trabalhadoras.
Dizer também que o Sr. Primeiro-Ministro contradisse ao afirmar que não acenávamos maiorias de esquerda ou de direita é confundir realidades sociológicas com aritméticas políticas...

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - ... e já temos aqui falado bastante em aritmética e em política.
Quem não sabe distinguir estes dois campos, não vou dizer que tem de ir para a escola, mas pelo menos tem de ter mais atenção àquilo que diz.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (Indep.): - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Membros do Governo: Não é fácil, no escasso tempo de que dispomos, buscar resposta para as múltiplas interrogações que o discurso do Sr. Primeiro-Ministro levanta, analisá-lo com o cuidado de que, sem dúvida, é merecedor, nem, sobretudo, traçar o que, em nosso entender, é o balanço de dezasseis meses de actividade do Governo. Balanço tanto mais importante, quanto é certo que é à luz deve que, necessariamente, se terão que definir as posições em face da moção de confiança submetida a esta Assembleia.
Daí que a nossa intervenção venha a pecar pela omissão de muitos aspectos essenciais e pela forçosa simplificação de alguns outros. É um risco que deliberadamente assumimos ao aceitarmos intervir nas condições em que o fazemos, para que, ao menos, se torne possível apontar algumas das razões que determinam o que será a nossa atitude. E digo a nossa atitude - não a minha porque falo aqui>i não apenas em meu nome pessoal, - mas também em nome dos meus camaradas Deputados Brás Pinto e Vital Rodrigues.
Quando o Sr. Primeiro-Ministro se dirige à Assembleia solicitando a sua confiança, para, do mesmo passo, deixar claro que se acaso vier a merecê-la o Governo será profundamente reestruturado, seria legitimo perguntar - como já aqui foi feito - a que governo vai a Assembleia conceder ou recusar essa confiança. Àquele que temos neste momento perante nós ou àquele outro, que ignoramos qual venha a ser?
Seria legítimo perguntar ao Sr. Primeiro-Ministro se ao pôr a questão nesses termos não estará a pedir que a Assembleia se pronuncie sobre um governo que ele próprio, de antemão condenou.
Seriam legítimas e importantes essas interrogações se o Sr. Primeiro-Ministro não tivesse acrescentado, por forma expressa e inequívoca, que a reestruturação governamental que anuncia, não poderá ser interpretada, como sinal de qualquer mudança política, até agora prosseguida e que, bem, ao contrário, seja qual for, a sua composição, se o Governo merecer a confiança da Assembleia, não mudará de política.
Eis o que traça de forma precisa os contornos do problema com que nos confrontamos e reduz a questão da restruturação governamental às dimensões de