O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

12 Diário da Câmara dos Deputados

que lhes efective todas as responsabilidades.

A União Republicana nunca promoveu desordens, não deu nunca a sua solidariedade a desordeiros; não o fará jamais, Reputa inútil recomendar ao Govêrno que mantenha a ordem, por que êle é, pela sua incompetência e, tambêm, pelas suas solidariedades, incapaz de o fazer; mas quere dizer-lhe que, nas suas diligências para restabelecer a ordem, não encontrará nunca a União Republicana ao lado de quem quer que se envolva em desordem.

O discurso será publicado na íntegra quando o orador restituir as notas taquigráficas.

O Sr. Júlio Martins: - Entende que o sentir da oposição evolucionista foi nitidamente exposto pelo seu ilustre leader, e não teria tomado a palavra se não tivesse ouvido afirmações que não compreende.

Pelo que apurou das impressões do Sr. Ministro do Interior, o Govêrno não está ainda na posse do que foi o movimento, mas em notas oficiosas afirmou já que êle era devido a operários e agitadores despedidos de casas de jôgo.

Não compreende, porque, a par desta indecisão do Sr. Ministro do Interior, viu que das bancadas da esquerda o leader democrático tem uma opinião firme sôbre êsses acontecimentos; que no modo de ver de S. Exa. não podem ser um grito de fome ou ter por origem a crise das subsistências, mas que são de carácter político.

Há, portanto, inteira discordância nestas duas afirmações. Se há agentes provocadores e se a maioria ou o Govêrno sabem quem são, não devem lançar suspeições vagas em debates desta natureza. O movimento é, realmente, um grito de fome, e, se ninguêm pode estar a favor de assaltantes e de assaltos, não pode deixar de notar-se que os assaltos às padarias de Lisboa, no tempo do Govêrno Pimenta de Castro, eram, no dizer da imprensa democrática, idênticos aos de hoje.

O preço do trigo, do pão, das carnes, sobe assustadoramente; as classes, tanto as menos abastadas como as remediadas, debatem-se numa crise medonha, e o Govêrno até hoje nada tem feito para minorar a crise das subsistências.

A nota oficiosa teve, portanto, em vista, ao que parece, acirrar ainda mais os
ânimos. Em seu entender, a repressão foi tambêm excessiva.

A crise das subsistências existe e há-de arrastar o país a movimentos de maior gravidade, se o Govêrno não a encarar como ela deve ser encarada, em vez de perturbar, como tem feito, a sociedade portuguesa.

O discurso será publicado na íntegra quando o orador restituir as notas taquigráficas.

O Sr. Alexandre Braga: - Volta novamente a fazer uso da palavra, porque a isso foi de certo modo provocado pelas referências, quer directas, quer indirectas, feitas pelos ilustres oradores da oposição, sôbre as palavras que produziu há pouco.

Com essas palavras nada tem o Sr. Ministro do Interior, visto que elas apenas traduzem um convencimento individual e portanto, ninguêm queira descortinar qualquer contradição entre elas e as que foram pronunciadas por S. Exa. Quanto aos acontecimentos, declara que desde há muito tempo tinha conhecimento de que êles se haviam de produzir e que se preparava premeditada e habilidosamente a greve geral, e não crê, que um movimento motivado pela fome ou pela carestia das subsistências possa ser de antemão organizado.

Se afirmou que houve instigadores, é porque disso tem a convicção.

Sabem todos qae Portugal é de todos os países da Europa o que ainda hoje tem as melhores condições de vida económica e em que a vida é mais barata. Isto é que se deve dizer às classes interessadas, e só assim se fará obra patriótica.

Refutando a afirmação feita de que o Govêrno não tem procurado resolver o problema da crise das subsistências, alude ao arrastamento com que se discutiu o projecto dos cereais, facto que atribui às oposições parlamentares, e, termina, lembrando ao Govêrno, mais uma vez, que deve ser inflexível, mas escrupuloso, na punição dos culpados.

O discurso será publicado na íntegra quando o orador restituir as notas taguigráficas.

O Sr. Júlio Martins: - Ao contrário do orador precedente, entende que os movimentos da fome surgem com uma certa or-