O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

121

DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

Discurso do sr. deputado Luciano de Castro, pronunciada na sessão de 17 do corrente, e que devia ler-se a pag. 63, col. 1.º d'este Diario

O sr. Luciano de Castro: — Se ha aqui renegados, não estão do nosso lado. Se alguem renegou o seu programma, desertou das suas bandeiras, e deixou sepultar hoje os seus principios politicos, não somos nós; não é a opposição.

Quem disso ao illustre deputado que a opposição, perfilhando a proposta do governo para a reforma da carta constitucional, renunciou por isso aos seus principios?

Quem disse ao illustre deputado, que nós, pelo facto de querermos obrigar o governo a ser coherente ou contradictorio, como ha pouco se mostrou, esquecíamos e rasgávamos o nosso programma politico?

Quem lhe disse que, porque nós, vendo que não podiamos conseguir ao menos que fosse apoiada a leitura dos projectos, que tinhamos apresentado para a reforma da carta, e reconhecendo que nos era impossivel conseguir o melhor' nos associávamos para apoiar a leitura do projecto do governo, que se não continha o optimo, se não resumia as nossas aspirações de reforma constitucional, ao menos consubstanciava e promettia alguns melhoramentos no codigo fundamental, renegávamos por esse acto as nossas opiniões, e abatíamos as nossas bandeiras?

Quem foi que modificou as suas idéas? Quem foi que abandonou o seu programma? Fomos nós que apoiámos a reforma da carta apresentada pelo governo, porque não podemos conseguir que fosse apoiada a que propozemos? Ou foi a maioria que deixou de apoiar os projectos da opposição, que apoiou nos annos anteriores, e o governo que agora se vê condemnado a votar contra uma proposta sua?!

Depois d'isto dizemos, senhores do ministerio. O que vos fica do vosso programma politico? (Apoiados.) Fica-vos a reforma administrativa, que o sr. Sampaio condemnou ao esquecimento? (Apoiados.) Fica-vos a reforma da instrucção publica, que está condemnada tambem a não lograr a sancção parlamentar, segundo parece? (Apoiados.) Ficam-vos os pimpões, a divida fluctuante a crescer cada vez mais; o compadre Tavares e tantos outros compadres? (Apoiados. — Vozes: — Muito bem.)

É o que fica ao ministerio, depois de rasgada a reforma da carta! Fica-lhe mais alguma cousa ainda. Fica-lhe o ramal do Pinhal Novo, e a elevação das tarifas dos caminhos de ferro. Levantado sobre tão gloriosos trophéus, e erguido sobre taes monumentos, o governo póde bem despedir-se sem saudades da reforma da carta. (Vozes: — Muito bem.)

Sr. presidente, nós que temos visto a camara oppor-se, pelas suas intolerantes votações, até a que se leiam os nossos projectos, não podiamos desejar maior vingança dos srs. ministros, do que a que hoje alcançámos.

Renegados não os ha aqui. Ha antes triumphadores. Somos nós que vencemos. Somos nós, que obrigámos o governo a rejeitar publicamente a sua reforma da carta, aquella celebrada reforma reclamada pelo espirito do seculo. Hoje, aqui, em votação publica foi solemnemente declarado, que nem o governo nem os seus amigos perfilham já a proposta de lei, que apresentaram e apoiaram em 1872. (Apoiados.)

Depois de prestar alguns serviços incontestaveis ao paiz, a par de muitos abusos e de frequentes e gravissimas faltas, o partido regenerador escreveu hoje o seu epitaphio. (Apoiados.) Como partido politico, o partido regenerador desappareceu; abdicou. (Apoiados.) Não, não podeis mais enfileirar-vos ao nosso lado e appellidar-vos de progressistas, desde que por vossas proprias mãos rasgastes o programma que symbolisava as vossas mais adiantadas aspirações.

Não sois progressistas. Progressistas são os que querem que se avance prudentemente, mas sem repouso, no caminho largo da civilisação e da liberdade. Progressistas são os que querem a reforma sensata e racional das instituições fundamentaes do estado. (Apoiados.) Progressistas são aquelles que, sem se apoiarem nas turbulências e agitações revolucionarias, querem por meios legaes propôr e discutir pausadamente as convenientes e necessarias reformas na constituição do estado. (Apoiados.) Não são aquelles ingénuos estadistas que sonham com uma reforma da carta nas condições indicadas pelo sr. presidente do conselho. (Apoiados.)

A opposição não perfilhou a proposta apresentada pelo governo para a reforma da carta senão por que viu que não podia conseguir mais, e por que queria obrigar os srs. ministros a manifestarem publicamente as suas opiniões a este respeito, e força-los a fazerem o que fizeram.

A verdade, porém, é que o procedimento dos srs. minis

Sessão de 24 de janeiro