O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Sessão de 2 de Fevereiro de 1916 13

ganização quando, após protestos e reclamações de classes afectadas, as causas determinantes da crise não são atenuadas pelos Govêrnos, e parece-lhe que o Sr. Alexandre Braga coloca o Govêrno em má situação. Se êle estava prevenido do que ia ocorrer, foi imprevidente ou incompetente em não ter debelado desde logo a origem do movimento.

Tambêm, a seu ver, carece de fundamento a afirmação de que o projecto dos cereais foi protelado pela oposição, porquanto a verdade é que o Govêrno já tinha na sua mão a autorização para poder importar até a quantia de 200 milhões de quilogramas de trigo.

Atribui o mau estar da sociedade às hostes do Partido Democrático, porque, em seguida ao movimento de 14 de Maio, não realizou nenhuma das promessas que fizera.

O discurso será publicado na íntegra quando o orador restituir as notas taquigráficas.

O Sr. Ministro do Interior (Almeida Ribeiro): - Sr. Presidente: precisamente porque estou convencido de que o problema das subsistências, o problema económico, extremamente crítico no momento actual, longe de ser de somenos importância é de toda a gravidade, vou reduzir ao mínimo as palavras que entendo dever proferir em resposta ás considerações feitas por alguns oradores sôbre as minhas considerações iniciais.

Em primeiro lugar, devo declarar à Câmara que foi com verdadeiro agrado que ouvi a rectificação feita pelo ilustre Deputado Sr. Costa Júnior, àquela parte das minhas considerações em que eu associei os tumultos ultimamente ocorridos em Lisboa ao movimento grevista da Covilhã. Oxalá que no apuramento final das responsabilidades, as palavras de S. Exa. tenham inteira e completa confirmação;

Eu sei que o operariado fabril da Covilhã havia tempo se agitava em disputa com os industriais, por motivo duma pretendida elevação de salários, mas o facto é que, não obstante lhes ter sido concedida essa elevação, a greve foi declarada sob o pretexto dos chamados serões.

Ora, se essa razão era de tal forma imperiosa para, por si só, poder impelir o operariado da Covilhã à greve, sem pressões de qualquer elemento estranho, eu não terei dúvida alguma em reconhecer que êsse movimento nada tinha directa ou indirectamente com os acontecimentos criminosos que se deram em vários pontos do país e principalmente em Lisboa.

Sr. Presidente: eu disse há pouco que tinha motivos para crer que o movimento insurrecional, ultimamente realizado, não tinha sido sincero quando invocara como pretexto a fome, resultante do actual preço das subsistências, mas apenas se podia e devia atribuir à acção criminosa e nefasta dos agitadores profissionais. É certo que a obra dêsses agitadores achou, naturalmente, um estado de alma propício entre os elementos operários, derivado das difíceis condições económicas que neste momento atravessamos.

Se assim não fôsse, não se teria visto, no relato dos acontecimentos dos últimos dias, a afirmação de que de vários grupos se tinha soltado gritos de viva a revolução social; não se teria a notícia, como já relatei à Câmara, de que se empregaram bombas e tiros contra as fôrças mandadas para restabelecer a ordem e o sossego, forças que procederam tam correctamente que o número de feridos, entre os operários amotinados, foi absolutamente insignificante, comparado com o número de feridos entre os militares, até mesmo a gravidade dos ferimentos recebidos pelos militares é muito maior do que a dos ferimentos recebidos pelos civis.

Increpam o Govêrno de não ter dito o nome dos agitadores.

Entendo que de maneira alguma me cumpria pronunciar êsses nomes. Não tinha, nem tenho elementos para o fazer.

A determinação das pessoas, a quem pode fazer-se a imputação de terem sido mandantes dos tumultos e crimes praticados nos últimos dias, essa determinação compete aos tribunais, cuja acção começou já, embora sob a forma de investigação policial, e continuará até que o apuramento de responsabilidades seja completo. A êste respeito posso fazer á Câmara a afirmação bem categórica de que o Govêrno empenhará todos os seus esforços para que essa acção seja quanto possível eficaz, assim como posso afirmar que, se houvesse repetição de acontecimentos tam lamentáveis como êstes, o Govêrno procederia com a energia com que procedeu agora, porque