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mercado, mas serve para a circulação. Isto não é novo.

O illustre deputado, para ser tido por um grande revelador, e mostrar que jamais appareceu uma abundancia de ouro como agora, fingiu ignorar a historia, fingiu ignorar que sairam daqui as armadas portuguezas; que não vieram aqui as náos da India; que se não descubriram as Indias, etc.. etc.. quando tudo que se passa agora, se passou depois da descoberta da America. Pois, senhores, não ha nenhum fenomeno, nem o mais pequeno motivo para o illustre deputado ter medo do ouro

Supponha o illustre deputado que em Portugal ha mais de 700 conselheiros de estado; que ha mais de 700 individuos com cartas de Conselho; que ha mais de 700 generaes; mais de 700 coroneis, 300 tenentes-coroneis; mais de 1:000 officiaes de secretaria; isto tudo póde ser; supponha o illustre deputado, que existe tudo isto, e que ha uma refórma sobre cada um dos seus fardamentos; que aquelles que tinham 2 galões de ouro, passam a ter 4, 5, ou 6. Só nisto, ahi tem o illustre deputado uma grande extracção ao ouro. Tudo que até aqui usavam em ouro as classes inferiores, não era senão um meio de enfeite, e principalmente um meio de economia; e hoje é um meio de goso. Mas e facto é, que essas variações são muito pequenas, e que nunca estão em relação com essa multiplicação de ouro.

Sr. presidente, eu peço desculpa á camara; tudo isto foram considerações estranhas ao assumpto de que agora se estava tractando. Eu voto primeiro por que, se houver escrupulos, se nomeie uma commissão; eu declaro que não tenho nenhuns.

Eu não quero descer a outras considerações a este respeito, porque não quero dar a isto o caracter do um debate politico, mas effectivamente é este o lado, por que se tem querido considerar a questão. Sabe-se que o governo tem uma somma de prata para cunhar, e querem estorvar que haja essa moeda. O governo já disse que a não cunhava, senão em certas proporções; a questão politica ficou morta nessa occasião. O que se quer é uma ordem de prisão para a prata não saír da casa da moeda; e aquelles mesmos que á pressa e contra lei prohibiram que a prata saisse do paiz, aquelles mesmos que, julgavam que no futuro só este metal havia de ser o regulador dos valores, esses mesmos, esquecendo-se dos principios que sustentaram na camara, e dos seus actos officiaes, pedem agora que toda a nossa moeda seja ouro! O fim é visivel.

Eu, sr. presidente, voto por que se conserve a moeda de 10$000 réis. Voto porque a moeda, a que se referiu o illustre deputado; fique na lei commum, sentindo muito, por ser coisa sua, que não se tome uma disposição especial a respeito della... (O sr. Santos Monteiro: — Não é neste artigo que se tracta desse objecto) mas tem-se fallado nelle. (O sr. Santos Monteiro: — Tem-se fallado em tudo menos no artigo) Pois eu segui o curso. N'uma palavra, o meu voto é o seguinte: voto positivamente por que se conserve a moeda de 10$000 réis; voto por que se não insira na lei a taboada; e voto por que a respeito da pesagem, se houver escrupulos na camara, se nomeie a commissão para se decidir.

O sr. Barão d'Almeirim: — Eu creio ser o unico que tenho a palavra sobre a questão, e, como a julgo sufficientemente discutida, peço a v. ex.ª que consulte a camara sobre se tambem a julga discutida.

O sr. Presidente: — Effectivamente era o unico inscripto.

O sr. Avila: — Eu tinha a palavra sobre a ordem.

O sr. Presidente: — Mas á vista do requerimento não lh'a posso conceder.

O sr. Avila: — De accôrdo; eu quero só dizer que estava inscripto.

Julgou-se a materia discutida.

O sr. Presidente: — Ha sobre a mesa uma substituição do sr. Avila ao artigo 1.° e paragrafos; se o artigo não passar, será proposta á votação a substituição do sr. deputado.

Foi approvado o artigo 1.° com os contidos na emenda da commissão.

O sr. Julio Pimentel (sobre a ordem): — Quando se approva qualquer artigo, é independente da redacção... (Vozes: — Salva a redacção — O sr. Avila: — Quer-se alterar a redacção!) a redacção póde-se alterar; o que não se póde alterar é a doctrina. Eu quizera que se considerassem os numeros que aqui estão consignados como objecto de redacção, porque é mais unidade menos unidade, para se poderem ainda verificar, satisfazendo-se deste modo á opinião daquelles senhores, que suppõem que os numeros não estão exactos: propunha pois que se considerassem estes numeros, como objecto de redacção, para que a commissão de redacção empregasse os meios convenientes para verificar, se estavam ou não, exactos. (O sr. Avila: — Eu convenho nisso)

O sr. Presidente: — Tem a palavra sobre a ordem o sr. ministro da fazenda.

O sr. Avila: — Eu tinha pedido a palavra.

O sr. Ministro da fazenda: — Eu cedo ao nobre deputado.

O sr. Avila: — Não, senhor; o nobre ministro de certo está de accôrdo comigo nas considerações que tenho a apresentar, mas estimaria mais que s. ex.ª fallasse primeiro.

O sr. Ministro da fazenda (Fontes Pereira de Mello): — Se o nobre deputado deseja, por conveniencia sua, que eu falle primeiro, estou prompto a fallar. Pareceu-me que o nobre deputado impugnava a idéa do sr. Julio Pimentel... (O sr. Avila: — Não, senhor) pareceu-me ouvir-lhe dizer que não era objecto de redacção; (O sr. Avila: — Não, senhor; não disse) foi então que pedi a palavra sobre a ordem. A vista das difficuldades que pareciam nascer da opinião emittida pelos illustres deputados que combatiam os numeros, lembrou ao sr. Julio Pimentel, isto é, lembrámos nós que ha pouco fallamos a esse respeito, que seria conveniente, mesmo de accôrdo com a opinião dos nobres deputados, que a commissão de redacção apresentasse os numeros que fossem mais exactos, na conformidade das tabellas que todos nós conhecemos; não a commissão de redacção só de per si, que embora seja composta de cavalheiros muito illustrados, comtudo póde ser que não sejam os mais competentes na materia; mas a commissão de redacção, chamando ao seu seio os cavalheiros mais especiaes da camara. (Apoiados)

Eu sinto, sr. presidente, que um documento que o governo, a maioria e a commissão de fazenda deram da sua docilidade, do seu amor á verdade e ás conveniencias publicas, fosse tão mal tractado pelos nobres deputados que se sentam na direita da camara,